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No princípio, este Blog seria sobre História, Educação, Arte, Ciência e Tecnlogia. Agora é qualquer coisa que a cabeça pensa, o coração sente e os dedos teclam na redondeza e que possa contribuir para a formação do professor no Brasil.

Mídias, Mediações E Educação - Telégrafo

Filed Under Tecnologia | Posted on Junho 26, 2008

Mídias, Mediações E Educação - Telégrafo

Numa das disciplinas que desenvolvo no curso de Pedagogia – UFG – Catalão, “Mídias, Mediações e Educação” foi combinado com as alunas e alunos 5 trabalhos como avaliação final. Trata-se da construção de material didático para crianças entre 9 e 12 anos, com as seguintes temáticas:
• Telefone
• Televisão
• Telégrafo
• Rádio
• Internet

Cada grupo ficou de preparar um texto e ficou de indicar a forma de como este texto será trabalhado com as crianças. Abaixo segue o texto sobre o Telégrafo.

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O Telégrafo E A Comunicação Social*

A comunicação consiste no ato de emitir, transmitir ou receber mensagens, seja por meio de sons, sinais, gestos ou por meio da linguagem oral e escrita. Para ser completa, é preciso haver um emissor, que produz e envia a mensagem, e um receptor, que recebe e decodifica essa mensagem, procurando apreender o seu conteúdo.

A importância da comunicação para a vida humana pode ser dimensionada por meio de um exercício simples: listar todos os momentos em que ela ocorre durante um dia inteiro na vida de uma pessoa. A lista pode ser incrivelmente longa, desde o primeiro “bom dia” até a hora de ir dormir. A comunicação se confunde com a vida de todos nós, e tem sido assim desde o princípio da aventura humana.

Vale lembrar que quem recebe a mensagem não é um ser passivo, que apenas absorve informações. Direta ou indiretamente, o receptor exerce influência sobre quem transmite a mensagem. Para ser compreendido, o emissor precisa saber em que condições sua mensagem será recebida. Isso vale também para meios de difusão de informações como o rádio e a TV: o ouvinte ou o telespectador não fala diretamente com o emissor, mas de alguma forma interfere na programação por meio de pesquisas de audiência. Com a internet, os sistemas interativos com o público tornam-se cada vez mais freqüentes.

A mensagem é formada por uma estrutura organizada de sinais que viajam entre o transmissor e o receptor. Esse caminho é percorrido com a ajuda de um meio ou suporte, que pode ser a fala, a escrita impressa em um papel, um sinal sonoro, uma placa, um mapa, uma transmissão de rádio.

Ao longo do tempo, os grupos humanos sempre buscaram meios para superar as distâncias espaciais e estabelecer interações sociais, levando cada vez mais longe as mensagens por meio de sinais sonoros, visuais ou escritos. Assim, a comunicação não existe separada da vida social. Não existe comunicação sem sociedade e vice-versa.

A escrita mostrou ser um modo eficiente de levar mensagens a longa distância. Dependendo do desenvolvimento técnico da sociedade e dos recursos disponíveis, as mensagens escritas puderam viajar de barco, veículos automotores, avião, ondas eletromagnéticas ou no lombo de um animal. No mundo contemporâneo já existem a disposição sofisticados meios de comunicação e informação, baseados no extraordinário desenvolvimento científico-tecnológico desse campo nas últimas décadas: telégrafo, correios, telefones fixos e móveis, rádio, TV, satélites artificiais, internet e outros. Alguns deles atingem milhões de pessoas simultaneamente, como é o caso da TV.

Esta seqüência didática propõe atividades que têm como objetivo permitir aos estudantes se aproximarem desses meios e saberem mais sobre sua estrutura e funcionamento. Visam também a possibilitar que exercitem livremente a elaboração e o envio de textos diversos, considerando os destinatários e os meios utilizados para circulação das mensagens.

O telégrafo de Chappe e a comunicação à distância

Todos os seres vivos sentem, em determinados momentos, a necessidade de comunicar aos membros do grupo ao qual pertencem informações necessárias ou importantes. A aproximação de um perigo ou o pressentimento de uma calamidade suscitam gritos, cujo sentido é perfeitamente compreendido pelas espécies envolvidas. As comunidades humanas também procuraram os meios para transmitir ao longe tudo àquilo que a sua linguagem lhes permite exprimir.

Um simples sinal, sonoro ou visual, pode ser suficiente para dar uma ordem, anunciar uma vitória ou uma derrota, desde que o significado esteja convencionado anteriormente.

