Por quem e por que foi silenciado o debate sobre o estetismo, na cultura brasileira?
Filed Under Trabalhos Científicos | Posted on Junho 22, 2009
Por quem e por que foi silenciado o debate sobre o estetismo, na cultura brasileira?
O professor Dr. Sergio Pereira da Silva, atendendo ao convite deste blogueiro, dá o ponta pé inicial para a publicação de posts tendo como temática principal o trabalho científico. Vejam abaixo.
O recente convite do professor Wolney para escrevermos sobre “os trabalhos científicos na Academia” nos ressuscitou a indagação que intitula esse breve texto. Penso que a problemática que envolve as práticas de ensino e as, digamos assim: práticas de aprendizagem, atualmente (início do século XXI), na cultura educacional brasileira, ainda é refém do estetismo. Este não se trata de resquícios culturais no nosso jeito brasileiro de ser. Trata-se de um elemento norteador de condutas “imorais”, “estéticas e não éticas”, ainda muito relevante no nosso cotitiano, que condiciona o que pensamos, como pensamos, como agimos e a intensidade do nosso agir.
Mas, afinal, o que é o estetismo? Algumas coisas nos vêem à mente para caracterizá-lo: seria fazer para inglês ver; seria o grande empenho retórico no ponto de partida dos projetos e perda desse empenho ao longo do mesmo, até culminar o tempo do projeto, sem que os objetivos tenham sido alcançados; seria um grande empenho na aparência (primeira capa) dos trabalhos e fragilidade ou superficialidade no conteúdo e extensão dos mesmos; seria excessiva ornamentação nos projetos de estudo, de ensino e improviso na sua implementação; seria leitura superficial e panfletária, assim como ausência de aprofundamento nas questões polêmicas, sejam políticas, culturais ou científicas, em função da crença de que a ornamentação do enfoque (o fazer-de-conta-que-se-faz) e intenção alardeada, bastam; seria a presença física em sala de aula, ou através da assintura no trabalho em grupo, como condição suficiente (ornamentação) e legitimadora da aprovação no curso, na disciplina; seria ainda o cristalizado “ethos” de que a intenção é suficiente e de que a não conclusão dos empenhos é devido às determinações, quase sempre macro e, portanto, alheias à força de vontade do indivíduo etc..
Esse estetismo não aparece somente nas práticas discentes. Para cada ação do discente há uma correlação estimulante nas práticas docentes e conivência dos gestores da educação. É, portanto, um fenômeno cultural, não há culpados individualizados no ponto de chegada desse fenômeno cultural. Como fenômeno cultural, não há uma consciente intencionalidade que organiza e implementa essas posturas e atitudes.
De onde vem esse estetismo? Regis de Morais (Cultura Brasileira e Educação,2002); Mário Vieira de Mello(O conceito de uma Educação da Cultura1980 e Desenvolvimetno e Cultura – O problema do Estetismo no Brasil,1986) culpam os portugueses, sua colonização de exploração e sua superficial acolha do estetismo renascentista italiano. Os portugueses teriam se apropriado do estetismo via França, não beberam direto das fontes italianas. Além disso, são famosas a incompetência e superficialidade lusitanas na compreensão e apropriação da densa filosofia européia.
Para estes autores, nossos primeiros acadêmicos, na “República dos Bacharéis”, foram os juristas, formados em Portugal, inclusive estes juristas eram responsáveis pelas primeiras aulas de Filosofia no Brasil. Ora, com o brilho retórico e espetaculoso, que tem sido o timbre das escolas e grupos jurisconsultos no Brasil, não é de se admirar que nossos primeiros professores universitários trouxeram, de Portugal, os germes do estetismo no interior de suas boas intenções formativas. Para esses juristas, o belo antecedia em valor moral ao verdadeiro, o empolgante ao idôneo, o brilho à seriedade, a complacência ao rigor. O conceito de estética de Mello e Morais é inspirado em Kierkegaard, filósofo dinamarquês e difere da versão nietzschiana correspondente.
Essa cultura educacional estetizante, segundo Morais e Mello, recebeu o reforço de uma emergente nação sem consistentes bases éticas. Esses autores acusam o catolicismo brasileiro de fragilidade ética enquanto os protestantes de outras colônias eram mais rigorosos nesse quesito. De fato, são famosas as diferenças entre a ética protestante e a católica no que diz respeito ao modo de lidar com as coisas desse mundo, com os valores de conduta, com a interferência nos desafios cotidianos de subsistência, de produção, de colonizar para construir uma nova pátria (em vez de explorar e pilhar a colônia em proveito da “Metrópóle”), dentre outros desafios imanentes.
