A Invenção Da Criatura Ou Do Criador?
Filed Under Cinema | Posted on Outubro 10, 2008
A Invenção Da Criação Ou A Invenção Da Criatura?
Quando você chega em casa, o que geralmente faz primeiro? Liga a televisão? Liga o computador? Uma resposta simples e rápida à estas perguntas pode te mostrar sua mínima relação com a tecnologia no seu dia a dia. Acredito que a maioria das respostas seria a televisão e, hoje em dia, o crescente aumento da relação humana com o computador. Alguém pegaria um livro?
Em outro post aqui neste blog, fiz um comentário sobre a relação humana com a tecnologia, utilizando como objeto de análise o filme Blade Runner, de Ridley Scott (1982). Scott coloca em seu filme, frente a frente, o criador com sua criatura, ou seja, leva para as telas do cinema um tema caro ao nosso comportamento contemporâneo, que é a relação com a tecnologia. Na ficção, Deckard (Harrison Ford) é um policial especialista em caçar andróides que saíram da linha, do previsto, do controle humano. Roy Batty (Rutger Hauer) é, além de líder dos replicantes, a expressão maior da máquina que pensa/sente por conta própria, passando a ser um perigo para os humanos. A máquina, inventada pelo homem, passa a ser um perigo para ele mesmo.
Numa versão mais soft, uma mistura de comédia com drama, o filme Simone*, estrelado por Al Pacino, no papel de Viktor Taransky, também mostra esta inversão dramática, onde a criatura, Simone (uma personagem cinematográfica criada no computador), passa a ter o domínio sobre o seu criador (Viktor Taransky). Quem domina quem, é portanto um tema que atravessa estes dois filmes, mostrando-nos uma dimensão problematizadora sobre nossa relação com a tecnologia que, nós, seres humanos, criamos para melhorar, teoricamente, a qualidade de nossas vidas, supõe-se.
Ora, ora, ora: nós não precisamos ir tão longe para vermos esta nossa relação complexa com a tecnologia. Bastaria responder as perguntas do primeiro parágrafo acima e já teríamos um panorama, se não realista, pelo menos engraçado sobre nossas prioridades comportamentais, no tocante a onde mais investimos nosso tempo principalmente nos momentos ditos de laser.
Para ilustrar um pouco mais esta reflexão, veja o vídeo e depois responda a pergunta abaixo:
TV destrói relacionamento
A pergunta ao leitor é: o que acontece quando você chega em casa, você liga o botão da máquina (TV, computador, rádio, etc) ou ela/ele é que coloca você para funcionar?
*Ficha Técnica
Título Original: Simone
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2002
Site Oficial: www.simonemovie.com
Estúdio: New Line Cinema / Jersey Films / Niccol Films
Distribuição: New Line Cinema / PlayArte
Direção: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol
Produção: Andrew Niccol
Música: Carter Burwell
Fotografia: Edward Lachman
Desenho de Produção: Jan Roelfs
Direção de Arte: Sarah Knowles
Figurino: Elisabetta Beraldo
Edição: Paul Rubell
Elenco
Al Pacino (Viktor Taransky)
Catherine Keener (Elaine)
Evan Rachel Wood (Lainey)
Rachel Roberts (Simone)
Jay Mohr (Hal)
Tony Crane (Lenny)
Susan Chuang (Lotus)
Sean Cullen (Bernard)
Rebecca Romjin-Stamos (Faith)
Winona Ryder (Nicola Anders)
Camille Wainwright (Katie Crom)
Jason Schwartzman
Pruitt Taylor Vince
Fonte: Adoro Cinema
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Google Lança Knol
Filed Under Tecnologia | Posted on Julho 25, 2008
Google Lança Knol
Segundo o site Web Para Educadore, o Google lançou o Knol, uma Wikipedia melhorada.
Vejam detalhes aqui:
Knol é a Wikipedia melhorada do Google
knol Tecnologia wikipedia
Mídias, Mediações E Educação - Internet
Filed Under Tecnologia | Posted on Junho 30, 2008
Mídias, Mediações E Educação - Internet
Numa das disciplinas que desenvolvo no curso de Pedagogia – UFG – Catalão, “Mídias, Mediações e Educação” foi combinado com as alunas e alunos 5 trabalhos como avaliação final. Trata-se da construção de material didático para crianças entre 9 e 12 anos, com as seguintes temáticas:
- Telefone
- Televisão
- Telégrafo
- Rádio
- Internet
Cada grupo ficou de preparar um texto e ficou de indicar a forma de como este texto será trabalhado com as crianças. Abaixo segue o texto sobre o Telégrafo.
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A INTERNET, SUA HISTÓRIA E SUA IMPORTÂNCIA NOS DIAS ATUAIS*
Segundo o dicionário Aurélio (1999) o termo Internet quer dizer
INTERNET s.f. (pal. ing.) Rede telemática internacional que une computadores de particulares, organizações de pesquisa, institutos de cultura, institutos militares, bibliotecas, corporações de todos os tamanhos.
A internet é atualmente um dos meios de comunicação indispensáveis na vida do ser humano. Mas poucos nós sabemos que tanto o computador quanto a internet, foram criados com fins bélicos. O computador para lidar com cálculos, e a internet para contatos sigilosos. Segundo o site conhecimento.incubadora.fapesp.br/portal/wiki
Pode-se dizer que a Internet surgiu a partir do momento em que foi criada em
Mesmo sendo criada com fins de guerra a internet é hoje o principal meio de comunicação. A distância, o trabalho, acesso ao conhecimento e até mesmo saudade tomaram novos rumos, depois que a internet se expandiu por todo mundo encurtando distâncias e quebrando barreiras. Hoje é quase que impossível pensar que se pode viver sem e-mails, serviços on-line como: acesso a contas bancárias, e compras pela internet e etc. Já nos acostumamos tanto com o fato de podermos nos comunicar por e-mail quando estamos com pressa, ou podermos nos falar pelo messenger, quando estamos com muita saudade de alguém, e o fato de podermos nos expressar através de diários on-line, como blogs, e nos divulgarmos através do orkut que a internet passou a fazer parte da nossa vida como instrumento indispensável tal como a energia e água encanada.
