Formação de Professor|Cultura Educacional |Educação E Blog

No princípio, este Blog seria sobre História, Educação, Arte, Ciência e Tecnlogia. Agora é qualquer coisa que a cabeça pensa, o coração sente e os dedos teclam na redondeza e que possa contribuir para a formação do professor no Brasil.

Cegueira

Filed Under Estudantes | Posted on Julho 3, 2008

Cegueira


Aline Cordeiro*

alinne-5.jpg


São consideradas cegas não somente as pessoas que vivem na escuridão total, mas também aquelas que têm problemas visuais graves, mesmo que elas tenham alguns resquícios de visão que possam ser aproveitados no seu desenvolvimento e aprendizagem, são consideradas legalmente cegas.

 

Segundo (Esperanza Ochaíta e Mª Ángeles Espinosa, 2004) na Espanha são considerados cegos aqueles que possuem menos de um décimo de visão. Neste sentido, a perda total ou parcial no sistema visual faz com que as crianças com deficiência visual tenham que utilizar outros órgãos de sentidos sensoriais, como por exemplo, o tato e a audição que são os mais utilizados para manter contato com outras pessoas.

 

Através do tato as crianças cegas têm oportunidade de conhecer o mundo a sua volta, não é por acaso que é considerado um dos mais importantes, pois ele permite o contato direto com o objeto. Mas este processo de aprendizagem é muito lento em relação às crianças videntes, pois o aprendizado se dá de forma seqüencial, ou seja, o objeto é explorado pela criança parte por parte até que ela consiga internalizar a imagem total do mesmo.

 

A audição também é importante porque é utilizada para a comunicação verbal e ajuda as crianças não videntes a localizar pessoas e objetos no espaço. O olfato é utilizado para reconhecer pessoas e ambientes onde se encontram proporcionando a orientação e mobilidade das mesmas. Os cegos não possuem maior sensibilidade tátil ou olfativa com relação às pessoas ditas “normais”. A diferença é que na ausência da visão eles aprendem a utilizá-los melhor que as pessoas videntes.

 

Existem três tipos de diferenças entre as crianças consideradas deficientes visuais: o momento da aparição dos problemas visuais, a forma de aparição e o grau de perda de visão. Isto pode acontecer ao nascimento, logo depois de nascer ou de modo gradual. O grau de visão funcional é importante para possibilitar a utilização de caminhos alternativos para o seu desenvolvimento educacional.

 

O desenvolvimento dessas crianças também vai depender do contexto social em que ela está inserida, como por exemplo, o ambiente escolar, familiar e cultural, explicando assim as diferenças na relação: ensino - aprendizagem.

 

De acordo com (Espinosa e Ochaíta, 2004) a avaliação do grau de deficiência visual é muito importante e deve ser feita em dois níveis diferentes. É preciso ser realizado um bom exame oftalmológico e também uma avaliação do grau de resquícios visuais, onde um irá complementar o outro.

 

O exame oftalmológico deve incluir dados para orientar a avaliação e determinar o tratamento adequado.

 

A avaliação funcional tem o objetivo de considerar os resquícios visuais para uma possível utilização em diferentes situações e tarefas como, por exemplo, testar a reação do sujeito diante da presença de uma luz, para saber se ele é capaz de acompanhar um determinado objeto com o olhar.

 

Com relação à primeira infância as autoras destacam que os bebês cegos, desde os primeiros anos de vida sabem reconhecer a voz da mãe e demonstram isto girando o corpo em direção ao som, os bebês cegos também apresentam o mesmo gesto inato que as crianças ditas “normais” de relaxamento do rosto que é interpretado pelo adulto como sorriso.

 

A forma de vinculo e apego se dá a partir do segundo mês, os bebês não videntes começam a tocar os rostos das pessoas mais próximas deles, usando uma forma não visual de identificação do outro.

 

O desenvolvimento dos esquemas sensório – motores acontecem a partir do 5º ou 6º mês, onde os bebês deixam de ter um interesse prioritário pelas pessoas a sua volta e começam a se interessar por objetos físicos. Que depende das pessoas que estão com ele porque a única forma dele saber que o objeto existe é quando o objeto estiver em contato com a sua mão.

