Entrevista Com Professores – Juliana Seabra
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 11, 2008
Juliana Seabra Laudares (na foto ao lado), professora alfabetizadora em escola pública, atuante há 10 anos na educação, é também tutora de ensino à distancia.
Juliana mora hoje em Rolim de Moura – RO.
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
Sou natural de São Luis de Montes Belos – GO. Mudei para Brasília – DF, onde residi por 05 (cinco) anos, e estudei em escolas particulares.
Depois, no ano de 1985, eu vim com minha família para Rolim de Moura – RO, onde resido até hoje.
Quando cheguei existiam apenas 04 (quatro) escolas (sendo todas públicas). Cursei minha 5ª Série na escola que atualmente dou aula (Aluízio Pinheiro Ferreira) para o 3º ano do ensino de 09 (nove) anos que corresponde à 2ª Série do ensino de 08 (oito) anos.
Terminei o ensino médio com o curso de Contabilidade, porque na época não queria fazer magistério. Cursei Pedagogia e tenho especialização em Alfabetização. Ambos foram concluídos pela UNIR (Universidade Federal de Rondônia).
No decorrer do meu curso, tive professores preocupados com o verdadeiro significado da aprendizagem, pois estavam com sede de ensinar, professores dos quais atualmente sou amiga, e que sempre me deram luz em minhas dúvidas.
2) Como você se tornou professor(a)?
Acho que as circunstâncias me levaram a ser professora. Quando prestei vestibular havia somente os cursos de Letras e Pedagogia.
No curso que fiz, sem ter experiência alguma, estagiei por seis meses em uma sala de Educação Infantil, turma de 06 anos. Apaixonei-me pelas crianças, mas ainda assim não me via como professora, pois não tinha em mente o que realmente gostaria de ser, e as escolhas dos cursos disponíveis na cidade não eram muitas. Mesmo com possibilidade de estudar fora, e sem saber ainda o que fazer, segui no curso de pedagogia.
Logo em seguida passei no concurso do Estado pra dar aula e assim fui caminhando sem me dar conta de que realmente gostava do que fazia e já havia me tornado uma Professora!
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Onde muitos vêem dificuldades eu procuro enxergar desafios que favorecem o aprendizado!
Em 10 (dez) anos na educação, tive muitas experiências:
• Trabalhei com educação infantil – pude constatar a realidade de muitas famílias carentes que vêem na educação dos filhos um futuro melhor
• Fui coordenadora pedagógica – onde comecei a me preocupar com a formação dos professores e com a minha, com o CBA (Ciclo Básico de Educação) – onde o professor permanece 02 (dois) anos com a mesma turma. Com isso aprendi que muitas crianças têm o seu ritmo de aprendizagem, pois algumas precisam de um tempo maior para serem alfabetizadas.
• Ministrei vários cursos voltados para a formação do professor, dentre eles, o PROFA (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores), oferecido pelo MEC;
• Trabalhei as disciplinas de Alfabetização e Didática no PROHACAP – Programa Especial de Habilitação e Capacitação para professores Leigos da rede pública de ensino, criado pela Fundação Universidade Federal de Rondônia – Unir, visa possibilitar o acesso a cursos de licenciatura aos professores leigos da rede pública federal, estadual e municipal de ensino;
• Também atuo como Tutora da Universidade Norte do Paraná – UNOPAR – ensino à distância, nas turmas de Normal Superior e Pedagogia.
4) Para você, quais são as mudanças significativas que vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
Acredito que tudo no mundo se modifica diariamente, mas a nossa educação vem tomando proporções que nenhum governante gostaria, afinal as escolas têm se tornado palco de muitas lutas sociais, culturais, étnicas e políticas.
O grande diferencial é a globalização das informações, e o acesso à elas, através da internet e jogos educativos, no ambiente educacional, com suas infinidades de programas, facilitando a troca de informações por uma grande quantidade de pessoas. Exemplo disso são os Blogs e comunidades virtuais.
Para acompanhar o ritmo dos alunos atualmente, e mesmo não sendo totalmente valorizado como deveria, o professor vem se capacitando e assumindo autonomia na sua própria formação, principalmente com relação ao uso da tecnologia no ambiente educacional.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
A meu ver, teremos uma explosão cultural, pois a tecnologia nos proporciona o aprendizado, até mesmo sem sair de casa, como o ensino a distancia, que vem tomando grandes proporções.
