As Lutas Por Representações E A Memória
Filed Under Púlpito | Posted on Abril 13, 2009
As Lutas Por Representações E A Memória
Lembro que na época da minha graduação em História, na segunda metade da década de 1980, li o livro Brasil, Nunca Mais. Lembro-me especialmente o quanto fiquei impressionado com os relatos de tortura, imaginando a crueldade e abuso de poder dos militares, quando do golpe militar de 1964 no Brasil.
Agora, reacende o debate sobre a memória deste período, quando o editorial da Folha de São Paulo diz que houve uma “ditabranda” no Brasil, querendo levar o leitor a entender que o regime não foi violento com seus oponentes.
Eu não vou aqui repetir o debate que já está rolando a tempos em outros blogs, e, inclusive na grande mídia jornalística. Achei por bem reproduzir, no entanto, a matéria veiculada na rede Record (abaixo). Às vezes, a repetição pode ajudar ao combate tão necessário contra o esquecimento que, sobretudo grupos fortemente comprometidos com os erros do passado, querem impor à memória do nosso país.
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Filed Under Cinema | Posted on Agosto 18, 2008
A Força Das Palavras
“Emile”, título do filme estrelado por Ian Mckellen (2003)* e dirigido por Carl Bessai, está traduzido no Brasil como A força das palavras. É difícil dizer como que a gente entra numa locadora e começa a verdadeiramente caçar filmes para assistir no final de semana.
No caso deste filme, fui tocado talvez pelo título e também pelo fato de ler na capa que se tratava de uma história que explorava a memória de Emile, professor há 40 anos na Inglaterra, mas que viveu o início de sua vida no Canadá.
E o filme explora mesmo os caminhos e descaminhos da memória para contar sua história. Foi justamente isto o que mais me agradou, em como a memória foi explorada.
Frente ao fato de que estava se aposentando e recebeu um prêmio de uma universidade na sua cidade natal, no interior do Canadá, Emile viu-se na oportunidade de voltar à terra onde nasceu e rever sua única parente: a sobrinha Nadia (Deborah Kara Unger).
Mas esta volta à terra natal acontece simultaneamente na memória de Emile, levando-o durante todo o filme a rever, através de pequenas porções de memória, sua relação com os outros dois irmãos, já falecidos. E, principalmente, porque foi morar na Inglaterra.
E nesta tempestade de lembranças o telespectador vai se dando conta do quanto de coisas mal resolvidas Emile deixou no seu passado. Os fios complexos da memória vão se misturando à estratégia cinematográfica do diretor, em colocar tanto no presente quanto no passado a mesma imagem do Emile velho da atualidade.
Lembrar vai sendo uma característica construída pela mente e olhar distante, fazendo do corpo e imagem do personagem a mesma, no passado e no presente.
Talvez a tradução dada ao filme para o português seja exagero, pois o mais forte do filme é o não dito, aquilo que aconteceu e não foi verbalizado, explicado.
E é este não dito o que mais intriga, pois ele está entre a memória e o esquecimento. Não é verdade que quando não queremos que algo seja lembrado dizemos que esquecemos? Ou que, por exemplo, aconteceu de outra forma? Ora, mas mesmo que queiramos esquecer algo, vez ou outra isto retorna com uma força indizível.
No caso de Emile, o acerto de contas com suas memórias passou a significar um acerto de contas com o que sobrou da sua família.
*Elenco:
Ian McKellen …. Emile
Deborah Kara Unger …. Nadia
Tygh Runyan …. Freddy
Frank Borg …. Taxi Driver
Theo Crane …. Maria/Nadia (age 10)
Chris Martin …. Carl
Nancy Sivak …. Superintendent
Ian Tracey …. Tom
Janet Wright …. Alice
A Força Do Esquecimento
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Agosto 9, 2008
A Força Do Esquecimento
Este post iria ter o título de a memória e a consciência. Mas, no último momento mudei. O leitor, ao final, irá entender o porquê desta escolha.
Esta semana comecei um estudo sobre memória, a partir da obra de Paul Ricceur* e hoje, por razões que só a Internet pode nos oferecer, encontrei algumas palestras do psicólogo e filósofo Clécio Branco (abaixo) no Youtube.
Estas palestras foram feitas durante um culto religioso e talvez por isto têm uso de exemplos bíblicos. Mas isto não impede pensar sobre as questões da memória, da consciência e do ressentimento. Mais do que isso. Não impedem de pensar na própria Educação, lugar privilegiado, penso eu, para investigar estas questões.
Não é novo na história da educação a utilização da memória e o uso do conceito de consciência como uma força educacional, principalmente com a obra de Paulo Freire. Estes conceitos são muito utilizados na prática educativa. Porém, pouco revisitados enquanto problemas para a investigação educacional.
A intenção aqui é referenciar as palestras do professor Clécio Branco, mas não dar como respondidas questões como: o que é memória? Como ela se relaciona com esquecimento na prática avaliativa escolar? O que é produzir consciência?
Vamos considerar, aqui neste espaço do Soprando.Net, este post como mais uma investida para se pensar a respeito destas questões.
Abaixo, os links das palestras (lembrar que podem demorar um pouco para abrirem, pois vai depender da sua conexão com a Internet):
Memória, Consciência e Ressentimento - Clécio Branco
Memória, Consciência e Ressentimento I - Clécio Branco
Memória, Consciência e Ressentimento II - Clécio Branco
Memória, Consciência e Ressentimento III - Clécio Branco
Memória, Consciência e Ressentimento IV - Clécio Branco
Memória, Consciência e Ressentimento V - Clécio Branco
*RICCEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Tradução Alain François [et al.]. Campinas-SP : Editora da Unicamp, 2007.