 

No período pré – escolar as autoras destacam que as crianças cegas encontram inúmeras dificuldades para utilizar vias não – visuais de apoio à comunicação verbal, isto faz com que elas necessitem que os adultos saibam interpretar as vias alternativas de comunicação da qual elas tem acesso.

 

Através do jogo simbólico as crianças cegas recorrem às imitações dos adultos para desenvolver jogos de ficção como, por exemplo, troca de papéis. É importante destacar que o brinquedo preferido das crianças cegas é o telefone por ser um instrumento que pode ser tocado e ouvido.

 

A etapa escolar é um período de desenvolvimento intelectual e as crianças não – videntes neste caso não apresentam problemas sérios, apesar de ter características particulares diferenciadas das crianças ditas “normais”. Sobre a integração social dessas crianças é necessário que as escolas complementem as aulas como, por exemplo, a utilização de professores de apoio, que possuem o papel de explicar individualmente o conteúdo dependendo da necessidade de cada aluno. 

 

A adolescência é um período de difícil adaptação para meninos e meninas com deficiência visual grave, por ser uma etapa de transformações físicas e de personalidade, as relações sociais se tornam comprometidas e em alguns casos podem ocorrer problemas de integração com os grupos de amigos videntes.

 

O acesso à língua escrita é feita através do Braille (sistema de leitura tátil para pessoas cegas) que foi inventado pelo Francês Louis Braille que, em 1829, publicou o seu método, sendo composto por seis pontos em duas colunas em relevo, onde a partir deles é possível fazer 63 combinações que podem representar letras simples e acentuadas, letras de musicas…

 

braile1.JPG

 

braile2.JPG

 

 

 O alfabeto Braille

braile3.JPG

 

Na escrita pode ser utilizado um aparelho manual chamado de reglete que na placa superior funciona com uma régua e possui retângulos vazados correspondentes a cela Braille. O punção é uma ferramenta que contém uma pequena haste de metal com a ponta arredondada e com punho anatômico para encaixar na mão.

No reglete a escrita Braille é feita da direita para esquerda, na seqüência de letras e símbolos. A leitura é feita normalmente da esquerda para a direita, apalpando os relevos feitos pelo punção com a ponta do dedo indicador.

 

Veja o reglete e a punção:

 

braile5.JPGbraile4.JPG

 

 

Existe também a máquina de escrever manual a Perkins que apesar de ser tradicional ajuda bastante a escrever em Braille.

 

braile6.JPG

 

Com a modernidade já e utilizado máquinas e impressoras que facilitam um pouco a vida das pessoas cegas ou com deficiência visual que enfrentam muito preconceito por parte das pessoas que desconhecem sua necessidade especial ou não se importam em ajudá–las.

A sociedade precisa se dar conta que independente da dificuldade ou deficiência somos todos iguais no que diz respeito ao aspecto humano e que cada um é diferente entre si e pode sim contribuir para transformação da sociedade, somos todos iguais e capazes de alcançarmos nossos objetivos, para isto basta apenas perseverança e força de vontade.

 

Dados Bibliográficos:

 

OCHAÍTA, Esperanza; ESPINOSA, Maria A. Desenvolvimento e intervenção educativa nas crianças cegas. In: COLL César;

 

MARCHESI Álvaro; PALACIOS Jesús & Colaboradores (Orgs.) Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. V.3, Edição. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004.

 

As figuras foram retiradas do site: http://www.padrechico.org.br/Leitura_e_Escrit_Braille.htm

 

 

 

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

6 Comentários

A Escola Inclusiva E A Diversidade

Filed Under Estudantes | Posted on Julho 2, 2008

A Escola Inclusiva E A Diversidade


Cirlandia Rouseline Almeida Costa*

cirlandia.jpg


Embora não seja a Escola o único lugar onde acontece a educação, na sociedade atual a educação Escolar crescentemente se faz indispensável para a cidadania autônoma e competente. Constitui-se a Escola em espaço especialmente organizado para que se dê a construção de valores, conhecimentos e habilidades necessárias ao pleno, consciente e responsável exercício da democracia.

 

Estrutura-se a Escola através dos sujeitos que dela fazem parte e das relações que estabelecem entre si e com o meio. Nestas relações aparece a singularidade de cada sujeito, a sua cultura, o seu ponto de vista, a sua leitura de mundo, que comunicados aos outros, contribuem para a construção de conhecimentos reelaborados.

