Dia Do Amigo
Filed Under Poesia | Posted on Julho 20, 2008
Dia Do Amigo
Acordei neste domingo com aquela preguiça costumeira que você, leitor, sabe sem dúvida qual e como ela é. Na verdade, ela não parece ser, ela se estabelece como um estado domingueiro, apesar de que em certas idades juvenis, ela se transfigura em coisa ontológica. Sim esta preguiça tem várias caras e modos de ser.
Levantei-me e a primeira coisa rotineira que faço quando estou em casa é ligar o micro, antes de ir fazer o café. Mas vamos deixar deixar destas histórias.
Quando fui acessar meus e-mails me deparei com um texto escrito pela minha amiga Amélia, de Maringá – PR. E o texto era uma homenagem que ela estava fazendo aos amigos e amigas no dia do amigo, este 20 de julho.
Coincidentemente ela estava no Bate-Pago do Gmail e imediatamente agredeci, emocionado, e pedi autorização para publicá-lo.
Pois bem, abaixo está o texto e gostaria de ofertá-lo a todos os meus amigos e amigas, leitores ou não do Blog. Abraço a todos!
A AMIZADE (Amélia Kimiko Noma*)
Para se ter um amigo é obrigatório ser um amigo. Afinal, uma relação de amizade pressupõe reciprocidade de afeto. A amizade é aquela relação social tecida no bem-querer e no bem-fazer, na qual os amigos se suprem afetivamente. Amigos se respeitam, preservam a individualidade, a liberdade e a autonomia um do outro, aceitam as mútuas diferenças e limitações.
Podemos dizer que a amizade é uma síntese da diversidade por articular diferenciações em seu interior. Amigos não precisam ser exatamente iguais (se é que isto é possível); não precisam ter os mesmos gostos, valores, culturas e ideologias. Somente a amizade tem a força para impedir que as diferenças de origem social, posses, capacidades e atributos resultem em divisão e separação dos amigos. Ao mesmo tempo, amigos sabem compartilhar, o que é de cada um é do outro. Desenvolvem uma impressionante relação de cumplicidade, se comunicam apenas com um olhar, com um gesto e com um silêncio. Misteriosamente, a amizade não é quantitativamente medida por dinheiro, riqueza e poder. Maravilhosamente, o seu espelho não é o interesse egoísta, a transação mercadológica nem a relação de exploração e opressão.
Como explicar a amizade? Talvez ela seja a manifestação primeira da necessidade de nos vermos no outro e de nele e por ele descobrirmos o mundo. Ao compartilhar vínculos afetivos e sociais dessa natureza nos tornamos capazes de plasmar e mudar nossa relação com os outros. Isto significa que a amizade possui uma dimensão social que se estende para além do âmbito individual e subjetivo. A amizade se constitui e é tecida por mediação de vínculos e interações
Estamos a falar de outra forma de sociabilidade que, não substituindo a família (e outros), coexiste com ela e se fortalece na tessitura social e cultural. Isto permite a compreensão de que a
O relacionamento social mediado pela amizade tem, portanto, um papel fundamental pois significa uma das experiências individual, social e historicamente vivenciadas e
Vinícius de Moraes expressa a absoluta necessidade que temos dos amigos e o quanto a nossa vida depende da existência deles, quando diz: “são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!”
E por que precisamos de um amigo? De novo, é o poetinha Vinicius quem sabe o tom e, afinado, entoa a melodia. “Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade”. “Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. […] Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive”.
Como nada do que é humano lhe é estranho, como não poderia deixar de ser, na relação de amizade se consubstanciam a imperfeição, a incompletude e a finitude características do ser humano. Se a amizade é uma forma de amor, então, o amigo é capaz de me amar quando menos mereço pois é quando mais preciso dele? E amigo sempre nos lembra que, para se manter viva, a amizade precisa ser continuamente cultivada, alimentada, reconstruída, revigorada, retomada…
Vivo, como o ar, no meio dos seres
e saio da solidão encurralada
para a multidão dos combates,
livre, porque na minha mão vai a tua mão,
conquistando alegrias indomáveis.
Pablo Neruda
Canto Geral (Aqui termino)
* Doutora em História pela PUC-SP e professora adjunta na Universidade Estadual de Maringá, no Departamento de Fundamentos da Educação, Docente no Programa de Pós-Graduação em Educação da UEM.
Se voce eh novo(a) aqui, inscreva-se ao meu RSS feed. Obrigado pela visita!
Cinema, Poesia E Educação
Filed Under Cinema | Posted on Abril 12, 2008
Cinema, Poesia E Educação
Esta narrativa poderia começar assim: as luzes se apagam, o pano se abre e a tela do cinema se ilumina, trazendo aos espectadores imagem e som.
