O Currículo Do Curso De Pedagogia Catalão Goiás
Filed Under Pesquisa | Posted on Julho 14, 2008
ANÁLISE DO CURRICULUM DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIAS/CAMPUS DE CATALÃO – UFG 1983/2008
Orientanda: Alessandra Cardoso Alencar*
Orientador: Wolney Honório Filho
O interesse em estudar o currículo do curso de pedagogia do Campus de Catalão da Universidade Federal de Goiás (UFG) parte de minhas inquietações frente às propostas curriculares e tem origem de minhas experiências enquanto aluna desse curso no interior da UFG e no início da adaptação dessa nova reforma curricular. E um de meus principais objetivos será então o de analisar o processo de apropriação desse novo currículo na unidade do Campus de Catalão.
Esse fato tornou-se para mim um tanto quanto curioso. Frente a isso senti a necessidade de melhor compreender os parâmetros importantes e significativos definidos na fase de construção dessa nova proposta curricular, pois no meu entendimento, a educação constitui-se como uma prática social, traduzindo uma multiplicidade de objetivos e interesses. É um fenômeno social intrínseco ao contexto sócio-político-econômico. Portanto, possui um caráter político de não neutralidade.
Assim, desenvolvemos questões relacionadas à apreensão da formação material do currículo do curso de pedagogia do CC/UFG, constituída pelo projeto curricular:
- Como se dá a apropriação do projeto curricular da FE/UFG no curso de licenciatura do CaC/UFG? Quais as experiências (atividades teórico-práticas) que propiciam a apreensão desse projeto curricular?
- Quais são os eixos curriculares e como estão organizados no currículo?
- Quais os principais problemas do currículo de formação de professores do CC/UFG?
Essas são as questões gerais que orientarão a pesquisa tendo em vista a obtenção de dados, que nos dê condições de desenvolver a questão central relativa ao nosso foco de estudo, que será evidenciado no decorrer de todo o trabalho: a apropriação do currículo do curso de pedagogia do Campus de Catalão/UFG no decorrer dos anos de 1988 (data de criação do curso de pedagogia) até os dias atuais.
Sendo assim, o presente estudo consistirá, pois, em uma investigação sistemática de uma instância específica: os currículos do curso de Pedagogia, do Campus de Catalão da Universidade Federal de Goiás, em 1988 a 2008. O objeto será estudado dentro de seu contexto histórico social de modo a apreendermos o seu caráter complexo, observando as influências externas e examinando os aspectos específicos da referida instituição.
O trabalho será organizado em dois capítulos. No primeiro, busca-se a compreensão histórica do curso de pedagogia no Campus de Catalão/UFG, a partir de sua criação em 1988, como um processo de interiorização do Ensino Superior no Estado de Goiás.
O segundo e último capitulo abordará uma análise dos currículos do curso de Pedagogia da UFG nos períodos de 1988 a 2008. Serão examinadas as diferenças e semelhanças na composição e apropriação do currículo pelo Campus de Catalão/UFG, acreditando que, dentro dos limites da construção deste, possa contribuir com alguns elementos para a discussão, indagação e reflexão sobre o curso de Pedagogia, no sentido de Universidade pública e o processo de formação docente no seu interior.
*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.
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Novas Tecnologias E Formação De Professores – Parte I
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Maio 15, 2008
Novas Tecnologias E Formação De Professores – Parte I
Nos anos de 2006 e 2007, especificamente no segundo semestre de cada um desses anos, fui responsável pela disciplina “Educação, comunicação e mídias”, no Curso de Pedagogia, UFG – Catalão. Eu não tinha e não tenho formação em Educação e nem em tecnologias. Eu tenho licenciatura plena em história e pós-graduação na área. Minha indagação portanto foi: o que um historiador vai propor numa disciplina curricular deste porte?
Somando-se a isto, criei este ano uma outra disciplina de Núcleo Livre chamada “Mídias, mediações e educação”. Além de vir a dois anos indagando da minha presença profissional num território desconhecido, fui inventar de navegar nessa praia, pegando outras ondas teóricas.
O que me atraiu aqui? Acredito que foi a possibilidade pedagógica de investir, mergulhar (mesmo sem saber nadar direito) numa oportunidade de aprender e ensinar utilizando tecnologias que iriam além do giz, do quadro negro e do “guspe”, que o que dizemos comumente.
Mas já vou logo antecipando: ainda não consegui montar um formato ideal para a disciplina “Educação, comunicação e mídias” e a experiência com esta última disciplina “Mídias, mediações e educação” ainda não atendeu às minhas expectativas. Explico: tenho tentado implementar trabalhos de pesquisa online com as(os) alunas(os), procurando incentivar o compartilhamento do aprendizado e a colaboração, mas os resultados ainda estão muito tímidos. A impressão que eu tenho é que os próprios estudantes ainda não estão preparados para construírem seus próprios caminhos do conhecimento.
