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Corpo, Gênero E Cinema

Filed Under Cinema | Posted on Julho 3, 2009


Corpo, Gênero E Cinema

 

 

a-ultima-danca.jpgO Projeto “Vamos ao Cinema” (UFG-Catalão) apresentou ontem, dia 02 de julho, o filme A última Dança*, coordenado pela professora Dra. Andréia Cristina Peixoto Ferreira e pela sua aluna, Andréia Felipe. A exibição, segundo as coordenadoras, fazia parte de um projeto de pesquisa intitulado: “Dança, Gênero e Experiências Estéticas na Linguagem Contemporânea”. Ao público, foi distribuído um questionário (abaixo), solicitando e indicando que as respostas iriam compor o quadro de dados coletados para a pesquisa referida acima.

 

Questionário:

 

Comente o roteiro do filme “A Última Dança”, buscando mostrar suas impressões sobre esse enredo, especialmente, no que se refere aos seguintes aspectos:

a)     Como os homens e as mulheres expressam suas atitudes e emoções ao se movimentarem nas coreografias de dança moderna/contemporânea expostas no filme?

b)     Há diferenças de posturas e posicionamentos entre os homens e as mulheres que dançam?

c)     Como você percebe a dança entre homens (dançando juntos) e entre mulheres (dançando juntas) neste filme?

d)     O enredo do filme ajuda a refletir sobre padrões, estereótipos, preconceitos, tabus em torno do corpo masculino e feminino que dança?

 

O meu objetivo aqui é dar a minha colaboração e disponibilizar a outros leitores do Blog, que já viram o filme, a oportunidade de estarem também respondendo a estas questões, nos comentários abaixo.

 

De maneira geral, eu penso que o que o filme ganha em termos de dança, se sobrepõe ao que tem de fraco, em termos de representação cênica. O roteiro busca contar uma história amorosa que é representada na arte de dançar. O movimento tanto de homens quanto de mulheres, dançando, são vistosos, agradáveis e emocionantes.

 

O fato de geralmente o balé ser visto, pelo senso comum, como uma arte onde se tem a presença maciça de Gays, não é muito explorado no filme. Ao contrário, o filme foca na realidade amorosa entre um bailarino e uma bailarina e como seus sentimentos evoluem, se modificam e são expressos nos seus movimentos, tanto no palco, quanto na rua.

 

Esta questão da delicadeza do movimento, do levantar os braços, as pernas, as mãos, estarem associadas a uma postura afeminada, o que estaria, portanto, longe de posturas robustas, do macho, mexe, realmente, com o imaginário masculino social. Afinal, homem, para ser um bailarino tem que ser um Gay? Eu penso que não. E não vejo nenhum problema também dele ser um Gay. O que realmente conta é como ele/ela expõe seus sentimentos na arte da dança. E isto esta questão é tocada no filme, ou seja, dançar está associado à produção de significados. E esta produção passa necessariamente pelo campo dos sentimentos, de como queima a paixão de quem dança pela representação que produz.

 

Indago também da relação entre o(a) professor(a) e o(a) bailarino(a). No caso do Ensino Fundamental, e talvez da Educação Escolar em geral, a grande presença feminina é um dado importante a se considerar. Ministrar uma aula poderia ser comparado a bailar? Creio que sim. A expressão corporal, os movimentos, a fala pausada, ou não, do(a) professor(a) em sala de aula pode ser indicado como um balé. Um balé do conhecimento, onde é ímpar a importância de quem está dançando (dando aula). E gênero masculino/feminino é um fator a se considerar na produção desta cultura escolar.

 

Agradeço o convite a assistir ao filme e espero ter colaborado!

 

* Veja aqui Sinopse do Filme

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