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No princípio, este Blog seria sobre História, Educação, Arte, Ciência e Tecnlogia. Agora é qualquer coisa que a cabeça pensa, o coração sente e os dedos teclam na redondeza e que possa contribuir para a formação do professor no Brasil.

Pensando A Escrita Da História

Filed Under Memória e Educação | Posted on Janeiro 24, 2012


Pensando A Escrita Da História

Foi lançado um interessante Blog no campo da História: Pensando a escrita da História. Segundo os organizadores, “neste Blog vocês encontrarão indicações de leitura de teses, dissertações e livros recentes e de artigos na área, dando ênfase aqueles que procuram pensar a escrita da história. O Blog é uma ramificação dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa: Teoria, metodologia e interpretações na história da historiografia no Brasil.”

Confira AQUI.

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Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo

Filed Under Memória e Educação | Posted on Fevereiro 1, 2011


Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo

 

 

 

Estou publicando uma síntese que a Tatiana[1] fez sobre o livro DOCUMENTOS DE IDENTIDADE…, do Tomaz Tadeu da Silva[2].

 

 

Tomaz Tadeu apresenta neste livro uma análise das teorias do currículo, desde o início até as teorias pós-críticas, o que compreende sua historicidade na busca pela construção, assim como nas influências que exerce, da subjetividade das pessoas e suas respectivas identidades.

         De acordo com o autor, a teoria tradicional compreende uma escola nos padrões empresariais, visando produtividade, organização e desenvolvimento, com ênfase na eficiência. Neste caso o currículo é plenamente técnico, em que a educação segue os modelos estabelecidos pelos interesses da situação.

         Em 1960 surgem as teorias críticas, que vêm para questionar e desacomodar a teoria tradicional, causadora de grandes injustiças sociais, que em dado momento se propõe a analisar ‘como não se faz’ o currículo, mas, compreender o que o currículo faz.

         De acordo com Althusser, a escola é um aparelho ideológico, que produz a ideologia dominante através dos conteúdos. Enquanto isso Bowles e Gintis defendem a idéia de que a aprendizagem se dá através das vivências e relações sociais na escola, que influenciam diretamente a produtividade do sujeito no mercado de trabalho numa sociedade capitalista.

         Conforme Bourdieu e Passeron, o currículo escolar tem força suficiente para inserir os valores dominantes, através da reprodução, modelando o ‘capital cultural’ das pessoas, tamanha força que exerce sobre a vida em sociedade.

         Uma nova conceitualização ocorre nos anos 70. Na concepção fenomenológica, o currículo é entendido como um lugar de experiência e ao mesmo tempo, interrogação e questionamento desta experiência. Na hermenêutica há a defesa do pensamento de que há diferentes interpretações e significações para um mesmo texto. E, na auto-biografia o currículo é amplamente entendido como experiência vivenciada, englobando os conhecimentos formais de conteúdo, as histórias de vida, o desenvolvimento cognitivo, possibilitadores de uma nova concepção do próprio “eu” pessoal e profissional.

         Para Apple, hegemonicamente, o currículo apresenta as estruturas econômicas e sociais amplas da sociedade, nunca sendo neutro ou desinteressado, mas, corporificado através de um conhecimento particular do indivíduo em busca de uma verdade, num processo composto por resistências, conflitos e contestações.

         Para Giroux, que analisa através das lentes da emancipação e libertação, o currículo é concebido como política cultural, descartando a transmissão limitada de fatos e conhecimentos, mas, ampliando as possibilidades para construção de valores e significados sociais e culturais.

         Paulo Freire já apresenta outro olhar, inclusive, nomeando o modelo de currículo de ‘educação bancária’. De acordo com Freire, o currículo deve ter uma trama entre as experiências e vivências do educando a fim de constituir um processo de aprendizagem significativo e satisfatório e, principalmente, geradores de novos conhecimentos.

         Porém, em 1980, Saviani surge com uma crítica à Freire por se preocupar demasiadamente com as metodologias, deixando os conteúdos e/ou a aquisição de conhecimentos num segundo plano.

         É interessante perceber na análise sociológica de Tomaz Tadeu sua percepção quanto à relação existente entre o currículo e o poder, entre a organização dos conhecimentos e a distribuição do poder.

          Diante destas discussões aparece Bernstein abordando o currículo oculto, o qual faz parte do contexto escolar, assim como do processo de aprendizagem dos alunos. De acordo com a visão crítica este currículo (oculto), forma valores, comportamentos e outros, que ajustam os sujeitos ao contexto da realidade capitalista.

         No que se refere às abordagens sobre diferença e identidade, o currículo multiculturalista apresenta uma oportunidade de inclusão dos diferentes grupos sociais, por representar um importante instrumento de luta política.

         A análise crítica divide o currículo multiculturalista em duas partes:

 

 

Além do mais, nesta perspectiva, o currículo é entendido como um artefato de gênero, visto que corporifica e ao mesmo tempo produz relações de gênero.

Para a teoria crítica não basta apenas celebrar as questões sobre a diversidade, a desigualdade e a exclusão, mas questioná-las, pois segundo essa linha de pensamento, tudo que se passa na vida coletiva é uma construção social.