 

Na qualidade de espaço instituído pela esfera política e mediatizado pelo Estado, pela família e a sociedade, a Escola por integrar um amplo e complexo sistema social que não é neutro, pois se compõem de grupos diversos e por vezes divergentes, sofre intervenção dessas esferas, não sendo também ela uma instituição neutra, isolada, uma vez que representa os interesses da sociedade como construção histórica.

 

A Escola é a instituição responsável pela passagem da vida particular e familiar para o domínio público, tendo assim função social reguladora e formativa para os alunos.

 

A Escola é a instituição por intermédio da qual a criança se introduz no mundo público, e daí o papel do Estado em relação a todas elas. À família cabe o dever de garantir à criança o que é típico do domínio privado do lar, e ao Estado cabe garantir o direito indispensável da criança à educação Escolar, pois é ela que faz a transição entre essas duas vidas. (MANTOAN).

 

Acima de tudo, a Escola tem a tarefa de ensinar os alunos a compartilhar o saber, os sentidos diferentes das coisas, as emoções, a discutir, a trocar pontos de vista. É na Escola que desenvolvemos o espírito crítico, a observação e o reconhecimento do outro em todas as suas dimensões.

 

Entretanto, ao analisar a realidade das nossas Escolas, percebo que a mesmas estão preparadas para receber um aluno idealizado. Tem um projeto educacional elitista, meritocrático e homogeneizado, o que faz com que ela venha produzindo situações de exclusão que, injustamente, prejudicam a trajetória educacional de muitos estudantes, pois certamente um aluno diferenciado, ao ingressar nessa estrutura, será excluído, parecendo esse movimento ser próprio à estrutura e ao funcionamento da Escola. Esta privilegia determinados conhecimentos e comportamentos, negando a diversidade, e esforçando-se para codificar a produção social a partir de certos valores. Parece que a Escola e sua comunidade não estão preparadas para acolher um aluno mais diferenciado, podendo acontecer de, no ensino regular, a inclusão, por força de lei, pode ser mais desastrosa do que se possa prever.

 

Os sistemas Escolares também montados a partir de um pensamento que recorta a realidade, que permite dividir os alunos em normais e deficientes, as modalidades de ensino em regular e especial, os professores em especialistas nesta e naquela manifestação das diferenças.  A lógica dessa organização é marcada por uma visão determinista e formalista, própria do pensamento científico moderno, que ignora o subjetivo, o afetivo, o criador. Sem os quais não conseguimos romper com o velho modelo Escolar para produzir a reviravolta que a inclusão impõe.

 

Pode-se dizer que as causas fundamentais que têm promovido o aparecimento da inclusão são de dois tipos: por um lado, o reconhecimento da educação como um direito, e, por outro, a consideração da diversidade como um valor educativo essencial para a transformação das Escolas.

 

É importante considerar e compreender que a sociedade atual é a sociedade do estereótipo, das crenças prévias. A partir de imagens estereotipadas, cultiva-se a crença de que existe um saber universal, que se coloca como um produto acabado a ser seguido por todos, produzindo preconceitos do que se acredita que os sujeitos devam ser. Porém, o saber ali apresentado é um produto externo aos sujeitos, tornando-se inconsistente, uma vez que não fala de sua realidade. Acaba emergindo um saber que se transforma em preconceitos, gerando, gradativamente, discriminação e tratamento desigual dos sujeitos.

 

Vale ressaltar que o que de fato vem sendo excluído da sociedade é justamente a diferença, a singularidade, as exceções. O que se espera de todos é a semelhança, o grupo, a padronização. A diversidade cultural constitui um problema para a convivência humana, pois, por meio dos “ideais” sociais, que são difundidos e assimilados por todos, são determinados os modelos, de acordo com os quais o sujeito deve agir. Temos consciência de que a sociedade possui uma visão de homem padronizada e classifica as pessoas de acordo com essa visão. Elegemos um padrão de normalidade e nos esquecemos de que a sociedade se compõe de homens diversos, que ela se constitui na diversidade, assumindo de um outro modo as diferenças. Este deve ser um trabalho necessário, o de mudar a imagem que a sociedade tem das pessoas especiais e rever esta exigência de que todos devem ser iguais e seguirem padrões e normas para demonstrarem essa igualdade.

