Entrevista Com Professores – Natania Nogueira
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 3, 2008
A professora Natania Nogueira (ao lado, na foto), de Leopoldina, Minas Gerais, nos fala aqui um pouco sobre sua experiência como professora.
Natania é responsável por dois Blogs:
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc)
Sou professora de história, da rede municipal de Leopoldina (MG). Trabalho atualmente
como alunos do fundamental, mas até 2006 eu trabalhei com ensino médio, tb.
Fiz o curso de licenciatura em história numa faculdade particular por questões
econômicas (por incrível que pareça era mais fácil para a minha família pagar uma
faculdade particular do que me manter em Juiz de Fora para que eu fizesse a federal).
Mais tarde, eu consegui fazer uma especialização em História do Brasil, na UFJF, e
pude aprender um pouco sobre a pesquisa, em si. Abracei, então, o ideal do professor/pesquisador.
Mas não é fácil.
2) Como você se tornou professor(a)?
Eu sempre gostei de história e queria ser arqueóloga, mas como meus pais só tinham condições de me oferecer a licenciatura, eu acabei me tornando professora. Comecei trabalhando na 36ª DRE (atualmente 19ª Superintendência Regional de Ensino), aos 21 anos, com um cargo técnico. Depois, em 1995 comecei a ministrar aulas, para o ensino médio, em uma escola do Estado, como contratada.
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Tem sido cheia de altos e baixos, mas muito rica em experiências. Ser professora me colocou em contato com realidades sociais e econômicas que eu desconhecia e me tornou uma pessoa melhor, acho. Tenho consciência de que cometi muitos erros, durante a profissão, mas acho que eles são naturais, porque não nascemos professor mas aprendemos a ser. O importante é não esquecer o que se fez de errado, e saber assumir publicamente o erro.
4) Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
Não tenho visto mudanças positivas, infelizmente. A cada ano que passa eu tenho alunos cada vez menos preparados, mais imaturos e sem senso de oportunidade e responsabilidade. Acho que atualmente o professor e a escola vivem um dilema: devem mostrar eficiência, aprovando alunos que nem sempre estão amadurecidos; ao mesmo tempo estes alunos são avaliados e têm baixo índice de aproveitamento… o professor acaba sendo culpado e a escola sendo punida junto com ele. Uma vez vi uma reportagem em que um professor rural dizia que cada aluno tinha o seu tempo de aprender.
Acho que o sistema não respeita este tempo e acaba promovendo alunos que não amadureceram. Creio que respeitar a “velocidade” de cada um para aprender seria uma saída, pq a exclusão não se faz pela reprovação, mas por acreditar que todos têm que ser iguais.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Acho que estamos em uma encruzilhada: ou iremos mudar tudo, desde a formação dos professores, até as formas como tratamos nossos alunos e o professor; ou a situação deve piorar e a cada ano mais avaliações irão confirmar o que todos já sabemos: que o ensino está doente e que precisa ser tratado não com remédios paliativos, mas com uma real dedicação em se encontrar e eliminar as raízes desta doença.
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Entrevista Com Professores – Sergio Pereira da Silva
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 2, 2008
A história da formação de professor no Brasil vem sendo descortinada paulatinamente. A cada história de vida abrem-se novos ângulos de interpretação.
A partir deste post inaugural, estarei publicando aqui no Soprando.Net entrevistas com profissionais da Educação.
Abaixo, a entrevista com o professor Dr. Sergio Pereira da Silva (a esquerda na foto).
Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc)
Como você se tornou professor(a)?
Primeiro eu encontrei a educação. Em seguida, a Filosofia. Ou talvez o inverso se levar em consideração aquelas indagações sobre o porquê de tudo quando, ainda criança, eu sabatinava meu pai e minha mãe, deixando-os aflitos e inseguros diante de minhas curiosidades.
Tornei-me docente ainda jovem. Fui professor de Inglês, aos dezenove anos de idade, na rede estadual de ensino do Estado de Minas Gerais.
Oriundo de família de educadores (tios, irmão e primos), se é que se pode especular a respeito de quaisquer vinculações e determinações hereditárias na definição profissional, minha primeira experiência docente parecia ser um trajeto natural. Habitava-me um fascínio e um altruísmo românticos em relação ao magistério no ensino fundamental, mesmo a despeito de uma realidade pedagógica alienante, de salários aviltantes e dos sinais de que transformações reais tardariam.
Eu preferia desconsiderar as evidências de um panorama caótico no campo educativo e acreditar no poder mágico e veloz da educação na transformação daquela sociedade econômica, cultural e socialmente injusta, excludente e desumana.
Assim, educador entusiasta vinculei-me à filosofia salesiana e a um projeto de educação que abandonei poucos anos depois. Nesse período ingressei no curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Eram tempos de efervescência política aqueles derradeiros anos da ditadura militar e a universidade, palco privilegiado da sensibilidade política da vida nacional, possibilitou-me o contato e o envolvimento concretos e teóricos com o pensamento e com os movimentos sociais.
Tempos de “Teologia da Libertação”, “Diretas já!” e entre catequeses, passeatas e manifestações eu tive o contato introdutório com o pensamento do marxismo, da fenomenologia, do pós-estruturalismo e de outros. Eram perceptíveis duas tendências hegemônicas entre professores, alunos (o curso em geral): aqueles que empunhavam uma proposta pedagógica, curricular e hermenêutica mais política e sensível aos acontecimentos históricos; outros para os quais a Filosofia tem vida própria e paira majestosa sobre as vicissitudes mundanas.
Minha história de vida, minhas utopias e projetos de pronto identificaram-me com o primeiro grupo. Minha sensibilidade cidadã interrogava acerca de uma Filosofia que objetivasse a cidade, a polis. Naturalmente que Sócrates passou a ser minha referência e modelo em termos de perfil de filósofo, um filósofo cidadão, sensível ao cotidiano e suas contradições.
Filósofo erudito e contemplativo, ou filósofo cidadão como Sócrates? Em cada um de nós, filósofos, e na Filosofia, como área de conhecimento, este dilema persiste e persistirá eternamente.
Da ambigüidade que nos remete a querelas, na praça pública, ou nos mantém ao abrigo dos institutos e dos espaços privados, descobri que jamais nos libertaremos, e percebi que grandes pensadores já haviam posto esta questão, dentre eles Vernant.
