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No princípio, este Blog seria sobre História, Educação, Arte, Ciência e Tecnlogia. Agora é qualquer coisa que a cabeça pensa, o coração sente e os dedos teclam na redondeza e que possa contribuir para a formação do professor no Brasil.

A Inclusão Na Escola Regular

Filed Under Estudantes | Posted on Julho 17, 2008


A Inclusão Na Escola Regular: algumas considerações acerca das mudanças e do papel do professor

Kaléria Abadia de Jesus*

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Durante muitos anos, educadores de todo país lutaram para que a escola incluísse crianças e jovens com deficiência. Há dez anos atrás, quase 90% dos matriculados freqüentavam instituições ou classes especiais. Hoje é apenas 53% nessa situação, a metade, aproximadamente, estão em salas regulares.

 

A Educação Especial foi tradicionalmente concebida como destinada a atender o deficiente mental, visual, auditivo, físico e motor, além daqueles que apresentam condutas típicas, de síndrome e quadros psicológicos, neurológicos e psiquiátricos. Também estariam inseridos nessa modalidade de ensino os alunos que possuem altas habilidades e superdotação (GURGEL, 2007, p. 39).

 

Pela Constituição Federal de 1988, art. 205, a educação é direito de todos e dever do estado e da família e será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Em seu artigo 208, ela assegura o atendimento educacional especializado aos “portadores de deficiência”, preferencialmente na rede regular de ensino. Nessa direção, a Lei Federal 7853 dispõe que nenhuma escola ou creche pode recusar o acesso do deficiente a instituição escolar (JOVER, 1999, p. 9).

 

Desde a década de 1960, é recomendada em nosso país a matrícula de pessoas com necessidades educacionais no sistema geral de educação, assim como é apontado nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9394/96, Art. 60.  Em seu Parágrafo único dispõe que “O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo”.

 

Portanto, cabe aos órgãos responsáveis a implementação de projetos e condições para que o direito dessas pessoas à educação escolar regular possa realmente se efetivar em uma escola de qualidade, uma escola para todos. Não é simplesmente integrar, que significa a inserção da pessoa deficiente preparada para conviver na sociedade, mas a inclusão que compreende a modificação da sociedade, como pré-requisito e como condição, para que a pessoa com necessidades especiais tenha condição de desenvolver e exercer sua cidadania.

 

A prática da inclusão social se baseia em princípios diferentes do convencional, que geralmente se reduz á presença das pessoas com deficiências na escola da rede regular. Mas aponta para a aceitação das diferenças individuais, valorização de cada pessoa, convivência dentro da diversidade humana, aprendizagem por meio da cooperação e o atendimento às necessidades educacionais especiais. Enfim, segundo Mantoan (1997) “É preciso preparar a escola para incluir nela o aluno especial e não ao contrário”.

 

Para que haja uma melhor interação entre pessoas com necessidades especiais e as pessoas sem deficiências, o primeiro passo seria sensibilizar e capacitar todos os funcionários da instituição, professores, orientadores, enfim todos os profissionais. É importante também sensibilizar os pais, sobretudo os dos não deficientes, uma vez que eles devem desempenhar um papel ativo no processo de inclusão (JOVER, 1999, p. 12).

 

“A inclusão postula uma reestruturação do sistema de ensino com o objetivo de fazer com que a escola se torne aberta às diferenças e competente para trabalhar com todos os educandos, sem distinção de raça, classe (…)” (GUIMARÃES, 2003, p. 46).

 

Desse modo, atualmente a educação especial encontra-se numa situação de crise de identidade (BEYER, 2005). E com relação á escola inclusiva a construção da identidade passa pela valorização das qualidades de cada um dos estudantes (CAVALCANTE, 2004).

 

Conforme a psicóloga e educadora Josca Baroukh, a sociedade brasileira ainda “engatinha” no que se refere à inclusão, contudo o professor deve apostar no aluno e para isso é necessário conhecê-lo bem. Recomenda ainda que deva ouvir as crianças e os jovens e ser sensível para identificar limites e possibilidades de cada um. Para ela o deficiente sente-se excluído porque o tratam como incapaz. Os pais, por sua vez, infantilizam ou superprotegem os filhos e o professor que recebe esse aluno teme fracassar na tentativa de integrá-lo à sociedade, principalmente se não tiver orientação sistematizada. Às vezes, o professor, sem querer, estereotipa o estudante e o trata com pena. Mas quando o tema é abordado de forma positiva, o aluno se descobre pelo acréscimo e não pelo déficit (BAROUKH, 2004).