No século passado, no final da década de 80 e toda década de 90 a internet teve uma evolução fantástica, principalmente por causa do cientista norte americano Tim Berners-Lee que criou o conceito de World Wide Web, conceito esse
que em seus primórdios interligavam sistemas de pesquisas científicas, incentivando uma grande troca de informações pelas universidades. Mais tarde, pesquisas acadêmicas também seriam incorporadas pelo sistema, aumentando ainda mais seu poder de disseminação do conhecimento e tornando mais fácil o compartilhamento de documentos de pesquisas entre os colegas. (conhecimento.incubadora.fapesp.br/portal/wiki/)
Este foi o primeiro protótipo da imensa rede de ligações que hoje é a internet. Com o avanço tecnológico no qual o mundo se encontra e com a velocidade que as descobertas e informações são processadas não demorou muito para que essa troca de informações entre os usuários da internet fosse a mola propulsora para a propagação gigantesca dessa rede telemática que une o universo numa pequena tela.
Essa (…) troca de informação entre usuários foi a grande responsável pela criação e difusão de novos produtos e conceitos no mundo globalizado atualmente. Projetos nunca antes pensados agora podem se realizar, o que era impossível na economia tradicional de informação. O processo por que passa a Internet hoje possui as mesmas dimensões da grande revolução que foi a invenção da imprensa por Gutemberg. Agora, existe uma estrutura produtiva capaz de levar em conta as vontades da “grande cauda”, produzindo-se pequenas quantidades de vários produtos que antes não teriam a rentabilidade necessária para serem produzidos. (conhecimento.incubadora.fapesp.br/portal/wiki)
Quando se pensa na invenção da imprensa a séculos atrás e por conseqüência em todos os meios de comunicação inventados ao longo do tempo, podemos perceber que com esse mundo globalizado em que vivemos podemos ser heróis ou algozes da nossa própria vida. Diante de tanta tecnologia será que ainda temos o discernimento suficiente para percebermos o que ainda é mais importante nas relações humanas?
Pode-se dizer que nunca antes os indivíduos foram tão livres na produção e consumo de bens de informação, reforçando cada vez mais nossos papéis como cidadãos, criaturas com relações fortemente culturais. A sociedade presencia uma transformação não somente no modo de inovação e comunicação como também o modo como percebemos o mundo à nossa volta e como interagimos uns com os outros. Agora nós temos a possibilidade de nos associar entre si e se dedicar em algo de comum interesse, o que antes não era possível com os altos custos e obstáculos à interação humana. (conhecimento.incubadora.fapesp.br/portal/wiki/)
Então fica aqui uma dúvida, entre nós futuras educadoras. Como trabalhar com a questão das novas tecnologias em sala de aula? Mais especificamente a INTERNET.
A partir desta dúvida elaboramos possíveis sugestões, como aliar a internet como grande fonte de pesquisa, sem desqualificar a biblioteca, ou diminuir a importância do livro. Pois é de suma importância que o professor esteja atento a isto para que não fragmente seu trabalho. Diante de tudo isso é que propusemos a seguinte metodologia de trabalho:
METODOLOGIA DO TRABALHO
Realizamos um trabalho sobre internet, onde preparamos um plano de aula para o professor aplicar no ensino fundamental. Essa aula seria dividida em momentos diferentes: levaríamos o vídeo em anexo para as crianças entenderem o que é a internet, em seguida a explicação e tirando as dúvidas das crianças, falar que na Internet existem vários sites que pode nos ajudar a, por exemplo: pesquisar, música, informações, entretenimento e muitos sites para crianças com jogos, brincadeiras e muitas informações sobre qualquer assunto. Para a Internet, não há barreiras.
Em seguida realizaremos uma dinâmica que teriam dois grupos: o primeiro defenderia a internet, colocando que ela só nos traz benefícios, enquanto o segundo grupo teria que apresentar os pontos negativos que a internet apresenta. Na seqüência, teríamos um debate entre ambos os grupos e cada um defenderia o que havíamos proposto. Num outro momento seria convidado um profissional da área de informática para participar de uma conversa com as crianças de modo que esse profissional pudesse esclarecer dúvidas e mostrar como realiza seu trabalho.
Também poderiam ser realizadas as seguintes atividades: - Pedir aos alunos para pesquisar na internet resumos de livros interessantes, que teriam vontade de ler, levar estes resumos impressos, para montarem na sala de aula, um mini comércio de livros, onde fariam com que seus colegas se interessassem pelos livros através das suas divulgações.
Um outro trabalho a partir da internet é a produção de texto: pedir aos seus alunos que criem redações sobre a vida antes e depois da internet, para saberem a importância dela e as desvantagens que a mesma trouxe para suas vidas. Depois proponha um debate, separando os grupos de defesa e da internet, e os grupos contra a internet.
Isto estimula o contato com a escrita, a fala para uma melhor defesa, e a expressão de uma ideologia em termos críticos. Outra importante tarefa que pode ser realizada é através da disciplina de artes, onde o professor pode passar uma música, que indicamos a de Gilberto Gil “Banda Larga”, e pedir aos alunos uma exposição de cartazes sobre o que a musica lhe proporcionou, o que fala e etc.
O professor tem “N” caminhos para realizar um trabalho em cima das novas tecnologias basta que este esteja atento e bem informado, e disposto a querer trabalhar a partir destes novos caminhos. E um dos caminhos para desenvolver um trabalho com a internet, e que ele se torne um projeto, entre outros professores. Como a criação de blogs entre alunos e professores de um outro estado, para estarem divulgando seus trabalhos e trocando informações até mesmo culturais, eventos que possam até contar com um “intercambio“ entre os alunos e a escola.
