Carlota Joaquina
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Junho 19, 2009
Carlota Joaquina
Vejam Carlota Joaquina, na bem humorada apresentação abaixo. História e humor numa reconstrução dessa personagem que, segundo ela mesma, veio cobrar uma prestação de contas com as imagens históricas e cinematográficas que fizeram, no Brasil, da esposa de D. João e mãe de D. Pedro I.
aprendizagem compartilhada carlota joaquina históriaBalanço Da Disciplina Memória e Formação Docente
Filed Under Memória e Educação | Posted on Junho 18, 2009
Balanço Da Disciplina Memória e Formação Docente
A aula de ontem, da disciplina de Núcleo Livre, “Memória e formação docente: o uso de (auto) biografias na formação do professor” foi organizada para a apresentação do resultado das pesquisas, que aluno e alunas fizeram sobre a história do curso de Pedagogia em Catalão, a partir de história de vida de ex-alunas. Este foi um projeto proposto como atividade disciplinar, tendo em vista atingir algumas metas:
• Aprender a utilizar a entrevista como estratégia de pesquisa
• Aprender a utilizar a história de vida e estudos (auto)biográficos, como investigação e formação de histórias educacionais
• Proporcionar ao(à) aluno(a) o exercício da reflexão sobre sua própria formação profissional, tendo como referência a história de formação de ex-alunas do Curso.
Desde Março, início do semestre letivo, nós temos lido textos sobre vida de professores. E, em duplas, sugeri à turma entrevistarem ex-alunos(as) do Curso de Pedagogia. Em sala de aula, combinamos o seguinte roteiro:
• Diga o nome completo onde e quando nasceu.
• Como foi sua infância?
• Como foram suas primeiras experiências na escola?
• Como foi o momento da sua vida quando fez o vestibular?
• Quais foram seus primeiros professores de graduação? Quais foram as primeiras disciplinas?Quais foram seus sentimentos no primeiro contato com o curso?
• Quais foram suas dificuldades encontradas no curso?
• O quê o curso de pedagogia mudou em sua vida? O que você mudaria nesse curso?
• Como era o rigor das provas? Você colava? Os professores eram chatos? O que era ser chato? Quem mais te intimidava? O que é intimidar?
• Como foi o momento da sua vida na formatura?
• Você exerce a profissão de professora? Você ingressou no mercado de trabalho antes ou depois na formatura?
O resultado (transcrição da entrevista, fita e/ou CD da gravação e da transcrição e 1 cópia impressa) foi entregue e apresentado aos colegas.
Um ponto a destacar: na maioria das apresentações as alunas salientaram o quanto as entrevistas as fizeram pensar na sua própria formação. Ou seja, ao entrevistarem uma ex-aluna do curso, elas se viram e se reconheceram de forma mais intensiva no processo histórico de constituição do curso de Pedagogia enquanto alunas do próprio curso.
Elas declararam também, do ponto de vista técnico, o quanto foi difícil fazer a entrevista. Ansiedade, nervosismo, dificuldade em agendar com as entrevistadas, dificuldade em lidar com o gravador, enfim, procedimentos naturais e necessários ao aprendizado.
Está agendado para o dia 01 de julho um encontro da turma com as ex-alunas entrevistadas, com o objetivo de apresentar o resultado da reflexão que fizeram e dar continuidade ao debate, que, certamente, não tem um fim previsto.
Abaixo, algumas fotos da aula desta última quarta-feira.
catalão curso docente formacao história memória Memória e Educação pedagogia ufgUm Pouco Sobre Internet, Blogs E Educação
Filed Under Eventos | Posted on Abril 19, 2008
Um Pouco Sobre Internet, Blogs E Educação
Ofereci hoje um Mini-Curso no I Encontro Regional dos Estudantes de História do Centro Oeste intitulado Um Pouco Sobre Internet, Blogs E Educação.
Em quase 3 horas de conversa com um grupo de 11 alunos e alunas, praticamente apresentei o debate sobre o uso de novas tecnologias na educação. Mais especificamente, sobre o uso da Internet no mundo contemporâneo e especialmente na Educação.
Percebi que a maioria dos participantes do Mini-Curso está começando agora a se despertar para a relação entre a Educação e as tecnologias. Nunca é tarde, não é mesmo?