 

Baroukh (2004, p. 33) aposta nos projetos que levem o aluno a valorizar suas potencialidades e a se sentir parte de um todo. Para tanto, ”todos os professores sem exceção, precisam praticar o respeito e a tolerância que só nascem quando se entende que o normal é ser diferente”.

 

A educadora Mantoan (2005) afirma que na escola inclusiva professores e alunos aprendem uma lição que a vida dificilmente ensina: respeitar as diferenças. Ressalta ainda, que a inclusão é a nossa capacidade de reconhecer o outro e ter o privilégio de conviver com pessoas diferentes. Diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que rampas e banheiros adaptados.

 

Na perspectiva de Mantoan um professor sem capacitação pode ensinar alunos com deficiência. ”O papel do professor é ser regente de classe e não especialista em deficiência, essa responsabilidade é da equipe de atendimento especializado, uma criança surda, por exemplo, aprende com especialista em libras e leitura labial. A função do regente é trabalhar os conteúdos, mas as parcerias os profissionais são muito produtivas. Se na turma há criança surda e o professor regente vai dar uma aula sobre o Egito  o especialista mostra a criança com antecedência fotos, gravuras sobre o assunto” (2005,p,24)

 

Conforme Hugo Otto Beyer (2005) existia alguns anos atrás uma definição clara em que as crianças com deficiência eram atendidas em escolas especiais e as crianças sem deficiências em escolas regulares. Além disso, não havia praticamente qualquer situação de trabalho comum entre as escolas especiais e as regulares, e os educadores especiais tinham seu lugar nas escolas especiais e os professores com formação nas pedagogias e nas licenciaturas nas escolas regulares.

 

No entanto, com a inclusão escolar existe uma redefinição da função das escolas especiais e das regulares, bem como uma re-significação de papéis, dos saberes e práticas dos professores que atuam nas escolas regulares e com pessoas com necessidades educacionais especiais (TARTUCI, 2006).

 

Consideramos que não existe atualmente nenhuma possibilidade de se opor inclusão social à educacional. Seria inclusive ausência de bom senso, mas é preciso que seja construída com competência e responsabilidade, respeitando os princípios legais, de direito à cidadania e à educação, e os princípios éticos, do respeito á diferença. Desse modo, não é possível pensar a inclusão apenas localizando as mudanças nas ações dos professores e das suas práticas pedagógicas. Não excluímos a importância de sua atuação nesse contexto. Todavia é preciso avançar e considerar as mudanças que se operam no conjunto da escola, de suas práticas, de sua organização e de sua cultura (TARTUCI, 2001).

 

Nesse sentido, concordamos com as palavras de Carvalho que “As escolas e os professores podem muito, mas não podem tudo!” (2004, p. 09).

 

Bayer (2006) ao discutir a inclusão, aponta algumas mudanças necessárias, e que já vem sendo implementadas, para atender os alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares, considerando os dois princípios fundamentais: a convivência construtiva dos alunos e aprendizagem comum (e que atenda também às especificidades pedagógicas). As condições apontadas são: a individualização do ensino, que significa a individualização dos alvos, da didática e da avaliação; o sistema de bidocência; o conceito de educação especial subsidiária.

 

Com relação à bidocência, estudos já vem apontando alterações no âmbito da escola inclusiva que incorpora a presença de dois professores, ou ainda dois ou mais profissionais. “Os projetos e práticas de inclusão escolar vêm se compondo a partir de reestruturações que em geral já incorporam ou pelo menos sinalizam a incorporação de novos atores, novos profissionais no cenário escolar, como instrutores surdos e intérpretes, além das figuras de professor regente, especializado, itinerante etc” (TARTUCI, 2006, p. 1). Por sua vez, “a entrada de um outro profissional na sala de aula não é uma questão simples e não passa apenas pela boa vontade daquele que recebe. As relações que serão ali estabelecidas colocam em jogo papéis e poder, bem como re-coloca questões sobre o ser aprendiz, sobre si mesmo e sobre o ser professor” (p. 12).

