I Colóquio NEPEDUCA – Segunda Parte
Filed Under Eventos | Posted on Novembro 9, 2009
I Colóquio NEPEDUCA – Segunda Parte
No último dia 06 de novembro, tivemos a visita da Professora Dra. Olga Rosa Cabrera Garcia, compondo a segunda parte do I Colóquio do NEPEDUCA – Núcleo de Estudos e Pesquisa em Educação de Catalão – Educação e Formação Docente.
No período da tarde, tivemos uma conversa com a professora Olga, onde ela narrou sua história de vida, especialmente suas experiências de pesquisa. Nascida em Cuba, ela nos contou da influência da irmã na definição da carreira de professora, sua participação militante no processo revolucionário cubano e como foi se desiludindo de todo o processo.
No período da noite, no SENAI-Catalão, a Professora Olga fez uma exposição sobre a Educação no México e Colômbia, lugares de suas atuais pesquisas.
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Filed Under Eventos | Posted on Novembro 3, 2009
Colóquio Educação E Formação De Professores
Será realizado, no próximo dia 06 de novembro, o segundo momento do I Colóquio NEPEDUCA – Núcleo de Estudos e Pesquisa em Educação de Catalão, do Curso de Pedagogia, da Universidade Federal de Goiás – Campus Catalão.
O tema será “Educação e Formação de Professores”. Teremos a presença da Professora Olga Rosa Cabrera Garcia.
Maiores informações ligue: 64-3441-5308
Aberto ao público e as inscrição serão feitas no local, com emissão de certificado.
REALIZAÇÃO: NEPEDUCA – UFG/CAC
IV CIPA
Filed Under Eventos | Posted on Outubro 28, 2009
IV CIPA
Foi lançado o site do IV CIPA – IV Congresso Internacional de Pesquisa (Auto)Biográfica. O evento será realizado na USP – Universidade de São Paulo, de 26 a 29 de julho de 2010.
Mais informações Aqui.
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Professor Braz É Homenageado Na UFG
Filed Under Eventos | Posted on Outubro 19, 2009
Professor Braz É Homenageado Na UFG
No último dia 07 de outubro, o ex-prefeito de Catalão, Sr. Haley Margon Vaz e o professor Braz José Coelho foram homenageados pela Reitoria da UFG. O Sr. Haley recebeu o título de Mérito universitário e o Braz, como é conhecido, o de Professor Emérito.
Recentemente, entrevistei o professor Braz visando colher sua história de vida, ou melhor, sua biografia educacional, trilhando, no passado do professor, seus caminhos formativos. E me lembro de uma pergunta que fiz a ele: Braz, quem é Braz José Coelho? Braz olhou-me atentamente e respondeu:
“Filho do Glicério Coelho mais a Maria Vaz Coelho, irmão de mais 9 pessoas, não é. Na verdade […], eu nunca me fiz esta pergunta não”
E nesse ímpeto, logo após um pequeno intervalo, recheado de silêncio, nós continuamos a conversa. Foram cerca de 3 horas de gravação, o que rendeu um artigo intitulado “A memória desenhada: identidades de um intelectual no interior de Goiás”, que se encontra no prelo.
Conheci o professor Braz em 1989, quando vim trabalhar na cidade de Catalão. No primeiro ano, quando eu fazia o mestrado
Arrisco a dizer que o Braz, professor e escritor, com seus lances poéticos, suas parábolas curtas e certeiras, não apenas deixa uma marca na história dessa Instituição. Ele reservou uma grande fatia do seu coração, dos seus sentimentos à construção desse espaço hoje conhecido como Campus Catalão, da Universidade Federal de Goiás. Isto, certamente, já seria suficiente ao título conquistado. Mas o mérito é bem maior, sem dúvida alguma.
Como preparativo para o dia da homenagem, o Sr. Fernando Cândido* escreveu um texto que a professora Sirlene, esposa do Braz, me repassou gentilmente e que eu publico logo abaixo.
A morada do escritor
Sempre tive a curiosidade: como será que ele trabalha? Como pode o escritor se isolar num espaço e a partir dele imaginar e criar outros espaços? Seria uma espécie de refúgio a um mundo paralelo?
Inspirado no livro “O lugar do escritor, de Eder Chiodetto”, penetrei na caverna de letras de um de nossos maiores intelectuais, o professor e escritor Braz José Coelho, para retratá-lo em seu habitat natural. Envolto a grandes prateleiras, com milhares de livros, obras raras da literatura universal e do ensino da língua portuguesa.
Há uma conexão tão íntima entre o escritor e o espaço, que a impressão é de que um é a extensão do outro, caminhando paralelamente e se completando no final de mais uma obra publicada. Os livros parecem lhe falar de coisas outras irreais, ainda que verdadeiras. Abstraindo-o, completando-o e absorvendo-o, como se ele, o escritor, tivesse escapado de uma das páginas, caindo lentamente do alto da estante, para se fazer assim, humano, meio ficção, meio realização.
Catalão – GO, setembro de 2009.