Abaixo, segue alguns comentários dos próprios participantes:
Diego Soares
“O papel que a Internet vem desempenhando dentro da educação, forma cada vez mais um mundo dinâmico, mais informativo. Para que esse recurso didático torne-se cada hora mais acessível à educação, é necessário que ocorra uma interação do professor com a Internet, do aluno com a Internet e os três juntos. Mas tem que saber trabalhar bem esse recurso didático.”
Elice Lourenço
“Eu gostei muito desse mini-curso, pois podemos aprender como o computador, a Internet está cada vez mais presente na área da educação. Não só nessa área, mas também faz parte de nossas vidas”
Andréia
“Esse mini-curso nos mostrou a importância da Internet na educação e na vida cotidiana. É possível adequar Internet e educação no cotidiano.”
Tamiris Alves Muniz
“O uso da Internet tem crescido assustadoramente, oferecendo-nos todos os tipos imagináveis de serviço, informação, diversão, etc. Dessa forma, é necessário, urgente, a conhecermos e utilizá-la como instrumento de educação, apropriando de métodos específicos para isto”
Rosiane C Guimarães
“A Internet é algo muito bom, que forma um mundo mais didático, mais dinâmico e, na educação, permite que o aluno interaja com outras pessoas, colaborando para a construção de um mundo homogêneo”
Rodrigo
“Através das novas tecnologias professores tem que se adequar a essa onda crescente. Docentes têm o dever de se adequar para chamar a atenção dos seus alunos”
Inês
“É importante a interação via Internet e ao mesmo tempo ameaçadora para os professores, pois daqui a alguns anos os alunos já saberão os conteúdos das aulas, estimulando os professores a se atualizarem melhor o seu conhecimento perante os seus alunos”
Cleber
“O mini-curso abriu minha visão sobre a relação da Internet com a produção de conhecimento, a disseminação de informação que a Internet nos proporciona colabora para a interação entre pessoas independente da localização geográfica”
Leidiane
“Com o mini-curso aprendi que é possível relacionar a Internet com a educação sendo de suma importância relevar o que se deve usar, para que este conhecimento não seja mal utilizado”
Cleide Ane
“Descobri o quanto é importante a tecnologia (Internet) na nossa vida nos dias atuais. Percebi ainda que podemos usar a Internet em sala de aula.”
Larissa
“Na verdade eu tinha optado por outro mini-curso. Na hora em que cheguei me mandaram para este, e um dos argumentos foi o número de participantes.
O que aprendi e achei? Este curso serviu para aprender sobre várias coisas tais como: educação e blog, colaboração e compartilhamento. O conceito e a diferença entre imigrantes e nativos digitais. Além do que tem mudado de uns tempos para cá, bem como quais eram os meios de comunicação que existiram ao longo dos anos até chegar no computador.
Apesar de no início pelo tipo que era não havia me atraído muito, mas depois achei importante, interessante e curioso. Pois informação nunca é pouca e nunca é demais, além de ser sempre bem vinda”
Tiago
“O curso proporcionou uma nova oportunidade para se debater a questão da utilização de recursos de comunicação e informação. Algo que de certa forma precisa ser colocado cada vez mais em prática, pois se trata de um reflexo do nosso tempo”
Entrevista Com Professores – Cybele Meyer
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 9, 2008
A professora Cybele Meyer (na foto ao lado), nos fala de sua experiência: de advogada a professora, sendo fisgada pelo prazer de educar.
Cybele Meyer é editora do Blog Educar Já.
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
Foi em Santos que passei toda minha infância e juventude, onde me casei e tive meus três filhos.
Estudei até concluir o Normal no Imaculado Coração de Maria. Sou da época em que a mulher tinha que ser prendada para se tornar uma boa esposa, pelo menos era essa a intenção dos meus pais.
Foi uma época muito boa, onde realmente aprendi, além das matérias curriculares, a bordar, pintar, cozinhar, fazer artesanato, arrumar uma mesa e muitas outras atividades extras. Quando tive que optar entre o Normal, Científico ou Biológicas, meus pais nem me perguntaram qual seria minha escolha e optaram, na matrícula, pela Normal. Não fiquei entristecida por isso, pois vinha de uma família muito conservadora e não costumava questionar as decisões por eles tomadas.