 

Nesse sentido, as alterações e mudanças implementadas para construir uma escola inclusiva nos convoca a novos debates acerca do papel da escola, de sua organização e do papel dos professores e dos novos educadores que ali atuarão, seja no espaço da sala de aula junto ao professor regente, seja em outros espaços da escola.

        

Referência Bibliográfica

 

BEYER,Hugo Otto. inclusão e avaliação na escola de alunos com necessidades educacionais especiais. Editora Mediação, 2005.

 

CARVALHO, Rosita Edler. Dez Anos Depois da Declaração de Salamanca. 2004

 

CAVALCANTE,Meire,  Aparências diferentes?Talentos também. . In: Revista Nova Escola. Editora Abril, nº 173, 2004

 

GUIMARÃES,Arthur, A Inclusão que dá certo. In: Revista Nova Escol. Editora Abril,  nº 165, 2003.

 

GURGEL,Thais, Inclusão, só com aprendizagem. In: Revista Nova Escola. Editora Abril, nº 206, 2007

 

JOVER,Ana, Preparando a escola inclusiva. In: Revista Nova Escola.  Editora Abril, nº123,1999.

 

KASSAR,Mônica de Carvalho Magalhães Matrículas de Crianças com Necessidades Educacionais Especiais na Rede de Ensino Regular ,Editora Autores Associados, 2004.

 

TARTUCI, Dulcéria. Re-Significando o “Ser Professora”: Discursos e Práticas na Educação de Surdos. 29º Reunião Anual da Anped.  Educação, Cultura e Conhecimento na Contemporaneidade: Desafios e Compromissos.  Caxambu, MG, 2006.

 

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

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A Escola Inclusiva E A Diversidade

Filed Under Estudantes | Posted on Julho 2, 2008

A Escola Inclusiva E A Diversidade


Cirlandia Rouseline Almeida Costa*

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Embora não seja a Escola o único lugar onde acontece a educação, na sociedade atual a educação Escolar crescentemente se faz indispensável para a cidadania autônoma e competente. Constitui-se a Escola em espaço especialmente organizado para que se dê a construção de valores, conhecimentos e habilidades necessárias ao pleno, consciente e responsável exercício da democracia.

 

Estrutura-se a Escola através dos sujeitos que dela fazem parte e das relações que estabelecem entre si e com o meio. Nestas relações aparece a singularidade de cada sujeito, a sua cultura, o seu ponto de vista, a sua leitura de mundo, que comunicados aos outros, contribuem para a construção de conhecimentos reelaborados.

 

Na qualidade de espaço instituído pela esfera política e mediatizado pelo Estado, pela família e a sociedade, a Escola por integrar um amplo e complexo sistema social que não é neutro, pois se compõem de grupos diversos e por vezes divergentes, sofre intervenção dessas esferas, não sendo também ela uma instituição neutra, isolada, uma vez que representa os interesses da sociedade como construção histórica.

 

A Escola é a instituição responsável pela passagem da vida particular e familiar para o domínio público, tendo assim função social reguladora e formativa para os alunos.

 

A Escola é a instituição por intermédio da qual a criança se introduz no mundo público, e daí o papel do Estado em relação a todas elas. À família cabe o dever de garantir à criança o que é típico do domínio privado do lar, e ao Estado cabe garantir o direito indispensável da criança à educação Escolar, pois é ela que faz a transição entre essas duas vidas. (MANTOAN).

 

Acima de tudo, a Escola tem a tarefa de ensinar os alunos a compartilhar o saber, os sentidos diferentes das coisas, as emoções, a discutir, a trocar pontos de vista. É na Escola que desenvolvemos o espírito crítico, a observação e o reconhecimento do outro em todas as suas dimensões.

 

Entretanto, ao analisar a realidade das nossas Escolas, percebo que a mesmas estão preparadas para receber um aluno idealizado. Tem um projeto educacional elitista, meritocrático e homogeneizado, o que faz com que ela venha produzindo situações de exclusão que, injustamente, prejudicam a trajetória educacional de muitos estudantes, pois certamente um aluno diferenciado, ao ingressar nessa estrutura, será excluído, parecendo esse movimento ser próprio à estrutura e ao funcionamento da Escola. Esta privilegia determinados conhecimentos e comportamentos, negando a diversidade, e esforçando-se para codificar a produção social a partir de certos valores. Parece que a Escola e sua comunidade não estão preparadas para acolher um aluno mais diferenciado, podendo acontecer de, no ensino regular, a inclusão, por força de lei, pode ser mais desastrosa do que se possa prever.

