O Diálogo Com Autores E Consigo Mesmo No Trabalho Científico
Filed Under Trabalhos Científicos | Posted on Junho 24, 2009
O Diálogo Com Autores E Consigo Mesmo No Trabalho Científico
A proposta de trazer colegas para o debate sobre o texto/trabalho científico está tomando corpo. Além do post da Clemida, Como redigir textos, do Sergio, Por quem e por que foi silenciado o debate sobre o esteticismo, na cultura brasileira, outros colegas, poucos ainda, parabenizaram a iniciativa e disseram que tentarão contribuir com o debate.
A inspiração para abrir este debate aqui no Blog nasceu quando me deparei, este semestre, com dois tipos de produções acadêmicas com problemas semelhantes. As produções eram: um trabalho de uma disciplina da graduação e uma monografia de especialização. Ambos, pressupostamente, de graus de conhecimento diferentes.
Porém, os dois trabalhos apresentaram uma perspectiva de apropriação indevida dos autores, com quem estavam dialogando. O primeiro, fazia uso de grandes partes do texto consultado, sem citar o autor, ou colocar a referência bibliográfica que consultou. O segundo, transformando, o que um conjunto de autores dizia sobre a infância, em sua auto-reflexão sobre a infância. Ou seja, o resumo de determinados autores estava sendo considerado como uma produção própria e alternativa, constando como capítulo de uma monografia.
No primeiro caso, podemos dizer que isto não é fato isolado. É comum, alunos que estão no primeiro ano da Universidade (como também foi o caso aqui relatado) comporem seus trabalhos acadêmicos dessa forma, ou seja, copiando os autores pesquisados. Lembro-me quando estava no ensino fundamental e alguns professores pediam para fazer pesquisa na biblioteca pública. Quando o grupo de alunos(as) lá chegavam, havia uma senhora muito comportada que nos dirigia até uma mesa, perguntava sobre o que era nossa pesquisa, pedia para nós aguardarmos e em seguida trazia um livro aberto, dizendo mais ou menos assim: podem copiar daqui até acolá. Nossa pesquisa se restringia a uma cópia. Sim, a uma cópia.
Até parecia que a professora havia combinado com a bibliotecária. E isto era a pesquisa que fazíamos. Claro que nem sempre foi assim.
Os primeiros trabalhos acadêmicos são talvez um rito de passagem para o(a) aluno(a) iniciante. Trata-se de aprender novas linguagens e procedimentos educacionais, mais próximos do ensino superior no país. Traduz-se do aprendizado do diálogo com autores e consigo mesmo. Digo diálogo consigo mesmo porque penso que a escrita tem sempre um pé nos conhecimentos adquiridos e, outro, na impressão, interpretação que a pessoa faz destes conhecimentos para si, para sua vida individual e coletiva. Não se trata de buscar a objetividade na escrita, mas a solidariedade, a compreensão e colaboração.
Diálogo com autores na medida em que a leitura de teóricos sejam eles clássicos ou não, oferecida nas disciplinas, é imprescindível a quem está iniciando. E é imprescindível também a compreensão dos mesmos, tendo em vista um distanciamento do(a) leitor(a) em relação ao autor. Ou seja, ao ler um determinado autor, o(a) leitor(a) estará num cenário de diálogo com quem lê e consigo mesmo, na medida em que é levado a refletir os significados possíveis daquelas leituras. E tirar significados da leitura é um passo importante para o(a) aluno(a).
Isto, certamente, é um elemento significativo na produção de textos do alunado. Produzir compreensão do texto, distanciando-se dos autores que leram, e mostrando suas próprias interpretações. Trata-se de arriscar a dizer o que entendeu, como entendeu e dizê-lo.
No segundo caso, o excesso de outros autores, compondo o capítulo, indicava uma ausência de objeto de pesquisa. O objeto da pesquisa é substituído pelo resumo de algumas referências bibliográficas. Um capítulo inteiro de uma monografia, resumindo autores diferenciados, é muito pouco ou quase nada em termos de conteúdo para uma pesquisa. Utilizar-se de autores (referências bibliográficas) para pensar um tema, um recorte de um objeto de pesquisa seria sim aconselhável e teria uma produção de efeito diferenciada sobre a proposta da monografia. É colocar-se como autor(a) em relação a outros autores(as) (referências bibliográficas).