Porém, quando estava para me formar, decidi que iria cursar Direito. Meus pais quase enlouqueceram, pois afinal o ano era 1973 e estávamos em plena ditadura militar.
Quando as freiras tomaram conhecimento, chamaram meus pais e alegaram que eu havia me tornado uma comunista, porque eu havia sido educada para ser esposa e, naquela época, poucas mulheres cursavam Direito, só as comunistas!
Prestei vestibular escondida e passei. Cursei em meio a muita pressão.
Eu formei e exerci a advocacia por dez anos. Além do Direito, por gostar muito de arte, fiz Artes Plásticas e passei a pintar telas e a ministrar aulas de pintura como hobby. Ao exercer essa atividade percebi que tinha facilidade em transmitir o que sabia.
Mais tarde cursei Pós-Graduação em Pesicopedagogia Clínica e Institucional e Docência do Ensino Superior.
Em 2006 foi o último ano que estive dentro da sala de aula. Após vinte e dois anos deixei de atuar junto aos alunos para me dedicar a trabalhar com os Professores. Hoje, percorro os quatro cantos do Brasil ministrando Palestras e Oficinas de atualização para Professores.
Também dedico meu tempo ao blog que criei de apoio ao Professor. Procuro dispor neste blog material de aplicabilidade em sala de aula. Estou muito feliz com o retorno que estou tendo. É sinal de que os Professores estão em busca constante.
2) Como você se tornou professor(a)?
Quando meus filhos estavam, os três, em idade escolar e eu vivenciando o dia a dia junto com eles, me apaixonei perdidamente pelo ensinar e resolvi que iria abandonar o Direito para me dedicar à Educação. Foi o que fiz. Consegui minha primeira classe na escola onde meus filhos estudavam e iniciei minha trajetória com crianças de quatro anos. Eu me sentia revigorada, motivada e feliz.
Aos poucos fui caindo numa realidade dura, pois convivi com muitos profissionais que entravam na sala de aula já pensando no momento da saída. Sempre gostei de “inventar moda” como me falavam a cada idéia apresentada. A maioria das vezes, realizei as atividades procurando esconder que as havia feito, para evitar atritos com os colegas.
Com o passar do tempo e já mais madura na profissão resolvi que não mais agiria dessa forma e voltei a “inventar moda” e a incentivá-los para que desenvolvêssemos juntos.
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Posso dizer que minha experiência sempre contribuiu para o meu crescimento como profissional, pois a nossa profissão é ingrata, principalmente nos dias de hoje, quando o respeito e a admiração pelo professor estão em extinção. Nós vivemos uma realidade dura e injusta que nos mostra que quando o aluno não aprende é por culpa exclusiva do professor e quando ele aprende e se destaca o mérito vai para a escola e para o aluno.
O Professor, nos dias de hoje, é apenas um profissional “de uso”, ou seja, usado pela escola, pelos alunos e pelos pais. Porém, acredito com fervor de que esta realidade será mudada, com nosso empenho e amor ao exercício da magia do ensinar. Temos que resgatar o valor da nossa profissão. Como faremos isso? Dedicando-nos e mostrando o quanto o Professor é importante na construção do cidadão e do nosso País. O Professor foi, é e sempre será um guerreiro, que não desiste nunca, mesmo tendo pela frente os percalços vivenciados diariamente.
4) Para você, quais são as mudanças significativas que vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
Na minha visão, acredito que seja a tomada de consciência de que somente ter o aluno matriculado na escola não faz dele um estudante. Há muito tempo não havia movimentações em prol da melhoria da Educação, como nestes últimos anos. Em todas as mudanças ocorridas anteriormente, nenhuma mexeu tanto na estrutura da Educação quanto a do Fundamental de 9 anos.
Em 1971 quando foi aprovado o Ensino Fundamental de 8 anos, foi uma mudança, para melhor, com o objetivo de manter a criança durante mais tempo na escola lhe proporcionando um grau de instrução maior do que o usual naquela época, quando a maioria encerrava o estudo no 4º ano primário. Esta mudança não abalou as estruturas educacionais, pois a mudança foi praticamente na nomenclatura e na junção do primário com o ginásio.
Os alunos de 1ª a 4ª séries continuaram a ter uma única professora como já ocorria anteriormente, e os alunos de 5ª a 8ª continuaram com vários professores, um para cada matéria com aulas de cinqüenta minutos.