 

Os sistemas Escolares também montados a partir de um pensamento que recorta a realidade, que permite dividir os alunos em normais e deficientes, as modalidades de ensino em regular e especial, os professores em especialistas nesta e naquela manifestação das diferenças.  A lógica dessa organização é marcada por uma visão determinista e formalista, própria do pensamento científico moderno, que ignora o subjetivo, o afetivo, o criador. Sem os quais não conseguimos romper com o velho modelo Escolar para produzir a reviravolta que a inclusão impõe.

 

Pode-se dizer que as causas fundamentais que têm promovido o aparecimento da inclusão são de dois tipos: por um lado, o reconhecimento da educação como um direito, e, por outro, a consideração da diversidade como um valor educativo essencial para a transformação das Escolas.

 

É importante considerar e compreender que a sociedade atual é a sociedade do estereótipo, das crenças prévias. A partir de imagens estereotipadas, cultiva-se a crença de que existe um saber universal, que se coloca como um produto acabado a ser seguido por todos, produzindo preconceitos do que se acredita que os sujeitos devam ser. Porém, o saber ali apresentado é um produto externo aos sujeitos, tornando-se inconsistente, uma vez que não fala de sua realidade. Acaba emergindo um saber que se transforma em preconceitos, gerando, gradativamente, discriminação e tratamento desigual dos sujeitos.

 

Vale ressaltar que o que de fato vem sendo excluído da sociedade é justamente a diferença, a singularidade, as exceções. O que se espera de todos é a semelhança, o grupo, a padronização. A diversidade cultural constitui um problema para a convivência humana, pois, por meio dos “ideais” sociais, que são difundidos e assimilados por todos, são determinados os modelos, de acordo com os quais o sujeito deve agir. Temos consciência de que a sociedade possui uma visão de homem padronizada e classifica as pessoas de acordo com essa visão. Elegemos um padrão de normalidade e nos esquecemos de que a sociedade se compõe de homens diversos, que ela se constitui na diversidade, assumindo de um outro modo as diferenças. Este deve ser um trabalho necessário, o de mudar a imagem que a sociedade tem das pessoas especiais e rever esta exigência de que todos devem ser iguais e seguirem padrões e normas para demonstrarem essa igualdade.

 

Muito freqüentemente, as diferenças entre alunos são vistas como um problema. Muitas pessoas acreditam que as diferenças dos alunos em relação a ajustes educacionais são dificuldades que necessitam ser trabalhadas, melhoradas ou os alunos precisam estar “prontos” (homogeneizados) para se encaixarem em uma situação de aprendizagem. Essa visão pode ser um grande inconveniente, prejudicando, assim, o processo de aprendizagem nas salas de aula que tentam promover valores e oportunidades de aprendizagem inclusivas para todos os alunos.

 

Para que a inclusão seja bem sucedida, as diferenças dos alunos devem ser reconhecidas como um recurso positivo. As diferenças entre os alunos devem ser reconhecidas e capitalizadas para fornecer oportunidades de aprendizagem para todos os alunos da classe.

 

A educação inclusiva é um meio privilegiado para alcançar a inclusão social, algo que não deve ser alheio aos governos e estes devem dedicar os recursos econômicos necessários para estabelecê-la. Mais ainda, a inclusão não se refere somente ao terreno educativo, mas o verdadeiro significado de ser incluído. Está implícita na inclusão social, a participação no mercado de trabalho competitivo, sendo este o fim último da inclusão.

 

Sendo assim, a educação inclusiva não é tarefa somente da Escola, ela deve caminhar junto com a construção de uma sociedade inclusiva, pois a instituição Escolar precisa estar relacionada ao sistema social, político e econômico vigente na sociedade. A educação inclusiva implica na implementação de políticas públicas, na compreensão da inclusão como processo que não se restringe à relação professor-aluno, mas que seja concebido como um princípio de educação para todos e valorização das diferenças, que envolve toda a comunidade Escolar.

 

A Declaração de Salamanca, elaborada em 1994, na Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais na Espanha, enfatiza a necessidade de que a educação seja assumida com a mais alta prioridade política e financeira, incluindo mudanças nas leis educacionais, incorporação de mecanismos democráticos na gestão das Escolas, implementação dessa temática em programas de formação inicial e em serviço, e existência de mecanismos favorecedores do processo de inclusão.

