Acessibilidade, Entrosamento E Domínio No Uso Da Internet Por Pedagogos
Filed Under Pesquisa | Posted on Julho 18, 2008
Acessibilidade, Entrosamento E Domínio No Uso Da Internet Por Pedagogos
Orientanda: Carolina Purcina Dos Santos*
Orientador: Wolney Honório Filho
Esta pesquisa trata de reflexões sobre a acessibilidade e o uso da internet por pedagogos. O ponto de partida foram pesquisas feitas por alunas do 8° período de Pedagogia no ano de 2008, na disciplina Educação, Comunicação e Mídia, da Universidade Federal de Goiás, Campus Catalão, da qual eu participei.
Considerando uso da internet em sala de aula, um elemento fundamental no processo de aprendizagem, organização e construção do conhecimento, este aponta as contradições de poder e dominação que estão associados ao processo de inserção das novas tecnologias no ambiente educacional.
A internet é um meio que nos permite informação do mundo todo e hoje essas novas tecnologias são vistas como novas ferramentas e instrumentos, capazes de alterar nossa cultura.
É importante o estudo desses avanços frente a esse novo paradigma, para percebermos que se antes a única forma de acesso ao conhecimento era através dos livros, a sala de aula e os professores, hoje esse conceito se amplia, pois a internet nos fornece conhecimentos que vão além das paredes das salas de aula e dos professores. Além disso, o estudo deste tema poderá potencializar minha formação como futura professora, pois a inclusão digital nas escolas já é uma realidade, e para encarar essa nova realidade, é preciso que o professor esteja preparado para ela.
Contudo, como tudo que é novo encontra dificuldades, no processo educativo não podia ser diferente. Questões tais como a falta de recursos tecnológicos, alguma resistência de alguns docentes e a falta de preparo dos professores são evidentes nas escolas.
O foco principal dessa pesquisa será a compreensão do avanço tecnológico e a relação educação e internet. Atualmente há constantes mudanças nas tecnologias, na qual tem produzido efeitos significativos na nossa forma de vida. O computador e a internet fazem com que parte da sociedade conviva com as praticidades criadas por suas diferentes aplicabilidades.
Essas novas tecnologias têm afetado os processos educacionais de ensino e aprendizagem, o que cria desafios e expectativas, tanto para o aluno quanto para o professor. Alguns docentes ainda desconhecem o papel do professor perante o excesso de informações, por isso a informática na educação ainda não está consolidada totalmente no nosso sistema educacional.
Algumas questões: como está sendo esta adaptação do uso da internet na sala de aula? Como o professor está lidando com essa relação professor e internet?
A emergência da tecnologia no cotidiano da sociedade contemporânea produz a necessidade de incluir nos currículos escolares as habilidades e competências para lidar com as novas tecnologias. No contexto de uma sociedade do conhecimento, a educação exige uma abordagem diferente em que o componente tecnológico não pode ser ignorado. A incorporação das novas tecnologias como conteúdos básicos comuns podem contribuir para uma maior vinculação entre o contexto de ensino e as culturas que se desenvolvem fora do âmbito escolar, pois ao colocar em prática o uso da internet sem a mediação do professor, o aluno não dará conta dos vários elementos que a internet oferece.
Portanto, esta pesquisa visa problematizar a temática Educação e internet, discutir os problemas que envolvem as novas tecnologias e analisar a situação dos professores frente a essa nova tecnologia. A composição da base teórica desta pesquisa vem se referenciando em autores como Ramal, Levy, Moran, dentre outros.
Andréa Cecília Ramal, apoia o uso das tecnologias nas escolas, para ela ao conectar à internet, as portas se abrem para um novo mundo diante dos alunos e professores, pois há uma infinidade de livros e sites que podem ser acessados, o que nos coloca em um grande desafio.
Além disso, ela mostra caminhos para alcançar uma formação neste contexto, capaz de nos tornar profissionais capazes de aprender sempre.
Pierre Levy destaca a importância de construir novos modelos de espaço dos conhecimentos, na qual rompe práticas obsoletas e estabelece uma mudança qualitativa.
Ressalta também sobre o hipertexto, a cibercultura e o cyberespaço, que é um universo de infra-estrutura e de uma interconexão mundial dos computadores, material de comunicação digital, ligados a nós que pode ser, palavras, páginas, imagens, gráficos, documentos, ou seja, dado de aquisição de informações e comunicação.
JoséManuel Moran segue o mesmo conceito de Ramal, onde o uso da internet e seus recursos na educação pode ampliar o mundo daqueles que utilizam. Ele salienta também sobre a importância da internet mediada pelo professor, pois ela é apenas um apoio indispensável para que se tenha total aproveitamento do conhecimento de modo geral.
*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.
Como Está O Prestígio Da Profissão Professor?
Filed Under Notícias | Posted on Junho 16, 2008
Como Está O Prestígio Da Profissão Professor?
Nós, professores do Ensino Superior, encontramos ano a ano, uma realidade estudantil entrando para a universidade com muitas dificuldades em conhecimentos básicos, tais como ler, escrever e interpretar textos. Por um lado, alunos e alunas com uma escolarização de baixa qualidade. Por outro, professores universitários com altas exigências para os discentes e por fim, uma profissão, a de professor(a) com muito pouco prestígio social. De fato, uma realidade complexa.