Desse modo, nosso Brasil “ocidental”, rescém-emancipado de Portugal, nasceu num contexto imoral, habituado a exemplos de pilhagem, superficialidade, descontinuidade e fragilidade nos projetos sociais. Nasceu sem raízes fincadas nos mananciais éticos forjados pelas grandes e seculares culturas européias. De lá prá cá, modismos e descontinuidade se alternam e somos cada vez mais espetaculosos, histriônicos e superficiais. Nosso empenho e rigor tem fôlego curto porque o espetáculo da nossa retórica já nos satisfaz; nossa catarse, numa cultura estetizante, já basta por si só.
A argumentação desses autores não pode ser resumida nessas breves linhas sem que contradigamos ou superficializemos suas idéias, mas o essencial é isso: não somos sérios, somos superficiais em quase tudo que fazemos e o motivo é nossa colonização cultural, sem a vontade/intenção do colonizador de projetos a longo prazo, sem consistência ética na cultura de exploração desse colonizador.
Pôxa!! Que banho de pessimismo desses autores em relação à nossa brasilidade! É quase uma difamação. Difícil é afirmar que eles não têm alguma razão no que dizem e, mais difícil ainda, é ignorar ou negar que, nos trabalhos acadêmicos e científicos e demais atividades na universidade, agimos tal qual descrevem.
Inspirados nesses autores, concluímos que carecemos de um “choque cultural”, uma espécie de quimioterapia cultural, porque seria algo arrojado, com danos colaterais, mas imprescindível. Nos mais diversos espaços sociais: família, igreja, sindicato, escola, universidade, nas ruas, nos shopping centers, na tv, no rádio, na internet etc.., precisamos fazer a catequese ética dos cidadãos. Mostrar, com exemplos concretos, que precisamos mais ser éticos do que estéticos, na perspectiva que foi descrita.
Finalmente, cabe indagar: por que esse debate relevante e pertinente, da década de sessenta e setenta foi calado, ignorado nas décadas de oitenta e noventa do século passado?
Uma resposta provável e plausível é a de que o marxismo emergente, nos debates acadêmicos na segunda metade do século XX, profundamente estetizante na sua versão brasileira, aliado ao poder do catolicismo na vertente tradicional tanto quanto na “Teologia da Libertação”, também impregnado de práticas estetizantes, estigmatizaram as análises de Mello (em quem se inspira Morais especificamente nesse tema) como sendo “moralistas e reacionárias” e lograram o êxito político de expulsá-las do debate cultural, pedagógico e político hegemônicos.
Qualquer que seja a resposta à pergunda que intitula esse breve texto, urge recuperarmos esse debate como mais uma perspectiva a contribuir na compreensão da nossa brasilidade e sua implementação nas práticas educacionais.
Prof. Sérgio Pereira da Silva - UFG- Catalão
Primeiro Dia Curso Especialização Em Educação Especial
Filed Under Eventos | Posted on Março 3, 2009
Primeiro Dia Curso Especialização Em Educação Especial
No primeiro dia do Curso de Especialização em Educação Especial, promovido pelo Curso de Pedagogia, da Universidade Federal de Goiás – Campus de Catalão, houve apresentação de um coral do Colégio Joaquim de Araújo (da esquerda para a direita: Sergio, Graziela, Geise, os três são surdos e a colaboração das professoras Lidiane, Joana, Helena e a professora instrutora, Maria de Lurdes).
Abaixo, algumas fotos do evento, tiradas por mim e pelo Roberto, secretário do Curso de Pedagogia – UFG-CAC. O primeiro quadro de slides está com som. Portanto, quem for assistir ao vídeo acima, coloque os slides no modo “sem som”.
O evento teve a participação dos professores e professoras do Curso de Pedagogia que irão trabalhar as disciplinas a serem oferecidas durante todo o ano de 2009. Além desses professores, haverá também a participação de outros três convidados.
Cultura E Educação Especial
Filed Under Eventos | Posted on Março 2, 2009
Cultura E Educação Especial
O objetivo deste post é simples: primeiro, oportunizar a todos(as) alunos(as) matriculdo(as) na disciplina Cultura E Educação Especial, do Curso de Especialização “Educação Especial e Processos Inclusivos”*, da Universidade Federal de Goiás – Campus Catalão, promovido pelo Curso de Pedagogia. Portanto, todos estão convidados a postarem comentários, indicando:
- Nome
- Formação acadêmica
- Por quê está fazendo esta especialização lato sensu?