Os romanos utilizavam tochas a arder no cimo de uma torre, os gauleses, feixes em fogo no cimo de uma colina, os marinheiros, um pavilhão içado no alto de um mastro e o tocar dos sinos das igrejas também foi muito utilizado. Mas, como os limites da vista e do ouvido são rapidamente atingidos, era lógico procurar reproduzir de longe em longe o sinal de origem. A esta técnica, damos hoje o nome de « tele sinalização ».

Contudo, os textos antigos ensinam-nos que, em diferentes épocas, investigadores propuseram sistemas que permitiam dar informações mais precisas e mais diversificadas.

É assim que o príncipe troiano Eneias imagina, em 330 antes da nossa era, um novo procedimento: dois correspondentes enchem vasos idênticos de água, depois mergulham réguas verticais graduadas apoiadas por flutuadores de cortiça. Ao sinal dado por uma tocha, abrem-se os orifícios do fundo dos vasos para fechá-los quando aparece um novo sinal. O nível ao qual o líquido chegou indica a frase que é preciso reter. Evidentemente, o número de mensagens assim transmissíveis é muito limitado.

Mais de um século mais tarde, o histórico grego Políbio pensa em transmitir letras do alfabeto. Divide-as em cinco grupos, representados por cinco tochas. A sua localização e a sua chama ou a sua extinção permitem designar a letra escolhida. O procedimento não é, no entanto, nem muito cômodo, nem muito rápido.

No fim do século XVII, o erudito inglês Robert Hooke coloca um quadro sobre uma estrutura. Nesse quadro podemos deslizar letras ou figuras cortadas num painel de cor escura; estas aparecem então muito nítidas num fundo de céu claro.

Houve muitos outros projetos, mas nenhum passou do estado de experimentação. E quando Claude Chappe empreendeu a criação de um novo meio de transmissão a grandes distâncias, que, em muito pouco tempo, transmitisse tudo o que podia ser objeto de correspondência, nada tinha sido encontrado para resolver este problema.

Claude Chappe nasce em Brûlon, na Sarthe, em 1763. Começa os seus estudos no colégio de Joyeuse, em Rouen, e prosseguiu no seminário de La Flèche. Fortemente influenciado pela carreira do seu tio, o padre Jean Chappe d’Hauteroche, astrónomo e membro da Academia das Ciências, cujos trabalhos conduziram até à Sibéria, depois à Califórnia, Chappe pensa consagrar-se também ao estudo das ciências físicas. A época parece muito favorável ao seu progresso, pois desenvolvem-se novas idéias em todos os domínios e o interesse das descobertas anunciadas pelos eruditos, franceses e estrangeiros, iniciado vários anos antes, incita os cidadãos que dispõem de tempo, de meios e de uma certa erudição a empreender pesquisas.

Na hierarquia eclesiástica Claude Chappe não ultrapassa o nível de clero tonsurado, mas isto é o suficiente para lhe assegurar uma determinada percentagem sobre os benefícios modestos de dois priores, o de Saint-Martin-de-Châlautre, perto de Provins, e o de Baignolet, perto de Bonneval. Assim, pode abrir o seu próprio gabinete de física e dedicar-se a experiências, que relata em jornais especializados ou diante dos membros da Sociedade filomática. Esta sociedade erudita, de criação recente, permite àqueles que a freqüentam encontrar outros cientistas e dar certa publicidade aos seus trabalhos.

Claude Chappe debruça-se particularmente sobre diversas particularidades da criação de bichos-da-seda e sobre as propriedades da eletricidade. Procura, também, um meio de comunicar à distância. Mas quando a Assembléia Constituinte vota a supressão de todos os benefícios, vê-se obrigado a voltar a Brûlon, onde encontra os seus irmãos, também eles vítimas do novo regime.

Neste pequeno município da Sarthe, situado a mais de 200 km da capital, constata como a falta de notícias pode ser desesperante, quando se desenrolam graves acontecimentos. Decide então, concentrar todos os seus esforços no meio de transmitir informações ao longe. Imagina primeiro colocar, face a face, sobre duas alturas bem acessíveis, grandes mostradores cuja leitura será possível, apesar da distância, pela utilização de lunetas de observação. Estes mostradores, divididos em vários setores caracterizados por números, serão percorridos por agulhas, comandadas por movimentos de relojoaria de pêndulos em segundos perfeitamente sincrônicos. Provocando a partida e depois a paragem simultânea das duas agulhas por meio de um som (obtido batendo numa panela, por exemplo) indicaremos o número a transmitir. A este número será associado um membro de frase, recolhido num registro chamado « vocabulário ». Mas o som perde-se rapidamente. A fim de poder afastar suficientemente os observadores, Chappe escolheu finalmente indicar a posição desejada brandindo uma vasta superfície pintada de preto.

