O Curso De Pedagogia Sob O Olhar De Ex-Alunas
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Julho 2, 2009
O Curso De Pedagogia Sob O Olhar De Ex-Alunas
Ontem, dia 01 de julho, tivemos o encerramento da disciplina “Memória e Formação Docente: o uso de (auto)biografias na formação docente”. Disciplina de Núcleo Livre, oferecida no Curso de Pedagogia (UFG-Catalão), teve por objetivo efetuar estudos sobre a relação entre memória e formação docente, dando margem aos estudos (auto)biográficos como investigação e formação de histórias educacionais no Brasil, e em especial no Sudeste Goiano.
Nesse movimento, destacamos 3 questões:
1. A importância das Histórias de Vida na conquista, ou reconquista do(a) professor(a) de sua própria história, de suas memórias coletivas.
2. Intensificar o pensamento sobre as questões de memória, história e esquecimento, oportunizando a abertura de outras formas de pensar a pesquisa em Educação.
3. Produzir histórias do curso de pedagogia através dos testemunhos de ex-alunas. Isto, como um exercício de práticas de entrevistas, interpretações e produção de significados.
Nesta primeira versão da disciplina, podemos dizer, o Curso ficou meio que eira nem beira, sendo ajustado de acordo com a demanda estudantil, seu relacionamento com os textos lidos e a proposta disciplinar oferecida.
Acredito que atingimos alguns objetivos. E um deles foi este nosso encontro, reunindo ex-alunas, que foram entrevistas sobre suas memórias de quando foram alunas; as alunas e aluno da disciplina e professores do Curso de Pedagogia. Neste encontro, as experiências das ex-alunas se cruzaram com as da turma de Núcleo Livre.
E na conversa que estabelecemos, destaco uma questão: a paixão em aprender, que era bem perceptível nas primeiras turmas do Curso, que está completando seus 21 anos, já há alguns anos parece não estar desaparecendo das turmas entrantes. É como o dançarino que com a perda da paixão por dançar, perde a graça, a suavidade e a delícia dos movimentos.
Para onde foi a vontade de aprender dos estudantes universitários? O que os motiva a cursarem 4 anos de universidade?
Falar do passado, das memórias, das lembranças pode compor tanto como resistência à destruição da memória, quanto à destruição da Educação e da Escola como lugar privilegiado de produção de conhecimento e aprendizagens.
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Filed Under Historia da Educação 2007 | Posted on Junho 27, 2009
Apresentação De Trabalhos Na Disciplina História Da Educação
No último dia 26 de junho, as alunas da Disciplina História da Educação (Curso de Pedagogia, UFG – Catalão-GO) apresentaram o resultado do Estudo dirigido intitulado: “As idéias pedagógicas no Brasil entre 1759 e 1932: coexistência entre as vertentes religiosa e leiga da Pedagogia tradicional”, texto do Demerval Saviani*. A idéia do Estudo Dirigido foi dividir a turma em 9 grupos, propondo, aos mesmos, uma pesquisa básica, contextualizando o período histórico compreendido como Brasil Colônia, Império e início da República. Os temas propostos foram:
• Riquezas do Brasil colônia
• A escravização: índios e negros
• O conflito entre Colônia e Metrópole
• Fé e Razão
• O Marques de Pombal e o despotismo esclarecido
• Professores e aulas régias
• As instituições escolares
• Os métodos de ensino
• As reformas educacionais
O julgamento do trabalho foi dividido da seguinte forma: 50% da nota, que foi a apresentação, ficaram por conta das alunas avaliarem as colegas. Os outros 50% serão a avaliação do texto impresso entregue ao professor.
No final, fizemos um breve comentário. Primeiramente, sobre o nervosismo da turma. Eu disse que isto era normal, ou seja, tremer as pernas, ter dor de barriga e que na maioria das vezes acontece com todos os professores. Eu, inclusive, já ouvi isto de professores quando fazia o doutorado, e, sem sombra de dúvidas, fico também, se não nervoso, apreensível toda vez que estou para iniciar um novo curso, com uma nova turma.