Vale ressaltar que o que disponibilizamos aqui, não foram receitas, mas sim caminhos que podem ser traçados. Sempre levando em consideração a situação real em que ele trabalha a educação e a realidade dos alunos. Pois de nada ajudará trabalhar situações como as citadas acima se o aluno sequer conhece um computador. E sempre lembrando que para se começar qualquer trabalho é de fato muito importante que o professor leve para sala um histórico do tema proposto para que o trabalho tenha nexo e o aluno entenda que para cada situação vivenciada por ele, houve um processo de mudança, social e cultural. Assim se constrói um projeto.
*Este foi um trabalho proposto pela disciplina de núcleo livre, ministrada pelo professor Wolney Honório Filho, “MÍDIAS , MEDIAÇAO E EDUCAÇÃO
Sugestões de pesquisas - Vídeos no youtube:
“Navegar é preciso”:
http://br.youtube.com/watch?v=DXKHzyb4CKg
“Historia e evolução da internet”:
http://br.youtube.com/watch?v=dU1SYe8k0io
“Historia da internet”:
http://br.youtube.com/watch?v=gGLAGH83X3Q&feature=related
“Historia do computador”:
http://br.youtube.com/watch?v=F3qWg1JBPZg&feature=related
“Gilberto Gil Banda Larga”:
http://br.youtube.com/watch?v=bdjQwrPW_zI
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
http://www.conhecimento.incubadora.fapesp.br/portal/wiki
http://pt.wikipia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet
http://en.wikipedia.org/wiki/Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet_2
http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/04/18/o-objetivo-da-internet-20-e-gerar-inteligencia-coletiva/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_3.0
http://www.wikirus.com.br/Web_3.0,_2.0,_1.0%3F_O_que_isso_significa%3F
http://www.rafaeldohms.com.br/2006/10/19/pensando-em-web-20-o-jogo/pt/
http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=11&rv=Vivencia
**Alunas: Carolina, Cássia, Cirlandia, Drielly, Lazara, Nayara
Mídias, Mediações E Educação - Telégrafo
Filed Under Tecnologia | Posted on Junho 26, 2008
Mídias, Mediações E Educação - Telégrafo
Numa das disciplinas que desenvolvo no curso de Pedagogia – UFG – Catalão, “Mídias, Mediações e Educação” foi combinado com as alunas e alunos 5 trabalhos como avaliação final. Trata-se da construção de material didático para crianças entre 9 e 12 anos, com as seguintes temáticas:
• Telefone
• Televisão
• Telégrafo
• Rádio
• Internet
Cada grupo ficou de preparar um texto e ficou de indicar a forma de como este texto será trabalhado com as crianças. Abaixo segue o texto sobre o Telégrafo.
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O Telégrafo E A Comunicação Social*
A comunicação consiste no ato de emitir, transmitir ou receber mensagens, seja por meio de sons, sinais, gestos ou por meio da linguagem oral e escrita. Para ser completa, é preciso haver um emissor, que produz e envia a mensagem, e um receptor, que recebe e decodifica essa mensagem, procurando apreender o seu conteúdo.
A importância da comunicação para a vida humana pode ser dimensionada por meio de um exercício simples: listar todos os momentos em que ela ocorre durante um dia inteiro na vida de uma pessoa. A lista pode ser incrivelmente longa, desde o primeiro “bom dia” até a hora de ir dormir. A comunicação se confunde com a vida de todos nós, e tem sido assim desde o princípio da aventura humana.
Vale lembrar que quem recebe a mensagem não é um ser passivo, que apenas absorve informações. Direta ou indiretamente, o receptor exerce influência sobre quem transmite a mensagem. Para ser compreendido, o emissor precisa saber em que condições sua mensagem será recebida. Isso vale também para meios de difusão de informações como o rádio e a TV: o ouvinte ou o telespectador não fala diretamente com o emissor, mas de alguma forma interfere na programação por meio de pesquisas de audiência. Com a internet, os sistemas interativos com o público tornam-se cada vez mais freqüentes.
A mensagem é formada por uma estrutura organizada de sinais que viajam entre o transmissor e o receptor. Esse caminho é percorrido com a ajuda de um meio ou suporte, que pode ser a fala, a escrita impressa em um papel, um sinal sonoro, uma placa, um mapa, uma transmissão de rádio.
Ao longo do tempo, os grupos humanos sempre buscaram meios para superar as distâncias espaciais e estabelecer interações sociais, levando cada vez mais longe as mensagens por meio de sinais sonoros, visuais ou escritos. Assim, a comunicação não existe separada da vida social. Não existe comunicação sem sociedade e vice-versa.
A escrita mostrou ser um modo eficiente de levar mensagens a longa distância. Dependendo do desenvolvimento técnico da sociedade e dos recursos disponíveis, as mensagens escritas puderam viajar de barco, veículos automotores, avião, ondas eletromagnéticas ou no lombo de um animal. No mundo contemporâneo já existem a disposição sofisticados meios de comunicação e informação, baseados no extraordinário desenvolvimento científico-tecnológico desse campo nas últimas décadas: telégrafo, correios, telefones fixos e móveis, rádio, TV, satélites artificiais, internet e outros. Alguns deles atingem milhões de pessoas simultaneamente, como é o caso da TV.
Esta seqüência didática propõe atividades que têm como objetivo permitir aos estudantes se aproximarem desses meios e saberem mais sobre sua estrutura e funcionamento. Visam também a possibilitar que exercitem livremente a elaboração e o envio de textos diversos, considerando os destinatários e os meios utilizados para circulação das mensagens.
O telégrafo de Chappe e a comunicação à distância
Todos os seres vivos sentem, em determinados momentos, a necessidade de comunicar aos membros do grupo ao qual pertencem informações necessárias ou importantes. A aproximação de um perigo ou o pressentimento de uma calamidade suscitam gritos, cujo sentido é perfeitamente compreendido pelas espécies envolvidas. As comunidades humanas também procuraram os meios para transmitir ao longe tudo àquilo que a sua linguagem lhes permite exprimir.
Um simples sinal, sonoro ou visual, pode ser suficiente para dar uma ordem, anunciar uma vitória ou uma derrota, desde que o significado esteja convencionado anteriormente.
