Sonho De Consumo
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Janeiro 11, 2011
Sonho De Consumo
Estou aqui às voltas com o término de um texto acadêmico, para um congresso que irei participar em maio próximo. E durante essa produção fico meio voyeur, acho que devido à ansiedade, lendo coisas diversas, assistindo vários filmes, programas, novelas, enfim, viajando com as ideias. E foi assim que ontem, depois de assistir o Roda Viva, por indicação de uma amiga, com o Roberto da Mata, antropólogo brasileiro, que me veio a vontade de escrever sobre sonho de consumo.
Fiz uma busca no Google e encontrei o que já esperava: uma porção variadíssima de imagens, sugerindo uma diversidade de objetos de consumo. De peitos e sapatos para as mulheres, a carros, celulares e mulheres ideais para os homens.
Da Matta nos incita a pensar na seguinte pergunta: o que me basta hoje em dia? O que me é suficiente? São perguntas que levam o individuo a olhar para si, para o que faz, para o que deseja, e lidar com os possíveis e impossíveis de sua vida.
Ora, eu tenho dois sonhos de consumo que se arrastam ao longo dos meus quase 48 anos de idade (não se iluda leitor com esse número, pois ainda não é nem metade da minha vida): primeiro, uma vontade louca de aprender a comer mais lentamente. Segundo, aprender a curtir o ócio.
Uma amiga disse-me certa vez que eu faço perfeitamente minha atividade intelectual e que tenho um bom equilíbrio emocional. Porém, sou muito apressado, acelerado. Acho que essa ideia resume bem o porquê desses dois sonhos. O pouco que conheço de mim mesmo me faz enveredar por esses sonhos. Impossível?
E quanto aos sonhos que estão disponíveis no mercado imagético e simbólico do consumo cotidiano? Bom, é claro que tenho impulsos consumistas, afinal, além de ser humano, contraditório, sou brasileiro e cheio de sonhos. Sonho como todo mundo, por uma casa própria, um carro do ano, viagens pelo litoral praieiro, etc. Porém, não morro se não tiver tudo isso. Mas, se não aprender a comer mais lentamente e curtir o ócio, certamente poderei encurtar a distancia entre a vida e a morte. Pelo menos é o que dizem os médicos.
Talvez o leitor se anime e nos diga sobre seu sonho de consumo. E talvez essa conversa, aqui no Blog, se prolongue e possa nos ajudar a perceber o quanto os sonhos são temporários, não é mesmo?
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Filed Under Cinema | Posted on Agosto 9, 2010
Você Se Lembra Do Início Dos Seus Sonhos?
Esta pergunta “Você se lembra do início dos seus sonhos?” é uma chave para o expectador, bem como os personagens, poderem identificar se a cena está no sonho ou fora dele, na presumível realidade.
Trata-se do filme “A Origem”, dirigido por Christopher Nolan e estrelado por Leonardo DiCaprio e grande elenco. O filme, em si, é um sonho. Nas mais de duas horas concentrado na telinha, fiquei com o peito apertado, acompanhando as imagens que iam rolando, misturando o tempo e espaço, mergulhando nas memórias, projeções e sonhos alheios.
Nolan, o diretor, que já dirigiu “Batman - O Cavaleiro das trevas”, dirigiu também “Amnésia”, outro filme surpreendente, por utilizar a linguagem cinematográfica para enveredar por entre as armadilhas da memória.
Em “A Origem”, o personagem de DiCaprio é um ladrão que se propõe a entrar no sonho alheio e roubar informações que pressupostamente na vida real seria inconcebível.
Além de nos deixar tensos, pois foi assim que eu me senti, como se estivesse no interior de um sonho que não tinha fim, o filme interroga nossas possibilidades de utilização do cérebro. Afinal, se não sabemos identificar o início dos sonhos, pois parece que quando os lembramos, estamos sempre no meio deles, o que é a realidade? Ela existe? De que forma? Como ela se diferencia do sonho?
O final surpreendente e misterioso, que não irei dizer aqui, certamente, é, em minha opinião, uma aclamação à sétima arte, ao olhar cuidadoso que o cineasta permite o telespectador ver. O mundo é um sonho? Talvez o mundo do cinema sim, com todas as suas conseqüências. Já a realidade, bom, é melhor o leitor se manifestar por conta própria.