Espero que com isso, o ensino se democratize, onde as pessoas tenham mais possibilidades de escolha em sua formação.
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Entrevista Com Professores – Cybele Meyer
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 9, 2008
A professora Cybele Meyer (na foto ao lado), nos fala de sua experiência: de advogada a professora, sendo fisgada pelo prazer de educar.
Cybele Meyer é editora do Blog Educar Já.
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
Foi em Santos que passei toda minha infância e juventude, onde me casei e tive meus três filhos.
Estudei até concluir o Normal no Imaculado Coração de Maria. Sou da época em que a mulher tinha que ser prendada para se tornar uma boa esposa, pelo menos era essa a intenção dos meus pais.
Foi uma época muito boa, onde realmente aprendi, além das matérias curriculares, a bordar, pintar, cozinhar, fazer artesanato, arrumar uma mesa e muitas outras atividades extras. Quando tive que optar entre o Normal, Científico ou Biológicas, meus pais nem me perguntaram qual seria minha escolha e optaram, na matrícula, pela Normal. Não fiquei entristecida por isso, pois vinha de uma família muito conservadora e não costumava questionar as decisões por eles tomadas.
Porém, quando estava para me formar, decidi que iria cursar Direito. Meus pais quase enlouqueceram, pois afinal o ano era 1973 e estávamos em plena ditadura militar.
Quando as freiras tomaram conhecimento, chamaram meus pais e alegaram que eu havia me tornado uma comunista, porque eu havia sido educada para ser esposa e, naquela época, poucas mulheres cursavam Direito, só as comunistas!
Prestei vestibular escondida e passei. Cursei em meio a muita pressão.
Eu formei e exerci a advocacia por dez anos. Além do Direito, por gostar muito de arte, fiz Artes Plásticas e passei a pintar telas e a ministrar aulas de pintura como hobby. Ao exercer essa atividade percebi que tinha facilidade em transmitir o que sabia.
Mais tarde cursei Pós-Graduação em Pesicopedagogia Clínica e Institucional e Docência do Ensino Superior.
Em 2006 foi o último ano que estive dentro da sala de aula. Após vinte e dois anos deixei de atuar junto aos alunos para me dedicar a trabalhar com os Professores. Hoje, percorro os quatro cantos do Brasil ministrando Palestras e Oficinas de atualização para Professores.
Também dedico meu tempo ao blog que criei de apoio ao Professor. Procuro dispor neste blog material de aplicabilidade em sala de aula. Estou muito feliz com o retorno que estou tendo. É sinal de que os Professores estão em busca constante.
2) Como você se tornou professor(a)?
Quando meus filhos estavam, os três, em idade escolar e eu vivenciando o dia a dia junto com eles, me apaixonei perdidamente pelo ensinar e resolvi que iria abandonar o Direito para me dedicar à Educação. Foi o que fiz. Consegui minha primeira classe na escola onde meus filhos estudavam e iniciei minha trajetória com crianças de quatro anos. Eu me sentia revigorada, motivada e feliz.
Aos poucos fui caindo numa realidade dura, pois convivi com muitos profissionais que entravam na sala de aula já pensando no momento da saída. Sempre gostei de “inventar moda” como me falavam a cada idéia apresentada. A maioria das vezes, realizei as atividades procurando esconder que as havia feito, para evitar atritos com os colegas.
Com o passar do tempo e já mais madura na profissão resolvi que não mais agiria dessa forma e voltei a “inventar moda” e a incentivá-los para que desenvolvêssemos juntos.
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Posso dizer que minha experiência sempre contribuiu para o meu crescimento como profissional, pois a nossa profissão é ingrata, principalmente nos dias de hoje, quando o respeito e a admiração pelo professor estão em extinção. Nós vivemos uma realidade dura e injusta que nos mostra que quando o aluno não aprende é por culpa exclusiva do professor e quando ele aprende e se destaca o mérito vai para a escola e para o aluno.
O Professor, nos dias de hoje, é apenas um profissional “de uso”, ou seja, usado pela escola, pelos alunos e pelos pais. Porém, acredito com fervor de que esta realidade será mudada, com nosso empenho e amor ao exercício da magia do ensinar. Temos que resgatar o valor da nossa profissão. Como faremos isso? Dedicando-nos e mostrando o quanto o Professor é importante na construção do cidadão e do nosso País. O Professor foi, é e sempre será um guerreiro, que não desiste nunca, mesmo tendo pela frente os percalços vivenciados diariamente.
