O Que Aprendemos Com A Multidão?
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Novembro 13, 2009
O Que Aprendemos Com A Multidão?
Duas imagens ocuparam-me a atenção, agora pela manhã. Na verdade, uma saiu ou consegui localizar no Google por conta do encontro que tive com a primeira. Vamos a elas.
Esta imagem que chamei de multidão1, apareceu-me primeiro quando estava lendo um livro (Norbert Elias – A sociedade dos indivíduos). O autor indagava da identidade das pessoas que vemos na multidão. À primeira vista, essa multidão ou qualquer outra parece um todo mais ou menos organizado, por colocarem pessoas, umas ao lado de outras. Mas, é também hábito do nosso pensamento, imaginar o todo como um conjunto desorganizado, ou mesmo, de forma mais exagerada, um possível caos.
Quem são as pessoas que vemos? Alguém é marceneiro, pedreiro, taxista, médico, lixeiro, professor, engenheiro…? Vive no Brasil, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Colômbia, Uganda…?
Esta outra imagem, que chamei de multidão2, parece um contra-senso. Por que multidão se ao fundo vemos uma pessoa, velha, sentada sozinha em um banco, numa praia isolada? Não se desespere leitor, eu capturei esta imagem de propósito. Primeiramente, para ter uma visão da contradição com a imagem da multidão1. Em segundo lugar, eu estava, no momento, pensando na idéia da multidão em nós, ou seja, como carregamos sobre o ombro multidões de pessoas que nós conhecemos, nos relacionamos, ao longo da vida. Propositalmente, portanto, eu quis criar um efeito de contraste, para ver como isso poderia provocar meu próprio pensamento. Um exercício do pensar por imagens, apenas.
Pois bem, voltemos ao foco. O que aprendemos com a multidão? Difícil tanto de responder quanto de encontrar resposta homogênea e hegemônica.
Eu prefiro arriscar uma interpretação e não uma resposta. No campo político, o discurso da governabilidade traz a multidão, traduzida também como povo, como agentes políticos. Agentes que podem estar tanto a favor quanto contrários ao movimento político. Mas que em geral é objeto de ações políticas, ou o beneficiário maior dessas ações.
No caso dos movimentos sociais, tão apagados no dias de hoje, o povo apresentam-se como um conjunto de gente reivindicante, em busca de um propósito, direitos a conquistar.
Quem é o velho sentado sozinho, no banco da praia isolada? Essa imagem contrastante provoca desconforto às concepções que tomam o indivíduo como “postes sólidos”, ou a sociedade como anterior e independente dos indivíduos. Indagar sobre a identidade do indivíduo sentado sozinho seria tão diferente de indagarmos sobre os indivíduos na multidão?
Eu penso que não. E minha intuição diz que é ai que está um mote para trazermos esses pensamentos para a educação. Em suma, quanto de postes sólidos nós estamos projetando nos aprendentes quando pensamos em formação? Existe educação sem ou anterior aos indivíduos que se educam?
A Visão Da Minha Janela
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Novembro 11, 2009
A Visão Da Minha Janela
Hoje, logo depois que acordei e tomei meu banho e meu santo cafezinho, fui para o meu escritório fazer o que sempre faço pela manhã: ler. O dia amanheceu chovendo. Da minha escrivaninha vejo uma paisagem acinzentada, carregada de um telhado, cerca elétrica e uma antena parabólica da casa vizinha, a rua do outro lado, cercada de muros, uma mangueira e mais ao fundo, outros telhados misturados com eucaliptos que estão de frente à rodovia federal 050.
Misturado à chuva, veio uma invasão de aleluias, essas formas aladas, seja macho ou fêmea, dadas ao cupim, quando, na primavera, vão formar novas colônias. Ao experimentar fotografar a visão da minha janela, percebo que a foto não revela as aleluias e nem o mesmo ponto que tenho da minha vista.
Isto me fez pensar sobre a formação de professores. Cada professor que ensina é, em potencial, um professor que aprende. Somos diferentes no que ensinamos e na maneira que o fazemos.
Porém, é comum ouvirmos alunos reclamando que certos professores não ensinam como outros. Ora, isto é falar do óbvio, dentro dessa perspectiva. Não tenho como ensinar/aprender da mesma forma que o colega. Assim como que os alunos não aprendem também da mesma forma. Aprender então é algo pessoal?
Numa certa medida podemos dizer que sim. Podemos ver da mesma janela a mesma paisagem. Entretanto, pode haver significados diferentes. Por exemplo, eu quero aprender a fotografar com meu novo celular. Tenho ai uma multiplicidade de elementos a dominar: a máquina, a tecnologia, a luz, a relação com o objeto e o significado disso na minha vida cotidiana.
Lembro que na minha adolescência eu era muito curioso em saber como os meus professores estudavam. Isto porque eu era um aluno estudioso, para não dizer um aluno “Caxias”. Eu imaginava que se descobrisse como o meu professor estudava, se de dia, de noite, sentado, deitado, se tomava algo especial para não cochilar, etc. […], eu poderia fazer o mesmo e conseguir alcançar os conhecimentos que ele dominava. Grande ilusão juvenil, não é mesmo?
O aprendizado é uma batalha que lutamos toda uma vida. Quem desiste dela não deixa de viver, apenas não aprende.
O vôo de dispersão das aleluias tem um propósito: encontrar um local onde possam se reproduzir, formando outro ninho de cupins. Esses reprodutores alados vivem em função de um ideal: fazer sobreviver a espécie. Ora, a visão matutina da chuva fina misturada a enxamagem de aleluias fez revoar minhas idéias sobre nosso propósito no ensino superior em estar atuando na formação de futuros profissionais. Nada de conclusões científicas, apenas pensamentos em busca de reprodução.