A Folha de São Paulo publicou no último dia 09 de junho uma matéria intitulada “Carreira de professor atrai menos preparados”, onde destaca que apenas “5% dos melhores alunos formados no ensino médio querem atuar como docentes do ensino básico”. E o motivo está no baixo retorno financeiro e desprestígio social da carreira.
Na verdade, isto não é novidade entre os profissionais da educação. Não é raro vermos os próprios professores incentivando os seus filhos a buscarem áreas profissionais no campo da saúde (medicina, odontologia) ou nas ciências exatas (engenharias). O ditado “filho de peixe, peixinho é” vem sendo renegado pelos professores e professoras. E não é sem motivos.
O estudo citado acima, encomendado pela Fundação Lemann e pelo Instituto Futuro Brasil, feito entre os alunos do Enem 2005, mostra como estamos distantes, culturalmente, no que diz respeito ao valor dado a quem forma as gerações seguintes, em relação, por exemplo, à Coréia e Finlândia, considerados os melhores sistemas de educação do mundo. A consultoria Mackinsey, autora deste estudo que revelou Coréia e Finlândia como países de excelência educacional, destaca que nestes paises são escolhidas as melhores pessoas para serem professores.
Na Coréia, por exemplo, os futuros professores são escolhidos entre os 5% melhores colocados em um exame nacional para o ingresso no ensino superior, destaca a matéria da folha. No Brasil a realidade é outra bem diferente. Os estudantes vão escolher cursos de Pedagogia por serem os que mais possibilitem o acesso ao ensino do terceiro grau.
Ora, o círculo é vicioso: alunos de baixo rendimento escolar procuram cursos de formação de professores, por serem mais fáceis o processo de aprovação, devido à baixa concorrência, e formam novos alunos de baixo rendimento escolar. Se esta matemática for verdadeira, há muito que fazer para que o país realmente alcance patamares de título de primeiro mundo. Não basta a economia anunciar boa saúde, se a cultura escolar está ainda em níveis degradantes.
Há alternativas? Eu penso que sim. E começar a melhorar o salário e as condições de trabalho do professor de escolas públicas é o primeiro passo necessário. Aqui voltamos ao conceito, já bastante escrito em outros posts deste blog: maiores e melhores políticas públicas para a área da educação. Sem tanta maquiagem e mais seriedade.
notÃcias Notícias prestigio professor profissãoFormação Docente: Palestra Na UFG Catalão
Filed Under Notícias | Posted on Maio 9, 2008
Formação Docente: Palestra Na UFG Catalão
Foi realizado no dia 09 de maio no anfiteatro da UFG, em Catalão, a palestra “Formação Docente: tendências internacionais nas últimas décadas desafios futuros”, conferida pelo professor A. Akkari, da Universitè de Genève, Suíça.
O professor A. Akkari discorreu sobre os seguintes pontos:
• A formação de professores: um problema mundial
• Tendências internacionais em matéria de formação de professores
• Especificidades Brasileiras
• Desafios futuros
Contando o ensino fundamental e médio (usando os termos legais do Brasil), hoje existem cerca de 60 milhões de professores no mundo. Do ponto de vista econômico, é a mão de obra mais importante do planeta, segundo o professor Akkari.
Entre os pontos apontados na palestra, gostaria de ressaltar aqui a relação entre ensino profissional e a base pedagógica para este profissional. Explico: foi apontado como um desafio para a universidade a formação de professores em áreas como química, biologia, física, quando em geral os cursos oferecem uma profissionalização necessária em conteúdo, mas não suficiente para o professor exercer a docência. Isto porque o aspecto pedagógico deixa a desejar.
Minha formação (graduação) é em licenciatura plena em História e eu me lembro bem que quando tínhamos aula de didática, psicologia ou estrutura, tudo isto parecia uma conspiração contrária à nossa formação. Era como que não ter sentido estudar didática/metodologias de ensino para quem queria dominar o conhecimento em História.
E um dado apontado pelo professor em suas pesquisas foi que as disciplinas pedagógicas são mais bem aproveitadas por alunos de graduação que ou fizeram o magistério, ou estão em sala de aula. Ou seja, os alunos e alunas que já têm uma certa experiência com a sala de aula.
Um outro dado não desconhecido de todos nós foi a baixa qualidade do salário do professor. Em resumo: os professores no Brasil (foi feito comparação com outros países pelo PIB per capita) ganham muito mal. O PIB per capita no Brasil em 2006 foi em torno de 12 mil reais (veja o site http://br.geocities.com/sousaraujo/pib_2004.htm).
Pois bem, se hoje fosse montar uma tabela internacional o critério padrão para se calcular o salário de um professor deveria ser de 2 ou 3 vezes o valor do PIB per capita. Nossa! Ninguém iria mais querer fazer vestibular para medicina, não é mesmo?