4) Para você, quais são as mudanças significativas que vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
Na minha visão, acredito que seja a tomada de consciência de que somente ter o aluno matriculado na escola não faz dele um estudante. Há muito tempo não havia movimentações em prol da melhoria da Educação, como nestes últimos anos. Em todas as mudanças ocorridas anteriormente, nenhuma mexeu tanto na estrutura da Educação quanto a do Fundamental de 9 anos.
Em 1971 quando foi aprovado o Ensino Fundamental de 8 anos, foi uma mudança, para melhor, com o objetivo de manter a criança durante mais tempo na escola lhe proporcionando um grau de instrução maior do que o usual naquela época, quando a maioria encerrava o estudo no 4º ano primário. Esta mudança não abalou as estruturas educacionais, pois a mudança foi praticamente na nomenclatura e na junção do primário com o ginásio.
Os alunos de 1ª a 4ª séries continuaram a ter uma única professora como já ocorria anteriormente, e os alunos de 5ª a 8ª continuaram com vários professores, um para cada matéria com aulas de cinqüenta minutos.
Agora a mudança do fundamental de nove anos, esta sim, mexeu tanto com a estrutura pedagógica quanto com a estrutura física das escolas. Uma escola para receber alunos de seis anos tem que ter um espaço condizente com as necessidades que um aluno dessa idade requer e que variam e muito das necessidades de uma criança de sete anos; tem que ter um professor capacitado para trabalhar com crianças dessa idade, que exige metodologia diferente daquela aplicada às crianças de sete anos, e assim por diante.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Vejo uma Educação mais consciente, colaborativa, com aplicabilidade. Uma Educação que passará a utilizar a WEB 2.0 como ferramenta de aprendizagem, possibilitando uma interação e integração entre os indivíduos permitindo a formação de opinião, o desenvolvimento da linguagem escrita, a iniciativa e tantos outros resultados, que com certeza, iremos constatar.
Acredito que agora é uma boa hora para se despertar o interesse pelo conhecimento nos nossos alunos. Eles adoram usar o computador. Se utilizarmos esta ferramenta maravilhosa com fins educacionais, os alunos irão desfrutar da aprendizagem pelo prazer e não pela busca incessante de boas notas. As boas notas serão conseqüências. Se o professor conseguir desvencilhar o uso das ferramentas na internet das notas, ou seja, não atribuir notas pelo seu desempenho online, acredito que daremos um grande passo rumo a uma aprendizagem de bons resultados dentro e fora do espaço escolar.
direito Entrevista com Professores formação de professor históriaEntrevista Com Professores – Jenny Horta
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 8, 2008
Ao lado, a professora Jenny Horta, quem nos concedeu esta estrevista.
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc)
Sou professora há 24 anos. Sempre trabalhei com ensino básico e pré escola. Sou mineira de BH, mas vim para Niterói com 7 anos e trabalhei em várias escolas particulares.
Em 1990 prestei concurso para a Prefeitura de Niterói, mas só fiquei 6 meses, pois meu marido foi trabalhar na região dos Lagos e como a oportunidade era financeiramente boa, optei por acompanha-lo e pedi exoneração. Infelizmente, os salários não seguram ninguém…
De 1990 a 1994 fiquei sem lecionar. Foi um período muito difícil, mas aproveitei para estudar informática e em 1995 comecei a trabalhar como “instrutora” de informática para crianças. Também aprendi design gráfico e trabalhava com material gráfico para empresas.
Mas o trabalho com informática e crianças se tornou minha paixão. Em 1998, voltei para Niterói e atualmente trabalho numa pequena escola, colocando em prática tudo que aprendo no grupo dos blogs educativos. Mantenho um Blog sobre esta expeiência: http://melhorart.blogspot.com
Vou recomeçar minha graduação em pedagogia no Cederj e pretendo me especializar em Informática Educativa. Acredito profundamente que as tecnologias podem ser um grande aliado do professor. Comprovo na prática essa teoria, pois tenho um filho de 5 anos que utiliza o computador desde os três e já está alfabetizado.
Trabalho com crianças de 3 a 10 anos, utilizo Linux Edubuntu e mantemos um blog na escola: http://escolaedificar.blogspot
2) Como você se tornou professor(a)?