* Fernando Cândido – Fotógrafo – Formado em Administração de Empresas com especialização
Meu Primeiro e Sábio Mestre
Filed Under Eventos | Posted on Outubro 16, 2009
Meu Primeiro e Sábio Mestre
Por Aparecida Maria Almeida Barros[1]
Uma pausa rápida para pensar sobre o assunto do dia: ser professor, estar professor…
Provocada pelas considerações feitas pelo prof. Wolney, sobre o ser e estar professor, eu viajei no tempo e parei nas memórias de infância. De fato, sou professora por vocação e quem me inspirou foi meu avô, um grande e sábio mestre que nunca chegou a pisar no chão de uma escola formal. Era analfabeto. Calculava de “cabeça”. Desenhava o nome porque alguém o treinou para que pudesse tirar o seu título de eleitor. Aliás, isso era um orgulho que ele mostrava aos netos, uma carteirinha amarela, dentro dela seus dados pessoais cadastrados como eleitor: Joaquim José de Almeida - por todos conhecido e carinhosamente chamado de “Seu Quincas”. Para nós, os netos, era o “Vovô Quinca”.
A todos tinha uma palavra de acolhida e atenção. Desde quando me recordo, “Vovô Quinca” era genial ao contar histórias e causos, tinha uma habilidade incrível para reunir a meninada à noite, em volta do fogão de lenha, para contar os seus causos, que ele jurava “tinham acontecidos, de verdade”. A propósito, ele seguia um verdadeiro ritual antes de iniciar suas histórias: arrumava um banquinho de madeira (entalhado pelas suas próprias mãos), no qual se sentava e se colocava ao nível de seus ouvintes. Colocava um lado um “jacá” com o milho que serviria de comida para as galinhas na manhã seguinte; noutro lado depositava uma cuia (feita de cabaça ou coité) com pequenas espigas de milho de pipoca – para o café da manhã. Tudo isto era pacientemente debulhado com a ajuda da criançada, enquanto o Vô Quincas contava suas longas e deliciosas histórias.
Uma noite na casa do Vovô Quincas era única e inesquecível. Viajávamos em suas narrativas, éramos tomados pelo medo que elas nos despertavam, ao ponto de, naquela noite, ninguém se aventurar no escuro, fosse qual fosse a urgência ou a necessidade. Era generoso nas palavras e habilidoso ao construir uma narrativa, capaz de prender a atenção de todos até o último instante, até que o fato tivesse um desfecho. Seus gestos, sua entonação de voz, enfim, pela sua boca e interpretação, as lendas, causos, histórias adquiriam vida e originalidade.
Mais tarde, durante o meu processo formativo, ao mergulhar nos fundamentos e teorias da literatura, contaminada pelas lembranças imaginava que tudo aquilo tinha sido inventado pelo meu avô, que a teoria literária estrangeira não sabia, mas os contos, lendas e fábulas eram criações do “Seu Quincas”… tantas eram as semelhanças e coincidências.
Sobre sua descendência, dizia num misto de mistério e realidade, que tinha sangue índio, pois uma avó sua tinha sido “pega no laço, que em certas épocas, a natureza chamava e ela sumia por vários dias, embrenhava no mato…”. Era um pequeno agricultor que produzia e cultivava a terra com o esforço dos seus braços e ferramentas rústicas, quase primitivas. Morreu sem jamais possuir um pedaço de terra que lhe pertencesse.
Nas situações cotidianas, era uma beleza acompanhar Vovô Quincas em suas andanças pelo quintal, em meio aos abacates, jabuticabas, laranjas e mexericas; outras vezes as excursões ocorriam pela imensa lavoura de arroz, entremeadas por pés de abóboras, pepinos e melancias. Tudo era embalado pelas explicações por ele dadas sobre este ou aquele detalhe da plantação. Cuidava de tudo com a mesma generosidade com que acolhia os netos. Tudo limpinho e bem cuidado, um gosto de se ver, um deleite saborear tantas frutas. Ah, neste aspecto, Vô Quincas tinha uma exigência da qual não abria mão: era preciso respeitar o momento certo da maturação das frutas para que fossem colhidas e saboreadas a seu tempo.
Tudo isto me fez ver mais tarde, que o meu primeiro mestre e grande inspirador na escolha profissional foi este sábio velho, sua maneira de ser e de se relacionar com o mundo foi uma fonte de inspiração para tornar-me professora. Vovô Quincas era um sábio e culto homem sem nunca ter vivido a experiência da escolarização. Sua forma de acolher, corrigir e educar era extraordinária! Sob sua instrução as crianças eram capazes de obedecer e realizar as tarefas por ele determinadas, sem que para isso fosse utilizada a força ou algum castigo. Conseguia ser firme e rigoroso, sem ser estúpido; era disciplinado e metódico sem nunca ter conhecido um tratado pedagógico.
Seja ao contar seus causos, ao entalhar os banquinhos de madeira, ao carpir o quintal ou debulhar o milho, seguia seus rituais de forma paciente, dividindo sua atenção com quem estivesse por perto, quase sempre partilhando de sua rica experiência de vida. A todos tinha uma palavra de encorajamento, jamais de pessimismo.
Óbvio dizer que outros tantos mestres conduziram-me na preparação para tornar-me professora, ao longo dos anos e me inspiram sempre, mas, reconheço que minhas raízes tiveram início na sabedoria e genialidade do Vovô Quincas – um educador por excelência!
[1] Neta do Seu Quincas, o avô mais lindo e genial que já existiu no Cerrado Goiano!!
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