 

Muito freqüentemente, as diferenças entre alunos são vistas como um problema. Muitas pessoas acreditam que as diferenças dos alunos em relação a ajustes educacionais são dificuldades que necessitam ser trabalhadas, melhoradas ou os alunos precisam estar “prontos” (homogeneizados) para se encaixarem em uma situação de aprendizagem. Essa visão pode ser um grande inconveniente, prejudicando, assim, o processo de aprendizagem nas salas de aula que tentam promover valores e oportunidades de aprendizagem inclusivas para todos os alunos.

 

Para que a inclusão seja bem sucedida, as diferenças dos alunos devem ser reconhecidas como um recurso positivo. As diferenças entre os alunos devem ser reconhecidas e capitalizadas para fornecer oportunidades de aprendizagem para todos os alunos da classe.

 

A educação inclusiva é um meio privilegiado para alcançar a inclusão social, algo que não deve ser alheio aos governos e estes devem dedicar os recursos econômicos necessários para estabelecê-la. Mais ainda, a inclusão não se refere somente ao terreno educativo, mas o verdadeiro significado de ser incluído. Está implícita na inclusão social, a participação no mercado de trabalho competitivo, sendo este o fim último da inclusão.

 

Sendo assim, a educação inclusiva não é tarefa somente da Escola, ela deve caminhar junto com a construção de uma sociedade inclusiva, pois a instituição Escolar precisa estar relacionada ao sistema social, político e econômico vigente na sociedade. A educação inclusiva implica na implementação de políticas públicas, na compreensão da inclusão como processo que não se restringe à relação professor-aluno, mas que seja concebido como um princípio de educação para todos e valorização das diferenças, que envolve toda a comunidade Escolar.

 

A Declaração de Salamanca, elaborada em 1994, na Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais na Espanha, enfatiza a necessidade de que a educação seja assumida com a mais alta prioridade política e financeira, incluindo mudanças nas leis educacionais, incorporação de mecanismos democráticos na gestão das Escolas, implementação dessa temática em programas de formação inicial e em serviço, e existência de mecanismos favorecedores do processo de inclusão.

 

 “Sem dúvida, a razão mais importante para o ensino inclusivo é o valor social da igualdade. Ensinamos os alunos através do exemplo de que, apesar das diferenças, todos nós temos direitos iguais. Em contraste com as experiências passadas de segregação, a inclusão reforça a prática da idéia de que as diferenças são aceitas e respeitadas. Devido ao fato de as nossas sociedades estarem em uma fase crítica de evolução, do âmbito industrial para o informacional e do âmbito nacional para o internacional, é importante evitarmos os erros do passado. Precisamos de Escolas que promovam aceitação social ampla, paz e cooperação.” (STAINBACK, 1999, p. 26 e 27)

 

Deste modo, é importante salientar que, a principal razão para a inclusão não é que os alunos previamente excluídos estarão necessariamente se tornando proficientes em socialização, história ou matemática, embora seja óbvio que nas turmas inclusivas há mais oportunidades para todos crescerem e aprenderem. Ao contrário, a inclusão de todos os alunos ensina ao aluno portador de deficiências e a seus colegas que todas as pessoas são membros igualmente valorizados da sociedade, e que vale a pena fazer tudo o que for possível para poder incluir todos na nossa sociedade.

 

A inclusão é percebida como um processo de ampliação da circulação social que produz uma aproximação dos seus diversos protagonistas, convocando-os à construção cotidiana de uma sociedade que ofereça oportunidades variadas a todos os seus cidadãos e possibilidades criativas a todas as suas diferenças.

 

Segundo Diniz e Vasconcelos (2004), “o princípio fundamental da Educação Inclusiva consiste em que todas as crianças devem aprender juntas, onde isso for possível, não importando quais dificuldades ou diferenças elas possam ter.”

 

Defendo também, desde a educação infantil, a inserção escolar da criança com deficiência no sistema regular de ensino. Isso constitui uma possibilidade de ela ter uma trajetória educacional mais favorável para suas aprendizagens, na medida em que partilha de um ambiente marcado pelo princípio do “todos”, e não pela idéia do “alguns”. E vive a possibilidade de conhecer formas de estar no mundo e de aprender que são diferenciadas da sua, podendo experimentar situações de aprendizagem mais rica para si mesma e para possibilidades de intervenção pedagógica.