Nessa perspectiva a identidade é uma construção social, dependente da identidade alheia. Logo, não existe identidade sem significações, assim como não existe identidade sem poder.

Surge, então, o movimento pós-moderno, que toma como referencia social a transição entre a modernidade iniciada com o Renascimento e o Iluminismo e a pós-modernidade iniciada na metade do século XX, que questiona os pensamentos totalizantes do saber moderno e as vontades de poder, ou seja, as noções de razão e  racionalidade, colocando o progresso em dúvida e o sujeito como um produto do pensado, falado e produzido.

Foucault representa o movimento pós-estruturalista que apresenta a indeterminação e a incerteza sobre os conhecimentos, questionando os conceitos dos conhecimentos que constituem o currículo.

Enquanto isso, a teoria pós-colonial entende a cultura nos espaços coloniais e pós-coloniais como uma complexa relação de poder em que dominado e dominador, são modificados.

É impossível continuar vendo o currículo como algo inocente e desinteressado após as teorias críticas e pós-críticas.

Diante estas abordagens teóricas apontadas por Tomaz Tadeu é inconcebível ficar indiferente a tudo que acontece com a Educação em nosso país, pois o processo de aprendizagem é complexo e articulado, com movimentos diferenciados e cores múltiplas, que requerem um olhar mais aproximado, mais humano e mais solidário.

Vivemos em uma realidade em que cada vez mais é necessária a existência de pessoas que abracem a causa da Educação, respeitando os diferentes contextos e realidades, assim como a singularidade de cada sujeito, inclusive do professor, que fica tão aquém dos projetos viabilizados na contemporaneidade.

Quando pensamos em currículo, não podemos apenas pensar na construção do conhecimento dos alunos, mas na construção de conhecimentos dos docentes com estes alunos, com o bem-estar destes durante o processo, assim como na re-organização do tempo e dos espaços escolares.

É uma referência bacana para quem quer iniciar uma reflexão sobre a temática do currículo e os diferentes aportes teóricos que podem constituí-lo.

 

Referência de Apoio:

 

FONTE: http://www.scribd.com/doc/20596936/Documentos-de-Identidade-Tomas-Tadeu-Da-Silva em 31/01/2011 às 14h04min



 

[1] Pedagoga. Mestranda em Educação PPG/FACED/PUCRS. Analista de Projetos do Tecnosocial - Unilasalle/Canoas/RS. Integrante do Grupo de Pesquisa “Profissionalização Docente e Identidade: Narrativas na Primeira Pessoa”, sob orientação da Profª Drª Maria Helena Menna Barreto Abrahão – PPG/FACED/PUCRS.

 

[2] SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

 

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Como Levar A Sério O Ensino?

Filed Under Memória e Educação | Posted on Setembro 30, 2008


Como Levar A Sério O Ensino?

 

O professor Sergio Lima, lá do Blog e Física, indicou uma discussão intitulada “Chega de Educação Progressista”, que está sendo realizada no Blog Periscópio. Eu também fiz uma visitinha ao Blog indicado pelo Sergio. Não fiz comentários por lá, mas acredito que o debate aberto entre o Eduardo, o Sergio, Jenny e outros já demonstram não uma verdade, ou quem está mais certo ou errado. E sim um desafio: pensar a complexidade da educação, a multiplicidade de práticas e concepções e a unidade entre elas.

Como estamos carentes de poderes para empreitar uma necessária renovação do pensamento (parafraseando aqui Edgar Morin)!!! Ainda ontem, numa reunião de um grupo de estudo e pesquisa, refletindo sobre a relação entre memória e educação, nos sensibilizamos do alto grau de desesperança que vem ocupando nossa cena diária na escola. A velha pergunta “Educar para quê?” parece que vem perdendo a força, ou o sentido.

Estamos sem utopias?

 

O José Saramago, hoje, no seu blog, problematiza a relação entre esperança e impaciência. Diz o escritor: “Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias.”

 

Juntando estas questões, penso que o que temos é uma multiplicação de utopias que vendem uma paciência imobilizadora. Ora, o problema da educação brasileira parece emergir com uma força aterrorizante no seio das escolas, através do pouco resultado apresentado pelas crianças e adolescentes deste país, quando demonstram poucas habilidades na escrita e leitura. Mas este não seria um problema sistêmico?

 

Os pioneiros da educação brasileira, lá nos idos anos 1930, bradavam em prol de um sistema nacional de ensino. Podemos dizer que nos últimos 20 anos do século XX este sistema se cristalizou no território brasileiro. Porém, não parece consistente.

 

Zaia Brandão, numa entrevista ao site EiMídia, toca nesta questão, mostrando que questões como o salário do professor, sua condição de trabalho e qualificação, entre outros, são elementos importantes para equacionar os problemas persistentes no sistema educacional brasileiro.

 

Atribuir ao ensino progressista a culpa pela ineficiência, ou baixa qualidade da educação é pouco. A análise precisa ser estendida. Por outro lado, provocar e deixar o debate correr é riquíssimo, pois assim podemos fazer do que pensamos um objeto a mais das possibilidades dos nossos erros e acertos. Eu acredito que nosso impaciência aqui é positiva.

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