Os romanos utilizavam tochas a arder no cimo de uma torre, os gauleses, feixes em fogo no cimo de uma colina, os marinheiros, um pavilhão içado no alto de um mastro e o tocar dos sinos das igrejas também foi muito utilizado. Mas, como os limites da vista e do ouvido são rapidamente atingidos, era lógico procurar reproduzir de longe em longe o sinal de origem. A esta técnica, damos hoje o nome de « tele sinalização ».
Contudo, os textos antigos ensinam-nos que, em diferentes épocas, investigadores propuseram sistemas que permitiam dar informações mais precisas e mais diversificadas.
É assim que o príncipe troiano Eneias imagina, em 330 antes da nossa era, um novo procedimento: dois correspondentes enchem vasos idênticos de água, depois mergulham réguas verticais graduadas apoiadas por flutuadores de cortiça. Ao sinal dado por uma tocha, abrem-se os orifícios do fundo dos vasos para fechá-los quando aparece um novo sinal. O nível ao qual o líquido chegou indica a frase que é preciso reter. Evidentemente, o número de mensagens assim transmissíveis é muito limitado.
Mais de um século mais tarde, o histórico grego Políbio pensa em transmitir letras do alfabeto. Divide-as em cinco grupos, representados por cinco tochas. A sua localização e a sua chama ou a sua extinção permitem designar a letra escolhida. O procedimento não é, no entanto, nem muito cômodo, nem muito rápido.
No fim do século XVII, o erudito inglês Robert Hooke coloca um quadro sobre uma estrutura. Nesse quadro podemos deslizar letras ou figuras cortadas num painel de cor escura; estas aparecem então muito nítidas num fundo de céu claro.
Houve muitos outros projetos, mas nenhum passou do estado de experimentação. E quando Claude Chappe empreendeu a criação de um novo meio de transmissão a grandes distâncias, que, em muito pouco tempo, transmitisse tudo o que podia ser objeto de correspondência, nada tinha sido encontrado para resolver este problema.
Claude Chappe nasce em Brûlon, na Sarthe, em 1763. Começa os seus estudos no colégio de Joyeuse, em Rouen, e prosseguiu no seminário de La Flèche. Fortemente influenciado pela carreira do seu tio, o padre Jean Chappe d’Hauteroche, astrónomo e membro da Academia das Ciências, cujos trabalhos conduziram até à Sibéria, depois à Califórnia, Chappe pensa consagrar-se também ao estudo das ciências físicas. A época parece muito favorável ao seu progresso, pois desenvolvem-se novas idéias em todos os domínios e o interesse das descobertas anunciadas pelos eruditos, franceses e estrangeiros, iniciado vários anos antes, incita os cidadãos que dispõem de tempo, de meios e de uma certa erudição a empreender pesquisas.
Na hierarquia eclesiástica Claude Chappe não ultrapassa o nível de clero tonsurado, mas isto é o suficiente para lhe assegurar uma determinada percentagem sobre os benefícios modestos de dois priores, o de Saint-Martin-de-Châlautre, perto de Provins, e o de Baignolet, perto de Bonneval. Assim, pode abrir o seu próprio gabinete de física e dedicar-se a experiências, que relata em jornais especializados ou diante dos membros da Sociedade filomática. Esta sociedade erudita, de criação recente, permite àqueles que a freqüentam encontrar outros cientistas e dar certa publicidade aos seus trabalhos.
Claude Chappe debruça-se particularmente sobre diversas particularidades da criação de bichos-da-seda e sobre as propriedades da eletricidade. Procura, também, um meio de comunicar à distância. Mas quando a Assembléia Constituinte vota a supressão de todos os benefícios, vê-se obrigado a voltar a Brûlon, onde encontra os seus irmãos, também eles vítimas do novo regime.
Neste pequeno município da Sarthe, situado a mais de 200 km da capital, constata como a falta de notícias pode ser desesperante, quando se desenrolam graves acontecimentos. Decide então, concentrar todos os seus esforços no meio de transmitir informações ao longe. Imagina primeiro colocar, face a face, sobre duas alturas bem acessíveis, grandes mostradores cuja leitura será possível, apesar da distância, pela utilização de lunetas de observação. Estes mostradores, divididos em vários setores caracterizados por números, serão percorridos por agulhas, comandadas por movimentos de relojoaria de pêndulos em segundos perfeitamente sincrônicos. Provocando a partida e depois a paragem simultânea das duas agulhas por meio de um som (obtido batendo numa panela, por exemplo) indicaremos o número a transmitir. A este número será associado um membro de frase, recolhido num registro chamado « vocabulário ». Mas o som perde-se rapidamente. A fim de poder afastar suficientemente os observadores, Chappe escolheu finalmente indicar a posição desejada brandindo uma vasta superfície pintada de preto.
Em Março de 1791, está pronto a trocar em público frases compostas por mais de vinte e cinco palavras. As tentativas tiveram lugar entre os municípios de Brûlon e de Parcé, com a distância de 15 km. Os resultados satisfatórios são objetos de processos verbais assinados pelos notáveis do país. Contudo, para obter o interesse dos representantes do povo, Claude Chappe deve agora renovar as suas experiências na capital. Depois de várias diligências obtém do município de Paris a autorização para instalar a sua máquina sobre um dos pavilhões da barreira de l’Étoile, mas uma noite, antes mesmo de ter conseguido dar conhecimento da sua invenção, indivíduos sem escrúpulos roubam todo o seu material.
Longe de se deixar desencorajar por esta desventura, Claude Chappe retoma as suas pesquisas. Constata efetivamente que o sistema que ele imaginou, facilmente exeqüível entre dois correspondentes, se torna difícil de desenvolver se o número de correspondentes aumentarem. A sincronia absoluta em toda a linha é de uma exigência impraticável. O atraso necessário nas observações e manobras, variável no decurso das retransmissões, provoca erros. Decide então abandonar o sistema de pêndulos e imagina colocar no alto de um grande caixilho cinco painéis susceptíveis de aparecer ou desaparecer ao girar. São as diferentes combinações formadas que permitirão exprimir as mensagens.