 

Para reforçar, acredito que uma Escola inclusiva adota práticas baseadas na valorização da diversidade humana, no respeito pelas diferenças individuais, no desejo de acolher todas as pessoas, na convivência harmoniosa, na participação ativa e central das famílias e da comunidade local em todas as etapas do processo de aprendizagem. E, finalmente, na crença de que, qualquer pessoa, por mais limitada que seja em sua funcionalidade acadêmica, social ou orgânica, tem uma contribuição significativa a dar a si mesma, às demais pessoas e à sociedade como um todo.

 

Para uma Escola tornar-se inclusiva, ou seja, uma instituição que, além de aberta para trabalhar com todos os alunos, incentiva a aprendizagem e a participação ativa de todos, faz-se necessário um investimento sistemático, efetivo, envolvendo a comunidade Escolar como um todo.  Para isso efetuar-se de maneira satisfatória, é ainda necessário que a Escola tenha estímulo e autonomia na elaboração de seu projeto pedagógico, que possa elaborar um currículo Escolar que reflita o meio social e cultural onde os alunos estão inseridos; que tenha a aprendizagem como eixo central em suas atividades Escolares e que reconheça o enriquecimento advindo da diversidade.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRASIL. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: Corde, 1994.

 

DINIZ, Margareth; VASCONCELOS, Renata Nunes (Orgs.). Pluralidade cultural e inclusão de professores e professoras. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Formato, 2004.

 

MANTOAN, Maria Tereza Eglér et al. A integração das pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema.  São Paulo: Memnon, 1997.

 

MANTOAN, Maria Teresa E. A solicitação do meio Escolar e a construção das estruturas da inteligência no deficiente mental: uma interpretação fundamentada na teoria de conhecimento de Jean Piaget. Tese de doutoramento. Campinas: UNICAMP/ Faculdade de Educação, 1991.

 

STAINBACK, Susan e STAINBACK, William. Trad. Magda França Lopes. Inclusão – Um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

 

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

40 Comentários

A Gestão Escolar Frente A Política De Inclusão

Filed Under Estudantes | Posted on Julho 1, 2008

A Gestão Escolar Frente A Política De Inclusão

Por Marília Rita dos Santos*

marila-foto.jpg


Iniciaremos este texto relatando de forma breve e sucinta o processo histórico de inclusão das pessoas com necessidades especiais em contato com o “mundo”, através da socialização.

 

Na antiguidade a pessoa diferente, com limitações funcionais e necessidades diferenciadas, era praticamente exterminada. Já na Idade Média em função da assunção das idéias cristãs, pessoas deficientes, não mais podiam ser exterminadas, porém, eram ignoradas à própria sorte, dependendo, para sua sobrevivência, da boa vontade e caridade humana (BRASIL,2000).

 

No século XVI, a discussão sobre a Educação Especial começou a ser traçada com médicos e pedagogos, que desafiando as concepções da época, acreditavam no desenvolvimento dos indivíduos que até então considerados ineducáveis. Nesta época criaram-se instituições - asilos e manicômios, acreditando que as pessoas diferentes seriam mais bem cuidadas e protegidas, separadas das pessoas tidas como “normais”, foi a fase da segregação, chamada de Paradigma da Institucionalização (BRASIL,2000).

 

Na década de 1960, intensificaram em nível mundial os movimentos sociais pelos direitos humanos, conscientizaram e sensibilizaram a sociedade sobre o prejuízo da segregação, apresentando fundamentos racionais da prática integradora. No momento em que os atendimentos foram se afastando da institucionalização e adotando as idéias de Normalização, criou-se o conceito de integração, que se referia a necessidade de modificar a pessoa com necessidades especiais, de forma que esta pudesse vir a se assemelhar, o mais possível, dos demais cidadãos, para então poder ser integrada, ao convívio da sociedade. A esse modelo de atenção à pessoa com deficiência se chamou Paradigma de Serviços (BRASIL,2000).