Entretanto, já na graduação entendi que, apesar desta “ambigüidade” ter se revelado ao longo de tantos séculos de pensamento filosófico, era importante que tivéssemos, como professores de Filosofia, ou mesmo filósofos, uma atenta vigilância no sentido de não sucumbirmos às “tentações” de uma inserção presunçosa e equivocada na vida da cidade. Inserção que excluísse outras formas de saber. Tampouco um afastamento do espaço público que arvorasse uma perspectiva privilegiada (porque totalizante) e superior às demais perspectivas.
Em outras palavras, devíamos admitir a ambigüidade, porém negar a dicotomia filósofo contemplativo/filósofo cidadão em favor de uma Filosofia que contemplasse (para interferir) problematizando. E somente o fizesse após uma criteriosa e profunda contemplação. No meu entender de estudante de Filosofia, Sócrates, mais que qualquer outro filósofo, soube lidar com os riscos desse saber na sua plenitude e na sua especificidade.
Hoje compreendo que a percepção dessa ambigüidade ontológica da Filosofia foi decisiva na minha formação, nas opções, produções e performances metodológicas e/ou curriculares como professor dessa área do conhecimento, em toda minha vida acadêmica.
Em outras palavras, sempre enfatizei minha preocupação da Filosofia ser uma Filosofia da Praxis, ou seja, um pensamento que visa a realidade concreta e é transformado por essa concretitude. Tal ênfase talvez possa ser entendida na lógica da “Teoria da curvatura da vara” expressão que ficou conhecida na Pedagogia por Demerval Saviani. Assim, na minha vida acadêmica enquanto sempre me deparei com uma certa hegemonia de uma Filosofia auto-contemplativa, erudita e “pura”, eu fiz questão de priorizar a suspeita, a dúvida e a pergunta sobre questões do mundo do ensino, da escola, da educação em geral como atitude anti-hegemônica.
Como tem sido a sua experiência como docente?
Minhas primeiras experiências com o ensino no curso superior iniciaram-se antes do Mestrado, em duas instituições religiosas: Seminário interdiocesano “João Paulo I”, em Uberlândia, e Seminário Maior “Maria Imaculada”, em Araxá. Ética, História da Filosofia e Metafísica eram os conteúdos com os quais eu trabalhava no curso de Filosofia.
Foi intelectualmente uma experiência que pouco acrescentou ao meu desenvolvimento profissional, visto que se tratava de um grupo indiferente a uma Filosofia da práxis. Muitos não queriam nada com os estudos. Alguns poucos queriam erudição, retórica e lógica argumentativa. Sentia-me em mosteiros medievais contribuindo na formação de jovens padres indiferentes a questões sociais e políticas.
Aquela atmosfera das “Diretas já” e do auge da “Teologia da Libertação” que mencionei no início desta entrevista declinava em direção a uma religiosidade emotiva, reclusa e mágica. Eram os derradeiros anos da década de oitenta que indicavam uma iminente crise do sentido da ação política, religiosa, pedagógica etc.
Altruístas e idealistas, como em geral começamos e, espero, em parte, permaneçamos, eu trouxe para a primeira grande experiência como docente universitário um currículo da disciplina, uma referência bibliográfica e um projeto metodológico. Haveria de promover a problematização da realidade educacional local, incentivar e possibilitar a formação da consciência crítica, politizar.
Era início da década de noventa e os anos oitenta, ricos em debates pedagógicos de cunho progressista, em parte devido à superação do regime militar, foram responsáveis por uma atmosfera de otimismo pedagógico: acreditávamos que uma metodologia revolucionária, aliada a conteúdos progressistas, forjaria, nos educandos, uma consciência crítica que contribuiria no surgimento de uma sociedade economicamente mais justa e politicamente democrática. Assim, confiante e entusiasmado, iniciei minhas aulas naquela faculdade.
O dia-a-dia, como que a zombar do forasteiro, confrontou-me com salas de aulas improvisadas em prédios de escolas privadas do ensino fundamental, uma instituição sem livros, sem biblioteca, além da ausência de instrumentos básicos de trabalho para o professor. A lógica econômica de garantir a permanência dos alunos forjava medidas administrativas, que causavam constrangimento moral, frente às quais tínhamos que nos calar.
Não obstante essa realidade, os alunos revelavam baixa auto-estima e interesse pelo estudo, com nível insuficiente de cultura geral ou conteúdos próprios dos ensinos fundamental e médio. E, sobretudo, uma cultura de estudo alienada e imoral: pairava no ar um tácito e inconsciente acordo por meio do qual eu deveria fazer de conta que ensinava, porque os alunos fariam de conta que aprendiam e a administração da faculdade faria de conta que não observava.
Outro aspecto que dificultava meu trabalho dizia respeito às obras de referência para o ensino. Não havia consenso entre os compêndios. Por exemplo, no que diz respeito à especificidade da Filosofia, ou mesmo da especificidade da disciplina em questão. Na época, e não observo relevantes mudanças nos últimos anos, muitos compêndios de Filosofia da Educação ora limitavam-se a uma espécie de criticismo básico, ora fechavam-se em torno de temas restritos à habilidade e preferência do autor.
Enfim, desabou sobre meu ânimo um conjunto de elementos concretos que desconstruiu minhas pretensões metodológicas, relativizou meu projeto curricular e tornou inoportunos os textos que eu pretendia discutir. Foram meses nos quais a ausência de condições objetivas e subjetivas de trabalho impedia que superássemos a crítica superficial. Como eu poderia ensinar Filosofia, ou mesmo filosofar, em nível do ensino superior, a partir de uma realidade educacional tão absurda?
Procurei ajuda e orientação junto a vários professores de Filosofia do ensino superior. Não faltaram argumentos do tipo: “se filosofar é uma atitude, não carece de pressupostos tais como conhecimentos sistematizados…Basta fomentar o espírito crítico! Basta ensinar-lhes a problematizar seus desafios concretos.. E estes não faltam!”
Entretanto, eu resistia, como ainda hoje resisto, àquela idéia de que cabe exclusivamente à Filosofia incentivar a consciência crítica, como se o espírito crítico fosse, ao mesmo tempo, ponto de saída e ponto de chegada. Como se não houvesse uma identidade da Filosofia (conteúdos e abordagem do objeto) que lhe fosse específica e que por intermédio da qual os alunos pudessem desenvolver o espírito crítico.