 

 “Sem dúvida, a razão mais importante para o ensino inclusivo é o valor social da igualdade. Ensinamos os alunos através do exemplo de que, apesar das diferenças, todos nós temos direitos iguais. Em contraste com as experiências passadas de segregação, a inclusão reforça a prática da idéia de que as diferenças são aceitas e respeitadas. Devido ao fato de as nossas sociedades estarem em uma fase crítica de evolução, do âmbito industrial para o informacional e do âmbito nacional para o internacional, é importante evitarmos os erros do passado. Precisamos de Escolas que promovam aceitação social ampla, paz e cooperação.” (STAINBACK, 1999, p. 26 e 27)

 

Deste modo, é importante salientar que, a principal razão para a inclusão não é que os alunos previamente excluídos estarão necessariamente se tornando proficientes em socialização, história ou matemática, embora seja óbvio que nas turmas inclusivas há mais oportunidades para todos crescerem e aprenderem. Ao contrário, a inclusão de todos os alunos ensina ao aluno portador de deficiências e a seus colegas que todas as pessoas são membros igualmente valorizados da sociedade, e que vale a pena fazer tudo o que for possível para poder incluir todos na nossa sociedade.

 

A inclusão é percebida como um processo de ampliação da circulação social que produz uma aproximação dos seus diversos protagonistas, convocando-os à construção cotidiana de uma sociedade que ofereça oportunidades variadas a todos os seus cidadãos e possibilidades criativas a todas as suas diferenças.

 

Segundo Diniz e Vasconcelos (2004), “o princípio fundamental da Educação Inclusiva consiste em que todas as crianças devem aprender juntas, onde isso for possível, não importando quais dificuldades ou diferenças elas possam ter.”

 

Defendo também, desde a educação infantil, a inserção escolar da criança com deficiência no sistema regular de ensino. Isso constitui uma possibilidade de ela ter uma trajetória educacional mais favorável para suas aprendizagens, na medida em que partilha de um ambiente marcado pelo princípio do “todos”, e não pela idéia do “alguns”. E vive a possibilidade de conhecer formas de estar no mundo e de aprender que são diferenciadas da sua, podendo experimentar situações de aprendizagem mais rica para si mesma e para possibilidades de intervenção pedagógica.

 

Para reforçar, acredito que uma Escola inclusiva adota práticas baseadas na valorização da diversidade humana, no respeito pelas diferenças individuais, no desejo de acolher todas as pessoas, na convivência harmoniosa, na participação ativa e central das famílias e da comunidade local em todas as etapas do processo de aprendizagem. E, finalmente, na crença de que, qualquer pessoa, por mais limitada que seja em sua funcionalidade acadêmica, social ou orgânica, tem uma contribuição significativa a dar a si mesma, às demais pessoas e à sociedade como um todo.

 

Para uma Escola tornar-se inclusiva, ou seja, uma instituição que, além de aberta para trabalhar com todos os alunos, incentiva a aprendizagem e a participação ativa de todos, faz-se necessário um investimento sistemático, efetivo, envolvendo a comunidade Escolar como um todo.  Para isso efetuar-se de maneira satisfatória, é ainda necessário que a Escola tenha estímulo e autonomia na elaboração de seu projeto pedagógico, que possa elaborar um currículo Escolar que reflita o meio social e cultural onde os alunos estão inseridos; que tenha a aprendizagem como eixo central em suas atividades Escolares e que reconheça o enriquecimento advindo da diversidade.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRASIL. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: Corde, 1994.

 

DINIZ, Margareth; VASCONCELOS, Renata Nunes (Orgs.). Pluralidade cultural e inclusão de professores e professoras. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Formato, 2004.

 

MANTOAN, Maria Tereza Eglér et al. A integração das pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema.  São Paulo: Memnon, 1997.

 

MANTOAN, Maria Teresa E. A solicitação do meio Escolar e a construção das estruturas da inteligência no deficiente mental: uma interpretação fundamentada na teoria de conhecimento de Jean Piaget. Tese de doutoramento. Campinas: UNICAMP/ Faculdade de Educação, 1991.