 

Porém desde seu surgimento, o principio de normalização foi criticado, pois não se tratava de uma teoria científica, mas sim de um principio filosófico de valor, fundamentado na idéia de que a pessoa deficiente se assemelha ao não deficiente, como se fosse possível ao homem o ser igual, e como se ser diferente fosse razão para decretar sua menor valia, enquanto ser humano e ser social. Aliado a esse processo, intensificava-se o debate das idéias acerca da deficiência e da relação da sociedade com as pessoas com deficiência.

 

Em função de tal debate, a idéia de normalização começou a perder força, e assumiu-se a idéia de que pessoas com deficiência necessitam, sim, de serviços de avaliação e de capacitação, oferecidos no contexto de suas comunidades. Ficando a cargo da sociedade se reorganizar de forma a garantir o acesso de todos os cidadãos, a tudo o que a constitui, independente das peculiaridades individuais. Foi fundamentado nessas idéias que surgiu o Paradigma de Suporte (BRASIL,2000). Já este último paradigma, no qual se contextualiza a idéia da inclusão, prevê intervenções decisivas e afirmativas, no processo de desenvolvimento do sujeito e da realidade social.

 

Paralelo a esta situação, o país passava por processos de mudanças ocorridas devido à globalização, e aos avanços tecnológicos e científicos que exprimiam a necessidade de garantir uma forma ampliada de inclusão social interligada à inserção a um padrão de consumo interligado ás inovações tecno-científicas e informacionais. Nesse contexto, o surgimento de iniciativas isoladas no atendimento as pessoas com necessidades especiais foram adquirindo forças por meio de debates em torno do processo de inclusão escolar tendo como marco, em âmbito internacional, a Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais (1994), promovida pelo governo da Espanha e pela UNESCO, cujo objetivo consistiu em informar sobre políticas e ações governamentais, organizacionais e apresentar princípios, políticas e práticas relacionadas à educação especial.

 

E, em âmbito nacional, as propostas de inclusão escolar definidas pelas políticas educacionais brasileiras representam os interesses da sociedade organizada e reflete as concepções políticas e organizacionais referendadas pela Declaração de Salamanca (1994). Esta reconhecendo e valorizando a diversidade como fator de enriquecimento do processo educacional, desta forma tem provocado mudanças na gestão das escolas, bem como na formação docente, propondo uma reestruturação da educação que beneficie todos os alunos.

 

Diante do quadro que se constrói a partir do processo de inclusão das pessoas com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares, inquere-se quais ações, responsabilidades e funções são atribuições da gestão escolar?

 

Nesse sentido, Barroso (2003) afirma que:

 

A administração escolar atravessa hoje, em muitos países, uma fase de profunda transformação. Essa transformação traduz-se em diferentes medidas, que têm por objectivo: alargar e redefinir o conceito de escola; reconhecer e reforçar a sua autonomia; promover a associação entre escolas e a sua integração em territórios educativos mais vastos; adaptar modalidades de gestão específicas e adaptadas à diversidade das situações existentes. (apud TEZANI, 2004, p.73)

 

Percebe-se que a forma de organização da sociedade capitalista contemporânea é dual e contraditória. Por um lado, verifica-se que a globalização e os avanços tecnológicos, científicos requisitam uma sociedade baseada no acesso e consumo dos bens materiais produzidos, e por outro, promove o crescimento do individualismo e a ampliação da desigualdade social e da exclusão de milhões de pessoas do acesso aos bens materiais necessários à vida. Para TEZANI (2004), analisar a gestão escolar e sua relação com o processo de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular é considerar a escola como o lócus do estudo, o local onde a educação acontece. E também porque a escola apresenta um modelo de organização e administração que se constrói sob a lógica administrativa da sociedade capitalista, enfrentando-a ou incorporando alguns de seus princípios.

 

E de acordo com as idéias de Anísio Teixeira a escolas devem ser capaz de orientar as pessoas para a democracia , igualdade e diferença. Devendo ainda ser fator de mudança social.