Acho que já nasci professora. Adorava a escola. Estudei no Colégio Assunção da 1ª série ao pré-vestibular. Não era uma escola, era uma família. Lá me alfabetizei e me formei no Curso Pedagógico. O curso era á tarde e pela manhã fiz o segundo grau e o pré vestibular. Mas algo não foi muito bem: optei por cursar Serviço Social na UERJ.
Trabalhava numa escola o dia todo, época das Diretas Já, ponte Rio-Niterói, ônibus lotado em dia de jogo no Maracanã, quase não havia aula…só comício, o curso… Larguei o curso e continuei professora. Sou professora.
Isso foi em 1983. Me casei e continuei só trabalhando. Era o que gostava. Ser professora!
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Não me adaptei no serviço público. Não aceito interferencia política na educação… Infelizmente, não deu certo.
Acredito que agora o país vem passando por boas mudanças, talvez agora conseguisse. Gosto muito do trabalho comutário e acredito nas novas iniciativas neste sentido. É por aí que eu vou.
Mas só largo as crianças quando estiver bem velhinha…
4) Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na
educação brasileira nos últimos anos?
Com certeza as tecnologias vem transformando a prática pedagógica. Meu filho de 5 anos me ensina a usar recursos do celular e até do computador. É a chamada Aprendizagem colaborativa.
Não é utopia futurista. É realidade e a escola precisa se adaptar a ela. Tenho visto bons esforços nas políticas públicas. Acredito numa nova realidade. Fico impressionada com blogs de professores de muitas boas escolas públicas ou não. Aos poucos, vamos modificar terríveis estatísticas!
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Minha resposta anterior já diz tudo. Acredito que as coisas estão caminhando para melhorar. É preciso conscientizar a população e valorizar o profissional. Os professores, quando se qualificam, adquirem consciencia de seu valor, isso não pode deixar de ocorrer com os salários. Os pais, quando recuperam sua cidadania, adquirem consciência para cobrar e colaborar com a escola de seu filho.
Quando um pai, por exemplo, acessa a internet e lá vê um blog com as atividades de seu filho na escola, ele consequentemente participa do processo, vê a escola como uma aliada na educação de seu filho, mas isso só se consegue com a formação da cidadania.
Entrevista Com Professores – Reginaldo Tacilo Rodrigues
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 6, 2008
O professor Reginaldo Tacilo Rodrigues (na foto ao lado), nos fala de sua experiência docente.
Sabemos de que o universo profissional da docência, principalmente no ensino fundamental, é predominantemente feminino. Reginaldo nos mostra algumas interfaces do gênero masculino na profissão docente.
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
Eu sou professor desde 1990, venho do Vale do Ribeira, onde fiz o Magistério, numa época em que já estava acabando as turmas, não havia aluno suficiente para se abrir salas. Eu sempre gostei de “ser professor”. Quando andava pelas estradas rurais de minha cidade, e encontrava as escolas rurais abandonadas, mato, portas quebradas, sujas, obscuras pelo tempo e falta de pintura, eu imaginava um dia ser professor para poder fazer deste espaço um verdadeiro ambiente de ensino.
Quando em 1990 fui convidado pra trabalhar numa escola rural, fiquei surpreso, era justamente a escola dos meus sonhos, eu iria fazer o que sempre sonhei. Não era ensinar. Na verdade eu era um professor diferente. No Estado de São Paulo nesta época existia a função de professor de Enriquecimento Curricular, seria um professor que estaria na escola ensinando os alunos a cuidar do patrimônio, fazer hortas, criar animais, coisas deste gênero.
Eu assumi na época duas escolas, parecia um sonho, eu as deixei tão bonitas que não conseguia acreditar. “Eu fiz o que sempre quis fazer”.
Todos que passavam pela escola podiam ver que ali havia mudado e quem mudou????? Eu sei que na cidade todos sabiam, era o Reginaldo, ele pintou, limpou, criou biblioteca, mudou a cara da escola, que antes nem se via pela altura do mato.
2) Como você se tornou professor(a)?
Se tornar professor foi uma meta de minha vida, numa época onde não se tinha muitas opções o que mais me atraía era o magistério. E assim fiz, estudei , apesar do preconceito, pois sempre havia aqueles que achava que ser professor era coisa de mulher.
Na sala só tinha dois alunos homens, um casado e eu solteiro. Eu me formei por que meu objetivo era ajudar, ensinar e aprender, e isso eu só conseguiria se fosse professor.