Desta vez obtém permissão para instalar a sua máquina num local mais protegido: o parque do deputado Le Peletier de Saint-Fargeau, em Ménilmontant. Em Março de 1792, achando os resultados obtidos satisfatórios, decide apresentar-se à Assembléia para lhe fazer uma homenagem com a sua invenção. A sua proposta é enviada para exame perante o comitê de Instrução Pública.
E os meses passam. Os habitantes do município de Belleville inquietam-se com os preparativos que, para eles, são incompreensíveis. Corre o rumor de que se trata de um meio para entrar em contacto com o rei, então cativo ao Templo, e para fomentar uma conspiração destinada libertá-lo. Não foi preciso mais para que a população se dirigisse ao parque e incendiasse a instalação.
Claude Chappe vai então narrar este acontecimento diante da Assembléia e declarar que não tem mais meios de proceder à experiência prometida, se não obtiver um apoio financeiro e se não forem tomadas medidas próprias a assegurar a sua proteção. Será, no entanto, necessário esperar ainda alguns meses e a intervenção do deputado Charles Gilbert Romme para que se tome em consideração o seu projeto.
Em Abril de 1793, o deputado Delacroix informou a Convenção que os inimigos da República, aproveitando a falta de notícias oficiais, faziam circular rumores alarmantes sobre a situação dos exércitos. Devido a reformas desastrosas e a uma mobilização geral que impede a manutenção de determinadas atividades para a Nação, os Correios não conseguem assumir corretamente a sua tarefa. O correio leva muitas vezes cinco dias para chegar de Lille a Paris. Lembrando-se do projeto que Chappe lhe submeteu, o deputado Romme propõe então a construção de uma linha de teste entre Ménilmontant e Saint-Martin-du-Tertre, dois municípios com mais de 26 km de distância e obtém os créditos necessários para fazê-lo. Os sinais serão retransmitidos por uma estação intermediária instalada em Écouen.
Claude Chappe, por seu lado, aproveitou os atrasos que lhe foram impostos para aperfeiçoar um novo dispositivo de correspondência por sinais, uma vez que os painéis móveis lhe pareceram muito sensíveis ao vento. A nova máquina é constituída por um grande braço horizontal que termina em cada uma das suas extremidades por persianas de comprimento menor. Este conjunto é colocado no alto de um grande mastro e pode também tomar a posição vertical. Todo um sistema de cordas e polias permite comandar cada elemento, de forma independente em relação aos outros. Pode-se assim compor rapidamente figuras reconhecíveis que correspondem a algarismos cuja sucessão forma números. Estes números são inscritos numa grande lista que serve para traduzir as frases a transmitir.
Três comissários são designados para seguir a experiência. Entre eles, o deputado Joseph Lakanal, que se mostra um grande defensor da invenção: « desde há vários anos que o cidadão Chappe trabalhava para aperfeiçoar a linguagem dos sinais, convencido de que, levada ao grau de perfeição de que é susceptível, pode ser muito útil numa quantidade de circunstâncias, sobretudo nas guerras em terra e em mar onde as comunicações rápidas e o conhecimento rápido das manobras podem ter uma grande influência no sucesso. […] Para obter resultados conclusivos, os vossos comissários acompanhados de vários eruditos e artistas célebres fizeram a experiência do procedimento numa linha de correspondência de oito a nove léguas de comprimento.»
Durante este teste, Belleville transmitiu: «Daunou chegou cá. Anuncia que a Convenção Nacional acaba de autorizar o seu comitê de Segurança Geral a selar os papéis dos deputados [suspeitos]» e Saint-Martin-du-Tertre respondeu: «Os habitantes desta bonita região são dignos da liberdade, pelo seu amor por ela e pelo seu respeito pela Convenção Nacional e pelas suas leis.» Em conclusão à sua intervenção, Lakanal propõe o texto de um decreto: «A Convenção Nacional, ouvido o relatório dos seus comissários nomeados por decreto do passado dia 27 de Abri, acorda ao cidadão Chappe o título de engenheiro telégrafo e salário de tenente de engenharia, e encarrega o comitê de Salvação Nacional de examinar quais as linhas de correspondência que interessam à República estabelecer, nas presentes circunstâncias.» Lakanal não refere a perspicácia, a coragem nem a tenacidade de que foi preciso fazer prova para chegar tal resultado.
Será preciso, contudo, um ano para realizar a ligação entre Paris e Lille, pois todos os problemas estavam longe de ser resolvidos. E indispensável procurar as posições altas susceptíveis, à distância conveniente, de receber um telegrama, encontrar os materiais necessários para construir as casinhas dos agentes que manipularão as máquinas, obter os meios de transporte para levá-los ao local, equipar os postos de lunetas, recrutar o pessoal que, embora não tendo que conhecer o significado das mensagens transmitidas, deve saber ler e escrever, por fim, fixar as regras de transmissão de sinais.
Estes, visíveis por todos, não devem ser compreendidos senão pelos diretores, que, colocados nas extremidades da linha, serão os únicos a possuir o vocabulário indispensável, que foi preciso criar de origem. Este documento reparte palavras e expressões por freqüência de utilização, depois ordena-as alfabeticamente. No entanto, o primeiro vocabulário mostrará rapidamente a sua insuficiência. Uma modificação importante do mecanismo de comando das asas vai então permitir formar ângulos de 135º, elevando o número de figuras exeqüíveis a noventa e seis, das quais noventa e duas serão utilizadas para a confecção de um novo vocabulário. O princípio é indicar a página pelo primeiro sinal e a linha na página por um segundo sinal.
Desde a adoção do projeto, os irmãos Chappe, Ignace e Pierre-François, auxiliados por Abraham e René, encarregam-se da gestão da empresa e, sobretudo, mantêm as relações com as instâncias governamentais, enquanto Claude prossegue na escolha de locais elevados que permitam o estabelecimento das linhas. No entanto, quando fica doente no decurso das pesquisas, não vai voltar a recuperar a sua saúde e desesperado suicida-se em 1805.