 

Nesse sentido Teixeira (1997, p.86) afirma que:

 

A escola deve fornecer a cada indivíduo os meios para participar, plenamente, de acordo com as suas capacidades naturais, na vida social e econômica da civilização moderna, aparelhando-o, simultaneamente, para compreender e orientar-se dentro do ambiente em perpétua mudança que caracteriza esta civilização (apud TEZANI, 2004, p.69)

 

Algumas leituras realizadas sobre esta temática apontam que a cultura escolar ainda não reconhece o lugar da pessoa com deficiência, no seu espaço estrutural e pedagógico, e esse problema é reforçado pelo despreparo dos educadores e gestores para lidar com o processo de inclusão, pelas estruturas físicas das escolas, currículo, métodos de ensino inadequado, sistema de avaliação classificatório, dentre outros elementos.

 

Nesse contexto, Ferreira, Ferreira (2004) acrescenta que a organização escolar por um lado se alinha às legislações e as posturas avançadas em relação aos direitos sociais e com eles, a implantação da inclusão escolar, mas por outro, a implantação dessa ação é limitada no sentido de viabilizar concretamente, nas instituições escolares, políticas inclusivas nas redes regulares de ensino. Considera-se conflitantes as propostas referendadas nos documentos relacionados aos direitos das pessoas com necessidades especiais, visto que as práticas escolares e as condições em que se desenvolve o trabalho educativo, voltados para a inclusão escolar, ainda estão em processo de implementação, de forma bastante lenta, promovendo sérios desafios para a gestão e organização escolar. Nesse sentido chama-se a atenção das equipes escolares, no sentido de se comprometer no atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais congregando esforços na mobilização de uma vontade política de mudança em todos os níveis, independente da pressão da lei.

 

Algumas considerações finais

 

A organização e gestão das escolas inclusivas podem ser construídas, por meio de uma descentralização da gestão administrativa e ainda de uma cultura organizacional educativa com base em princípios sociopedagógicos, discutidos e formulados cooperativamente, levando-se em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas envolvidas no processo. Nesse sentido, faz-se necessário uma gestão educacional que proporcione estímulo e condições materiais para que as escolas elaborem com autonomia e de forma participativa o seu Projeto

Político Pedagógico. Estabelecendo em suas propostas e projetos, adequações à diversidade, visando a construção de escolas democráticas e inclusivas.

 

A promoção de grupos de estudo pela equipe escolar a fim de discutir e compreender os problemas educacionais, pode dar início a uma reorganização da escola, visando efetivar esforços para que a esfera pública, juntamente com a equipe escolar, de fato implementem mudanças significativas nos aspectos da arquitetura, no currículo, nos métodos e técnicas, na avaliação, no tempo e ritmo, na arrecadação de recursos, na formação de professores, entre outros elementos que dão contornos ä organização escolar voltados para inclusão.

 

Esse cenário de mudanças reflete as ações desencadeadas pela equipe de gestão das escolas.

 

Por fim, o futuro da inclusão escolar em nosso país dependerá de um esforço coletivo, que obrigará a uma revisão na postura de pesquisadores, políticos, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais, para trabalhar com foco em um único objetivo, o de garantir uma educação de melhor qualidade para todos. (MENDES, 2006)

 

AGRADECIMENTOS

 

À Profa Dra Dulcéria Tartuci pelas contribuições e informações referentes ao tema e a minha orientadora Profa Mestre Fernanda Ferreira Belo Rodrigues , pela disposição e revisão do artigo .

 

REFERENCIAS

 

BRASIL. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: UNESCO, 1994.

 

BRASIL. Lei nº. 9.394 de 20/12/1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Senado, 1996.

 

BRASIL, Projeto Escola Viva: garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola – Alunos com necessidades educacionais especiais. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial, 2000.

 

FERREIRA, M.C.C. e FERREIRA, J.R. Sobre inclusão, políticas públicas e práticas pedagógicas. In: GÓES, M.C.R. e LAPLANE, A.L.F (Orgs.). Políticas e práticas de Educação Inclusiva. Campinas, SP: Autores Associados, 2004, p. 21-48.

 

MENDES, Enicéia Gonçalves. A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Educação v. 11 n. 33 , p. 387- 405, 2006.

 

MANTOAN, M. T. E. Todas as crianças são bem-vindas à escola. Universidade Estadual de Campinas / Unicamp, Disponível em: < http://www.pro-inclusao.org.br/index.html>. Acesso em: 20 jun. 2008.

 

TEZANI. Thais Cristina Rodrigues. Os caminhos para a construção da escola inclusiva: a relação entre a gestão escolar e o processo de inclusão. (Dissertação de Mestrado) São Carlos: UFSCar, 2004.