A pesquisa do professor A. Akkari é feita através de um convênio internacional entre a UFU – Universidade Federal de Uberlândia e a universidade de Genebra. No momento, o professor está fazendo uma pesquisa nos Estados de Goiás, Minas Gerais e Paraná. Dia 30 de junho próximo haverá um seminário em Uberlândia discutindo os resultados desta pesquisa.
obs. o evento foi organização pela Coordenação de Extensão e Cultura do Campus de Catalão - UFG
catalão educação formação docente Notícias professor ufgO Professor Na Sociedade Em Rede
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Abril 24, 2008
O professor na Sociedade em Rede
Após entrar na universidade, alunos e alunas enfrentam outros desafios para concretizar a formação profissional. É isto o que tenho visto com o alunado da Pedagogia – UFG-Catalão, onde trabalho como professor.
O primeiro desafio é conhecer este novo mundo chamado academia. E logo de cara o primeiro susto: a forma de estudar e aprender na Universidade são completamente diferentes do ensino fundamental e médio.
É o que percebem quando descobrem que escrever e ler tem uma dimensão diferente daquela apreendida na educação anterior. E esta é uma dificuldade comprometedora do aproveitamento destes alunos e alunas logo no primeiro ano de faculdade.
O fato é que apesar de estudarem língua portuguesa durante todo o período de escolarização a grande maioria ainda tem sérias dificuldades para organizar as idéias no papel, bem como para entender textos mais teóricos.
Além disso, venho notando também que a maioria é mulher e numa faixa etária de 19 a 22 anos em média. Ou seja, a única experiência escolar que tiveram foi na qualidade de alunas.
Isto faz com que simultaneamente à entrada na universidade surge também o momento, também para grande parte delas, de ir atrás do primeiro emprego, não podendo dedicar exclusivamente 4 anos à formação profissional.
Formar é preciso, mas trabalhar também é preciso. Este é um pedaço da nossa realidade estudantil. E esses conflitos podem ser maiores ou menores, dependendo do histórico escolar da aluna, origem sócio-econômica, cultural, etc.
Enquanto professor do primeiro ano de Pedagogia eu fico, a cada ano, perplexo com esta realidade, que ao invés de diminuir, está se agravando. O que fazer para melhorar a qualidade destes futuros professores?
Não acredito que haja uma única resposta e que muito menos seja fácil encontrar respostas. Mas eu acredito que o debate é fundamental para encontrar soluções. Afinal, o próprio Paulo Freire já clamava por uma educação mais dialógica. Então vamos a ela.
Abaixo, reproduzo um vídeo sobre o professor na sociedade em rede. O vídeo aponta que o professor e o aluno, numa perspectiva das novas tecnologias, se transformarão. Seus papéis se modificarão. Vejam!
O professor na Sociedade em Rede
A Internet Banda Larga Em Todas As Escolas Públicas?
Filed Under Tecnologia | Posted on Março 14, 2008
A Internet Banda Larga Em Todas As Escolas Públicas?
Saiu ontem no UOL: “Governo fecha acordo e Lula anuncia banda larga nas escolas neste mês”
Do ponto de vista tecnológico, ótima notícia. Já passa da hora de termos investimento público na Internet Banda Larga nas Escolas Públicas do país. Esta é uma forma de comunicação e acesso à informação imprescindível aos estudantes brasileiros, situados num país continental como o nosso.
Mas uma perguntinha que não quer calar: quantos novos professores estarão sendo contratados para esta tarefa virtual? Como os atuais professores irão interagir, aprender e relacionar-se com estas novas formas de produção de informação?
Não quero aqui apenas destilar ironia no meio destas perguntas. Mas sim deixar claro: o investimento necessário em tecnologias nas escolas é inseparável do investimento na educação continuada do professor.
As escolas que já têm conexão estão passando pelo dilema pedagógico de como operar uma educação pautada nas novas tecnologias. Os casos mais otimistas, que são poucos, provêm de iniciativas de professores que abriram o peito e enfrentaram a situação. Mas e agora que a questão passa a ser nacional, com investimentos maiores do governo federal: como se está pensando na inclusão digital do professor e da professora que ainda nem tem computador em casa?
Não me perguntem por que, mas eu acredito (ato de fé!) que um projeto integrado de implantação de novas tecnologias nas escolas, associado à educação continuada, levando o professor à inclusão digital também, poderá criar diferenças educativas fundamentais para o país.
Entretanto, mesmo com a minha ingenuidade em pensar coisa tão global, não acredito que isto seja fácil de ser realizado, como se bastasse direcionar dinheiro para esses projetos. Isto também é um ato educativo e leva tempo para maturar.
Porém, meu otimismo me leva a crer que no mundo globalizado como o nosso, e mesmo com tantas questões negativas que rondam o uso do computador, penso, mesmo assim, que o uso do mesmo será um diferencial na formação das nossas futuras gerações. E o que temos que fazer não é apenas dizer não, apegar-se a uma tradição qualquer. Mas arregaçar as mangas e acompanhar, lutar, cobrar, avaliar, testar, imaginar projetos alternativos com as novas tecnologias proporcionadas pela chegada da banda larga nas escolas.