Meu primeiro insight foi trabalhar alguns textos clássicos de Filosofia, tais como o diálogo Fédon, de Platão; a Metafísica, de Aristóteles etc. Caberia a mim, como professor, providenciar para que a interpretação dos textos forjasse constantes relações com os desafios das vidas daqueles estudantes. Mas como fazê-lo se eles não estavam letrados, ainda? Não conseguiam interpretar um parágrafo, fazer associações, digressões e amarrações; não conseguiam escrever um pequeno trecho com sentido.
O pior ainda estava por vir. A difícil situação econômica pela qual passava a faculdade, e seus alunos, provocou o êxodo de um grande número de estudantes e a demissão de alguns professores. A direção convocou-me, literalmente, para assumir além da disciplina Filosofia da Educação os conteúdos de História da Educação, Filosofia da Ciência e Metodologia Científica.
De nada adiantaram meus arroubos profissionais e éticos no intuito de mostrar que minha formação, Filosofia, não me autorizava ministrar aqueles conteúdos. Tinha um relativo conhecimento, mas não os dominava sistemática e profundamente.
Fracassada minha tentativa de transferir para o ano seguinte aqueles conteúdos, eu os assumi, por absoluto constrangimento econômico: o risco da demissão. E, por mais paradoxal que pareça, foi uma das mais ricas e desafiadoras experiências que vivi na minha trajetória profissional.
Numa mesma noite, diversas vezes, transitei pelo território de três disciplinas: Filosofia da Educação, Filosofia da ciência e História da Educação. Um absurdo pedagógico, ético e curricular; um desafio prático extraordinário! Mais do que nunca, definir o território da Filosofia tornou-se um desafio pessoal.
Durante um ano eu vivi esta experiência de trânsito entre as disciplinas. No ano seguinte, retornei, exclusivamente, ao conteúdo da Filosofia da Educação. Mas, aquelas inquietações identitárias e epistemológicas jamais me deixaram.
De um modo geral, minha experiência com o ensino superior brasileiro revelou uma cultura departamental individualista, do ponto de vista de um projeto curricular, e corporativista (no sentido negativo)(1), se o que estava em jogo fossem privilégios ou vantagens pessoais. Cada professor fechava-se em torno de sua disciplina, dando a ela uma orientação nitidamente pessoal, ou no entorno de seus amigos, circunscrita ao projeto de pós-graduação ou pesquisa desse professor. Entretanto, uniam-se para resistirem às “ameaças” de aumento do número de aulas, comprovação de produção intelectual ou permanência no campus, tarefas de extensão ou orientação.
Com o álibi de que “educação é muito mais que escola”, que o “ato educativo se dá em todos os espaços e dimensões da existência humana”, de que “há uma pedagogicidade em todo agir humano”, afirmações inquestionáveis, muitos departamentos e cursos não logram definir e recortar alguns aspectos ou dimensões deste conceito amplo de educação e tematizá-los interdisciplinarmente. Pelo contrário, os professores perdem-se em atuações desconexas, diluídas na amplitude do conceito “educação”, o que não favorece uma práxis verdadeiramente interdisciplinar.
Como exemplo, uma vez sugeri que o projeto pedagógico de um curso, de uma insituição mineira, durante dois anos, talvez menos, talvez mais, tivesse como eixo temático a escola pública local. Que projetos particulares de cada professor partissem deste objetivo comum tanto como convergissem nele. Não faltaram críticas e articulações contrárias a esta sugestão. Argumentei que os urgentes e gritantes problemas da escola pública local justificavam um projeto que os priorizasse, sem perder de vista as macro determinações que vêm de lugares e instituições longínquos e sem nos esquecermos de que o ensino formal é uma das dimensões mais relevantes do amplo fenômeno educativo.
Venceu o argumento da “autonomia” do professor em relação ao seu “plano de curso”. Ou seja, cada um continuou a pensar sua proposta de conteúdos à revelia dos demais. E o curso em questão, no meu ponto de vista, perdeu uma rara oportunidade de pensar interdisciplinarmente um projeto pedagógico exeqüível, coerente e pertinente.
Na oportunidade, compreendi que se tratava de reações corporativistas legitimadas pela ausência de uma identidade e de um projeto político-pedagógico para tal, tanto quanto para aquela universidade. Era como se ambos adquirissem vidas próprias, ou seja, passassem a justificar-se por si mesmos, pelos seus rituais de operacionalidade e institucionalidade.
É importante enfatizar que, quando critico o fato de um curso específico e da Universidade terem adquirido vidas próprias, não estou criticando a “autonomia universitária ou de um curso específico”. Pelo contrário, acredito que a autonomia universitária, que, no meu entender, diz respeito ao campo do conhecimento (e dos processo de transmissão e construção do conhecimento) em relação com as necessidades da cidade, tem uma dimensão política e epistemológica. Portanto, é de fundamental importância para evitar que a comunidade universitária esteja a serviço dos interesses de grupos hegemônicos quando estes não contemplam os interesses públicos.
Quando digo “necessidade da cidade” não tenho em mente um objetivo utilitarista ou imediatista, tampouco subestimo o caráter universal da pesquisa e ensino universitários. O termo cidade tem, aqui, um sentido mais amplo que o urbano, o físico ou o jurídico. Diz respeito à cidadania, à humanidade, à justiça e à democracia.
Critico o fato da universidade adquirir vida própria porque ela é uma instituição pública e deve estar a serviço dos cidadãos. Estará sendo privatizada se for vendida a empresários tanto quanto se for permitido que os interesses privados de seus profissionais, ainda que funcionários públicos, fechados em suas corporações, sobreponham-se aos interesses de todo o grupo social.
Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
Quanto às mudanças significativas que vem acontecendo na educação brasileira, nos últimos anos, enfatizo duas dentre tantas: a primeira, a inflexão curricular que deixa o lugar comum da exclusividade da “formação da consciência crítica” e tende à busca da “excelência e competência” técnica; a segunda, a nacionalização do currículo.
A primeira mudança sugere que há uma exaustão do discurso moral/político que impregnou o debate pedagógico e se esqueceu da competência e rigor na formação dos brasileiros. Por maternalismo, paternalismo pedagógico, sentimento de culpa-de-classe ou quaisquer outros motivos que precisariam ser aprofundados, durante décadas o que se viu foi uma Pedagogia do Ressentimento que fez a apologia da pequenez, da união no nível da mediocridade, em vez de estimular o potencial de cada aluno e cada professor para que estes superassem os seus empecilhos históricos (objetivos e subjetivos) na trajetória da formação e da conquista de mais dignidade social.
