O Professor É Construído Na Relação
Filed Under Eventos | Posted on Outubro 15, 2009
O Professor É Construído Na Relação
O dia 15 de outubro é o dia no Brasil em que se homenageia a profissão do Professor. Eu penso que qualquer elogio que fazemos, ou recebemos, qualquer adjetivo impresso à nossa pessoa, ou que nós imprimimos nos outros professores, é como uma fotografia que se faz de um objeto em movimento: o dinâmico é emoldurado e torna-se estático.
Fotografar objetos em movimento é um desafio tanto para o fotógrafo profissional, quanto para nós, meros pintores de realidades que utilizam a tecnologia de uma máquina para fazer o que os pintores faziam com o pincel. Consideradas as diferenças de tempo e espaço, capturamos e prendemos numa imagem uma realidade altamente dinâmica que, se tivesse vida própria para poder contestar o que falam de si, certamente diria que exageramos ao enquadrá-la.
O professor é em tese aquele, ou aquela, que professa algo. Mas isto seria dizer o que ele faz e não dizer o que ele é. E para tentar dizer o que ele é eu vou utilizar a imagem de um tripé: o professor é um misto de relação com o outro, com a natureza/coisas e consigo mesmo.
Este ser que professa algo como um ato de trabalho o faz relacionando se com outras pessoas. Sua profissão está imersa no seio de relações profissionais, familiares, sociais. E isto não é pouco. Há um ditado que diz: “diga-me com quem andas que eu direi quem tu és”. Na profissão de professor poderíamos parodiar esse ditado e dizer: “diga-me com quem trabalha e com quem pensa a profissão, que eu direi quem tu és”.
Mas os professores também lidam no seu cotidiano com ruas, casas, prédios, e isto pode contribuir para inventariar o sujeito. Provavelmente, alguém que trabalha em cidades do interior do país, ou no meio rural, visualiza o seu fazer e o seu ser, de modo diferente daqueles estão nas capitais.
Por fim, a relação que o professor tem consigo mesmo, tão pouco debatido na literatura educacional, seguramente demarca este ser que teria no ensino e no aprendizado um estilo de vida.
Eu não nasci professor. Aliás, fui perceber que poderia ser professor depois de abandonar 3 anos do curso de Engenharia Química. Hoje, com quase 23 anos na carreira docente, vejo com humor aquele jovem, que temia a escrita, com medo de ser repreendido e mal interpretado, editando um Blog educacional e escrevendo posts, na tentativa de melhorar a interatividade com seus alunos e leitores.
Hoje não quero mais ser o professor que fui noutros tempos. Eu sou outra pessoa, me relaciono com outras pessoas, vivo num lugar que se modificou. Porém, carrego comigo lembranças que ao serem lembradas re-produzem significados e me re-produzem. Eu fiz as relações que me fizeram. E é talvez por isso que continuo sendo professor.
E se hoje comemoramos o aniversário de ser professor, digo que estou pronto para recomeçar, renascer, pois este é o sentido que ainda me anima e motiva: não estou pronto para ser considerado formado, mas para começar a ser outro professor.
Concurso Público Para O Cargo De Professor Estado De Goiás
Filed Under Notícias | Posted on Agosto 19, 2009
Concurso Público Para O Cargo De Professor Estado De Goiás
Quinta-feira, dia 20 de agosto, começam as inscrições para o concurso público para o cargo de Professor(a) no Estado de Goiás. O Centro de Seleção da Universidade Federal de Goiás será o responsável pelo mesmo. Veja aqui:
O prazo para se inscrever vai até 17 de setembro de 2009. O valor da inscrição é de R$ 55.
As provas serão realizadas no dia 25 de outubro, em 13 cidades do Estado: Aparecida de Goiânia, Anápolis, Goianésia, Goiânia, Catalão, Planaltina, Itumbiara, Goiás, Iporá, Luziânia, Rio Verde, Jataí e Porangatu.
Para consultar o edital e seus anexos, clique aqui.
Sobre Os Salários Dos Professores Da Rede Pública
Filed Under Púlpito | Posted on Abril 14, 2009
Sobre Os Salários Dos Professores Da Rede Pública
Onde há uma mínima intenção de luta por melhores salários para professores e professoras, ou denúncias sobre os baixos salários dos docentes da rede pública, eu creio que é necessário parar e pensar a respeito. Em tempos de crise parece que falar em aumento real de salários é um desvario, um delírio. E é sempre bom contrapor aos soldados naturais da ordem mundial que comer, vestir, morar e divertir-se é atividade do dia a dia de todo ser humano trabalhador. E se até o Presidente da República já disse que acha pouco o piso salarial de R$950,00 para um professor no Brasil cuidar, durante o dia todo, de 40 ou 50 crianças, porque então não mostrar a cara do Brasil, dos Estados e Municípios, que pagam os seus professores para educar suas crianças. Esta é a proposta que vi ser divulgada no Blog da Gládis, Educação, tecnologia e algo mais… , com o post Quanto ganha um professor na Rede Pública. A exposição de quem somos, enquanto Estado, pode talvez criar constrangimento e uma necessária campanha para a melhoria da educação em termos de salário e condições pedagógicas de trabalho. Não custa acreditar, não é mesmo?