Voltarei a falar mais disso depois…
Colóquio Educação E Formação De Professores
Filed Under Eventos | Posted on Novembro 3, 2009
Colóquio Educação E Formação De Professores
Será realizado, no próximo dia 06 de novembro, o segundo momento do I Colóquio NEPEDUCA – Núcleo de Estudos e Pesquisa em Educação de Catalão, do Curso de Pedagogia, da Universidade Federal de Goiás – Campus Catalão.
O tema será “Educação e Formação de Professores”. Teremos a presença da Professora Olga Rosa Cabrera Garcia.
Maiores informações ligue: 64-3441-5308
Aberto ao público e as inscrição serão feitas no local, com emissão de certificado.
REALIZAÇÃO: NEPEDUCA – UFG/CAC
Balanço Da Disciplina Memória e Formação Docente
Filed Under Memória e Educação | Posted on Junho 18, 2009
Balanço Da Disciplina Memória e Formação Docente
A aula de ontem, da disciplina de Núcleo Livre, “Memória e formação docente: o uso de (auto) biografias na formação do professor” foi organizada para a apresentação do resultado das pesquisas, que aluno e alunas fizeram sobre a história do curso de Pedagogia em Catalão, a partir de história de vida de ex-alunas. Este foi um projeto proposto como atividade disciplinar, tendo em vista atingir algumas metas:
• Aprender a utilizar a entrevista como estratégia de pesquisa
• Aprender a utilizar a história de vida e estudos (auto)biográficos, como investigação e formação de histórias educacionais
• Proporcionar ao(à) aluno(a) o exercício da reflexão sobre sua própria formação profissional, tendo como referência a história de formação de ex-alunas do Curso.
Desde Março, início do semestre letivo, nós temos lido textos sobre vida de professores. E, em duplas, sugeri à turma entrevistarem ex-alunos(as) do Curso de Pedagogia. Em sala de aula, combinamos o seguinte roteiro:
• Diga o nome completo onde e quando nasceu.
• Como foi sua infância?
• Como foram suas primeiras experiências na escola?
• Como foi o momento da sua vida quando fez o vestibular?
• Quais foram seus primeiros professores de graduação? Quais foram as primeiras disciplinas?Quais foram seus sentimentos no primeiro contato com o curso?
• Quais foram suas dificuldades encontradas no curso?
• O quê o curso de pedagogia mudou em sua vida? O que você mudaria nesse curso?
• Como era o rigor das provas? Você colava? Os professores eram chatos? O que era ser chato? Quem mais te intimidava? O que é intimidar?
• Como foi o momento da sua vida na formatura?
• Você exerce a profissão de professora? Você ingressou no mercado de trabalho antes ou depois na formatura?
O resultado (transcrição da entrevista, fita e/ou CD da gravação e da transcrição e 1 cópia impressa) foi entregue e apresentado aos colegas.
Um ponto a destacar: na maioria das apresentações as alunas salientaram o quanto as entrevistas as fizeram pensar na sua própria formação. Ou seja, ao entrevistarem uma ex-aluna do curso, elas se viram e se reconheceram de forma mais intensiva no processo histórico de constituição do curso de Pedagogia enquanto alunas do próprio curso.
Elas declararam também, do ponto de vista técnico, o quanto foi difícil fazer a entrevista. Ansiedade, nervosismo, dificuldade em agendar com as entrevistadas, dificuldade em lidar com o gravador, enfim, procedimentos naturais e necessários ao aprendizado.
Está agendado para o dia 01 de julho um encontro da turma com as ex-alunas entrevistadas, com o objetivo de apresentar o resultado da reflexão que fizeram e dar continuidade ao debate, que, certamente, não tem um fim previsto.
Abaixo, algumas fotos da aula desta última quarta-feira.
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Filed Under Eventos | Posted on Maio 27, 2009
A Memória E A Formação De Professores
No último dia 25 de maio foi realizado o I Colóquio do Nepeduca, uma realização do NEPEDUCA – Núcleo de estudos e pesquisa em Educação de Catalão, e do CIEEd - Centro de Investigação e Estudos em Educação.
O evento, que teve a presença da Professora Dra. Denice Catani, da Faculdade de Educação – USP, proporcionou uma discussão sobre o uso de memórias, histórias de vida na formação inicial do professor, bem como na formação continuada do mesmo.
O ponto de partida destacado da professora Catani, coloca sob suspeita os porquês chegamos onde chegamos. No caso da professora, ela fez, simultaneamente, um relado da sua experiência de vida, em como começou suas reflexões sobre memória e educação e como estas reflexões passaram a se relacionar com outras, de autores tanto estrangeiros quanto nacionais. Destaca a professora um estranhamento: como ou porque o professor não reflete, ou o faz minimamente, sobre a sua própria história?
Esteve em pauta questões como os saberes, disciplinas, organização necessária à formação dos docentes.
Chamou-se a atenção a ênfase na utilização das memórias para a (re)invenção, tanto do sujeito, quanto da própria Escola. Denice Catani destacou que esta pode ser uma estratégia para provocar mudanças nas práticas e saberes escolares, ou seja, a implementação da perspectiva da invenção no interior da escola e na vida dos professores. Esta é uma dimensão que pode refundar a Escola, tomando-se como foco a possibilidade do professor distanciar-se de pedagogias que oferecem um receituário de trabalho e buscar inventar novas práticas, explorando, inclusive, mais a criatividade dos próprios alunos.
É claro que não dá, aqui, para expor tudo que foi falado e discutido no evento. Talvez os leitores, que participaram, pudessem complementar, falando sobre o que aprenderam.
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