Tal exaustão de uma pedagogia do politicamente correto fez surgir na borda da cultura (no espaço da produção) demandas por uma prática educativa que produzisse indivíduos polivalentes, autônomos e criativos. Sua formação humanista, moral ou política deixou de ser uma demanda (talvez nunca tenha sido, senão no plano das idéias) de expressivos espaços da sociedade.
A segunda mudança diz respeito à nacionalização do currículo. Fazendo a apologia de que um currículo nacional contribuiria na superação das diferenças sociais gritantes em nosso país, foram instituídos pelo MEC os Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Fundamental) e as Diretrizes Curriculares Nacionais (para o Ensino Superior). O Governo Federal, a partir 1996, iniciou a discussão e implementação do currículo nacional. Argumentava-se, também, que administrativamente, um currículo nacional facilitaria o fluxo de transferências e adaptação de um aluno em diferentes regiões do país.
Os críticos da nacionalização do currículo têm alardeado o risco das diferenças regionais, étnicas e de outras minorias serem tragadas por este empreendimento curricular. Que, ainda, se trata de uma jogada política de destruição das resistências minoritárias e locais.
Como vê a educação no futuro próximo?
Os desafios da educação, num futuro próximo, são o de recuperar a valorização do profissional do ensino, recuperar o sentido e o valor das ações “educar e aprender” que hoje estão dispersas e diluídas numa rotina escolar alienante. A recuperação do sentido e do valor de ensinar e aprender são os antídotos, penso eu, face à hegemonia de cultura que valoriza a educação informal e festeja a morte do deus-ciência, da autoridade e do rigor/competência, dentre outras coisas.
Falta uma referência de autoridade competente (jamais autoritarismo!), em tempos da morte de Deus, da ciência e do fracasso das promessas da modernidade. Falta o discernimento de que o conhecimento agradável dos multimeios, mídia etc é algo a acrescentar ao conhecimento sistemático da escola e jamais substituí-lo. Há muita confusão de conceitos, muito modismo pedagógico e muito discurso panfletário de gente que nunca pisou na escola para ensinar e aprender. Há, finalmente, uma apatia, um niilismo pedagógico, que urge ser superado por uma verdadeira pedagogia transformadora.
Enfim, os profissionais da formação precisam entender que se ultrapassada e anacrônica, autoritária e para poucos, a pedagogia tradicional pelo menos tinha o mérito de excelência na formação. Há que se resgatar tal positividade, acrescer-lhe os avanços técnicos e conceituais do debate pedagógico das últimas décadas, colocar na prática, socializando tudo isso no limite possível.
Citações:
1 - Entendo que o corporativismo tem duas faces que prefiro chamar de “positiva” e “negativa”. A primeira, representa a luta de uma categoria pelos seus interesses, sensível à sociedade como um todo. A Segunda, por outro lado, representa a luta de uma categoria pelos seus interesses, à revelia dos interesses comuns da sociedade.
Entrevista com Professores formação de professor históriaHistória Da Formação De Professores
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 1, 2008
O Soprando. Net vai inaugurar uma nova categoria de posts: Entrevista com Professores.
Para acessar a esta categoria, basta procurar na coluna ao lado, o item CATEGORIA – o template do Blog mostra normalmente duas colunas, mas tem computadores que abrem uma única coluna além desta dos posts. Quando isto ocorrer, role a página e veja que estará lá embaixo.
Esta nova categoria – ENTREVISTA COM PROFESSORES, vai trazer, em forma de entrevista, história de professores. A idéia é tornar este espaço virtual um banco de dados para que alunos de graduação de cursos de licenciatura, bem como professores da rede pública e privada, possam acessar e ver como outros profissionais construíram suas histórias na profissão docente.
As perguntas que estarão sendo feitas são:
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc)
2) Como você se tornou professor(a)?
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
4) Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Junto às respostas, tentarei colocar também uma foto dos professores entrevistados.
Os professores que lerem este post e se dispuserem a compartilhar suas histórias, podem entrar em contato comigo através do email: whonoriof@gmail.com e me enviar suas respostas e foto.
Quando contamos nossas histórias re-visitamos o nosso passado. Espero que isto possa ajudar os atuais e futuros professores que ainda acreditam que a profissão docente merece ser considerada e valorizada social, política, econômica e culturalmente neste país.
Portanto, aguardem!
entrevista Entrevista com Professores formação de professores históriaHistória Da Educação – Escolarização VI
Filed Under Historia da Educação 2007 | Posted on Dezembro 6, 2007
Uma das atividades desenvolvidas na disciplina História da Educação é montar a história da escolarização das alunas e alunos do curso de pedagogia, Universidade Federal de Goiás – Campus de Catalão.
Abaixo disponibilizo alguns testemunhos.
A minha escolarização
Por: Geisa dos Reis Silva.
A minha escolarização foi marcada por dois acontecimentos que considero ter me influenciado até no presente momento: no ano de 1987, foi a primeira vez que entrei em uma instituição escolar, cursei o pré na escola Estadual Abrão André, onde tive uma ótima professora, chamada Aldanice, que tempos mais tarde veio a torna-se minha madrinha. O término deste ano, meus pais julgaram fraco o ensino que eu havia recebido, e então, resolveram, me matricular em outra escola.
Bem diferente do contexto que eu estava acostumada, a Escola Paroquial São Bernardino de Siena não era uma escola, mas administrada pela Igreja Católica. Era bastante, rígida, me lembro que na hora do recreio, as madres nos observavam.
Tinha todo um ritual no colégio: todos os dias nós cantávamos o hino nacional e também rezávamos frente à imagem de nossa senhora, isso, antes de entrarmos pra sala de aula.
A escola tinha como objetivo, buscar a disciplina e a moral rígida, mas logo me acostumei, refiz o pré e terminei o ensino fundamental nessa escola, que até hoje é de grande renome na cidade.
No ano de 1991, quando cursava já a terceira série, tinha nove anos, ocorreu uma fatalidade que iria me marcar pelo resto da minha vida. Perdi minha mãe, minha maior incentivadora. Lembro-me, perfeitamente quando me ensinava as lições, e me tomava a tabuada, etc.
Fiquei totalmente sem chão, desnorteada, naquele momento iniciava uma fase que eu classifico de fase das trevas. Sou a caçula de três irmãos, e posso afirmar que todos nós sofremos, na mesma proporção, se é que possível medir a dor da perda de alguém que se ama.