Mas, a realidade aqui é: ligue o seu computador e acesse o link do Portal Curtas abaixo para assistir Pequenos tormentos da Vida:
http://www.portacurtas.com.br/filme_abre_pop.asp?cod=5099&exib=2636#
Trata-se de um documentário dirigido por Gustavo Spolidoro onde a sala de aula, de uma turma da terceira série, é posta em cena, descortinando possibilidades didático-pedagógicas na educação da criança.
E na abertura, Mario Quintana:
Quando Guri, eu tinha de me calar
à mesa: só as pessoas grandes falavam…
“…agora, depois de adulto,
tenho de ficar calado
para as crianças falarem”
A primeira cena, propriamente dita, é um passeio pelo o que poderíamos chamar de uma “aula sem graça”, ou um dos pequenos tormentos da vida. Crianças bocejando, e a narradora explorando as palavras e as imagens, vai anotando o quanto a aula é sem fim e nada acontece.
“Se ao menos um avião entrasse por uma janela e saísse pela outra”, diz a narradora, finalizando a cena inicial. Trata-se de uma passagem do poema de Quintana:
De cada lado da sala de aula, pelas janelas altas, o azul convida os meninos, as nuvens desenrolam-se, lentas, como quem vai inventando preguiçosamente uma história sem fim…
Sem fim é a aula: e nada acontece, nada…
Bocejos e moscas.
Se ao menos, pensa Lili, se ao menos um avião entrasse por uma janela e saísse pela outra!
Em seguida, entra a professora, revertendo a situação e dando outro rumo à aula, solicitando de cada criança que elas indicassem três tormentos em sua vida: pequenos, médios e grandes.
É essa nova direção à aula que me chamou a atenção, além do texto do Quintana. A professora atirou as crianças no universo do poeta, fazendo-as pensar na própria história de vida.
Daí em diante, vale a pena assistir e ver os tormentos relatados pelas crianças, bem como a forma como o diretor foi pontuando esta interação entre as descobertas que as crianças foram fazendo do mundo do poeta Maria Quintana, como também a forma como a professora conduz sua aula, envolvendo as crianças no estudo da obra do poeta.
Pequenos Tormentos da Vida é um documentário gaúcho que, mesmo que pensemos que a própria poesia seja um pequeno tormento na vida das crianças, quando não apreciada, podemos imaginar também que ela, a poesia, é uma das formas de incentivar a criança a ler. Ou não?
Da minha parte, otimista como sou, prefiro acreditar que mesmo que estas crianças tenham se envolvido no projeto por brincadeira ou por estar entrando em cena e sendo filmadas, elas, ao interagirem com a obra do poeta, pensam o mundo e a si mesmas por um viés diferente do habitual. E isto tem um poder educativo muito interessante.
Ficha Técnica
Produção Jaqueline Beltrame Fotografia Gustavo Spolidoro, Vicente Moreno Roteiro Gustavo Spolidoro Montagem Vicente Moreno Música Pata de Elefante
Metade
Filed Under Poesia | Posted on Março 6, 2008
Metade
Recebi por email a poesia abaixo. Foi uma indicação da Avelina, aluna curso de Pedagogia, da UFG - Catalão. Eu gostei!
E já faz um tempinho que não publico poesias aqui no Blog. Quanta seriedade, não é? Então vamos temperar este espaço aqui.
O poema é do Oswaldo Montenegro e o nome é:
Metade
Oswaldo Montenegro
Composição: Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Veja também em video:
Metade Oswaldo Montenegro poesiaEntrevista Com Professores – Eguimar Chaveiro
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 13, 2008
Eguimar, com sobrenome Felício Chaveiro (na foto ao lado), é amigo de longos anos e parceiro: de partidas de futebol no início dos anos 1990; noites de boteco a falar sobre educação, mulheres, música e poesia.
Ele diz ser inventor de poesias. Pequena grande modéstia! Já há alguns anos venho lendo o que ele escreve e ele me parece sim um escrevinhador de primeira categoria. Sua escrita é instigante e provocativa. Ela nos faz, ao terminar a leitura, querer escrever também.
Abaixo, ele conta um pouco da sua experiência e perspectiva educacional.
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
O meu nome é EGUIMAR. Para o meu avô, um pequeno fazendeiro goiano, nome de pessoa era como arroz-e-feijão. Era João, José, Pedro, Maria, Luzia, Teresa. Coisa para degustar sem dificuldade. Para ele, meu nome teria que ser João ou José. Minha mãe queria mudar o condimento; desejava botar cenoura no arroz, então pensou o nome EDMAR - sofisticadíssimo. Meu avô descobriu que Edmar era um bêbado de Araçu. Deus me livre!!!. Indo da roça para o cartório sobre uma carroça, a minha derivou de Edmar, Eguimar. Estou aqui, Felício. Chaveiro.