A construção da linha de Estrasburgo deveria ser feita a seguir à da linha de Lille, mas a decisão foi afastada vários anos por causa de dificuldades financeiras de governo. A linha de Brest, que os marinheiros queriam, será construída pouco depois. A de Lyon, começada por Claude Chappe, só será concluída em 1805.
Em 1802, Bonaparte tinha decidido suspender as linhas de Lille e Estrasburgo, a qual julgava demasiado cara. Serão, no entanto, retomadas no ano seguinte (mas com um pessoal reduzido), por pedido dos administradores da Lotaria, que ofereceram os ganhos obtidos na sua atividade para pagar esta despesa. Depois, quando as finanças nacionais estão restabelecidas, o Primeiro Cônsul entende tirar partido da rapidez de transmissão que o telégrafo oferece. A rede vai estender-se para norte, até Anvers, Flessinga e Amesterdão, e para sul, até Milão, Mântua e Veneza.
No final do Império, as linhas encontram os seus antigos destinos. Nos anos seguintes, a rede desenvolve-se no interior das fronteiras. A linha de Lyon é prolongada até Toulon, a ligação com Bayonne é estabelecida, depois liga-se Bordéus e Perpignan. Outras ramificações permitem pouco a pouco atingir todas as cidades importantes. Em 1854, quinhentos e cinqüenta postos estão então repartidos por 5000 km de linhas.
Durante toda a sua existência, o telégrafo aéreo ficará para utilização estritamente governamental, mas não consegue vencer duas grandes deficiências: as más condições climáticas tornam-no inoperante e o seu funcionamento noturno não pode ser obtido de forma satisfatória. Sem estes inconvenientes, o telégrafo elétrico vai então impor-se rapidamente.
Metodologia do Trabalho
Todas as crianças sabem que para falar com um amigo que esteja a uns metros de distância, basta levantar a voz e chamá-lo; ele aproxima-se e a conversa pode começar: é assim que as crianças comunicam oralmente na escola. Se algum deles está em casa, podem escrever-lhe, mas a carta levará, geralmente, 24 horas para chegar ao destino. Atualmente com muita freqüência, as crianças também utilizam o telefone ou a Internet com o «texto», a mensagem eletrônica ou o «Chat» com a câmara de vídeo ligada ao computador on-line. Isto quer dizer que, para uma criança se comunicar com os que a rodeiam, os seus amigos ou outros, não é problema: as técnicas existentes permitem-lho.
O aperfeiçoamento destas técnicas torna o processo de comunicação tão fácil e imediato que as crianças o percebem como é acostumado dizer. Será, portanto interessante levá-las a interrogarem sobre o que envolve a comunicação à distância e fazê-las refletir sobre a maneira como cada uma delas pode utilizar os meios simples à sua disposição para se comunicar.
Situações de jogo serão postas em prática, cada uma escondendo um problema: por exemplo, como entrar em comunicação no pátio de uma escola barulhenta? Como é que o professor interrompe o recreio? Como ir ao pé de um amigo a uma determinada distância no meio da Natureza, ou então quando não nos vemos e nos encontramos em duas peças contíguas? E o que acontece quando batemos nos tubos de água em cima e debaixo da casa? Por fim, poderemos imaginar que nos encontramos na presença de pessoas que falam uma língua diferente ou que não ouvem: como fazem os deficientes auditivos?
Por contraste e para que no fim as crianças inscrevam a descoberta de Claude Chappe no seu contexto histórico, convidá-los-emos a pesquisar como os homens conseguiam se comunicar antes do nascimento das « telecomunicações ».
Nos anos de 1790, a invenção do telégrafo por Chappe muda totalmente o princípio da comunicação à distância. Os alunos poderão, numa primeira fase, apreender esta revolução examinando uma fotografia de um dos aparelhos que ainda existe ou indo observar diretamente um telégrafo antigo num museu.
Deve-se, desde cedo, incitar a criança a conceber um objeto técnico cuja função será determinada. Depois de ter refletido e efetuado pesquisas sobre a comunicação à distância, poderemos lançar um tipo de desafio no quais grupos de alunos deverão comunicar entre si uma breve mensagem, o mais rapidamente possível. Este gênero de prática agrada às crianças e estimula a sua imaginação.
Identificando-se com um inventor, o aluno tenta adaptar o mesmo procedimento. Poderemos então pedir aos alunos para fabricar um telégrafo parecido com o de Chappe partindo das maquetas ou das imagens que o representam, documentos antigos ou reproduções. O material utilizado deve ser simples: utilizaremos proveitosamente as peças, roldanas, fios. O recurso à nomenclatura de origem (regulador, indicador, montante, roldana, etc.) facilitará as trocas na altura da concepção e da realização.
As condições de utilização do telégrafo « final » e os seus desempenhos serão igualmente analisados, o que permitirá às crianças apreender os inconvenientes ligados ao aspecto óptico e mecânico da exposição e da sua transmissão: em que condições é que os sinais são visíveis? O que acontece quando está nevoeiro, chove ou neva ou quando começa a anoitecer? Quanto tempo demora a ler uma mensagem e transcrevê-la? Com este tipo de codificação, quantas palavras diferentes podemos compor? Os espiões não conseguirão decodificar as mensagens?… Inconvenientes que justificarão o aparecimento do telégrafo elétrico meio século mais tarde.
FONTES
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TEXTOS DE APOIO
O que é uma rede de comunicação?
A estrutura dos Correios ou das telecomunicações é hoje bem conhecida das crianças (o empregado dos correios, o carteiro, o balcão, os comboios postais, os impressos ou os portáteis, os telefones SOS, os as estações, os anuários, o pessoal técnico…). Um primeiro balanço do que os alunos sabem sobre este assunto vai permitir-lhes familiarizarem-se um pouco com a idéia de rede.
