Quem São Os Estudantes De Hoje?
Filed Under Púlpito | Posted on Fevereiro 23, 2008
Ao ler o post do Wagner Fontoura, intitulado “Pausa para sessão pipoca” (a respeito do vídeo abaixo), no Blog Bombust, pensei: quem são os estudantes de hoje, com os quais estamos trabalhando, ensinando?
Fui estimulado duplamente para estar aqui escrevendo. Primeiro, porque o próprio Wagner nos convida, leitores do seu blog, a comentar (convite aceito). Segundo, porque sendo professor universitário, algo me empurra a pegar a caneta, digo, o teclado, e começar a escrever. Principalmente depois de um vídeo tão interessante.
Mas primeiro aviso aos navegantes: o vídeo está
· Ferramentas de idioma do Google
Pois bem, vamos ao comentário!
Lembrei-me, primeiramente, do post de ontem, sobre a entrevista do Jesus Martin Barbero e a convergência Digital. Principalmente, quando ele propõe que devamos crer na juventude.
Os jovens do filme do Youtube abaixo derrubam o véu do embelezamento, da ilusão iluminista quanto ao fato de estarem cursando ou freqüentando uma escola/universidade.
Eu ensino no curso de Pedagogia – UFG/CAC –Universidade Federal de Goiás – Campus de Catalão, que funciona no período da noite. Há 19 anos em contato com a formação de professores, venho percebendo o quanto esta realidade juvenil está mudando.
No final dos anos 1980 e início dos
Esta realidade mudou radicalmente. Hoje a maioria ainda são mulheres, mas na idade entre os 18 e 24 anos. Elas vêm de uma formação de ensino fundamental e médio deficiente, querem cursar um curso superior, e simultaneamente têm que trabalhar.
Esta realidade vem acrescida do fato de a grande maioria não terem sido também “alfabetizadas virtualmente”, usando o termo do Barbero.
O vídeo do Youtube mostra o descompasso entre a oferta de ensino e a possível necessidade dos alunos. Não vou aqui entrar na discussão sobre como criar diálogos entre a oferta e a demanda de conteúdos programáticos nas escolas e universidades do Brasil.
No nosso caso, aqui na UFG, a tecnologia pode ser a salvação da pátria? Penso que as tecnologias podem sim ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Desde que sejam acompanhadas de mais e melhores políticas públicas, oferta de melhores infra-estruturas e aperfeiçoamento dos professores. Afinal, há muitos professores, inclusive no 3º grau, que estão precisando ser também alfabetizados tecnologicamente (apesar de estar correndo atrás, eu também estaria na lista).
Creio que nossos estudantes ainda não passam grande parte do seu tempo de frente à tela do computador porque simplesmente eles(elas) não têm computadores. Mas com certeza a maior parte do seu tempo não está sendo direcionada para atividades de ensino/aprendizagem. Talvez a música, o telefone, a televisão, jogos sejam suas atividades lúdicas mais freqüentes.
O que seria, portanto, crer nos nossos estudantes, na juventude? Talvez, começar a conhecê-los melhor e tentar oferecer outras formas de organizar e distribuir saberes. Quem sabe?
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Música E Educação - Gonzaguinha
Filed Under Musica | Posted on Outubro 6, 2007
A nova novela do horário nobre da TV Globo, “Duas caras”, está trazendo na sua trilha sonora, a música “E Vamos a luta” (disco “De volta ao começo-1980), de Gonzaguinha.
Quando ouvi pela primeira vez, esta semana, a música na TV, uma série de lembranças vieram ao meu encontro. Todos nós temos os seus pontos de interrogação e imersão no passado.
Eu conheci as músicas do Gonzaguinha num momento muito especial da minha vida. Jovem, membro de grupos de jovens da Igreja Católica em Uberlândia, Minas Gerais, e tocador de violão, nas festinhas entre amigos.
Esta música, “E Vamos a luta”, veio no bojo de um movimento de pastoral da juventude popular, misturada à teologia da libertação e celebrações extraordinárias que fazíamos na Igreja de Nossa Senhora de Fática, ao comando do Frei Marquinhos.
Isto foi por volta dos anos 1983-1985, um momento de crescimento dos movimentos sociais no país, abertura política e a nossa conscientização juvenil político religiosa.
É estranho, mas também compreensível, ver esta música no horário nobre da TV Globo. Estas apropriações históricas são artimanhas dos meios de comunicação de massa, que habilidosamente utilizam destas manifestações culturais históricas, sem contextualizá-las.
Mas não cabe aqui nenhuma reclamação, e sim uma intervenção histórica, para que nossa memória não desconsidere a força que esta e outras músicas do Gonzaguinha tiveram num momento de tensão política brasileira, que foi o final dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Aliás, é bom lembrar, a censura esteve no pé do Gonzaguinha um bom tempo, apesar dele ter dado declarações dizendo que viveu tranqüilo e que não tinha nada contra a censura.
Para maiores informações sobre Gonzaguinha, veja:
http://www.gonzaguinha.com.br
Abaixo, “E vamos a luta”.
Gonzaguinha e Roberto Ribeiro - E Vamos a luta
Para quem quiser tocar e cantar:
E Vamos a Luta
Tom: G
Intro: G7M C7/9 G7M [parada]
D7/9+ G7M C7/9 G7M
Eu acredito é na rapaziada,
Bm7 Bbdim Am7 D7/9
Que segue em frente e segura o rojão.
Am7 D7/9 Am7 D7/9
Eu ponho fé é na fé da moçada,
Am7 D7/9 G7M F6 G7M D7/9+
Que não foge da fera e enfrenta o leão.
G7M F#7/13 E7
Eu vou a luta com essa juventude,
D7/9 G7/13 C7+/9
Que não corre da raia a troco de nada.
Cm7/9 F7/13 Bm7 F7 E7
Eu vou no bloco dessa mocidade,
Am7 D7/9 Am7 D7/9 G7M D7/9 G7M (Breque)
Que não tá na saudade e constrói, a manhã desejada. (* Bis) Bm7 Bbdim
Am7 D7/9 G7M E7/9+
Aquele que sabe o que é mesmo o couro da gente,
Am7 D7/9 F7 E7
E segura a batida da vida, o ano inteiro.
Am7 D7/9 G7M C#m7/5- F#7/13-
Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro,
Bm7 F#7/13- Bm7
E apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro.
Am7 D7/9 G7M E7/9+
Aquele que sai da batalha e entra num botequim, pede uma cerva gelada,
Am7 D7/9 F7 E7
E agita na mesa uma batucada.
Am7 D7/9 G7M E7/9+
Aquele que manda um pagode e sacode a poeira suada da luta
Am7 D7/9 G7M
E faz a brincadeira, pois o resto é besteira,
C7/9 G7M
Nós estamos e pela aí.
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