Agora a mudança do fundamental de nove anos, esta sim, mexeu tanto com a estrutura pedagógica quanto com a estrutura física das escolas. Uma escola para receber alunos de seis anos tem que ter um espaço condizente com as necessidades que um aluno dessa idade requer e que variam e muito das necessidades de uma criança de sete anos; tem que ter um professor capacitado para trabalhar com crianças dessa idade, que exige metodologia diferente daquela aplicada às crianças de sete anos, e assim por diante.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Vejo uma Educação mais consciente, colaborativa, com aplicabilidade. Uma Educação que passará a utilizar a WEB 2.0 como ferramenta de aprendizagem, possibilitando uma interação e integração entre os indivíduos permitindo a formação de opinião, o desenvolvimento da linguagem escrita, a iniciativa e tantos outros resultados, que com certeza, iremos constatar.
Acredito que agora é uma boa hora para se despertar o interesse pelo conhecimento nos nossos alunos. Eles adoram usar o computador. Se utilizarmos esta ferramenta maravilhosa com fins educacionais, os alunos irão desfrutar da aprendizagem pelo prazer e não pela busca incessante de boas notas. As boas notas serão conseqüências. Se o professor conseguir desvencilhar o uso das ferramentas na internet das notas, ou seja, não atribuir notas pelo seu desempenho online, acredito que daremos um grande passo rumo a uma aprendizagem de bons resultados dentro e fora do espaço escolar.
direito Entrevista com Professores formação de professor históriaEntrevista Com Professores – Reginaldo Tacilo Rodrigues
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 6, 2008
O professor Reginaldo Tacilo Rodrigues (na foto ao lado), nos fala de sua experiência docente.
Sabemos de que o universo profissional da docência, principalmente no ensino fundamental, é predominantemente feminino. Reginaldo nos mostra algumas interfaces do gênero masculino na profissão docente.
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
Eu sou professor desde 1990, venho do Vale do Ribeira, onde fiz o Magistério, numa época em que já estava acabando as turmas, não havia aluno suficiente para se abrir salas. Eu sempre gostei de “ser professor”. Quando andava pelas estradas rurais de minha cidade, e encontrava as escolas rurais abandonadas, mato, portas quebradas, sujas, obscuras pelo tempo e falta de pintura, eu imaginava um dia ser professor para poder fazer deste espaço um verdadeiro ambiente de ensino.
Quando em 1990 fui convidado pra trabalhar numa escola rural, fiquei surpreso, era justamente a escola dos meus sonhos, eu iria fazer o que sempre sonhei. Não era ensinar. Na verdade eu era um professor diferente. No Estado de São Paulo nesta época existia a função de professor de Enriquecimento Curricular, seria um professor que estaria na escola ensinando os alunos a cuidar do patrimônio, fazer hortas, criar animais, coisas deste gênero.
Eu assumi na época duas escolas, parecia um sonho, eu as deixei tão bonitas que não conseguia acreditar. “Eu fiz o que sempre quis fazer”.
Todos que passavam pela escola podiam ver que ali havia mudado e quem mudou????? Eu sei que na cidade todos sabiam, era o Reginaldo, ele pintou, limpou, criou biblioteca, mudou a cara da escola, que antes nem se via pela altura do mato.
2) Como você se tornou professor(a)?
Se tornar professor foi uma meta de minha vida, numa época onde não se tinha muitas opções o que mais me atraía era o magistério. E assim fiz, estudei , apesar do preconceito, pois sempre havia aqueles que achava que ser professor era coisa de mulher.
Na sala só tinha dois alunos homens, um casado e eu solteiro. Eu me formei por que meu objetivo era ajudar, ensinar e aprender, e isso eu só conseguiria se fosse professor.
Fiz magistério, dei continuidade, fiz Estudos Sociais, com habilitação plena em Geografia. Fui professor rural de classe multisseriada, e professor coordenador pedagógico na cidade, em uma escola reestruturada pelo governo somente de 5º ao 3º colegial. Eu um professor sonhador, que sempre gostou de escolas rurais, agora estava dentro de uma escola da cidade, como professor coordenador, foi uma aventura e tanto, aprendi muito e ensinei muito com certeza.