Chamei a atenção para o fato de que ao se apresentar um trabalho não basta ler, seja no papel, no Retro Projetor ou na imagem projetada no Data Show. O argumento é que ao se apresentar um trabalho, uma idéia o(a) apresentador(a) está sendo um(a) mensageiro(a), alguém que é portador(a) de uma mensagem e que portanto tem que cativar quem o(a) está ouvindo. Despertar o interesse, mostrando domínio de conteúdo, versatilidade de movimentos, gestos ao falar, enfim, faz-se aproximadamente um show. No bom sentido do termo, pois eu já vi pessoas fazerem piruetas e não apresentarem nada de interessante, como já vi também pessoas de bom conteúdo conferindo palestras difíceis de engolir. Afinal, não é todo dia que estamos dando chute e marcando gol. Mas o importante é não fazer qualquer coisa, de qualquer jeito. E isto foi muito comum nas apresentações.
Eu não tenho o hábito de praticar estas estratégias de aula, quais sejam, os seminários apresentados por alunos(as) na graduação. Um dos motivos é este: os alunos ficam atordoados com o nervosismo e imaginam, principalmente nos primeiros anos, que o importante é falar, mesmo que seja qualquer coisa. Como se a fala fosse pontinhos que eles iriam ganhando, cada vez que se pronunciassem independente da forma. Ora, falar é algo que está diretamente relacionado com a forma, postura. É uma arte. Mas, nos últimos anos, venho percebendo que se os alunos e alunas não passarem por estes momentos difíceis e nós não os presenciamos praticando a oratória, nós pouco podemos contribuir para seu aperfeiçoamento. E não se trata apenas de avaliá-los(as). Fazemos com isto uma necessária auto avaliação.
Isto nos leva a pensar também sobre a formação que oferecemos na Universidade. Vou colocar o problema apenas como indício de suspeição, pois ainda não analisei o problema detalhadamente. Trata-se de imaginar sobre a Educação Integral. Com o crescimento das tecnologias da informação, a meu ver, há uma necessidade do aluno dedicar mais tempo com seus estudos e pesquisas pessoais e aproveitar de forma mais intensiva os momentos que nós chamamos de aula. Alunos e professores bem preparados para este momento especial que é a aula é como ver uma partida de sinuca bem disputada. Por outro lado, quando os textos não são lidos, ou o professor não prepara a sua aula, nada acontece, o tempo é perdido, as bolas, da sinuca, não são encaçapadas, não se faz gol.
Para fazer o debate responsável das idéias, tendo em vista a formação do cidadão, da pessoa educada nos “valores da solidariedade humana e respeito pela paz” (chamo a atenção para os dois textos que o Saramago escreveu recentemente no seu blog: Formação 1 e Formação 2) o vínculo entre uma aula/seminário e a perspectiva de tornar o aluno cidadão com estas práticas deveria ser mais estreito possível. Será que estamos no caminho?
Abaixo, algumas fotos da turma.
* SAVIANI, Dermeval. História das idéias pedagógicas no Brasil. 2 ed. rev. ampl. Campinas, SP: Autores Associados, 2008.
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Filed Under Memória e Educação | Posted on Junho 18, 2009
Balanço Da Disciplina Memória e Formação Docente
A aula de ontem, da disciplina de Núcleo Livre, “Memória e formação docente: o uso de (auto) biografias na formação do professor” foi organizada para a apresentação do resultado das pesquisas, que aluno e alunas fizeram sobre a história do curso de Pedagogia em Catalão, a partir de história de vida de ex-alunas. Este foi um projeto proposto como atividade disciplinar, tendo em vista atingir algumas metas:
• Aprender a utilizar a entrevista como estratégia de pesquisa
• Aprender a utilizar a história de vida e estudos (auto)biográficos, como investigação e formação de histórias educacionais
• Proporcionar ao(à) aluno(a) o exercício da reflexão sobre sua própria formação profissional, tendo como referência a história de formação de ex-alunas do Curso.
Desde Março, início do semestre letivo, nós temos lido textos sobre vida de professores. E, em duplas, sugeri à turma entrevistarem ex-alunos(as) do Curso de Pedagogia. Em sala de aula, combinamos o seguinte roteiro:
• Diga o nome completo onde e quando nasceu.