Mas isto leva a outra indagação. E nós, professores e professoras: estamos preparados para promover a colaboração e compartilhamento do conhecimento, expressões tão usadas entre os defensores das novas tecnologias?
Este post, de propósito, termina aqui. Mas a idéia é criar novos posts, refletindo sobre estas questões, minhas experiências e experiências que tenho encontrado na Internet.
aprendizagem compartilhada comunicação educação formação de professores novas tecnologias pedagogiaO Professor Na Sociedade Em Rede
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Abril 24, 2008
O professor na Sociedade em Rede
Após entrar na universidade, alunos e alunas enfrentam outros desafios para concretizar a formação profissional. É isto o que tenho visto com o alunado da Pedagogia – UFG-Catalão, onde trabalho como professor.
O primeiro desafio é conhecer este novo mundo chamado academia. E logo de cara o primeiro susto: a forma de estudar e aprender na Universidade são completamente diferentes do ensino fundamental e médio.
É o que percebem quando descobrem que escrever e ler tem uma dimensão diferente daquela apreendida na educação anterior. E esta é uma dificuldade comprometedora do aproveitamento destes alunos e alunas logo no primeiro ano de faculdade.
O fato é que apesar de estudarem língua portuguesa durante todo o período de escolarização a grande maioria ainda tem sérias dificuldades para organizar as idéias no papel, bem como para entender textos mais teóricos.
Além disso, venho notando também que a maioria é mulher e numa faixa etária de 19 a 22 anos em média. Ou seja, a única experiência escolar que tiveram foi na qualidade de alunas.
Isto faz com que simultaneamente à entrada na universidade surge também o momento, também para grande parte delas, de ir atrás do primeiro emprego, não podendo dedicar exclusivamente 4 anos à formação profissional.
Formar é preciso, mas trabalhar também é preciso. Este é um pedaço da nossa realidade estudantil. E esses conflitos podem ser maiores ou menores, dependendo do histórico escolar da aluna, origem sócio-econômica, cultural, etc.
Enquanto professor do primeiro ano de Pedagogia eu fico, a cada ano, perplexo com esta realidade, que ao invés de diminuir, está se agravando. O que fazer para melhorar a qualidade destes futuros professores?
Não acredito que haja uma única resposta e que muito menos seja fácil encontrar respostas. Mas eu acredito que o debate é fundamental para encontrar soluções. Afinal, o próprio Paulo Freire já clamava por uma educação mais dialógica. Então vamos a ela.
Abaixo, reproduzo um vídeo sobre o professor na sociedade em rede. O vídeo aponta que o professor e o aluno, numa perspectiva das novas tecnologias, se transformarão. Seus papéis se modificarão. Vejam!
O professor na Sociedade em Rede
Formação De Professor É Para Toda A Vida
Filed Under Púlpito | Posted on Abril 5, 2008
Formação De Professor É Para Toda A Vida
Estamos com praticamente um mês de aula e algumas questões começam a aparecer na turma de alunos e alunas que iniciam o curso de pedagogia (digo, como referência, o curso de Pedagogia UFG – Catalão – GO).
Quem são nossos candidatos a futuros professores? Inegavelmente, o sexo feminino, não fugindo às expectativas e estatísticas, mantém a sua hegemonia presencial. Porém, este ano, alguns homens, mais precisamente três, estão na fila dos futuros professores.
Alguns aspectos dessa realidade estudantil são marcantes: dificuldade na escrita, bem como na leitura e interpretação de textos.
O fato é: a cada ano que passa, nós estamos constatando uma qualidade mais baixa de alunos ingressando no ensino superior. A indagação que me ocorre no momento: em que medida isto afeta a formação qualitativa dos professores?
Talvez a pergunta seja óbvia demais, dado que baixa qualidade de escolarização estes estudantes. Mas eu penso que é hora de começar a refletir estas coisas.
Abaixo, reproduzo um vídeo feito na comunidade européia, onde a discussão central é a qualidade dos professores como fator principal na melhoria da qualidade de ensino. Vejam:
Professores têm de apostar mais na formação ao longo da vida
Patrono XVII Turma de Pedagogia
Filed Under Eventos | Posted on Março 15, 2008
Patrono XVII Turma de Pedagogia
Eu fui convidado para ser o patrono da XVII Turma de formandos da Pedagogia. E ontem, dia 14 de março de 2008, foi a colação de grau. Fui informado que eu não iria discursar, e sim a patronesse, a deputada estadual de Goiás, Adriete Elias.
Entretanto, como a deputada teve outros compromissos inadiáveis, eu falei de improviso. Abaixo, um texto em homenagem à turma, prometido no ato solene da colação de grau.