Desde logo, poderão interrogar-se sobre o tipo de rede que se impôs no caso do telégrafo de Chappe. Com este objetivo, irão simular comunicações com o telégrafo que construíram, utilizando uma codificação aceite por todos. Assim irá emergir, além das questões do material e das construções, a do pessoal e da sua hierarquia.
Dois « estacionários » eram requisitados para cada estação: um para acionar os braços do telégrafo, o outro para observar com a luneta, e isto 365 dias por ano, da aurora ao crepúsculo. Os diretores que supervisionavam uma divisão de estações, e que eram os únicos depositários do vocabulário (ou dicionário), guardados em segredo absoluto, codificavam, decodificavam e transmitiam as mensagens.
Representantes da administração telegráfica, os inspetores, de origem nobre ou burguesa, como os diretores, visitavam uma vez por mês, e muitas vezes a pé, todas as estações, ou seja, quinze a vinte dias de viagem aproximadamente. Por um salário que era metade do salário do diretor, controlavam o material, vigiavam e pagavam aos estacionários.
O conceito de linha telegráfica será também retirado: uma linha marcada por estações equipadas de semáforos, lunetas e pessoal; daqui a rede de 5.000 km em estrela em redor de Paris que, pouco a pouco, vai adquirindo forma, ligando vinte e nove cidades graças a 550 estações.
As crianças tentarão avaliar as vantagens desta rede naquela época, admirada e copiada na Europa: rapidez de informação e eficácia – salvo, como já vimos, no caso de chuva, neve ou nevoeiro, o que será uma das causas do seu declínio. Mas esta fraqueza face às intempéries e a outros inconvenientes técnicos já listados não foram as únicas causas de abandono.
Com efeito, a rede tinha sido desenvolvida pela Convenção que tinha aí visto uma solução para o problema da transmissão das informações urgentes em tempo de guerra. Nestas condições, a rede bancária ainda não existia, a construção das linhas, das estações, da rede, o pagamento dos estacionários, dos inspetores foi tomado como responsabilidade do Estado, o qual, em contrapartida, o utilizou unicamente para o seu serviço – um ponto no qual nunca transigiu, não incentivando os particulares a fazerem parte do dispositivo. Competia lhe, por conseguinte, manter esta rede. Ora, quando a paz voltou, o orçamento dado à rede diminuiu; Bonaparte, o primeiro cônsul, fez mesmo fechar linhas, com medo das desordens revolucionárias. As linhas foram reabertas sob a Restauração, quando a transmissão dos resultados da Lotaria Nacional assegurou a sua sobrevivência.
Mas, o Estado já não suportava os lugares requisitados, o material, cada vez mais ao abandono, desapareceu da paisagem enquanto que se começava a desenvolver novos meios de comunicação – nomeadamente o telégrafo elétrico, já mencionado, chamado seguidamente « telégrafo Morse », o nome do inventor da codificação.
O Telegrafo e o Telefone
Na virada do século XIX para o XX, a aplicação da eletricidade à comunicação já não era nenhuma novidade. Não só as nações industrializadas tinham desenvolvido extensas redes telegráficas internas, como também já existiam sistemas internacionais viáveis. Desde os princípios do século XIX, uma série de experimentos e descobertas científicas propiciou essa condição.
Em 1809, o alemão Von Soemerring cria um telégrafo eletroquímico, servindo da pilha elétrica desenvolvida anos antes pelo físico italiano Alessandro Volta. Em 1827, Samuel Morse inventa o manipulador de telegrafia e um código que leva seu nome, com traços e pontos representando o alfabeto e outros sinais gráficos. As mensagens começaram a vencer as distâncias. O manipulador de Morse consistia na abertura e fechamento de um contato metálico, de modo a fazer fluir uma corrente elétrica. A partir dela, traçava-se pontos e traços em uma fita de papel, formando frases e palavras. Assim, o telégrafo demonstrava ser possível a transmissão de informações a longa distância, por meio de impulsos elétricos em fios condutores.
Em 1861, a primeira linha transcontinental ligava as costas leste e oeste dos EUA pelo telégrafo Morse. Já em 1874, instala-se o primeiro cabo telegráfico submarino ligando o Brasil à Europa, uma das tantas iniciativas pioneiras do Barão de Mauá. O princípio do telefone, por sua vez, é relativamente simples: se se produz ondas acústicas ao redor de um fino diafragma, este vibra em sintonia com elas. Estas vibrações podem traduzir-se em impulsos elétricos, os quais produzem vibrações correspondentes no diafragma de um receptor no outro extremo da linha. Nos primeiros telefones de Grahan Bell, as vibrações da voz provocavam variações elétricas em uma bobina enrolada em volta de um imã posto atrás do diafragma.
Assim, surge a primeira central telefônica explorada comercialmente em 1878, em New Haven (EUA). Com o passar dos anos, surgem as primeiras centrais de comutação telefônica automáticas, substituindo os aparelhos com manivelas e ligações intermediadas por um operador. Com o tempo, separam-se também os fios condutores de telégrafo e telefone. O crescimento global da rede telefônica veio a crescer de forma notável na primeira metade do século XX. Só nos EUA havia 17 milhões de aparelhos funcionando em 1934, aumentando para 32 milhões em 1947.
Fonte: WILLIAMS, Trevor. Historia de la tecnologia: desde 1900 hasta 1950 (II). 2. ed., v. 5. Madrid: Siglo Veintiuno, 1987, p. 436-445. Texto adaptado.
*Alunas: Alessandra, Cleusidete, Luciana, Regiane, Marilda, Ruth, Marise, Lara, Aline
Chappe educação mediações mídias Tecnologia telegrafoMídias, Mediações E Educação - Televisão
Filed Under Tecnologia | Posted on Junho 25, 2008
Mídias, Mediações E Educação - Televisão*
Numa das disciplinas que desenvolvo no curso de Pedagogia – UFG – Catalão, “Mídias, Mediações e Educação” foi combinado com as alunas e alunos 5 trabalhos como avaliação final. Trata-se da construção de material didático para crianças entre 9 e 12 anos, com as seguintes temáticas:
- Telefone
- Televisão
- Telégrafo
- Rádio
- Internet
Cada grupo ficou de preparar um texto e ficou de indicar a forma de como este texto será trabalhado com as crianças. Abaixo segue o texto sobre o Rádio.