Acredito que estas atividades do pensar e expor-se, através da escrita, são fundamentais no aprendizado de qualquer ser humano, seja ele/ela aprendente, ou mesmo o(a) professor(a). Pode-se dizer que é uma outra característica do letramento do humano, numa perspectiva mais específica do ensino superior. Ler e escrever estão vinculados à idéia da escolarização moderna contemporânea. E na Universidade a expectativa/exigência aponta novos desafios ao aprendente, nesta arte/ciência da escrita e da leitura.
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As Encruzilhadas De Um Aluno Da Graduação
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Maio 13, 2009
As Encruzilhadas De Um Aluno Da Graduação
A pergunta que motiva este post é: o que é fundamental para um(a) aluno(a) de um curso de graduação (ensino superior) ter bons resultados de aprendizagem?
Eu nunca fui um aluno nota 10, mas persegui médias que variavam entre 7 e 9 na graduação em História, com possibilidades de algumas menos e outras mais. Eu também me lembro que era um tanto quanto “caxias”, que era e talvez continue sendo um termo atribuído àqueles que estudavam muito. Acredito que tenha sido um aluno que praticou, claro que nem sempre, mas a maioria do tempo, a experiência de ir para a sala de aula com o texto lido.
Na minha última aula de História da Educação para a turma de Pedagogia este ano, na UFG, Catalão - GO, fiz uma pausa de conteúdo e levantei uma questão à turma: o que é preciso fazer para ter bons rendimentos acadêmicos?
Na ocasião, fiz o seguinte raciocínio: vivemos a universidade nos alimentando de textos. Leitura e escrita. Algo mais ou menos assim:
Texto
Aula
Disciplina/Plano de Curso/Ementa
Curso Graduação
Grade Curricular
Universidade/MEC
Profissão
Indiquei que o Texto é a ferramenta que, num curso de Pedagogia e sem dúvidas em outros, sejam de ciências do humano ou não, é ponto de partida para o que chamamos de Aula. Uma aula está sempre fundamentada em textos.
A Aula é de uma Disciplina, organizada
Portanto, ler textos é fundamental para qualquer aluno(a) que queira se profissionalizar com qualidade. A leitura e produção de textos estão diretamente relacionadas à qualificação do profissional, seja ele de educação ou não.
Ora, o que fazer quando não gostamos do texto que deve ser lido? Usando ainda a metáfora da comida: quando gripamos não temos fome nenhuma e resistimos a comer. Mas, todo médico diz que a alimentação é fundamental para o corpo voltar a ter o mesmo nível de resistência, anterior à gripe.
Tem leituras (comidas) que são sem dúvidas mais agradáveis do que outras. Umas inclusive não matam a nossa fome, outras não gostamos nem do cheiro. Mas ler é tão fundamental como comer, não apenas para a profissionalização ocasional de um(a) aluno(a) da graduação, mas para a formação da alma, do cidadão.
A produção de texto talvez se aplique nas mesmas medidas. Mas, conversando com colegas de trabalho, não apenas do curso de Pedagogia, vejo que há um sentimento geral de que os(as) graduandos(as) estão desestimulados, desmotivados, descompromissados.
Ora, tendo em vista o raciocínio acima, nada brilhante frente a uma diversidade de teorias da aprendizagem, eu pergunto aos leitores e leitoras: Faz sentido ir para uma Aula sem ler o texto?
Livros, Leitores E Leituras
Filed Under Eventos | Posted on Março 23, 2009
Livros, Leitores E Leituras
por Luciana Borges – Curso de Letras/ CAC
Sobre livros, leitores e leituras. Sobre a casa de um livro. Sobre como fazer de um livro a sua casa. Sobre como fazer a sua uma casa de livros. Sobre como fazer de sua vida uma vida com livros. A fala que o Professor Sidney Barbosa (UNESP/ FCLAr) proferiu na sexta-feira, 20, pela manhã e pela noite no Anfiteatro do Campus Catalão (UFG) poderia ser lida dessa maneira.