Em Março de 1791, está pronto a trocar em público frases compostas por mais de vinte e cinco palavras. As tentativas tiveram lugar entre os municípios de Brûlon e de Parcé, com a distância de 15 km. Os resultados satisfatórios são objetos de processos verbais assinados pelos notáveis do país. Contudo, para obter o interesse dos representantes do povo, Claude Chappe deve agora renovar as suas experiências na capital. Depois de várias diligências obtém do município de Paris a autorização para instalar a sua máquina sobre um dos pavilhões da barreira de l’Étoile, mas uma noite, antes mesmo de ter conseguido dar conhecimento da sua invenção, indivíduos sem escrúpulos roubam todo o seu material.

Longe de se deixar desencorajar por esta desventura, Claude Chappe retoma as suas pesquisas. Constata efetivamente que o sistema que ele imaginou, facilmente exeqüível entre dois correspondentes, se torna difícil de desenvolver se o número de correspondentes aumentarem. A sincronia absoluta em toda a linha é de uma exigência impraticável. O atraso necessário nas observações e manobras, variável no decurso das retransmissões, provoca erros. Decide então abandonar o sistema de pêndulos e imagina colocar no alto de um grande caixilho cinco painéis susceptíveis de aparecer ou desaparecer ao girar. São as diferentes combinações formadas que permitirão exprimir as mensagens.

Desta vez obtém permissão para instalar a sua máquina num local mais protegido: o parque do deputado Le Peletier de Saint-Fargeau, em Ménilmontant. Em Março de 1792, achando os resultados obtidos satisfatórios, decide apresentar-se à Assembléia para lhe fazer uma homenagem com a sua invenção. A sua proposta é enviada para exame perante o comitê de Instrução Pública.

E os meses passam. Os habitantes do município de Belleville inquietam-se com os preparativos que, para eles, são incompreensíveis. Corre o rumor de que se trata de um meio para entrar em contacto com o rei, então cativo ao Templo, e para fomentar uma conspiração destinada libertá-lo. Não foi preciso mais para que a população se dirigisse ao parque e incendiasse a instalação.

Claude Chappe vai então narrar este acontecimento diante da Assembléia e declarar que não tem mais meios de proceder à experiência prometida, se não obtiver um apoio financeiro e se não forem tomadas medidas próprias a assegurar a sua proteção. Será, no entanto, necessário esperar ainda alguns meses e a intervenção do deputado Charles Gilbert Romme para que se tome em consideração o seu projeto.

Em Abril de 1793, o deputado Delacroix informou a Convenção que os inimigos da República, aproveitando a falta de notícias oficiais, faziam circular rumores alarmantes sobre a situação dos exércitos. Devido a reformas desastrosas e a uma mobilização geral que impede a manutenção de determinadas atividades para a Nação, os Correios não conseguem assumir corretamente a sua tarefa. O correio leva muitas vezes cinco dias para chegar de Lille a Paris. Lembrando-se do projeto que Chappe lhe submeteu, o deputado Romme propõe então a construção de uma linha de teste entre Ménilmontant e Saint-Martin-du-Tertre, dois municípios com mais de 26 km de distância e obtém os créditos necessários para fazê-lo. Os sinais serão retransmitidos por uma estação intermediária instalada em Écouen.

Claude Chappe, por seu lado, aproveitou os atrasos que lhe foram impostos para aperfeiçoar um novo dispositivo de correspondência por sinais, uma vez que os painéis móveis lhe pareceram muito sensíveis ao vento. A nova máquina é constituída por um grande braço horizontal que termina em cada uma das suas extremidades por persianas de comprimento menor. Este conjunto é colocado no alto de um grande mastro e pode também tomar a posição vertical. Todo um sistema de cordas e polias permite comandar cada elemento, de forma independente em relação aos outros. Pode-se assim compor rapidamente figuras reconhecíveis que correspondem a algarismos cuja sucessão forma números. Estes números são inscritos numa grande lista que serve para traduzir as frases a transmitir.

Três comissários são designados para seguir a experiência. Entre eles, o deputado Joseph Lakanal, que se mostra um grande defensor da invenção: « desde há vários anos que o cidadão Chappe trabalhava para aperfeiçoar a linguagem dos sinais, convencido de que, levada ao grau de perfeição de que é susceptível, pode ser muito útil numa quantidade de circunstâncias, sobretudo nas guerras em terra e em mar onde as comunicações rápidas e o conhecimento rápido das manobras podem ter uma grande influência no sucesso. […] Para obter resultados conclusivos, os vossos comissários acompanhados de vários eruditos e artistas célebres fizeram a experiência do procedimento numa linha de correspondência de oito a nove léguas de comprimento.»