Meus irmãos mais velhos ficaram revoltados e perdidos na vida, suas ações a partir daquele momento iriam marcar as histórias de suas vidas, foi realmente um ano doloroso em que tivemos que reaprendermos a viver. Por causa deste fato, não houve mais motivação para os estudos, minha irmã e eu tivemos que repetir as séries novamente.
Como não podíamos ficar sem estudar, dei continuidade aos meus estudos. Na 8º Série, no ano de 1998, tive outro momento que me marcou, que foi o nascimento de minha sobrinha, o que parecia ser algo lindo e feliz, na verdade aconteceu de forma contrária, minha irmã teve o bebê comigo e a criança nasceu morta. Diante destes fatos, encontrei professores de me deram forças e compreenderam toda minha angústia e também minhas limitações.
Em 1999, fiz parte da última turma do curso de magistério do Colégio Estadual João Neto de Campos, que por sinal também é um excelente colégio. No ano seguinte, desisti dos estudos logo no inicio do segundo semestre, e só retornei no ano de 2002, já casada e já era mãe.
O Colégio Ceja foi o mais indicado, pois facilitava o término do 2º Grau, hoje o ensino médio. Por três anos fiquei afastada dos estudos, mas mesmo assim, tinha muita vontade de ir além, superando as minhas próprias expectativas, pois eu acredito que nunca é tarde para recomeçar, em agosto de 2006 me matriculei no cursinho pré-vestibular Israel Macedo, onde embora muitos podem pensar que o ensino é ruim, pelo contrário, existem excelentes profissionais comprometidos com a função que escolheram, de transmitir o saber.
Mesmo sem expectativas, prestei o vestibular no final deste mesmo ano, e hoje estou aqui, na UFG Campus de Catalão, cursando o 2º Período de Pedagogia e assim espero e creio que irei alcançar meus objetivos com êxito.
A minha historía de escolarização.
Por: Letícia Felix Pereira.
A Vida de criança é marcada por vários momentos na vida, o principal momento é quando ela entra na escola, pois a partir desse momento a criança tem que aprender a conviver com outras crianças, tem que aprender a obedecer a pessoa que até naquele momento era desconhecidas.
A minha vida de escolar não foi diferente, ela foi muito marcante, pois quando eu entrei na escola eu tinha cinco anos de idade. Eu estudei na escola estadual João Bernardes de Assunção em Davinopólis. Eu adorava todas as minhas professoras. Nesta escola estudei até a quarta série e logo depois mudei para Catalão e estudei na escola estadual Wilson da Paixão, e tive uma serie de dificuldades, pois não conhecia ninguém, era quase a mesma coisa de estar entrando na escola novamente. O ensino era um pouco diferente e eu não tinha nenhuma amiga.
Logo depois tive que mudar de escola e fui estudar no instituto de educação Matilde Margon Vaz porque na escola Wilson da Paixão só tinha até a quarta série. No instituto foi melhor, pois já tinha amigas que estudava lá, mas o ensino era mais puxado, pois foi no instituto que fiquei de recuperação a primeira vez. Quando terminei o primeiro grau fui fazer o segundo no colégio estadual João Neto de Campos.
Adorei ter estudado nessa escola, onde já conhecia bastantes pessoas, e o ensino só foi mais pesado no primeiro ano, porque nos anos seguintes eu já estava acostumada com o modo de avaliação dos professores.
Eu não estudei em nenhuma escola particular e nunca tive aulas de reforços. Eu passei todos os anos sem nunca me reprovar, não fui ótima aluna, eu sei muito bem disso, mas fui uma aluna razoável, isto eu garanto.
O ensino de cada escola era especial, percebo agora que cada professor tinha uma maneira muito diferente de dar aula, existiam professores que eram mais legais que outros, que davam muitos mais oportunidades para os alunos passar, e outros que faziam de tudo para deixar os alunos repetir o ano.
Toda vez que mudei de escola aprendi a me socializar com outras pessoas. Tudo bem que fui obrigada a fazer isso, mas hoje consigo falar com qualquer desconhecida sem nenhuma vergonha. A única coisa que eu não aprendi foi a apresentar trabalhos sem medo, sem insegurança, eu fico totalmente sem graça quando tenho que apresentar trabalhos.
Enfim, adorei todas as escolas que eu estudei, consegui superar todas as barreiras que encontrei de uma escola para outra e isso será impossível de esquecer.
Minha formação escolar
Por: Vera Lúcia Calaça
Comecei minha vida escolar, aos 7 anos de idade, no ano de 1983 em uma escola municipal que residia na Zona rural. Estudei nesse estabelecimento até a 4ª série. Eu posso dizer, foi o começo para conseguir chegar até a Universidade, da qual hoje faço parte. Nessa escola tinha apenas um professor que trabalhava com as disciplinas de português, matemática, estudos sociais e ensino religioso, isso da 1ª a 4ª série, porque antes, estudávamos em um livro denominado cartilha, que continham todos os conteúdos para a pré – alfabetização.
Os métodos de aprendizagem se baseavam no que continham os livros, o professor trabalhava o conteúdo dos livros de acordo com o rendimento da turma. Nessa época, lembro que era apenas uma turma: da pré – alfabetização à 4ª série, éramos uns 25 alunos, e o professor tinha que conciliar todos essas disciplinas em apenas uma sala de aula, com conteúdos diferenciados, e com crianças de várias idades. Mas com os alunos, posso dizer que dessa escola tirei bons conhecimentos, aprendi a ler, escrever, e a partir daí que consegui chegar a outra instituição escolar.
Já no ensino fundamental, que foi da 5ª série a 8ª, estudei em uma Escola Estadual, tive bons professores que levaram a sério os conteúdos que lhe eram oferecidos para ser trabalhado com os alunos. Os métodos de aprendizagens eram baseados em leituras de livros, aulas expositivas, e os métodos de avaliação ficaram a critério do professor, ou seja, o professor dava o conteúdo das disciplinas, e com rendimento da turma aplicavam as provas bimestrais. Também teve ótimos resultados desse grau de escolaridade, porque tudo o que lhe foi oferecido de útil aos alunos, tiramos bons frutos.