Quando O Professor Estuda O Aluno Aprende Melhor
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Fevereiro 10, 2009
Quando O Professor Estuda O Aluno Aprende Melhor
O Robson Garcia, lá do Caldeirão de Idéias, fez uma sugestão na lista dos Blogs Educativos: a leitura do texto do Professor Pedro Demo, intitulado PROFESSSOR – PROFISSIONAL DA APRENDIZAGEM. Demo aponta uma série de características que evidenciam uma cultura de formação do professor pautada no instrucionismo, qual seja, a que fazem os professores suporem que devam “aprimorar seu jeito de ensinar, não de aprender”. E para o autor, “aprimorar a aprendizagem discente implica aprimorar a aprendizagem docente”.
Identificado como um vício capital, o instrucionismo é caracterizado dentro de uma “tradição reprodutivista escolar, calçada no argumento de autoridade, na disciplina, na transmissão de conhecimento, no currículo como “grade”. O aluno é mantido na condição de objeto de instrução, evitando-se que compareça como autor. Na prática, nem o professor é autor, muito menos o aluno. Faz parte do instrucionismo também a aleivosia de confundir aprendizagem com aula. Embora aula sempre caiba como expediente auxiliar, grande parte das aulas não ultrapassa o argumento de autoridade, esvaindo-se em pretensões disciplinares arcaicas”.
Em tese, o aluno é a figura central na escola, mas o professor é a centralidade da aprendizagem do aluno. Na prática, o aluno aprende como o professor aprende.
Bom, a pergunta que me fiz, no final da leitura do texto, foi: qual é meu jeito de aprender? Tomar consciência do meu jeito aprendiz irá melhorar o aprendizado das minhas alunas? Este é um desafio interessante. Mas como apreender como eu aprendo? Cabe lembrar também que o objeto aqui não é o que eu aprendo, mas como aprendo. Isto já é um bom ponto de partida. Porém, como diz um amigo meu, se estou ensinando história da educação caberia levar para a sala de aula como eu aprendi a fazer bolo? Eu posso estar exagerando, mas isto tem sentido, ou seja, o tema/conteúdo do aprendizado está relacionado ao aprendizado de determinada disciplina. Do contrário estaríamos, todos, apenas aprendendo em como fazer bolos.
Salvos pelo gongo do bom senso, acredito que o acordo é sim ensinar/aprender colaborativamente junto com os(as) alunos(as), respeitando as diferenças de experiências entre professor e corpo discente.
Minha forma de aprender é um tanto quanto eclética. Sou lento nas leituras, preciso anotar, rabiscar os textos para capturar as idéias e dialogar com as mesmas. Na infância, lembro que sentia dificuldade em concordar com a professora de português sobre o que era o tema principal de determinados textos que ela nos passava. Mas isto não acontecia em todos os textos, claro. Hoje entendo que esta dificuldade estava na pouca autonomia que tínhamos na interpretação e no medo de estar fazendo interpretações erradas.
Percebo também que é importante a fonte de informações. Hoje busco informações em citações bibliográficas de livros/artigos que leio; nas listas de discussões on-line que participo; blogs; conversas com colegas de trabalho e outros pesquisadores. Vejo que na universidade, há certa dificuldade ao propor uma disciplina, em eleger o que os alunos devem ler prioritariamente. Quando seleciono um texto significa que outras leituras e entendimentos foram feitos, o que certamente adjetiva a minha compreensão, que será diferente das alunas. Explicitar estes procedimentos não seria um caminho de pensar o como aprendi?
Mas este aprendizado está pronto quando vou para a sala de aula? Não. Ao problematizar textos, sugerir o debate de idéias, outras possibilidades de aprendizado/interpretação são lançadas no jogo. Acredito que ao fazer isto, lanço mão do meu esforço em ter estudado para publicar a aula, mostrando meu próprio percurso. E mais, propondo a produção de textos sobre questões abertas do tema estudado. Faço isto também utilizando este blog como referência para a continuidade da produção intelectual de sala de aula, oportunizando às alunas outro local de debate.
Eu me alonguei neste relato, eu sei. Mas foi por pura vontade de explicitar um pouco de como eu aprendo e ensino. Talvez se falarmos mais sobre isto nós possamos ir detectando um pouco mais nossas falhas e possíveis acertos quando ensinamos e aprendemos. E você leitor(a), como faz?
Avaliação Do Professor
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Novembro 28, 2008
Avaliação Do Professor
O final do semestre se aproxima e tentando ser mais blogueiro e menos acadêmico (se é que isto é possível para este que vos fala aqui), lanço o desafio, aos alunos e alunas das disciplinas História da Educação I e II, “Mídias, mediações e Educação” e “Educação, comunicação e Mídias” (todas em 2008), a uma conversa avaliativa. É claro que o(a) leitor(a), mesmo não sendo aluno(a) pode também dar uma palhinha.
O objetivo é provocar o diálogo do que foi ensinado, como foi ensinado e o valor disso para quem esteve envolvido no processo. Alguma coisa pode melhorar?
Opiniões, que vão além disso, também serão bem vindas. Quem começa?