Trabalho no Instituto de Estudos Sócio-ambientais, da UFG. Hoje digo com nitidez: tenho pertencimento pelo local do meu trabalho, por, talvez, depender pouco dele. Faço conchavos simbólicos, negociações de atoagens com gente da Superintendência de Ensino do Estado de Goiás, da União Brasileira dos Escritores, de ONGs e Movimentos sociais. E passeei muito com gente de várias formações: sou geógrafo, mas fiz mestrado na faculdade de Educação, onde estudei psicocognição e fiz doutoramento na FACULDADE DE FILOSOFIA DA USp, no departamento de geografia com uma tese em que falei sobre Goiânia pelo viés da geografia, da literatura, da história e da psicanálise. Botei na tese a palavra TRAVESSIA e escrevi um livro A VIDA É UM ENGENHO DE PASSAGENS. Parece que quero ter uma certa consciência de MOVIMENTO, PASSAGEM…
2) Como você se tornou professor(a)?
Fui um leitor precário, talvez não tão precário, na adolescência. Vinha de uma grande crise familiar. Tinha medo do olhar do Outro. Lia para escapar da solidão sem estar acompanhado. Fiz uma pequena amizade com Sartre, ainda antes do 18 anos, assim como com Fernando Sabino, Stanislau. Isso meu levou à universidade de Geografia. Entrei em 1981. Fui cúmplice ativo da praça universitária em Goiânia.
Ali era o palco do nascimento do PT-Goiás, da luta contra a ditadura militar, do nascimento da MPB goianiense, do soerguimento dos partidos comunistas, da UNE. Todos amamos Paulo Freire; quase todos amamos Frei Betto e Leonardo Boff. Fui da Cebs. Fiz teatro - Povo da Terra. Inventei uns poeminhas. Enfrentei a timidez. De repente, me tornei professor. Estou, agora, no limiar da compreensão da grandeza da profissão - e do exercício. O que virá será grande.
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
É uma experiência que contabiliza todo o movimento do pensamento pedagógico dos 1980 até hoje. Li Paulo Freire; fiz dinâmicas; transformei a sala de aula num círculo, disse que O CÍRCULO É EMANCIPATÓRIO. Internalizei a economia política marxista entrante na geografia até 1985, por ai.
Tive uma postura crítica à externalização do marxismo; fui um razoável leitor independente. Estive nos congressos, nas associações. Fui um professor militante. Entrei fundo na pedagogia lúdica. Embirrei sempre contra a burocracia e contra a institucionalização. Agi com violência pelo caminho da irreverência. Tentei preservar a vontade de ter um bom caráter. Fundi vários campos de saber. Tive um discurso relativamente autônomo entre Chaplin, Drummond, Quintana, Marx, Milton Santos e o meu amigo Joaquim Pedro, muito ajudado por amigos como Braz José Coelho, Cláudio Fonseca, Tânia Maia, Wolney Honório, José Henrique, Ged Guimarães, João de Castro, Horieste Gomes, Elza Staciarini, Arquidones, João Batista e tantos outros atores de minha pertença….
Ou seja, posso ser contextualizado nos momentos da universidade e do pensamento pedagógico brasileiro. Mas palpitei a minha singularidade em meio a tudo isso. Sou um professor contente com o salário, com o meu invisível, com as condições de diálogo com colegas, alunos e instituições.
4) Para você, quais são as mudanças significativas que vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
Podemos classificar níveis de mudança:
a) - em nível epistemológico, vive-se mais liberdade de pensamento, mais cruzamento de paradigmas, concepções, fundamentações. Isso democratiza o ato de saber pensar, embora abre oportunidades para frentes enlouquecidas, delirantes, ou de linhas de fuga, como a auto-ajuda educacional, o esoterismo, a resacralização do pedagógico. Há novidades, como a força da COMPLEXIDADE, da FÍSICA QUÂNTICA, da DIFERENÇA. E há, também, um movimento que repõe o papel da IDEOLOGIA, do sentido político do ver-pensar. Como há, a força da compreensão da subjetividade.
b) - Em nível pedagógico, a escola lenta no mundo da pressa, ainda pensa resolver os problemas didáticos pela via da metodologia do ensino. Apesar de isso, a meu ver, não dar conta de pensar O SUJEITO DA ESCOLA e o seu sentido histórico, cria uma escola mais criativa, mais integrada com a comunidade, com o entorno, com outras linguagens como a música, a arte plástica, o futebol, o teatro, o cinema.
