Mestrado, Eu Cheguei Lá!
Filed Under Notícias | Posted on Novembro 28, 2007
É com grande prazer que publico abaixo um texto de satisfação de minha ex-aluna e orientanda PIBIC, Camila Aparecida de Campos, após ser aprovada no programa de mestrado em Educação da Universidade Federal de Goiás - Goiânia.
Na foto abaixo, ela e eu no dia da colação de grau do Curso de Pedagogia, em 19 de abril de 2007, Catalão-GO. Ao fundo, a professora Cida Almeida e a aluna Andréia.
Parabéns Camila por mais esta conquista. Em breve é o doutorado!
Olá, meu nome é Camila, sou graduada em Pedagogia (2006), filha de Terezinha e Paulo. Tenho 22 anos, dois irmãos, dois sobrinhos. Filha de trabalhadores, o mais provável destino seria que eu seguisse o ramo de minha mãe, costureira, assim como temos outras pessoas na família. Mas, sempre fui muito cheia de pirraças, e quis fazer diferente.
Desde minha infância, meus pais me ensinaram a ter gosto pela leitura, e acompanhavam sempre de perto meu desempenho escolar. Isso até mesmo no Ensino Médio. Quando entrei na Universidade o curso escolhido não era o almejado, mas era o possível. Como vários filhos de trabalhadores, eu também sonhava em ter uma profissão na área da saúde, e, na época, eu possuía uma vontade enorme de ser militar (abafa o caso!).
No primeiro ano de curso já me apaixonei! As disciplinas eram História da Educação Ministrada pelo Professor Wolney, Sociologia pela Elma, Língua Portuguesa com a Sirlene, Psicologia com a Tânia e Biologia com a professora Neila. Percebi que a importância da educação, e comecei a conhecê-la.
Nos anos seguintes tive aulas fantásticas! Era um romance com o curso, aliás, com a universidade. Tentei conhecer cada pedaço da universidade, fui bolsista PIBIC, participei de gestões do Diretório Acadêmico, do Centro Acadêmico de Pedagogia, do Conselho Diretor, e de eventos de todos os cursos do Campus.
Mas daí, formei. Foi como a separação de um grande amor. Sofri, chorei muito. E do mundo em que eu era livre pra pensar, fui arremessada ao mundo do trabalho. Era mais uma na disputa. E nesta eu perdi, pra mim mesma.
Como não pude me inscrever pro processo seletivo da 20º turma de mestrado em educação da UFG, eu me via sem rumo. Novamente presa à situação do sonho e do possível. O sonho era estudar e seguir carreira na Universidade, o possível era arrumar um emprego, não necessariamente na área. Resolvi driblar as regras e fui para Goiânia de “mala e cuia”.
Fiquei 5 meses participando de eventos da Faculdade de Educação, da História (UFG) e outras coisas. Vi uma fala do Frigotto sobre educação e trabalho que me causou arrepios.
Voltei pra Catalão continuei na correria contra o possível, fiz alguns concursos, fiquei em segundo lugar. Não desanimei, alias, só fiquei com mais fôlego, mais vontade!
Tanta euforia me levou pra quatro seleções pra mestrado, sendo duas de educação e duas de história (UFU e UFG). Eu respirava, comia e bebia projetos, referencias bibliográficos, currículos. O Resultado foi se aproximando e a ansiedade era quase insuportável. Coitado do Wolney e dos meus telefonemas nas horas inusitadas!
O primeiro resultado foi o da História da UFG, em que não fui aprovada na ultima fase, entrevista. O outro de História (UFU), eu até fui muito bem no projeto, mas a data coincidiu com a entrevista da Educação em Goiânia, e tive que abandonar.
A entrevista, inclusive, foi um fato muito marcante pra mim. Resumindo o ato, que tremo só de lembrar, sai de lá engolindo orgulho ferido e choro.
Ontem, dia 27 de novembro de 2007, olhei o resultado do projeto do processo seletivo de Educação da UFU, e fui aprovada. Um feixe de esperança surgiu, agora falta só a entrevista.
Minha ansiedade crônica me levou à página da Faculdade de Educação da UFG, e o resultado programado pra sair até dia 30, havia sido publicado. Respirei fundo e vi meu nome! Tive um sentimento de prazer, de alívio, de sonho.
Eram tantos inscritos! A minha inscrição era 173. Mas fui aprovada!
Minha vida agora segue um rumo que não sei qual será o desfecho, mas consegui dar mais um passo rumo a um sonho!
Eu poderia discorrer agora sobre educação e neoliberalismo, sobre o processo de seleção que é excludente. É possível ainda, enumerar vários obstáculos que enfrentarei mesmo depois de terminar o mestrado no mundo do trabalho. Mas, sinceramente, estou cansada de teorizar. Não ousem me acordar pelo menos hoje! O que os olhos não vêem o coração não sente, essa sabedoria popular me ajuda a ser feliz neste momento.
Agora, o que me sobra é agradecimentos por cada palavra de apoio recebida neste percurso. Em primeiro lugar, o meu grande professor Wolney, orientador, às vezes até psicólogo! Sem ele não teria conseguido. Tem uma professora que durante o curso me fez acreditar na educação: Cida Almeida. Recebi incentivos de vários professores do curso de Pedagogia, e seria capaz de falar de cada um, mas farei isso pessoalmente (alias, já iniciei né Selma), com um abraço fraterno!
No mundo da competição onde o capital determina os vencedores, não me considero como tal. Ninguém vence num mundo de miséria, onde a educação não é pra todos.
Meus agradecimentos aos mestres, aos amigos, e principalmente aos meus pais e irmãos, que suportaram meu mau humor, me ajudaram a erguer a cabeça em horas difíceis, e me deram carinho.
Sigo o rumo daquilo que acredito, e minha felicidade é saber que farei o que amo.
educação escolarização história mestrado NotíciasSe voce eh novo(a) aqui, inscreva-se ao meu RSS feed. Obrigado pela visita!