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Minha experiência está cada vez mais aguçada, não sei se faço o que tinha que fazer. Na verdade, aquele sonhador ainda existe em mim, mas vejo tantas injustiças que me fazem desistir algumas vezes. Uma coisa que eu desisti, e era meu grande sonho, foi fazer “pedagogia”. Ficou de lado, acabei vindo pra São Paulo em 1997, fui lecionar geografia em Itaquaquecetuba.
Fui coordenador pedagógico em uma escola aqui de Guaianazes, onde era noturno, e pude perceber que meus sonhos esbarravam em pessoas que não queriam nada com nada. Eles faziam da escola um lugar apenas de “ganhar dinheiro”, não via compromisso e não havia qualidade.
Comecei então a perceber que aquele sonho de Escola perfeita não podia mais continuar. Em seguida fui pra Itaquera na grande São Paulo, também como Professor coordenador, na escola “ CIDADE DE HIROSHIMA”. Lá eu percebi que ainda podia acreditar na educação. Fiquei perto de pessoas que ainda faziam educação, e acreditavam que ela poderia continuar existindo. Fiz o que estava ao meu alcance, ajudei muito, me senti muito útil, em mostrar para aquelas pessoas que eu mesmo sendo um jovem sonhador podia contar com a ajuda deles.
Para concretizar meu sonho eu em 2000 assumi na Prefeitura de São Bernardo do Campo, uma matrícula efetiva de professor de educação básica. Era meu primeiro cargo efetivo. Depois de 10 anos voltei a lecionar para crianças. Continuei no Estado, não mais como professor coordenador, mas como professor de Geografia, onde nos supletivos me deliciava com músicas, peças teatrais, releitura de obras, tudo que colocasse na prática o conhecimento que a geografia poderia proporcionar ao aluno.
Em 2003, assumi outra matrícula, e deixei o Estado, foram 15 anos deixados para trás. Então assumi duas salas de 1º ano do ciclo I. Foi muito gratificante! Acredito que marquei na vida daquelas crianças e até hoje eles ainda lembram-se de mim, das brincadeiras, alegrias e fantasias que juntos criávamos na sala de aula.
Em 2007, voltei pro Estado , pois já sentia falta lecionar geografia, sentia saudades dos adultos, e quando retornei no primeiro dia de aula, entrei na sala de 5ª série e meus olhos se encheram de lágrimas, pois tudo estava do mesmo jeito, aqueles alunos, pulando, gritando, aprendendo ainda sobre o que é” geografia”. Pude perceber que podia passar os anos que fossem as coisas sempre seriam as mesmas, nada mudaria. Fui para uma escola Estadual onde a educação é mesma coisa que um passatempo onde o retorno era só o salário. Não tentei mudar, mas fiz minha parte, mostrei nas realizações dos projetos que ainda se podia acreditar na escola.
4) Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
As mudanças no meu ver são necessárias, mas as pessoas não mudam. As cabeças que estão a frente de uma sala de aula ou direção de escola, ainda continuam iguais, não querem qualidade, falam de qualidade, mas não a fazem.
Diretoras ainda fazendo plano de gestão sozinha, sem ouvir outros professores que se trancam dentro da sala e sozinhos fazem sua aula.
Muitas mudanças, posso apontar, como a Gestão democrática, Progressão Continuada, Parâmetros Curriculares, tudo em busca de qualidade, mas a qualidade só é possível quando todos estiverem consciente de que a escola não é um lugar de brincadeira, onde “o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende”.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Para o futuro, vejo a mesma educação de sempre, pois as pessoas não querem mudanças. O governo efetiva funcionários visando estabilidade, mas a mudança tem que ser real, as pessoas envolvidas na educação tem que acreditar naquilo que estão fazendo, e isso eu não vejo hoje em dia.
Os alunos estão cada vez mais sem interesse, professores colocam a culpa no salário, no governo, na escola. Mas na verdade o que tem acontecido são muitas mudanças no papel e poucas na prática. Acredito que se continuarmos a sonhar educação, um dia chegaremos lá. Mas se continuarmos brincando educação, com certeza, ela permanecerá como está por muitos e muitos anos. Mudanças são bem vindas, desde que mude também a cabeça daqueles que estão a frente de uma sala de aula direção de escola, secretarias etc.
Entrevista com Professores formação de professor geografia história