Fiz magistério, dei continuidade, fiz Estudos Sociais, com habilitação plena em Geografia. Fui professor rural de classe multisseriada, e professor coordenador pedagógico na cidade, em uma escola reestruturada pelo governo somente de 5º ao 3º colegial. Eu um professor sonhador, que sempre gostou de escolas rurais, agora estava dentro de uma escola da cidade, como professor coordenador, foi uma aventura e tanto, aprendi muito e ensinei muito com certeza.
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Minha experiência está cada vez mais aguçada, não sei se faço o que tinha que fazer. Na verdade, aquele sonhador ainda existe em mim, mas vejo tantas injustiças que me fazem desistir algumas vezes. Uma coisa que eu desisti, e era meu grande sonho, foi fazer “pedagogia”. Ficou de lado, acabei vindo pra São Paulo em 1997, fui lecionar geografia em Itaquaquecetuba.
Fui coordenador pedagógico em uma escola aqui de Guaianazes, onde era noturno, e pude perceber que meus sonhos esbarravam em pessoas que não queriam nada com nada. Eles faziam da escola um lugar apenas de “ganhar dinheiro”, não via compromisso e não havia qualidade.
Comecei então a perceber que aquele sonho de Escola perfeita não podia mais continuar. Em seguida fui pra Itaquera na grande São Paulo, também como Professor coordenador, na escola “ CIDADE DE HIROSHIMA”. Lá eu percebi que ainda podia acreditar na educação. Fiquei perto de pessoas que ainda faziam educação, e acreditavam que ela poderia continuar existindo. Fiz o que estava ao meu alcance, ajudei muito, me senti muito útil, em mostrar para aquelas pessoas que eu mesmo sendo um jovem sonhador podia contar com a ajuda deles.
Para concretizar meu sonho eu em 2000 assumi na Prefeitura de São Bernardo do Campo, uma matrícula efetiva de professor de educação básica. Era meu primeiro cargo efetivo. Depois de 10 anos voltei a lecionar para crianças. Continuei no Estado, não mais como professor coordenador, mas como professor de Geografia, onde nos supletivos me deliciava com músicas, peças teatrais, releitura de obras, tudo que colocasse na prática o conhecimento que a geografia poderia proporcionar ao aluno.
Em 2003, assumi outra matrícula, e deixei o Estado, foram 15 anos deixados para trás. Então assumi duas salas de 1º ano do ciclo I. Foi muito gratificante! Acredito que marquei na vida daquelas crianças e até hoje eles ainda lembram-se de mim, das brincadeiras, alegrias e fantasias que juntos criávamos na sala de aula.
Em 2007, voltei pro Estado , pois já sentia falta lecionar geografia, sentia saudades dos adultos, e quando retornei no primeiro dia de aula, entrei na sala de 5ª série e meus olhos se encheram de lágrimas, pois tudo estava do mesmo jeito, aqueles alunos, pulando, gritando, aprendendo ainda sobre o que é” geografia”. Pude perceber que podia passar os anos que fossem as coisas sempre seriam as mesmas, nada mudaria. Fui para uma escola Estadual onde a educação é mesma coisa que um passatempo onde o retorno era só o salário. Não tentei mudar, mas fiz minha parte, mostrei nas realizações dos projetos que ainda se podia acreditar na escola.
4) Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
As mudanças no meu ver são necessárias, mas as pessoas não mudam. As cabeças que estão a frente de uma sala de aula ou direção de escola, ainda continuam iguais, não querem qualidade, falam de qualidade, mas não a fazem.
Diretoras ainda fazendo plano de gestão sozinha, sem ouvir outros professores que se trancam dentro da sala e sozinhos fazem sua aula.
Muitas mudanças, posso apontar, como a Gestão democrática, Progressão Continuada, Parâmetros Curriculares, tudo em busca de qualidade, mas a qualidade só é possível quando todos estiverem consciente de que a escola não é um lugar de brincadeira, onde “o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende”.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Para o futuro, vejo a mesma educação de sempre, pois as pessoas não querem mudanças. O governo efetiva funcionários visando estabilidade, mas a mudança tem que ser real, as pessoas envolvidas na educação tem que acreditar naquilo que estão fazendo, e isso eu não vejo hoje em dia.