Durante este teste, Belleville transmitiu: «Daunou chegou cá. Anuncia que a Convenção Nacional acaba de autorizar o seu comitê de Segurança Geral a selar os papéis dos deputados [suspeitos]» e Saint-Martin-du-Tertre respondeu: «Os habitantes desta bonita região são dignos da liberdade, pelo seu amor por ela e pelo seu respeito pela Convenção Nacional e pelas suas leis.» Em conclusão à sua intervenção, Lakanal propõe o texto de um decreto: «A Convenção Nacional, ouvido o relatório dos seus comissários nomeados por decreto do passado dia 27 de Abri, acorda ao cidadão Chappe o título de engenheiro telégrafo e salário de tenente de engenharia, e encarrega o comitê de Salvação Nacional de examinar quais as linhas de correspondência que interessam à República estabelecer, nas presentes circunstâncias.» Lakanal não refere a perspicácia, a coragem nem a tenacidade de que foi preciso fazer prova para chegar tal resultado.

Será preciso, contudo, um ano para realizar a ligação entre Paris e Lille, pois todos os problemas estavam longe de ser resolvidos. E indispensável procurar as posições altas susceptíveis, à distância conveniente, de receber um telegrama, encontrar os materiais necessários para construir as casinhas dos agentes que manipularão as máquinas, obter os meios de transporte para levá-los ao local, equipar os postos de lunetas, recrutar o pessoal que, embora não tendo que conhecer o significado das mensagens transmitidas, deve saber ler e escrever, por fim, fixar as regras de transmissão de sinais.

Estes, visíveis por todos, não devem ser compreendidos senão pelos diretores, que, colocados nas extremidades da linha, serão os únicos a possuir o vocabulário indispensável, que foi preciso criar de origem. Este documento reparte palavras e expressões por freqüência de utilização, depois ordena-as alfabeticamente. No entanto, o primeiro vocabulário mostrará rapidamente a sua insuficiência. Uma modificação importante do mecanismo de comando das asas vai então permitir formar ângulos de 135º, elevando o número de figuras exeqüíveis a noventa e seis, das quais noventa e duas serão utilizadas para a confecção de um novo vocabulário. O princípio é indicar a página pelo primeiro sinal e a linha na página por um segundo sinal.

Desde a adoção do projeto, os irmãos Chappe, Ignace e Pierre-François, auxiliados por Abraham e René, encarregam-se da gestão da empresa e, sobretudo, mantêm as relações com as instâncias governamentais, enquanto Claude prossegue na escolha de locais elevados que permitam o estabelecimento das linhas. No entanto, quando fica doente no decurso das pesquisas, não vai voltar a recuperar a sua saúde e desesperado suicida-se em 1805.

A construção da linha de Estrasburgo deveria ser feita a seguir à da linha de Lille, mas a decisão foi afastada vários anos por causa de dificuldades financeiras de governo. A linha de Brest, que os marinheiros queriam, será construída pouco depois. A de Lyon, começada por Claude Chappe, só será concluída em 1805.

Em 1802, Bonaparte tinha decidido suspender as linhas de Lille e Estrasburgo, a qual julgava demasiado cara. Serão, no entanto, retomadas no ano seguinte (mas com um pessoal reduzido), por pedido dos administradores da Lotaria, que ofereceram os ganhos obtidos na sua atividade para pagar esta despesa. Depois, quando as finanças nacionais estão restabelecidas, o Primeiro Cônsul entende tirar partido da rapidez de transmissão que o telégrafo oferece. A rede vai estender-se para norte, até Anvers, Flessinga e Amesterdão, e para sul, até Milão, Mântua e Veneza.

No final do Império, as linhas encontram os seus antigos destinos. Nos anos seguintes, a rede desenvolve-se no interior das fronteiras. A linha de Lyon é prolongada até Toulon, a ligação com Bayonne é estabelecida, depois liga-se Bordéus e Perpignan. Outras ramificações permitem pouco a pouco atingir todas as cidades importantes. Em 1854, quinhentos e cinqüenta postos estão então repartidos por 5000 km de linhas.

Durante toda a sua existência, o telégrafo aéreo ficará para utilização estritamente governamental, mas não consegue vencer duas grandes deficiências: as más condições climáticas tornam-no inoperante e o seu funcionamento noturno não pode ser obtido de forma satisfatória. Sem estes inconvenientes, o telégrafo elétrico vai então impor-se rapidamente.