Atendendo a um convite do Curso de Especialização em Letras – Leitura e Ensino, o professor abordou questões relativas à história da leitura e enfatizou as conexões desta com sua contraparte indissociável, a escrita. Percorrendo os fundamentos da leitura e da escrita, sua fala contemplou desde os esforços mais rudimentares de registro empreendidos pelos homens primitivos nas paredes das cavernas, passando pelo surgimento do codex latino, pela imprensa, até a ferramenta mais recente de leitura e escrita, a internet. Um monte de pedrinhas, tábuas, placas de barro e de pedra, papiros, pergaminhos, a celulose que se transforma em papel, a tela branca do computador, a página virtual nos mais variados formatos. Como espaço de registro, todos esses instrumentos serviram e servem à leitura, bem como imagens e situações podem igualmente ser lidas… Entretanto, o livro impresso continua sendo o principal agregador dos assuntos que se referem a esta atividade primordial ao ser humano.
Nos dizeres do Professor Sidney, a capacidade de ler em uma determinada língua, uma vez adquirida, entranha-se indelevelmente
Se os livros são os principais agregadores da leitura, as bibliotecas são, por excelência, a casa dos livros… E passeamos, pela mão do professor, pela história das bibliotecas, ouvimos belas e trágicas histórias sobre o cuidado e a destruição desses queridos objetos, os livros. A Biblioteca da Alexandria, criada de modo inusitado por meio da interdição do curso dos navios e a origem da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, trazida pelo Rei D. João VI com o nome de Biblioteca Real, em conseqüência da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808, formam algumas dessas histórias.
Grandes ou pequenas, de grandes ou pequenos centros, as bibliotecas precisam ser preservadas. É preciso dar a elas o valor que elas têm como depositárias do conhecimento. Como depositárias, não como depósito, lugar inerte, morto. Uma biblioteca é algo vivo, que pulsa, transmite vida àqueles e àquelas que transpõem seus pórticos, percorrem suas estantes, folheiam seus exemplares com dedos e olhos ágeis e ávidos. Para que cumpram sua função, é necessário, entretanto, cuidar de seus espaços, profissionalizar a atividade de bibliotecário, atualizar os acervos.
É preciso também fazer da leitura, dos livros e das bibliotecas, objeto de pesquisa acadêmica. Esta talvez tenha sido a principal mensagem do Professor Sidney Barbosa: estudemos as bibliotecas, os livros. Ler esses objetos é um passo para a maior valorização daquilo que eles promovem, a leitura, mesmo que esta seja uma atividade por vezes árida e árdua.
Os alunos e alunas de Letras e Pedagogia, bem como todos os presentes, puderam aprender também outra interessante lição: para ser sábio é preciso esforço, disciplina, atenção, silêncio… Disposição para se debruçar sobre a maior fonte de conhecimentos que a coletividade humana pode formular a partir de seu agrupamento em sociedade, o livro. Assim, poderemos fazer da biblioteca – a casa de um livro – a nossa própria casa.
catalão Eventos leitura ler letras ufgLer Pode Tornar As Pessoas Perigosamente Humanas
Filed Under Púlpito | Posted on Maio 23, 2008
Ler Pode Tornar As Pessoas Perigosamente Humanas
Eu estava visitando a Blogosfera da Marli e achei um vídeo muito interessante sobre leitura, ou melhor, o que o ato de ler pode provocar nas pessoas.
Adorei a mensagem do vídeo e a estou reproduzindo aqui. Lembrei-me dos meus alunos e alunas da Pedagogia (UFG – Catalão) e o quanto eles tem relatado histórias de baixa taxa de tempo dedicado em suas vidas para a leitura, tanto necessária, para a graduação, quanto prazerosa, para o divertimento, conhecimento, etc.
Mas a reprodução do vídeo, acredito, pode ser também um incentivo, um alerta, ou ainda um combate, nosso, em prol de uma cultura do consumo maior da leitura. Vivemos num momento histórico onde a hegemonia da idéia de crescimento econômico está encontrando não só barreiras humanas, mas também geográficas, climáticas. O planeta terra já está reclamando, se assim podemos dizer sobre estas tragédias de ciclones, terremotos, chuvas, etc.
Ora, apostar num crescimento econômico material do mundo está se tornando contraditório e inconcebível. Afinal, até isto tem o seu limite. Então como sustentar uma mentalidade desenvolvimentista no planeta?
Está ai o papel da Escola e fundamentalmente da leitura. Uma campanha mundial pelo aumento do conhecimento, do aprendizado pela leitura. Penso que crescer culturalmente, lendo mais, não tem fim. Não seria interessante?
“Ler devia ser proibido”