• Como foi sua infância?
• Como foram suas primeiras experiências na escola?
• Como foi o momento da sua vida quando fez o vestibular?
• Quais foram seus primeiros professores de graduação? Quais foram as primeiras disciplinas?Quais foram seus sentimentos no primeiro contato com o curso?
• Quais foram suas dificuldades encontradas no curso?
• O quê o curso de pedagogia mudou em sua vida? O que você mudaria nesse curso?
• Como era o rigor das provas? Você colava? Os professores eram chatos? O que era ser chato? Quem mais te intimidava? O que é intimidar?
• Como foi o momento da sua vida na formatura?
• Você exerce a profissão de professora? Você ingressou no mercado de trabalho antes ou depois na formatura?
O resultado (transcrição da entrevista, fita e/ou CD da gravação e da transcrição e 1 cópia impressa) foi entregue e apresentado aos colegas.
Um ponto a destacar: na maioria das apresentações as alunas salientaram o quanto as entrevistas as fizeram pensar na sua própria formação. Ou seja, ao entrevistarem uma ex-aluna do curso, elas se viram e se reconheceram de forma mais intensiva no processo histórico de constituição do curso de Pedagogia enquanto alunas do próprio curso.
Elas declararam também, do ponto de vista técnico, o quanto foi difícil fazer a entrevista. Ansiedade, nervosismo, dificuldade em agendar com as entrevistadas, dificuldade em lidar com o gravador, enfim, procedimentos naturais e necessários ao aprendizado.
Está agendado para o dia 01 de julho um encontro da turma com as ex-alunas entrevistadas, com o objetivo de apresentar o resultado da reflexão que fizeram e dar continuidade ao debate, que, certamente, não tem um fim previsto.
Abaixo, algumas fotos da aula desta última quarta-feira.
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Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Junho 14, 2009
Coordenadora Geral Do IX Simpósio De Pedagogia Agradece
O texto abaixo foi enviado pela professora do Curso de Pedagogia, UFG –Catalão, Dra. Dulcéria Tartuci*.
IX SIMPÓSIO DE PEDAGOGIA
EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DESAFIOS ÀS PRÁTICAS EDUCATIVAS E
POLÍTICAS PÚBLICAS
UFG/CAC -
Agradecemos inicialmente as profas. conferencistas Profa. Dra. Rosângela Gavioli Prieto (USP), Profa. Dra. Vera Lúcia M. F. Capellini (UNESP-Bauru) e a Profa. Dra. Lázara Cristina da Silva (UFU) por terem nos brindado com os debates acerca da Educação Inclusiva: desafios às práticas educativas e políticas públicas.
Cumprimentamos as profissionais que ofereceram os mini-cursos a profa. Renata Wirthmann G. Ferreira e as graduandas de psicologia; a diretora da Escola Santa Clara, profa. Jane Dark Cândido, a profa Lúcia Netto Tartuci Presidente da Sociedade Pestalozzi e a profa. Maria Lourdes Pedrosa, representante da Secretaria Municipal de Educação; agradecemos ainda à Profa. Alda Rocha Barbalho e a Carla Dourado Machado, ambas da equipe da Subsecretaria de Educação e, novamente a Profa. Lázara (UFU).
Nosso reconhecimento e agradecimento às pessoas que abrilhantaram o evento com suas apresentações artísticas e culturais: aos “meninos e meninas” da orquestra de violões da Fundação Espírita Nova Vida sob a regência do prof. Donizete Martins Borges, à diretora da instituição Sra. Cleuzadir Ayres e ao Sr. Édson por sua presença; ao Coral de Surdos Vozes do Silêncio da Escola Estadual Joaquim Araújo, sob a regência da profa. Maria de Lourdes Dias Paranhos e apoio das intérpretes, as profas Helena Costa Damasceno e Maria Joana Darc Paranhos; nossas considerações ao Coral de Surdos de Ipameri sob a regência de Uiara Jordão e Rosemary Perfeito, contando com o apoio das interpretes as profas. Daniela Lourenço, Adma Rosa e Lidiane Cury. Agradecemos também a importante contribuição da Empresa de ônibus Transduarte e Refrigerantes Amazonas por contribuírem na promoção destas atividades Culturais.