Há um problema central neste nível: dar conta de criar a intersubjetividade em meio ao sujeito que é produto da sociedade desigual e apressada que, por isso, tem outra percepção, outra cognição e outras demandas existenciais.
c) - Em nível profissional, o mundo diz a escola por meio da SOCIEDADE DO CONHECIMENTO, mas a escola pública não dá conta de responder os anseios do aluno trabalhador. Vive-se, então, uma fragmentação seletiva de escolas, como ESCOLAS DA GLOBO, BRADESCO, ITAU, MST, IGREJAS ETC. E dai pulveriza, também, o conhecimento para a ética, para o sexo, para o ambiente, para o trânsito.
A escola vive neste paradoxo: ela é necessário e é aviltada. Como necessidade, reluz no discurso; e como condição real, é um lugar do desespero. Além disso, a escola se abre aos novos discursos como DIFERENÇA, AMBIENTE, SEXUALIDADE e pode burocratizar como uma espécie de MODA INSURGENTE SEM AÇÃO.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
A educação do futuro vai carregar o jeito do mundo - e as suas condições. E seguirá a sua tradição de, em sua particularidade, se forjar como uma instituição importante para vários quesitos da sociabilidade. É bem possível, que ela seja mais fazedora, porque o mundo estará cobrando isso. O que se chama de retorno ao simples, fazer a produção voltar para os quintais, para as pequenas propriedades, intensificar o mundo no mínimo, ajustar o lugar em forma de rede e de intercâmbio, conectar saberes, artes, filosofias e crenças que vão entrar na escola.
Eguimar Chaveiro Entrevista com Professores formação de professor geografia poesiaO Haicai E A Poesia Pontiaguda
Filed Under Poesia | Posted on Dezembro 9, 2007
Compositions, Vassily Kandinsky (1913)

O Haicai, segundo o site http://www.sumauma.net/haicai/haicai-oquee.html, é:
“O haiku, traduzido para o português como haicai, é a forma de poesia mais tradicional da cultura japonesa. Autores ocidentais tendem a definir o haicai como um poema de 17 sílabas dispostas em três linhas de 5, 7 e 5 sílabas métricas. O haicai deve oferecer um momento de reflexão, de forma que cause no leitor, uma sensação de descoberta. Esse momento está para o haicai, assim como o satori está para o zen e o nirvana está para o budismo. O haicai também deve conter um kigo, palavra que se refere a uma das estações do ano, que indica quando foi escrito. O tema do haicai é principalmente observações de cenas que acontecem na natureza. À medida que o haicai ganhava a simpatia dos ocidentais, algumas de suas características foram sendo deixadas de lado, enquanto que outras foram sendo incorporadas à sua forma. Isto fez com que o haicai fosse moldado ao gosto de seu praticante, conforme as influências literárias de sua cultura.
Há muito mais para dizer sobre o haicai. Por que praticamos o haicai? Será que o número de sílabas realmente importa, ou as letras maiúsculas usadas no início de seus versos garantem maior fidelidade à forma? Qual a importância da pontuação em um haicai? Qual a relação entre haicai e zen? Por que é preferível não usar a personificação em um haicai? Quanto que podemos confiar nas traduções feitas sobre haicais? Tentaremos responder a essas questões nos textos seguintes, com base na literatura disponível.”
Daí em diante, caro leitor, caso queira continuar nesta jornada de aprendizado, acesso o site citado acima.
Estou fazendo aqui referência ao Haicai para poder expor alguns que eu mesmo fiz.
“quem vê com os olhos
encherga o óbvio
quem percebe a alma
tem uma visão”
WHF
Paulo Leminsk, O Rimbaud curitibano, segundo Haraldo de Campos, é minha referência mais próxima de haicais:
“aqui jaz um grande poete
nada deixou escrito
este silêncio, acredito,
são suas obras completas”
Paulo Leminski
Esta semana, por algum motivo desconhecido, meti a mão no teclado e comecei a escrever haicais. Por quê? Sei lá!
“o sono
ainda presente
na manhã ensolarada
é o resultado
da longa noite
de desejo”
WHF
Uma pergunta: por que poesia pontiaguda? Usei esta expressão porque imaginei o resultado da leitura imediata de um haicai, como este:
“a todos os que me amam
ou me amaram um dia
deixo apenas um padre nosso
meio mal passado
e essa espécie de ave maresia”
Paulo Leminsk
Uma mensagem pontuda. Pontiaguda.
Hoje é domingo e se você não tem nada para fazer até agora, faça um haicai e o coloque nos comentários deste post. Bom final de semana!
haicai paulo leminsk poesia poesia pontiaguda










