Como Levar A Sério O Ensino?
Filed Under Memória e Educação | Posted on Setembro 30, 2008
Como Levar A Sério O Ensino?
O professor Sergio Lima, lá do Blog e Física, indicou uma discussão intitulada “Chega de Educação Progressista”, que está sendo realizada no Blog Periscópio. Eu também fiz uma visitinha ao Blog indicado pelo Sergio. Não fiz comentários por lá, mas acredito que o debate aberto entre o Eduardo, o Sergio, Jenny e outros já demonstram não uma verdade, ou quem está mais certo ou errado. E sim um desafio: pensar a complexidade da educação, a multiplicidade de práticas e concepções e a unidade entre elas.
Como estamos carentes de poderes para empreitar uma necessária renovação do pensamento (parafraseando aqui Edgar Morin)!!! Ainda ontem, numa reunião de um grupo de estudo e pesquisa, refletindo sobre a relação entre memória e educação, nos sensibilizamos do alto grau de desesperança que vem ocupando nossa cena diária na escola. A velha pergunta “Educar para quê?” parece que vem perdendo a força, ou o sentido.
Estamos sem utopias?
O José Saramago, hoje, no seu blog, problematiza a relação entre esperança e impaciência. Diz o escritor: “Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias.”
Juntando estas questões, penso que o que temos é uma multiplicação de utopias que vendem uma paciência imobilizadora. Ora, o problema da educação brasileira parece emergir com uma força aterrorizante no seio das escolas, através do pouco resultado apresentado pelas crianças e adolescentes deste país, quando demonstram poucas habilidades na escrita e leitura. Mas este não seria um problema sistêmico?
Os pioneiros da educação brasileira, lá nos idos anos 1930, bradavam em prol de um sistema nacional de ensino. Podemos dizer que nos últimos 20 anos do século XX este sistema se cristalizou no território brasileiro. Porém, não parece consistente.
Zaia Brandão, numa entrevista ao site EiMídia, toca nesta questão, mostrando que questões como o salário do professor, sua condição de trabalho e qualificação, entre outros, são elementos importantes para equacionar os problemas persistentes no sistema educacional brasileiro.
Atribuir ao ensino progressista a culpa pela ineficiência, ou baixa qualidade da educação é pouco. A análise precisa ser estendida. Por outro lado, provocar e deixar o debate correr é riquíssimo, pois assim podemos fazer do que pensamos um objeto a mais das possibilidades dos nossos erros e acertos. Eu acredito que nosso impaciência aqui é positiva.
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