Metodologia do Trabalho

Todas as crianças sabem que para falar com um amigo que esteja a uns metros de distância, basta levantar a voz e chamá-lo; ele aproxima-se e a conversa pode começar: é assim que as crianças comunicam oralmente na escola. Se algum deles está em casa, podem escrever-lhe, mas a carta levará, geralmente, 24 horas para chegar ao destino. Atualmente com muita freqüência, as crianças também utilizam o telefone ou a Internet com o «texto», a mensagem eletrônica ou o «Chat» com a câmara de vídeo ligada ao computador on-line. Isto quer dizer que, para uma criança se comunicar com os que a rodeiam, os seus amigos ou outros, não é problema: as técnicas existentes permitem-lho.

O aperfeiçoamento destas técnicas torna o processo de comunicação tão fácil e imediato que as crianças o percebem como é acostumado dizer. Será, portanto interessante levá-las a interrogarem sobre o que envolve a comunicação à distância e fazê-las refletir sobre a maneira como cada uma delas pode utilizar os meios simples à sua disposição para se comunicar.

Situações de jogo serão postas em prática, cada uma escondendo um problema: por exemplo, como entrar em comunicação no pátio de uma escola barulhenta? Como é que o professor interrompe o recreio? Como ir ao pé de um amigo a uma determinada distância no meio da Natureza, ou então quando não nos vemos e nos encontramos em duas peças contíguas? E o que acontece quando batemos nos tubos de água em cima e debaixo da casa? Por fim, poderemos imaginar que nos encontramos na presença de pessoas que falam uma língua diferente ou que não ouvem: como fazem os deficientes auditivos?

Por contraste e para que no fim as crianças inscrevam a descoberta de Claude Chappe no seu contexto histórico, convidá-los-emos a pesquisar como os homens conseguiam se comunicar antes do nascimento das « telecomunicações ».

Nos anos de 1790, a invenção do telégrafo por Chappe muda totalmente o princípio da comunicação à distância. Os alunos poderão, numa primeira fase, apreender esta revolução examinando uma fotografia de um dos aparelhos que ainda existe ou indo observar diretamente um telégrafo antigo num museu.

Deve-se, desde cedo, incitar a criança a conceber um objeto técnico cuja função será determinada. Depois de ter refletido e efetuado pesquisas sobre a comunicação à distância, poderemos lançar um tipo de desafio no quais grupos de alunos deverão comunicar entre si uma breve mensagem, o mais rapidamente possível. Este gênero de prática agrada às crianças e estimula a sua imaginação.

Identificando-se com um inventor, o aluno tenta adaptar o mesmo procedimento. Poderemos então pedir aos alunos para fabricar um telégrafo parecido com o de Chappe partindo das maquetas ou das imagens que o representam, documentos antigos ou reproduções. O material utilizado deve ser simples: utilizaremos proveitosamente as peças, roldanas, fios. O recurso à nomenclatura de origem (regulador, indicador, montante, roldana, etc.) facilitará as trocas na altura da concepção e da realização.

As condições de utilização do telégrafo « final » e os seus desempenhos serão igualmente analisados, o que permitirá às crianças apreender os inconvenientes ligados ao aspecto óptico e mecânico da exposição e da sua transmissão: em que condições é que os sinais são visíveis? O que acontece quando está nevoeiro, chove ou neva ou quando começa a anoitecer? Quanto tempo demora a ler uma mensagem e transcrevê-la? Com este tipo de codificação, quantas palavras diferentes podemos compor? Os espiões não conseguirão decodificar as mensagens?… Inconvenientes que justificarão o aparecimento do telégrafo elétrico meio século mais tarde.

FONTES
Google

Museu do Telefone

História de Tudo

Map Monde

Revista Nova Escola

TEXTOS DE APOIO

O que é uma rede de comunicação?

A estrutura dos Correios ou das telecomunicações é hoje bem conhecida das crianças (o empregado dos correios, o carteiro, o balcão, os comboios postais, os impressos ou os portáteis, os telefones SOS, os as estações, os anuários, o pessoal técnico…). Um primeiro balanço do que os alunos sabem sobre este assunto vai permitir-lhes familiarizarem-se um pouco com a idéia de rede.

Desde logo, poderão interrogar-se sobre o tipo de rede que se impôs no caso do telégrafo de Chappe. Com este objetivo, irão simular comunicações com o telégrafo que construíram, utilizando uma codificação aceite por todos. Assim irá emergir, além das questões do material e das construções, a do pessoal e da sua hierarquia.

Dois « estacionários » eram requisitados para cada estação: um para acionar os braços do telégrafo, o outro para observar com a luneta, e isto 365 dias por ano, da aurora ao crepúsculo. Os diretores que supervisionavam uma divisão de estações, e que eram os únicos depositários do vocabulário (ou dicionário), guardados em segredo absoluto, codificavam, decodificavam e transmitiam as mensagens.

