Como Está O Prestígio Da Profissão Professor?
Filed Under Notícias | Posted on Junho 16, 2008
Como Está O Prestígio Da Profissão Professor?
Nós, professores do Ensino Superior, encontramos ano a ano, uma realidade estudantil entrando para a universidade com muitas dificuldades em conhecimentos básicos, tais como ler, escrever e interpretar textos. Por um lado, alunos e alunas com uma escolarização de baixa qualidade. Por outro, professores universitários com altas exigências para os discentes e por fim, uma profissão, a de professor(a) com muito pouco prestígio social. De fato, uma realidade complexa.
A Folha de São Paulo publicou no último dia 09 de junho uma matéria intitulada “Carreira de professor atrai menos preparados”, onde destaca que apenas “5% dos melhores alunos formados no ensino médio querem atuar como docentes do ensino básico”. E o motivo está no baixo retorno financeiro e desprestígio social da carreira.
Na verdade, isto não é novidade entre os profissionais da educação. Não é raro vermos os próprios professores incentivando os seus filhos a buscarem áreas profissionais no campo da saúde (medicina, odontologia) ou nas ciências exatas (engenharias). O ditado “filho de peixe, peixinho é” vem sendo renegado pelos professores e professoras. E não é sem motivos.
O estudo citado acima, encomendado pela Fundação Lemann e pelo Instituto Futuro Brasil, feito entre os alunos do Enem 2005, mostra como estamos distantes, culturalmente, no que diz respeito ao valor dado a quem forma as gerações seguintes, em relação, por exemplo, à Coréia e Finlândia, considerados os melhores sistemas de educação do mundo. A consultoria Mackinsey, autora deste estudo que revelou Coréia e Finlândia como países de excelência educacional, destaca que nestes paises são escolhidas as melhores pessoas para serem professores.
Na Coréia, por exemplo, os futuros professores são escolhidos entre os 5% melhores colocados em um exame nacional para o ingresso no ensino superior, destaca a matéria da folha. No Brasil a realidade é outra bem diferente. Os estudantes vão escolher cursos de Pedagogia por serem os que mais possibilitem o acesso ao ensino do terceiro grau.
Ora, o círculo é vicioso: alunos de baixo rendimento escolar procuram cursos de formação de professores, por serem mais fáceis o processo de aprovação, devido à baixa concorrência, e formam novos alunos de baixo rendimento escolar. Se esta matemática for verdadeira, há muito que fazer para que o país realmente alcance patamares de título de primeiro mundo. Não basta a economia anunciar boa saúde, se a cultura escolar está ainda em níveis degradantes.
Há alternativas? Eu penso que sim. E começar a melhorar o salário e as condições de trabalho do professor de escolas públicas é o primeiro passo necessário. Aqui voltamos ao conceito, já bastante escrito em outros posts deste blog: maiores e melhores políticas públicas para a área da educação. Sem tanta maquiagem e mais seriedade.
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