 

STAINBACK, Susan e STAINBACK, William. Trad. Magda França Lopes. Inclusão – Um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

 

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

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A Gestão Escolar Frente A Política De Inclusão

Filed Under Estudantes | Posted on Julho 1, 2008

A Gestão Escolar Frente A Política De Inclusão

Por Marília Rita dos Santos*

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Iniciaremos este texto relatando de forma breve e sucinta o processo histórico de inclusão das pessoas com necessidades especiais em contato com o “mundo”, através da socialização.

 

Na antiguidade a pessoa diferente, com limitações funcionais e necessidades diferenciadas, era praticamente exterminada. Já na Idade Média em função da assunção das idéias cristãs, pessoas deficientes, não mais podiam ser exterminadas, porém, eram ignoradas à própria sorte, dependendo, para sua sobrevivência, da boa vontade e caridade humana (BRASIL,2000).

 

No século XVI, a discussão sobre a Educação Especial começou a ser traçada com médicos e pedagogos, que desafiando as concepções da época, acreditavam no desenvolvimento dos indivíduos que até então considerados ineducáveis. Nesta época criaram-se instituições - asilos e manicômios, acreditando que as pessoas diferentes seriam mais bem cuidadas e protegidas, separadas das pessoas tidas como “normais”, foi a fase da segregação, chamada de Paradigma da Institucionalização (BRASIL,2000).

 

Na década de 1960, intensificaram em nível mundial os movimentos sociais pelos direitos humanos, conscientizaram e sensibilizaram a sociedade sobre o prejuízo da segregação, apresentando fundamentos racionais da prática integradora. No momento em que os atendimentos foram se afastando da institucionalização e adotando as idéias de Normalização, criou-se o conceito de integração, que se referia a necessidade de modificar a pessoa com necessidades especiais, de forma que esta pudesse vir a se assemelhar, o mais possível, dos demais cidadãos, para então poder ser integrada, ao convívio da sociedade. A esse modelo de atenção à pessoa com deficiência se chamou Paradigma de Serviços (BRASIL,2000).

 

Porém desde seu surgimento, o principio de normalização foi criticado, pois não se tratava de uma teoria científica, mas sim de um principio filosófico de valor, fundamentado na idéia de que a pessoa deficiente se assemelha ao não deficiente, como se fosse possível ao homem o ser igual, e como se ser diferente fosse razão para decretar sua menor valia, enquanto ser humano e ser social. Aliado a esse processo, intensificava-se o debate das idéias acerca da deficiência e da relação da sociedade com as pessoas com deficiência.

 

Em função de tal debate, a idéia de normalização começou a perder força, e assumiu-se a idéia de que pessoas com deficiência necessitam, sim, de serviços de avaliação e de capacitação, oferecidos no contexto de suas comunidades. Ficando a cargo da sociedade se reorganizar de forma a garantir o acesso de todos os cidadãos, a tudo o que a constitui, independente das peculiaridades individuais. Foi fundamentado nessas idéias que surgiu o Paradigma de Suporte (BRASIL,2000). Já este último paradigma, no qual se contextualiza a idéia da inclusão, prevê intervenções decisivas e afirmativas, no processo de desenvolvimento do sujeito e da realidade social.

 

Paralelo a esta situação, o país passava por processos de mudanças ocorridas devido à globalização, e aos avanços tecnológicos e científicos que exprimiam a necessidade de garantir uma forma ampliada de inclusão social interligada à inserção a um padrão de consumo interligado ás inovações tecno-científicas e informacionais. Nesse contexto, o surgimento de iniciativas isoladas no atendimento as pessoas com necessidades especiais foram adquirindo forças por meio de debates em torno do processo de inclusão escolar tendo como marco, em âmbito internacional, a Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais (1994), promovida pelo governo da Espanha e pela UNESCO, cujo objetivo consistiu em informar sobre políticas e ações governamentais, organizacionais e apresentar princípios, políticas e práticas relacionadas à educação especial.

 

E, em âmbito nacional, as propostas de inclusão escolar definidas pelas políticas educacionais brasileiras representam os interesses da sociedade organizada e reflete as concepções políticas e organizacionais referendadas pela Declaração de Salamanca (1994). Esta reconhecendo e valorizando a diversidade como fator de enriquecimento do processo educacional, desta forma tem provocado mudanças na gestão das escolas, bem como na formação docente, propondo uma reestruturação da educação que beneficie todos os alunos.