Para fazer uso de algumas palavras, gostaria de, primeiramente, agradecer a Deus, citando a seguinte frase: “tudo posso naquele que me fortalece”. Esta é uma frase para todos nós, guerreiros deste mundo globalizado e defensores da profissão de educador e educadora.
Em segundo lugar, gostaria de agradecer, ao convite da XVII Turma de Pedagogia, agora afilhados, pelo convite que me fizeram. Ser patrono da turma é algo novo, misterioso e empolgante, além, é claro, de constituir como um desafio de aprendizagem para mim. Obrigado.
Quero dizer algumas palavras a vocês, professores e professoras. Este momento é de emoção. E é esta emoção que para mim resgata nossas virtudes humanas, e, por outro lado, margeia o espaço/tempo vivenciado por todos nós durante estes quatro últimos anos e tantos outros que nos espera ainda.
Neste universo educacional e profissional, o professor é um verdadeiro ARTESÃO. Insisto em realçar esta concepção - educador/profissional/artesão - pois a mesma vem sendo elaborada justamente nestes últimos quatro anos, na história de vida de vocês. Ou seja, penso que o diálogo entre professor e aluno ajudou a fermentá-la. E é então esta idéia de artesão que gostaria de me ocupar um pouquinho mais.
Artesão de que? Artesão de mundos, eu diria. Os professores, a meu ver, inventam mundo, criam idéias, pintam subjetividades, enfim, produzem e reproduzem constelações singulares. No bojo dos recortes interpretativos, suspiram de aflição, como diria Chico Buarque, desintegram grandes partes de sólidas concepções e sem qualquer garantia, deslizam pelo túnel do tempo, pelos cacos e ruínas de nossa formação cultural. Penso que o Artesão/Artesã, Educador/Educadora faz dos símbolos, das idéias, das paixões, das alegrias, das tristezas, bem como do universo material que se encontra ao seu redor, a matéria prima, as ferramentas de seu trabalho.
Vocês carregam consigo certo estilo artístico, e, por extensão, um estilo de vida. Um estilo que tem a responsabilidade social de educar e lutar por melhores condições de trabalho e por uma sociedade mais justa.
O valor do trabalho do professor aparece lentamente, pois está inscrito nas transformações sociais, culturais, políticas e econômicas de uma sociedade. Mais ainda, está inscrito nas transformações pessoais de todos nós alunos, alunas, professores, professoras.
Os frutos são como um bom vinho que demora anos para apreciarmos seu sabor. Da plantação da videira à transformação das uvas em vinho e o seu envelhecimento posterior leva-se um bom tempo. O trabalho de vocês faz fermentar sonhos.
Se eu fosse enquadrar uma cena, descreveria uma câmera percorrendo lentamente os bancos vazios de uma sala de aula vazia. Esta imagem serviria para captar o terreno que ocupamos e agora estamos partindo para nossas próprias aventuras. Por outro lado, a minha câmera faria emergir a sensação de que este território teria sido drenado para novas turmas com toda a experiência educativa que vivenciamos conjuntamente.
É isto o que penso do professor, um artesão, um inventor. O professor, com sua pedagogia, ele vai muito além de um domínio de técnicas e metodologias. A sua arte de ensinar é uma prática cultural responsável, ética, estética e política.
Professoras e professores, hoje nós estamos celebrando conquistas. Eu diria uma conquista compartilhada, envolvendo empenho, habilidades, e persistência mútua. Ou seja, se houve mérito, ele é dividido entre todos nós.
Por um lado, penso que vocês, alunos e alunas, estão gratos. Por outro, sentimo-nos satisfeitos com o resultado do trabalho cumprido. Nós enfrentamos no processo de ensino aprendizagem, as nossas diferenças. Ora com carinho, atenção, paciência e cordialidade, ora com desatenção, impaciência e pouca cordialidade. Fomos, neste sentido, humanos, pessoas do nosso próprio tempo.
Em cada um de vocês, alunos e alunas há de agora em diante, um pedacinho das nossas aulas. Um ou outro ousou pegar uma fatia maior, sem segundas intenções.
Hoje dizemos que vocês saem daqui preparados para serem professores e professoras. Mas eu digo mais: vocês saem da universidade mais preparadas para continuarem aprendendo. Isto é apenas uma fase, uma etapa. Mantenham os braços abertos a novas situações de aprendizagem, pois são elas que vão marcar as suas capacidades de persistência, criatividade, imaginação e senso político cultural de como agir frente à diversidade.
Para terminar, gostaria de saudar a todos vocês, professores e professoras e pedir a Deus pela renovação de suas energias para lhes permitir a continuação da grande obra que todos nós vimos realizando há longos anos, qual seja a de ensinar e educar.
MUITO OBRIGADO.
Wolney Honório Filho
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