Representantes da administração telegráfica, os inspetores, de origem nobre ou burguesa, como os diretores, visitavam uma vez por mês, e muitas vezes a pé, todas as estações, ou seja, quinze a vinte dias de viagem aproximadamente. Por um salário que era metade do salário do diretor, controlavam o material, vigiavam e pagavam aos estacionários.

O conceito de linha telegráfica será também retirado: uma linha marcada por estações equipadas de semáforos, lunetas e pessoal; daqui a rede de 5.000 km em estrela em redor de Paris que, pouco a pouco, vai adquirindo forma, ligando vinte e nove cidades graças a 550 estações.

As crianças tentarão avaliar as vantagens desta rede naquela época, admirada e copiada na Europa: rapidez de informação e eficácia – salvo, como já vimos, no caso de chuva, neve ou nevoeiro, o que será uma das causas do seu declínio. Mas esta fraqueza face às intempéries e a outros inconvenientes técnicos já listados não foram as únicas causas de abandono.

Com efeito, a rede tinha sido desenvolvida pela Convenção que tinha aí visto uma solução para o problema da transmissão das informações urgentes em tempo de guerra. Nestas condições, a rede bancária ainda não existia, a construção das linhas, das estações, da rede, o pagamento dos estacionários, dos inspetores foi tomado como responsabilidade do Estado, o qual, em contrapartida, o utilizou unicamente para o seu serviço – um ponto no qual nunca transigiu, não incentivando os particulares a fazerem parte do dispositivo. Competia lhe, por conseguinte, manter esta rede. Ora, quando a paz voltou, o orçamento dado à rede diminuiu; Bonaparte, o primeiro cônsul, fez mesmo fechar linhas, com medo das desordens revolucionárias. As linhas foram reabertas sob a Restauração, quando a transmissão dos resultados da Lotaria Nacional assegurou a sua sobrevivência.

Mas, o Estado já não suportava os lugares requisitados, o material, cada vez mais ao abandono, desapareceu da paisagem enquanto que se começava a desenvolver novos meios de comunicação – nomeadamente o telégrafo elétrico, já mencionado, chamado seguidamente « telégrafo Morse », o nome do inventor da codificação.

O Telegrafo e o Telefone

Na virada do século XIX para o XX, a aplicação da eletricidade à comunicação já não era nenhuma novidade. Não só as nações industrializadas tinham desenvolvido extensas redes telegráficas internas, como também já existiam sistemas internacionais viáveis. Desde os princípios do século XIX, uma série de experimentos e descobertas científicas propiciou essa condição.

Em 1809, o alemão Von Soemerring cria um telégrafo eletroquímico, servindo da pilha elétrica desenvolvida anos antes pelo físico italiano Alessandro Volta. Em 1827, Samuel Morse inventa o manipulador de telegrafia e um código que leva seu nome, com traços e pontos representando o alfabeto e outros sinais gráficos. As mensagens começaram a vencer as distâncias. O manipulador de Morse consistia na abertura e fechamento de um contato metálico, de modo a fazer fluir uma corrente elétrica. A partir dela, traçava-se pontos e traços em uma fita de papel, formando frases e palavras. Assim, o telégrafo demonstrava ser possível a transmissão de informações a longa distância, por meio de impulsos elétricos em fios condutores.

Em 1861, a primeira linha transcontinental ligava as costas leste e oeste dos EUA pelo telégrafo Morse. Já em 1874, instala-se o primeiro cabo telegráfico submarino ligando o Brasil à Europa, uma das tantas iniciativas pioneiras do Barão de Mauá. O princípio do telefone, por sua vez, é relativamente simples: se se produz ondas acústicas ao redor de um fino diafragma, este vibra em sintonia com elas. Estas vibrações podem traduzir-se em impulsos elétricos, os quais produzem vibrações correspondentes no diafragma de um receptor no outro extremo da linha. Nos primeiros telefones de Grahan Bell, as vibrações da voz provocavam variações elétricas em uma bobina enrolada em volta de um imã posto atrás do diafragma.

Assim, surge a primeira central telefônica explorada comercialmente em 1878, em New Haven (EUA). Com o passar dos anos, surgem as primeiras centrais de comutação telefônica automáticas, substituindo os aparelhos com manivelas e ligações intermediadas por um operador. Com o tempo, separam-se também os fios condutores de telégrafo e telefone. O crescimento global da rede telefônica veio a crescer de forma notável na primeira metade do século XX. Só nos EUA havia 17 milhões de aparelhos funcionando em 1934, aumentando para 32 milhões em 1947.