 

Diante do quadro que se constrói a partir do processo de inclusão das pessoas com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares, inquere-se quais ações, responsabilidades e funções são atribuições da gestão escolar?

 

Nesse sentido, Barroso (2003) afirma que:

 

A administração escolar atravessa hoje, em muitos países, uma fase de profunda transformação. Essa transformação traduz-se em diferentes medidas, que têm por objectivo: alargar e redefinir o conceito de escola; reconhecer e reforçar a sua autonomia; promover a associação entre escolas e a sua integração em territórios educativos mais vastos; adaptar modalidades de gestão específicas e adaptadas à diversidade das situações existentes. (apud TEZANI, 2004, p.73)

 

Percebe-se que a forma de organização da sociedade capitalista contemporânea é dual e contraditória. Por um lado, verifica-se que a globalização e os avanços tecnológicos, científicos requisitam uma sociedade baseada no acesso e consumo dos bens materiais produzidos, e por outro, promove o crescimento do individualismo e a ampliação da desigualdade social e da exclusão de milhões de pessoas do acesso aos bens materiais necessários à vida. Para TEZANI (2004), analisar a gestão escolar e sua relação com o processo de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular é considerar a escola como o lócus do estudo, o local onde a educação acontece. E também porque a escola apresenta um modelo de organização e administração que se constrói sob a lógica administrativa da sociedade capitalista, enfrentando-a ou incorporando alguns de seus princípios.

 

E de acordo com as idéias de Anísio Teixeira a escolas devem ser capaz de orientar as pessoas para a democracia , igualdade e diferença. Devendo ainda ser fator de mudança social.

 

Nesse sentido Teixeira (1997, p.86) afirma que:

 

A escola deve fornecer a cada indivíduo os meios para participar, plenamente, de acordo com as suas capacidades naturais, na vida social e econômica da civilização moderna, aparelhando-o, simultaneamente, para compreender e orientar-se dentro do ambiente em perpétua mudança que caracteriza esta civilização (apud TEZANI, 2004, p.69)

 

Algumas leituras realizadas sobre esta temática apontam que a cultura escolar ainda não reconhece o lugar da pessoa com deficiência, no seu espaço estrutural e pedagógico, e esse problema é reforçado pelo despreparo dos educadores e gestores para lidar com o processo de inclusão, pelas estruturas físicas das escolas, currículo, métodos de ensino inadequado, sistema de avaliação classificatório, dentre outros elementos.

 

Nesse contexto, Ferreira, Ferreira (2004) acrescenta que a organização escolar por um lado se alinha às legislações e as posturas avançadas em relação aos direitos sociais e com eles, a implantação da inclusão escolar, mas por outro, a implantação dessa ação é limitada no sentido de viabilizar concretamente, nas instituições escolares, políticas inclusivas nas redes regulares de ensino. Considera-se conflitantes as propostas referendadas nos documentos relacionados aos direitos das pessoas com necessidades especiais, visto que as práticas escolares e as condições em que se desenvolve o trabalho educativo, voltados para a inclusão escolar, ainda estão em processo de implementação, de forma bastante lenta, promovendo sérios desafios para a gestão e organização escolar. Nesse sentido chama-se a atenção das equipes escolares, no sentido de se comprometer no atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais congregando esforços na mobilização de uma vontade política de mudança em todos os níveis, independente da pressão da lei.

 

Algumas considerações finais

 

A organização e gestão das escolas inclusivas podem ser construídas, por meio de uma descentralização da gestão administrativa e ainda de uma cultura organizacional educativa com base em princípios sociopedagógicos, discutidos e formulados cooperativamente, levando-se em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas envolvidas no processo. Nesse sentido, faz-se necessário uma gestão educacional que proporcione estímulo e condições materiais para que as escolas elaborem com autonomia e de forma participativa o seu Projeto

Político Pedagógico. Estabelecendo em suas propostas e projetos, adequações à diversidade, visando a construção de escolas democráticas e inclusivas.

 

A promoção de grupos de estudo pela equipe escolar a fim de discutir e compreender os problemas educacionais, pode dar início a uma reorganização da escola, visando efetivar esforços para que a esfera pública, juntamente com a equipe escolar, de fato implementem mudanças significativas nos aspectos da arquitetura, no currículo, nos métodos e técnicas, na avaliação, no tempo e ritmo, na arrecadação de recursos, na formação de professores, entre outros elementos que dão contornos ä organização escolar voltados para inclusão.