Destacamos o e agradecemos a participação dos alunos e alunas do Curso de Pedagogia e do Curso de Especialização
Agradecemos à direção do Campus Catalão, na pessoa do Prof. Dr. Manoel Chaves, por sua contribuição para que este evento se realizasse e a todos os funcionários e funcionárias que contribuíram para que este evento fosse possível.
Por fim, agradecemos aqueles que promoveram o Simpósio, a coordenação do Curso de Pedagogia, ao secretário, as alunas monitoras e aos professores e professoras do Departamento de Pedagogia, enfim a todos das respectivas comissões de organização do evento que de muitas formas contribuíram para o sucesso do IX Simpósio de Pedagogia.
Ressaltamos também, a organização e realização da festa comemorativa dos 21 anos do Curso de Pedagogia, no Campus Catalão. Parabéns aos profissionais, alunos e parceiros que fazem parte da história deste Departamento e contribuíram com sua construção Científica, Política e Pedagógica.
Nossos sinceros cumprimentos e agradecimentos!
*Profa. Dra. Dulcéria Tartuci
Coordenadora Geral do IX Simpósio de Pedagogia
Educação Inclusiva: Desafios às Práticas Educativas e Políticas Públicas
A Maioridade Do Curso De Pedagogia Da UFG - Catalão
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Junho 13, 2009
A Maioridade Do Curso De Pedagogia Da UFG - Catalão
O Texto abaixo foi enviado cordialmente por Sergio Pereira da Silva*, professor do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás – Campus Catalão.
Um curso, assim como uma pessoa, nasce cheio de potencialidades que precisam ser realizadas e desabrochadas. Quando ainda recém-nascida, a criança vacila para ficar ereta sobre seus próprios pés e busca na postura de seus pais um modelo para se postar e para existir. Assim o fez nosso curso de Pedagogia, inicialmente tão heterônomo, tão dependente da Faculdade de Educação da UFG, em Goiânia.
Aos poucos, tem, como todas as crianças, seus dias de birra, de traquinagens e seus lampejos de criatividade, originalidade e prenúncio de que um grande indivíduo está se formando. O curso, se bem orientado, bem coordenado, sinaliza para possibilidade de se tornar uma referência benéfica e importante para a sociedade, para a região; se, pelo contrário, ficar abandonado à própria sorte, às suas próprias vicissitudes, e se a sociedade dele não quiser notícias, seu futuro pode ser sombrio e infrutífero. O mesmo destino, vaticinam os especialistas, pode acontecer com a criança.
Um curso acadêmico, corre o risco, como também corre toda criança, de ser abusado, ser violentado, se os pais (o gestor) não estiverem atentos. Há gente que explora as crianças exigindo delas um trabalho indevido ou, na pior hipótese, exploram seu corpo. Do mesmo modo, no cotidiano do curso, haverá aqueles discentes, docentes e profissionais administrativos que o explorarão e com ele terão uma relação utilitarista, se o curso e seu gestor fizerem vista grossa.
Quando adolescente, o curso e a pessoa tornar-se-ão questionadores. Acontece a emergência da atitude da suspeita e da problematização do mundo, dos desafios culturais, sociais etc. Momento importante, que será alicerce para a vida adulta. Entretanto, quando o curso ou a pessoa se fixam neste momento e se recusam a crescer, advêm períodos difíceis e conturbados da crítica pela crítica, do discurso pelo discurso, do fazer pelo fazer, da adolescência eterna e tediosa. O adolescente consegue convencer os deuses de que ele é santo!! Nós professores, também! Ficar no simples enfrentamento, na negação da figura paterna, é um momento que precisa ser superado. Este momento adolescente, na vida do curso, pode também gerar fixações devido à falta de projetos e à desorganização para a efetivação desses mesmos projetos. Em outras palavras, pode faltar uma teleologia, um alvo claro e bem definido tanto para o amadurecimento do curso quanto do adolescente.