No Ensino Médio, também estudei em Escola Estadual. Os métodos de aprendizagens que nos eram oferecidos, eram baseados em livros, fazendo leituras, retirando focos importantes, aulas expositivas em sala, em laboratórios, os professores ainda usavam o quadro negro para passar os conteúdos. Os métodos avaliativos também seguiam de acordo com cada professor, cada um tinham seus métodos de avaliar. Posso dizer que essa época também foi importante na minha vida escolar, porque apesar de ter sido ainda um ensino precário em termos educacionais, posso dizer que muito foi ensinado, e muito foi aprendido.
E hoje, cursando uma faculdade, posso então relatar a diferença do ensino que é oferecido aos alunos, comparando-o ao aprendizado dos alunos anteriores, com os dias atuais, é bem notável a diferença de como os professores trabalham com os conteúdos, as formas avaliativas, tipos de aulas oferecidas, o ensino mudou muito no decorrer dos anos. E isso é importante, porque os professores universitários incentivam bastante os alunos a fazerem leitura, trabalhando mais com a mente, ensinando–os a descobrirem novos meios de lidar com o mundo moderno, buscando alcançar novos conhecimentos, objetivos, e isso é gratificante para todos.
Como vimos a cada grau de escolaridade, havia uma forma de educar o aluno. Hoje, com os professores mais capacitados, com formação especializada, a educação escolar deve ser oferecida ao aluno com mais interesse, levando os alunos a se interessar, por seguir uma escolaridade de alto nível, e de valor junto à sociedade.
Minha formação escolar
Por: Vera Lúcia da Silva
Voltar ao inicio de minha escolarização é algo prazeroso, pois me trás lindas recordações de minha infância, e me faz ver como não só os métodos de ensino evoluíram, como também o mundo em si está todo mudado.
No ano de 1973, eu tinha apenas seis anos de idade, morava com meus pais e irmãos na fazenda. Foi quando pela primeira vez entrei em contato com o mundo das letras, me lembro perfeitamente, embora ainda eu fosse muito criança.
Naquela época, as escolas eram grupos escolares onde uma única professora lecionava para as turmas da pré-escola á 4° serie, todos em uma única sala, e a professora ainda era a própria merendeira.
As escolas eram feitas de pau-a pique cobertas por folhas de babaçu. As carteiras eram de tábuas inteiriças onde sentavam cinco alunos no mesmo banco, que não tinha encosto. O método era na base do “decoreba”, se não tivéssemos com a lição na ponta da língua, a professora tinha seus métodos: uma régua de madeira que às vezes batia em nossas cabeças ou então colocava-nos de joelhos de braços abertos na frente dos colegas, o que era uma humilhação para quem recebia o castigo.
Bem, para mim, esta fase durou pouco. No ano seguinte, meus pais mudaram para a cidade. Em catalão tive que fazer novamente a pré-escola, pois a idade permitida para se iniciar os estudos eram sete anos.
Fui para a Escola “Rita Paranhos Bretãs”, a qual tenho boas lembranças. Nesta escola já se tinha um professor para cada turma e estas já não eram tão bravas.
Fiz muitos amigos nos quatros anos que lá estudei, e me lembro com muito carinho de uma das professoras que tive neste período, seu nome Regina, esta foi para mim uma pessoa muito especial. Onde será que ela se encontra agora? Lembro-me também de meu uniforme: camisa branca, saia azul escuro, de pregas até o joelho, meias três quartos branca e sapato preto. Eu adorava a hora de vesti-lo.
Mas tinha uma coisa que eu me intrigava. Era o fato do pátio onde nós alunos brincávamos ser dividido com o pátio da cadeia municipal. Eu tinha o maior medo daqueles presos fugirem de lá e nos matarem, imagine.
Hoje os presos não ficam mais lá, as selas foram desativadas, e foi construído um presídio na cidade.
No ano de 1978, voltamos para a fazenda, e ai para poder continuar os estudos, tinha que fazer uma maratona. Eu e meus seis irmãos fomos matriculados no Colégio Estadual “João Neto de Campos”. Para chegarmos lá, tínhamos que andar uns três quilômetros onde saímos de casa às 10:30 da manhã, entrávamos em uma camioneta, que percorria as estradas juntando os alunos que eram no total de quinze para então chegarmos ao colégio. Foi assim três anos.
Quando estava cursando a 8° serie os pais se juntaram e contrataram um ônibus para buscar seus filhos como é feito nos dias de hoje, só que pele prefeitura. Chegávamos em casa às 18:00 horas.
Quando eu fazia o ginásio, tinha uma matéria: O.S.P.B. professor Cristiano, era o terror da turma, tínhamos que saber tudo. Era matéria decorada, porque ele sempre tomava pra saber se estávamos mesmo estudando. Hino nacional, hino da bandeira, o nome de todos os ministros, que na época eram nove, “graças a Deus”, e outras coisas mais sobre política.
Depois de concluído a 8° serie, me afastei da escola. Só fui retornar no ano de 2000, fiz o 1° ano no Colégio “Dona Iayá” em agosto de 2001, quando cursava o 2° ano minha mãe veio a falecer, me afastei novamente.
Retornei no ano de 2003, no Instituto de Educação “Matilde Margon Vaz”, onde conclui em um ano (EJA) o ensino médio.
Não pensava mais em voltar para uma sala de aula, até quando minha filha foi prestar o vestibular e eu resolvi ir junto. E aqui estou eu, cursando o segundo período de Pedagogia.
Embora muitas vezes com dificuldade de acompanhar o ensino, estou me esforçando muito para conseguir vencer mais esta etapa em minha escolaridade.
Podemos ver, eu e você, que agora est lendo esta pequena estória escolar, como aconteceram mudanças no geral de nossa história. Hoje mudaram os políticos, os métodos de ensino. O acesso à escola está tão fácil que é possível a todos, os livros são fornecidos pelo governo, o transporte para alunos da zona rural e outras cidades é gratuito, os alunos têm nas escolas computadores a sua disposição para fazerem suas pesquisas e conhecer o mundo virtual, o qual estou tendo muita dificuldade em me familiarizar.
Hoje tenho quarenta anos, deixo filha em casa, luto contra o tempo, para alcançar o tempo que perdi.
Estou escrevendo isto para você com dezoito, vinte anos e que está parado, ou pensando em desistir: vá a luta, se esforce, você é capaz. Dê valor no que você já conseguiu. Se desistir hoje, poderá se arrepender amanhã.
Sucesso e votos de perseverança a todos que lerem.