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Televisão E Os Desenhos Animados
Segundo definição do Wikipédia,
Televisão (do grego tele - distante e do latim visione - visão) é um sistema eletrônico de recepção de imagens e som de forma instantânea. Funciona a partir da análise e conversão da luz e do som em ondas eletromagnéticas e de sua reconversão em um aparelho - o televisor - que recebe também o mesmo nome do sistema ou pode ainda ser chamado de aparelho de TV. O televisor ou aparelho de TV capta as ondas eletromagnéticas e através de seus componentes internos as converte novamente em imagem e som. (disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Televis%C3%A3o – acesso realizado em 24-06-2008)
Vivemos um momento de rápidas transformações tecnológicas, dentre outros aparelhos a televisão está, sem dúvida presente na maioria dos lares brasileiros. Neste contexto as crianças estão cada vez mais atraídas pela TV, pelo desenho animado especialmente. Segundo Mendonça, Mendes e Souza (apud Oliveira 2005) a presença da televisão na infância é reconhecida como a atividade de lazer que chega a concorrer com as brincadeiras infantis e, para muitos, tornou-se a única fonte de entretenimento.
Autores como Pougy (2005) e Giradello (2005) defendem que a criança se relaciona com a TV do mesmo modo que se relaciona com tudo que está a sua volta. E afirmam que não são passivas diante do que vêem e retiram do que assistem o que é de seu interesse no momento. Desta forma é inegável que a TV exerce influência na educação das crianças juntamente com a escola, família e a sociedade em geral.
Outros autores discordam da capacidade da criança de discernimento quanto ao que presencia nos programas televisivos como Leonardo Nogueira de Deus que nos diz:
…independente do conteúdo há outro problema inerente a esse meio de comunicação. Ele não convida à reflexão. As imagens se sucedem de forma muitas vezes desconexa, apresentando vários assuntos em um curto espaço de tempo. A criança, muitas vezes, não compreende o que está vendo. Apenas assiste passivamente, assimilando imagens sem ter critério para saber quando deve parar de assistir. Em conseqüência, essas imagens vão atormentar a mente da criança, que vai dormir com lembrança de imagens confusas e tenebrosas, que não sabe o que significam, e nem sabe exprimir de forma coerente para que alguém possa esclarecê-la. (Leonardo Nogueira de Deus – Post Modernidade 1999)
Cabe, assim aos pais bem como aos educadores tomarem atitudes em sentido de evitar o uso indiscriminado da televisão pelas crianças. O autor lembra ainda que “exercer controle não é fácil, mas virar as costas ao problema acaba por aumentá-lo, acumulando problemas educacionais para o futuro, quando se tornam ainda mais graves.” (Leonardo Nogueira de Deus – Post Modernidade 1999 p. 01)
Existem programas que são ricos em valores culturais e significados, como existem vários outros que não têm esse objetivo. E pelo fato de o uso da televisão ser algo tão presente no cotidiano de nossos alunos precisa fazer parte da programação da escola, com o intuito de utilizá-la como instrumento a favor dos educadores, pois faz parte da vida da criança antes mesmo dela fazer parte da escola. Mendonça, Mendes e Souza (apud Oliveira 2005) ressaltam que “os educadores precisam reconhecer e compreender, que uma escola que não acrescenta, em sua dimensão educacional, a análise e utilização da TV como ferramenta que possa contribuir para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e físico do aluno, está sujeita a se perder na tecnologia”. (Mendonça, Mendes e Souza p. 04)
A televisão é um eletro-eletrônico que está presente na maioria dos lares brasileiros, faz parte do dia-a-dia das pessoas. Os programas apresentados nas emissoras de maior audiência são ditadores de moda e comportamento. A televisão é companheira inseparável na maior parte dos momentos da família: das refeições à hora de dormir. Cabe a nós educadores a preocupação de como as crianças estão percebendo tudo isso, qual interferência é necessária no momento de assistir a um programa para que seja capaz de refletir sobre.
Neste contexto, nos propomos a trabalhar com alunos entre oito e nove anos, de forma a permitir momentos de conhecimento sobre televisão, mais especialmente perceber como é feito o desenho animado, uma vez que acreditamos ser a programação de maior acesso pelas crianças. Para isso oportunizamos a visita a uma emissora de TV (emissora local), onde as crianças estariam conhecendo e tirando algumas fotos, o contato com um profissional (desenhista), onde as crianças estariam conhecendo todo o processo de criação e desenvolvimento do desenho animado, as criações de um painel com algumas figuras de desenhos animados à escolha das crianças. E noções de como é feito o tão assistido desenho animado através de vídeos, cujos endereços seguem abaixo, a fim de ampliar seus conhecimentos acerca do assunto.
Segue alguns endereços de vídeos interessantes que contribuirão para o aprendizado das crianças em relação à criação dos desenhos animados:
http://br.youtube.com/watch?v=xSrDnIVgVv0
http://br.youtube.com/watch?v=FH97UerMW6I
http://br.youtube.com/watch?v=SyfFviZxhvQ&feature=related
http://br.youtube.com/watch?v=zyke9aZjwQY&feature=related
Vídeo que se trata de uma invasão ao mundo dos desenhos:
INVADINDO OS DESENHOS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
M.Mendonça, Anna Valeska Procópio de, Mendes, Joana D’arc Umbelino e Souza, Suellen C.C. – (Alunas do Curso de Psicologia/UNP) Uma reflexão sobre a influência dos desenhos animados e a possibilidade de utilizá-los como recurso pedagógico, mimeo.
Post Modernidade número 5 março/maio de 1999. A TV e a Criança disponível no site http://www.lepanto.com.br/TVecria.html
Alunas: Anayana, Avelina, Fabiana e Jaqueline