Mas o adolescente é egoísta, é narcisista e não vê além de sua própria beleza. Dificilmente tem uma relação com o mundo que não seja utilitarista. Assim, um curso adolescente, ou uma pessoa adolescente no curso, teria apenas pretensões de utilização da instituição para proveito próprio, para sua carreira, para sua realização pessoal.
Um curso adolescente não vê a universidade como um todo, como um lugar do qual faz parte e para o qual deve satisfações. Age da mesma forma com a comunidade: a ignora. Mas se o curso adolescente tiver a presença e o exemplo éticos de seus gestores, seus referenciais com probidade profissional, se discutir abertamente esses desafios, eludirá essas atitudes egocêntricas e utilitaristas e superará essa fase adolescente e crítico-emergente tão difícil. Desse modo, humilde e lentamente se tornará adulto, com confiança e serenidade. Essa probidade é mais facilmente alcançada quando a comunidade atenta cobra, exige, posto que já tem consciência política de que o público é conquista da comunidade, precisa da participação da comunidade na sua gestão. Com a pessoa adolescente, o processo é semelhante.
Vinte e um anos são um tempo suficiente para esses processos se efetivarem, para essas contradições e fixações serem superadas. Mas nada acontece por um toque de magia, muita discussão e polêmica temperam esse crescimento no curso, na pessoa e na comunidade. Em outras palavras, produz-se maturidade a partir dos embates, das partilhas, do diálogo, das alegrias e sofrimentos cotidianos, na gestão do curso, na sua rotina administrativa e pedagógica, nas prática de ensino, pesquisa e extensão e, sobretudo, na crescente consciência política da comunidade.
O curso de Pedagogia da UFG de Catalão fez vinte um anos. Do ponto de vista etário já é adulto. Do ponto de vista pedagógico, cresceu muito e já reivindica sua maturidade de direito. Porém, como todo adulto tem seus momentos de auto confiança e suficiência, assim como dúvidas e incertezas angustiantes. Feito de homens e mulheres, tem suas limitações e seus méritos: fraquezas humanas, excelências, limitações, utopias, coragem, egoísmo, altruísmo etc.
Como instrumento educacional e formativo, tem suas alteridades: não educa as crianças e os jovens diretamente, mas pela mediação dos profissionais que forma; não tem receitas para os impasses pedagógicos da rotina escolar, sempre cambiantes, mas oferece uma consistente fundamentação sobre a natureza humana, sua história, seus processos e suas alternativas. A partir destes, o curso de Pedagogia espera que seus egressos façam as inferências cabíveis quando os desafios da prática escolar os chamarem aos ouvidos desses egressos; não produz nenhum espetáculo instantâneo, empírico como um diamante lapidado, seus produtos são lentos, silenciosos, de difícil percepção. Talvez por isso seja tão incompreendido: seu brilho leva tempo para exibir uma imagem, um resultado.
Assim adulto, o curso de Pedagogia da UFG de Catalão tem o diário desafio de se autocriticar, como qualquer pessoa adulta deve fazer. Como curso de uma instituição pública a autocrítica deve ser ainda mais enfática, mais arguta porque somos subsidiados pelo dinheiro e pela credibilidade do cidadão. Nosso trabalho é, e precisa continuar sendo, ético, profissional e competente.
As mazelas e fragilidades próprias da infância e da adolescência ficaram e foram superadas, mas como acontece na vida de todas as pessoas, elas só não voltam pela interferência de um exercício sistemático e rotineiro de auto-reflexão.
Finalmente, há que se reiterar que a auto-reflexão do curso precisa acontecer no interior de uma reflexão da comunidade sobre a importância e os equívocos do curso. Afinal, a instituição pública, assim como o curso de Pedagogia, uma de suas células, existe para a comunidade e precisa ouvir dela suas expectativas.
O curso é adulto, somos profissionais adultos e aguardamos a presença adulta da comunidade para pensarmos juntos os rumos da formação de professores, nesta região
* Sergio Pereira da Silva – é professor no Curso de Pedagogia UFG/Catalão; mestre em educação (UFU) e doutor em Educação na PUC/SP;
