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

5 Comentários

Inclusão Com Maior Qualidade

Filed Under Estudantes | Posted on Junho 9, 2008

Inclusão Com Maior Qualidade

Por Denise Calaça

denise-em-08-06.jpg

Durante muitos anos, educadores de todo o país lutaram para que a escola incluísse crianças e jovens com deficiência. Há dez anos, mais ou menos 90% de matriculados com alguma deficiência freqüentavam instituições ou classes especiais e hoje, a maioria já estão em salas regulares. Mas, agora vemos que o importante é garantir que os estudantes com deficiência avancem nos conteúdos, pois não basta só acolher e promover a interação social.

Oferecer uma educação de qualidade e promover o avanço destes estudantes significa fazer adaptações físicas e pedagógicas nas instituições, cabendo ao professor reconhecer essa nova função e brigar pelos recursos necessários, para assim ter uma boa educação. Para garantir que os estudantes com deficiência avancem nos conteúdos, é preciso garantir a parceria entre os professores regentes e especialistas. Ao invés de focar no atendimento clínico, o correto é dar apoio aos professores regentes e permitir que eles e seus colegas especialistas trabalhem em conjunto em prol da aprendizagem.

A escola inclusiva deve ser autônoma para decidir sobre suas ações, instituindo prioridades no que diz respeito à inclusão, mas orientado por uma política governamental transparente. A estrutura adequada é essencial para criar uma escola inclusiva, da mesma forma é fundamental também definir um bom planejamento, pois só a criatividade e boa vontade dos professores não são suficientes para que o aluno com deficiência se desenvolva, é preciso sistematizar os conhecimentos nessa área.

O trabalho de inclusão deve começar na educação infantil e todas as escolas inclusivas devem estar devidamente adaptadas aos padrões de acessibilidade. Assim, todos aprendem a valorizar a diversidade e desenvolvem, desde cedo, habilidades importantes para o convívio social no futuro.

Portanto, não basta apenas matricular e receber em sala de aula crianças e jovens com deficiência, o essencial e perfeitamente possível é ensinar. Então, fica aqui algumas indagações: Será que é possível ter uma parceria entre professores e especialistas nas escolas públicas? Será que nestas instituições públicas do nosso país, alunos com deficiência conseguem receber a mesma educação que os outros? Será que com esta educação pública estes alunos vão conseguir se desenvolver nos conteúdos?

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

1 Comentários

Alunos Na Universidade Pública Brasileira

Filed Under Estudantes | Posted on Junho 8, 2008

Alunos Na Universidade Pública Brasileira

edu-superior.JPG

A charge acima, a mãe chorando, o filho com malas na mão, próximo ao ônibus e o pai com uma mão no bolso e a outra segurando um papel, diz: “Ela não está chorando porque você está indo para a faculdade. É que ela viu a conta”.

Brincadeiras a parte, é possível dizer que cenas de choro, referentes à conta/dívida para colocar os filhos na universidade, não deve mesmo ser incomum nas famílias brasileiras de hoje em dia. E esta é uma conjectura simples de se fazer.

A folha de São Paulo publica ontem a matéria “Na América Latina, o Brasil tem menos alunos em faculdades pública”. O número divulgado é de 27% dos alunos universitários nas faculdades públicas.

País com o menor crescimento relativo de vagas em instituições públicas, o Brasil está atrás da Argentina (75%), México (66%) e El Salvador (34%). Os dados, resultado de um estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), foram apresentados em Cartagena, Colômbia, na Conferência regional do Ensino Superior.

Os dados mostram também que o Brasil está em primeiro lugar na produção de pós-graduação. Contradição interessante, o país produz uma minoria altamente qualificada, frente aos padrões da América Latina, e uma minoria deseducada.

Fazendo contas, 73% dos estudantes universitários estão nos bancos de universidades particulares. Ora, isto me faz lembrar como está ausente da cena educacional brasileira a velha bandeira do Ensino Público, Gratuito e de Qualidade!

Será que precisamos de mais fatos para constatar o quanto as políticas públicas na área da educação estão indo de mal a pior?

Leave a Comment


« go backkeep looking »

Close
E-mail It