Minha vida Escolar
Olívia Silvia Luiz
Cursei a pré escola na cidade de Goiânia, com 6 anos de idade. Segundo a minha memória era uma menina esperta, pois lembro que fazia todas as tarefas e minha irmã copiava tudo, lógico sem minha mãe saber, porque se eu contasse apanhava, pois ela era mais velha , grande e fofa….
As tarefas eram todas mimeografadas, mas lembro também de utilizar bastante o caderno de desenho.
O ensino fundamental fiz um pouco em Minas Gerais e o restante em Goiás.
Segundo o que me lembro em Vazante (cidade onde residia), o ensino era bom, todos os livros eram gratuitos, o espaço físico da escola era bom, o lanche era de excelente qualidade e cardápio variado (eu repetia todos os dias).
Quanto ao ensino era muito interessante, pois diversas vezes a professora nos levava para conhecer o cerrado e as minas existentes. Ô tempinho bom esse!
Depois, em Catalão, tive dificuldade de adaptação.
Chorava, pois estudava em uma escola totalmente diferente. Não era grande, as paredes eram feias, mal pintadas, o lanche era horrível e a professora só ensinava de maneira empirista.
Na época, diversas vezes ficava questionando porque não passeávamos igual na outra escola. Com o passar do tempo me acostumei.
O ensino fundamental foi normal; o colégio era grande eu tinha cinco matérias e cinco professoras, passei da transição do lápis para a caneta, o caderno já não era mais o pequeno, mas sim o grande.
Os professores escreviam muito rápido no quadro. Assim, às vezes tinha que copiar dos colegas. Porém, lá aprendi a gostar de teatro, pois a professora incentivava bastante, também tinha feira de ciências. Só não gostava de uma matéria que chamava técnicas agrícolas era feita no campo. (Plantei muita cebolinha, alface …)
No mesmo colégio, fiz o antigo segundo grau. Cada dia aumentava o número de professores e consequentemente o número de trabalhos e tarefas. O ensino passou a ser mais discutido do que copiado, a minha opinião passou a ter mais efeito.
Na faculdade tudo mudou. O que aprendi antes foi pouco, e o pouco tem controvérsia.
Agora tenho que provar o porquê do que penso e saber quem pensou primeiro.
Estou aprendendo a olhar o determinado assunto em “vários vieses”.
educação escolarização história Historia da Educação 2007História Da Educação – Escolarização V
Filed Under Historia da Educação 2007 | Posted on Dezembro 5, 2007
Uma das atividades desenvolvidas na disciplina História da Educação é montar a história da escolarização das alunas e alunos do curso de pedagogia, Universidade Federal de Goiás – Campus de Catalão.
Abaixo disponibilizo alguns testemunhos.
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A minha escolarização
Por: Ariadne Vaz
A minha escolarização sempre foi em escolas publicas, pois desde pequena sofri muitos problemas financeiros com meus pais porque eles não tinham condições de pagar uma escola particular já que eles pensavam que era o melhor.
De primeira à quarta série estudei em uma escola que era pública, mas virou municipal, aprendi muitas coisas importantes que marcaram minha vida.
Continuei a estudar em escola publica de quinta a oitava serie. Foi a melhor fase da minha vida e a melhor fase na escola, pois o aprendizado dos professores era totalmente diferente. Eles nos ensinavam através de aulas praticas como teatro e dança; acreditavam que era mais fácil de aprender.
O primeiro colegial eu comecei em Araguari, mas tive que transferir para Catalão pois estava de mudanças. No começo foi difícil, pois há uma diferença de um Estado para o outro e também larguei muitas pessoas que eu gostava, mas consegui concluir os meus estudos.
A minha escolarização
Waldenir de Lima Jùnior
Vou começar lembrando do tempo da creche que ao contrário do que as pessoas dizem: que é apenas um local para as crianças passarem o tempo. Comigo foi um pouco diferente. Eu me lembro que foi lá que eu tive a minha iniciação a alfabetização e é lógico foi um ensino limitado e restrito. Porém, eu não posso deixar passar em branco, porque naquele lugar existem profissionais que procuram passar da melhor forma possível alguns ensinos de alfabetização.
Depois dessa primeira etapa da minha vida em seguida veio a escola pública que pelo pouco que recordo foi uma coisa horrível para mim naquele tempo. Algumas pessoas conseguem superar mais facilmente outras demoram um pouco mais e eu faço parte desse grupo de superação a longo prazo.
Isso foi tão forte como uma influência que me assusta hoje, ou seja, em certos momentos daquele tempo de pré escola eu sabia das perguntas que eram feitas mas simplesmente eu preferia ficar calado.
Essa omissão minha me proporcionou repetir aquele ano. Às vezes eu não consigo acreditar que uma coisa assim aconteceu comigo.
Agora eu posso ver um ponto muito interessante se acaso eu tivesse continuado sem aquela bendita reprovação hoje talvez eu ainda estivesse “preso” de uma certa forma àquele personagem que eu imaginava.
Depois dessa fase da minha vida veio o ensino fundamental que foi feito todo em escola publica. Eu não vou mentir dizendo que fui um aluno aplicado e estudioso na verdade foram poucas as vezes que eu consegui cumprir as minhas obrigações como aluno a risca.
Tive a oportunidade de passar por algumas recuperações e confesso foi complicado concluir o ensino fundamental, mas mesmo diante da minha falta de compromisso eu tive a sorte de ter sido acompanhado por profissionais de primeira linha, que não desistiram de mim. Esse fato proporcionou até amizades que hoje em dia eu tenho com eles, agora depois dessa fase moleque. Um pouco mais amadurecido veio o ensino médio feito também em escola publica.
Naquele tempo eu já consegui assumir as responsabilidades e levar a sério os estudos. Eu tinha aquela idéia de vestibular posto em um pedestal e que era preciso muita luta e sacrifício para conseguir.
E com essa idéia fixa eu consegui fazer o ensino fundamental quase perfeito que em seguida me preparei em cursinho pré-vestibular que era publico e que a maioria dos meus antigos professores estavam lá dando aula.
Um ponto interessante é que mesmo o curso com salas lotadas de alunos e às vezes um calor que dificultava o curso conseguiram manter uma qualidade de ensino que é mostrada até por números.
Na Cidade de Catalão esse curso tem um índice grande de alunos aprovados no vestibular e eu faço parte de desses alunos aprovados.