Fonte: WILLIAMS, Trevor. Historia de la tecnologia: desde 1900 hasta 1950 (II). 2. ed., v. 5. Madrid: Siglo Veintiuno, 1987, p. 436-445. Texto adaptado.

*Alunas: Alessandra, Cleusidete, Luciana, Regiane, Marilda, Ruth, Marise, Lara, Aline

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25 Comentários

Mídias, Mediações E Educação - Telefone

Filed Under Tecnologia | Posted on Junho 25, 2008

Mídias, Mediações E Educação - Telefone

 

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Numa das disciplinas que desenvolvo no curso de Pedagogia – UFG – Catalão, “Mídias, Mediações e Educação” foi combinado com as alunas e alunos 5 trabalhos como avaliação final. Trata-se da construção de material didático para crianças entre 9 e 12 anos, com as seguintes temáticas:

 

Cada grupo ficou de preparar um texto e ficou de indicar a forma de como este texto será trabalhado com as crianças. Abaixo segue o primeiro texto.

 

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O telefone e a sociabilidade*


O telefone é um dispositivo de telecomunicações desenhado para transmitir sons por meios de sinais elétricos, tornando-se hoje uns dos meios de comunicação mais utilizados, facilitando a vida, porque permite resolvermos problemas à distância e em qualquer lugar.

 

Hoje podemos considerar que o telefone é essencial na vida das pessoas, a velocidade da comunicação possibilita evitar que tragédias venham a ocorrer, principalmente as tecnologias sem fio tornam os serviços de comunicação mais facilmente disponíveis, possibilitando o contato nos locais mais remotos. O telefone é instrumento fundamental de grande importância, podendo dizer que hoje é impossível vivermos sem seu uso.

 

E a partir do desenvolvimento e a disseminação das tecnologias de comunicação, o indivíduo passou a experimentar duas formas de interagir com o conhecimento e com outras pessoas: uma física, concreta e outra virtual, imaterial.

 

As tecnologias de comunicação ampliaram e acentuaram as capacidades humanas de falar, ouvir e ver.

 

Mas uma coisa importante a ser discutida sobre esse meio de comunicação é a privatização, uma promessa com preços mais acessíveis como uma forma de sociabilidade rápida como nunca vista.

 

Porque a privatização popularizou o acesso ao telefone no Brasil, mas a esperada concorrência no setor permanece. O resultado foi uma transferência do antigo monopólio do Estado para mãos privadas.


O número de telefones fixos instalados no Brasil cresceu 144% desde a privatização do sistema Telebrás, uma explosão que melhorou a posição do país em relação a outras nações em desenvolvimento de Telecomunicações. Existem hoje 49,4 milhões de linhas –38 milhões em operação e 11,4 milhões ociosas–, contra 20,2 milhões em julho de 1998, data da privatização.

 

Naquela época, o consumidor esperava alguns anos para ter seu telefone instalado. Hoje, pelas regras da Anatel, nenhuma empresa pode demorar mais de duas semanas para atender um pedido.

 

Há cinco anos, as linhas telefônicas eram consideradas um bem, como uma casa ou um carro, e custavam mais de R$ 3.000,00. Hoje, a assinatura custa R$ 19,00.

 

Mesmo com todos os avanços feitos no setor de telefonia após a privatização da Telebrás, um problema permanece: a falta de concorrência na telefonia fixa. Diferente da telefonia móvel, que estabelece uma grande concorrência umas com as outras, visando a baixar os preços das tarifas e dos aparelhos.

Linha telefônica ficou 98% mais barata, mas tarifas subiram 512%

 

Linha barata, tarifa cara. É esse o novo problema enfrentado pelo consumidor brasileiro cinco anos após a privatização do Sistema Telebrás. Segundo dados da FIPE(Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) linha telefônica foi o produto que ficou mais barato desde o início do Plano Real, com uma queda de 98% no preço. Em compensação, a conta de telefone subiu 512% no mesmo período

 

Quando as operadoras cometem seus abundantes e grotescos erros, tudo é mais difícil de se resolver, não facilitam em nada para o usuário e criam todo o tipo de obstáculo para que este não consiga reaver aquilo que é seu de direito.

O PROCON é um órgão de defesa do consumidor e os recordes de reclamações são em relação às contas telefônicas.

 

Metodologia de trabalhotelefone1.jpg

 

Esse texto foi pesquisado para ser trabalhado com crianças de 09 a 10 anos visando mostrar a importância da telecomunicação, uma forma rápida, porém não tão barata de se comunicar, mas indispensável no mundo moderno.

 

 A privatização do telefone veio de forma rápida, buscando promover a sociabilidade e assim conquistar a aceitação de todos com promessas de linhas e serviços mais acessíveis.