Os alunos estão cada vez mais sem interesse, professores colocam a culpa no salário, no governo, na escola. Mas na verdade o que tem acontecido são muitas mudanças no papel e poucas na prática. Acredito que se continuarmos a sonhar educação, um dia chegaremos lá. Mas se continuarmos brincando educação, com certeza, ela permanecerá como está por muitos e muitos anos. Mudanças são bem vindas, desde que mude também a cabeça daqueles que estão a frente de uma sala de aula direção de escola, secretarias etc.
Entrevista com Professores formação de professor geografia históriaEntrevista Com Professores – Ana Maria Gonçalves
Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 5, 2008
A professora Ana Maria Gonçalves (na foto ao lado), doutora em Educação pela Unesp de Araraquara, nos fala aqui sobre sua experiência como professora desde quando fez o magistério, em Goiânia – GO até os dias de hoje, como professora do Campus de Catalão-GO
1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
Nasci em um sítio perto da Cidade de Goiás-GO, mas mudamos logo e, de fato, cresci em uma cidadezinha chamada Caiçara-GO. Aos treze anos fui para Goiânia-GO. Venho, portanto, de um lugar perto da antiga capital. Fiz a primeira fase do 1º grau no interior do estado e a segunda em Goiânia. Cursei Magistério, no Instituto de Educação de Goiás (IEG); Pedagogia, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (FE-UFG). Na FE-UFG fiz mestrado em “Educação Escolar Brasileira” e o doutorado, também em “Educação Escolar”, na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP de Araraquara. Portanto, toda formação em escola pública. Atualmente, trabalho no departamento de Pedagogia, da UFG-Campus Catalão.
2) Como você se tornou professor(a)?
Estranho, olhar para trás e lembrar do que queríamos ser e já não ter certeza se aquilo que somos é tudo que realmente poderíamos ter sido. Mas a questão é que me tornei professora porque fiz Magistério. O 2º grau era técnico e dentre as várias habilitações elegi essa. Assim que conclui comecei a trabalhar como pró-labore em uma sala de 1ª série no “Colégio Estadual Jardim Nova Esperança”, localizado no Setor Jardim Nova Esperança (Era o primeiro ano de funcionamento da escola). Nessa escola fiquei dois anos até ser aprovada em um concurso e ser modulada no “Colégio Estadual Ary Ribeiro Valadão Filho”, no Setor Finsocial. Depois consegui transferir para o “Colégio Estadual Polivalente”, no Setor Jardim América. Em 1992 vivi, também, a experiência de trabalhar na rede privada no “Colégio Rudá”, Setor Sul. Em 1993 fiz concurso para ingresso na carreira de ensino superior, pedi exoneração e vim trabalhar no Campus Catalão, na cidade de Catalão-GO. Simples, não! Você tem sua primeira oportunidade de emprego em uma determinada área, canaliza sua formação para aquilo que está fazendo e torna-se o que aquela área te possibilita ser.
3) Como tem sido a sua experiência como docente?
Sempre procurei desempenhar o ofício da melhor maneira possível, desde o início. Daí, o investimento na formação. No entanto, nunca foi fácil. Às vezes me parece insuportável. Há momentos terríveis com baixos salários (sempre), atraso no pagamento (o que piora a situação), turmas desmotivadas e o clima de trabalho nas escolas e, na própria universidade, nem sempre é bom. Contudo, há algo na experiência em sala de aula que me faz concluir que vale a pena. Desse modo, analiso que a experiência é boa, embora pudesse ser infinitamente melhor se as políticas educacionais no país fossem outras.
4) Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?
Com relação à Educação Básica a possibilidade de universalização do direito a esse nível de escolaridade (olha o otimismo) me parece ser a conquista mais significativa. No entanto, não dá para deixar de registrar a necessidade de políticas voltadas para a qualidade da educação. Quanto ao Ensino Superior acredito que há uma confusão entre democratização e massificação.
5) Como vê a educação no futuro próximo?
Há muito se diz que o mundo se transforma vertiginosamente e a escola não. Vejo com preocupação a mera constatação de que há algo errado e que a sociedade não assuma como prioridade pensar o projeto de educação que se quer para o milênio. Precisamos apresentar uma resposta aos problemas que aí estão e inventar (a escola é uma invenção moderna) uma escola que atenda aos imperativos do nosso tempo. Essa é uma tarefa de todos. Na minha opinião, se isso não for feito, embora não esteja fazendo exercício de futurologia, perderemos o “trem” da história.
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