 

Esse cenário de mudanças reflete as ações desencadeadas pela equipe de gestão das escolas.

 

Por fim, o futuro da inclusão escolar em nosso país dependerá de um esforço coletivo, que obrigará a uma revisão na postura de pesquisadores, políticos, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais, para trabalhar com foco em um único objetivo, o de garantir uma educação de melhor qualidade para todos. (MENDES, 2006)

 

AGRADECIMENTOS

 

À Profa Dra Dulcéria Tartuci pelas contribuições e informações referentes ao tema e a minha orientadora Profa Mestre Fernanda Ferreira Belo Rodrigues , pela disposição e revisão do artigo .

 

REFERENCIAS

 

BRASIL. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: UNESCO, 1994.

 

BRASIL. Lei nº. 9.394 de 20/12/1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Senado, 1996.

 

BRASIL, Projeto Escola Viva: garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola – Alunos com necessidades educacionais especiais. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial, 2000.

 

FERREIRA, M.C.C. e FERREIRA, J.R. Sobre inclusão, políticas públicas e práticas pedagógicas. In: GÓES, M.C.R. e LAPLANE, A.L.F (Orgs.). Políticas e práticas de Educação Inclusiva. Campinas, SP: Autores Associados, 2004, p. 21-48.

 

MENDES, Enicéia Gonçalves. A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Educação v. 11 n. 33 , p. 387- 405, 2006.

 

MANTOAN, M. T. E. Todas as crianças são bem-vindas à escola. Universidade Estadual de Campinas / Unicamp, Disponível em: < http://www.pro-inclusao.org.br/index.html>. Acesso em: 20 jun. 2008.

 

TEZANI. Thais Cristina Rodrigues. Os caminhos para a construção da escola inclusiva: a relação entre a gestão escolar e o processo de inclusão. (Dissertação de Mestrado) São Carlos: UFSCar, 2004.

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

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Inclusão Com Maior Qualidade

Filed Under Estudantes | Posted on Junho 9, 2008

Inclusão Com Maior Qualidade

Por Denise Calaça

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Durante muitos anos, educadores de todo o país lutaram para que a escola incluísse crianças e jovens com deficiência. Há dez anos, mais ou menos 90% de matriculados com alguma deficiência freqüentavam instituições ou classes especiais e hoje, a maioria já estão em salas regulares. Mas, agora vemos que o importante é garantir que os estudantes com deficiência avancem nos conteúdos, pois não basta só acolher e promover a interação social.

Oferecer uma educação de qualidade e promover o avanço destes estudantes significa fazer adaptações físicas e pedagógicas nas instituições, cabendo ao professor reconhecer essa nova função e brigar pelos recursos necessários, para assim ter uma boa educação. Para garantir que os estudantes com deficiência avancem nos conteúdos, é preciso garantir a parceria entre os professores regentes e especialistas. Ao invés de focar no atendimento clínico, o correto é dar apoio aos professores regentes e permitir que eles e seus colegas especialistas trabalhem em conjunto em prol da aprendizagem.

A escola inclusiva deve ser autônoma para decidir sobre suas ações, instituindo prioridades no que diz respeito à inclusão, mas orientado por uma política governamental transparente. A estrutura adequada é essencial para criar uma escola inclusiva, da mesma forma é fundamental também definir um bom planejamento, pois só a criatividade e boa vontade dos professores não são suficientes para que o aluno com deficiência se desenvolva, é preciso sistematizar os conhecimentos nessa área.

O trabalho de inclusão deve começar na educação infantil e todas as escolas inclusivas devem estar devidamente adaptadas aos padrões de acessibilidade. Assim, todos aprendem a valorizar a diversidade e desenvolvem, desde cedo, habilidades importantes para o convívio social no futuro.

Portanto, não basta apenas matricular e receber em sala de aula crianças e jovens com deficiência, o essencial e perfeitamente possível é ensinar. Então, fica aqui algumas indagações: Será que é possível ter uma parceria entre professores e especialistas nas escolas públicas? Será que nestas instituições públicas do nosso país, alunos com deficiência conseguem receber a mesma educação que os outros? Será que com esta educação pública estes alunos vão conseguir se desenvolver nos conteúdos?

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

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