 

·         Procuramos também mostrar a ineficiência dos serviços prometidos pelas operadoras de telemarketing. Elas criam todo o tipo de obstáculo para que o consumidor não consiga reaver aquilo que é seu de direito, e se o cliente tenta reclamar, passa horas ouvindo música e uma voz gravada até desistir, dando a entender que é o que eles realmente almejam.

·         Para trabalhar com esse tema propomos discussões sobre o texto acima.

·         Usar contas telefônicas para comparação de quem usa mais, e quem economiza. Podendo utilizar gráficos como material pedagogico.

·         Usamos recurso de vídeos engraçados (youtube - “telemarketing”)

·         Encenação de teatro feito pelas crianças, através de uma história produzida (pelos professores e/ou alunos).

 

Fontes de Pesquisas

wwwrazonypalabra.org.mx/anteriores/n41/gazevedo.html

WWW.Museudotelefone.com.br

www.folhadesaopaulo.com.br

www.noticiadorweb.com.br

www.youtube.com.br

www.google.com.br

 

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Texto complementar

telefone2.jpg

 

História: O pesadelo do telefone

 

Dona Cristina morava em uma vila distante do centro da cidade, ela gostava muito de reunir os amigos, mas não era fácil convidar todos para uma festinha relâmpago, porque, alguns moravam longe distante o que tornava tudo complicado.

 

Quando tinha que mandar um recado  urgente para uma vizinha que morava do outro lado do bairro ela logo chamava  Carlinhos, um menino muito esperto que morava próximo a sua casa, ele era rápido ia correndo levar o recado e trazer a resposta.

 

Era só precisar que ela gritava:

 

- Carlinhos leva um recado para Paula pra mim, fala pra ela que eu to esperando ela para lanchar comigo, não se esquece de vir me trazer a resposta.

 

Carlinhos muito prestativo, e sonhando com os bolos e bolachas que dona Cristina lhe daria para na hora do lanche disse:

 

- vou rapidinho e já volto.

 

E assim ele foi mais rápido que suas pernas lhe permitiam. Assim eram as coisas, se dona Maria precisava de algo no mercado e não pudesse ir com urgência ela chamava o Carlinhos e pedia para que ele entregasse a lista de compras no supermercado para que assim eles pudessem entregar em sua casa.

 

Mas o sonho de dona Cristina era comprar um telefone, apesar de que nem todos seus amigos e parentes possuíam a tão cobiçada linha telefônica. Mas ela também poderia usá-lo para ligar no mercado, na padaria e em tantos outros lugares e fazer suas compras sem ter que sair de casa, nos dias em que chegava cansada do serviço, depois de ter dado aula para tantas crianças o dia todo.

 

Ah! mas essa tal linha telefônica, era um absurdo de cara, ah! mas como seria bom ligar para seus amigos quando se sentisse sozinha e se ele resolvesse fazer uma festa no dia seguinte daria tempo de avisar a todos, até os que moram em cidades vizinhas.

 

Mas a vida ia seguindo até que dona Cristina ouviu no rádio e leu no jornal sobre a privatização da telefonia no Brasil, e que a promessa que as linhas telefônicas iriam ficar bem, mais baratas, que seria acessível para todos, dona Cristina achou aquilo uma maravilha, e falou:

 

1.                  Nossa vou poder ter o tão sonhado telefone, e assim dar um descanso para o Carlinhos, porque coitadinho dele ele vive andando pra lá e pra cá dando os meus recados.

2.                   

Passado algum tempo dona Cristina conseguiu compra a linha telefônica. Ela ficou muito feliz quando foram instalar em sua casa. Assim que ficou pronto, dona Cristina começou a ligar para todos que ela conhecia e que possuía telefone. Como era bom falar com todos a qualquer hora, mas no fim do mês dona Maria levou um grande susto: quando chegou sua conta ela olhou e não acreditou e gritou

 

       -Que absurdo! Que roubo

 

       E assim ela foi conferir as suas ligações: estavam todas corretas. Ela tinha mesmo ligado para toda aquela gente. E também falado aqueles tantos minutos, mas não sabia que era tão caro. Onde estava aquela promessa que o telefone era barato e acessível a todos?

 

       Mas com muita consciência dona Cristina passou a economizar e falar somente o necessário. O telefone era muito bom resolvia um monte de problemas, mas ir à casa de seus amigos e reunir-se com eles era muito melhor, coisa que tinha deixado de fazer por conta do telefone.

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*Alunas: Rúbia, Josiele, Kaléria, Lucélia, Tâmira, Elisângela, Sinara.


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