A HISTÓRIA DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO
Mirian Cristina Felizarda da Silva
Aos quatro anos de idade entrei numa sala de aula pela primeira vez, tudo parecia distante, fora da minha realidade. Lembro-me que ficava retraída em um canto da sala, não conversava, não brincava com criança alguma, pois sentia muita vergonha e além do mais eu era uma criança muito tímida, mal falava com a professora, essa que não tinha mais onde ser boa, dedicada, atenciosa, carinhosa, meiga e com bastante paciência para lidar com crianças parecidas ou iguais a mim. Ela era a pessoa em quem eu mais confiava tinha certeza que ela estava ali pra me estender a mão a qualquer hora que eu precisasse.
Na medida em que os anos se passavam eu crescia, passava para outras séries, tinha outros professores, alguns bons outros ruins, conquistava novas amizades, pois já estava me relacionando melhor com as crianças e com os adultos, enfim com as pessoas.
Mas, às vezes, me sentia inferior às outras crianças, notava que era diferente delas, pois não tinha a mesma cor que elas. Sou negra e esse fato me fazia sentir assim. Eu não conseguia ir para a escola sozinha, tinha que estar na companhia de uma ou duas amigas, pois assim achava que ninguém iria me notar e portanto estava livre das críticas, me sentia segura do lado delas, uma dessas amigas até brigava por minha causa.
Contudo, não era uma criança infeliz, que não aprendia, que não queria fazer amizades, pelo contrário queria provar para elas que eu também era gente.
Eu comecei a ter essa atitude em uma das séries do ensino fundamental, foi quando me dei conta de que eu era capaz, minha mente foi se abrindo cada vez mais com ajuda de ótimos professores, nessas séries havia mais negros na sala, não era como antes, notava que existia pessoas iguais a mim. Nessa fase sentia que as pessoas me respeitavam, acho que elas reconheceram meu valor.
Até que enfim passei para o ensino médio, essa sim foi até agora a melhor fase da minha vida escolar. Nessa tive a certeza que todos me respeitavam, me admiravam, gostavam de estar comigo, era diversão total e eu parecia uma boba alegre, vivia fazendo palhaçada, pois estava bastante desinibida me sentia livre para fazer tudo aquilo que tinha vontade.
Eu estudava e trabalhava. Mas um dia, eu tive que sair desse trabalho e arrumar outro. Foi aí que comecei a trabalhar na casa de uma mulher que se chamava Vânia. Mas tudo começou a ficar difícil, pois eu estudava de manhã e ela queria que eu trabalhasse também de manhã.
Foi aí que tive que fazer uma escolha: era trabalhar ou estudar, não poderia perder aquele emprego, precisava muito dele, mas por outro lado, a escola era tudo que eu conquistei, era um sonho se tornando realidade, não queria jamais parar de estudar. Então decidi estudar a noite para não perder o emprego, e essa minha decisão deu certo, foi assim até eu me formar e prestar um vestibular e entrar na faculdade onde atualmente estou.
A HISTÓRIA DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO
Sabrina Vieira da Cunha
Desde o início de minha formação escolar, sempre estudei em escola pública, onde os professores utilizavam como material de trabalho livros didáticos e cartilhas no qual seguiam a mesma “a risca”. Era usado também o método conhecido como “decoreba”, onde o ensino aplicado era repetitivo e tradicional, na maioria das vezes os professores passavam atividades xerocadas nos qual só nos dava a opção de pintar ou completar os exercícios. Não tínhamos material disponível para outras atividades.
Os professores passavam atividades para serem feitos em casa como colagem de figuras relacionadas com temas dado dentro da sala de aula. A leitura e interpretação de texto eram pouco desenvolvidos no ensino fundamental.
No decorrer dos anos pouca coisa mudou, pois os professores continuaram presos a livros e regras que sempre seguiam. A escola era muito conservadora no seu ensino. Lembro que todos os anos, na época das datas comemorativas, fazíamos as famosas lembrancinhas em homenagem aos aniversariantes, com os dias dos Pais e das Mães, no qual usavam colagem e moldes prontos e também cartas de agradecimento. Eram estas atividades que ocupavam a maioria do nosso tempo.
Sempre fui uma aluna com muita dificuldade em interpretação e em escrita, pelo fato de quase não ler. Quando entrei no ensino médio houve grandes mudanças, pois mudou todo: professores novos e ensino também novo, no qual tive que acelerar para conseguir acompanhar o ritmo. Eu sei que está deficiência não foi só da instituição de ensino onde estudei anteriormente, mas também culpa minha que não me preocupei em buscar novos conhecimentos que pudessem me desenvolver .
Quando terminei o ensino médio não prestei vestibular só depois de dois anos é que fui entrar na faculdade. Concluo que meu ensino foi bom mesmo sendo em escolas públicas que são sempre consideradas como ensino precário, pois ela me deu uma estrutura razoável para que eu estivesse dentro de uma universidade. Mas acredito que poderia ter sido bem melhor se não tivesse tantos obstáculos que nos afastam a cada dia mais da educação.
A HISTÓRIA DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO
Giovana Silva
Eu comecei na escola quando tinha 6 anos. Fazia o pré-escolar como era chamado na época, que hoje é chamado de jardim I e jardim II, Aprendi várias coisas: as letras do alfabeto, contar de 1 a 20, a desenhar usando a imaginação, as noções de higiene pessoal.
Eu me lembro de uma vez que fiquei o recreio inteiro dentro da sala de aula porquê não estava dando conta de fazer o número 2 e a professora também não me deixava sair. Nas datas comemorativas, lembro me que quando era o dia do índio os professores vestiam a gente de índia. No dia de Tiradentes ganhamos uma folha com seu rosto para pintar e os professores nos contou o porquê de sua morte.
No final do ano tive a minha 1º formatura, que ganhei um lindo brinco da minha madrinha de turma.
Quando passei para a primeira série foi tudo de bom. Dai por diante correu tudo bem até chegar quinta série que foi quando mudei de colégio. Durante o ensino fundamental não ocorreu nada de tão importante. Quando comecei no 1º ano do 2ºgrau, as coisas foram mudando: o conhecimento, a forma de pensar, até que cheguei no 3º ano quando tive minha 2º formatura.
Prestei vestibular 3 vezes e consegui passar na 3º vez. Hoje estou na universidade tentando melhorar meus conhecimentos, minha forma de pensar e lutando para ter minha 3º formatura, formatura na universidade.
educação escolarização história Historia da Educação 2007