Em segundo lugar, gostaria de indicar a leitura do post Quando o Professor Estuda O aluno Aprende. Ao pensar sobre o conteúdo desta disciplina, o texto do professor Pedro Demo foi importante na definição da estratégica teórico metodológica da mesma. Como se trata de um curso que visa abordar questões sobre cultura e diferenças, e como, no caso da Educação Especial a importância do professor no processo de aprendizagem do aluno é fundamental, eu acredito que as idéias de que o professor é a centralidade da aprendizagem do aluno merecem ser discutidas neste contexto.
Aqui estão os dados da Disciplina Cultura E Educação Especial:
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Disciplina: Cultura e Educação especial Carga horária: 60 horas
Docentes responsáveis: Wolney Honório Filho Maria José da Silva Docentes participantes: ________________________________________________________________ Ementa
A formação cultural brasileira e os processos de construção da exclusão/inclusão social e educação. |
Objetivos:
- Analisar o processo de formação da cultura brasileira sobre a ótica da exclusão/inclusão social. |
Programa:
Unidade I – A cruz da desigualdade: a duplicidade da aventura colonizadora Unidade II – cultura brasileira e culturas brasileiras Unidade III – Educação, cultura e exclusão/inclusão. |
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Metodologia Leitura de textos. Aulas expositivas e /ou dialogadas. Discussão das temáticas em em pequenos grupos e elaboração de textos para discussão. |
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Bibliografia básica: BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 DAMATTA, Roberto. Relativizando: uma introdução à Antropologia Cultural. São Paulo: Rocco, 2000 DAMATTA, Roberto. O que faz o Brasil, Brasil? São Paulo: Rocco, s/d. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan S.A., 1989 RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006 SAHLINS, Marshall. Ilhas de História. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.
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Por fim, quero desejar a todos os alunos e alunas um ótimo curso e que aproveitem o seu tempo para novas dimensões do aprendizado.
* Hoje, dia 02 de março de 2009 começamos as atividades deste Curso de Especialização.
Vozes Da Maioria Silenciada
Filed Under Cinema | Posted on Fevereiro 14, 2009
Vozes Da Maioria Silenciada
No próximo dia 02 de março iniciamos o curso de especialização em Educação especial. Eu e a minha colega Maria José da Silva vamos oferecer a disciplina “Cultura e Educação Especial”. Mas o motivo deste post não é falar do curso, coisa que falaremos em outro momento, especialmente sobre esta disciplina. O que gostaria de indicar aqui é um documentário sobre a palestina – Vozes Da Maioria Silenciada - que é imperdível. O filme está aqui:
cinema cultura educação especial palestina silenciadaCultura, Educação Ambiental E Cidadania No IV SEPEC Catalão
Filed Under Notícias, Sem categoria | Posted on Outubro 9, 2008
Cultura, Educação Ambiental E Cidadania No IV SEPEC Catalão
Nos próximos dias 04, 05, 06 e 07 de novembro será realizada a quarta versão SEPEC – Simpósio de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura do Campus de Catalão, promovido pela CECCAC – Coordenação de Extensão e Cultura do Campus de Catalão.
O tema desta quarta versão será: Cultura, Educação Ambiental e Cidadania. Veja abaixo a programação geral:
PROGRAMAÇÃO GERAL
Dia 04 de Novembro
Tarde: Credenciamento a partir das 17: 00 (Auditório do CAC/UFG)
Noite: Conferência (20 h) - tema a definir (*atividade proposta pelo Curso de História do CAC/UFG).
DIA 05 de Novembro
Manhã: Apresentação de trabalho
Tarde: Apresentação de trabalho e Curso de Extensão Filologia e Ciências Afins (Letras-CDPEC)
Noite: Show de samba com o Movimento Cultural Eterna Chama (de Uberlândia) – 20 h – Auditório do CAC/UFG.
Dia 06 de Novembro
Manhã: Apresentação de trabalho
Tarde: Apresentação de trabalho e Curso de Extensão Filologia e Ciências Afins (Letras-CDPEC)
Noite: Mesa-redonda com o tema: “Educação ambiental e o lixo nosso de cada dia”. Componentes: representantes da ASMARE (Associação dos Catadores de papel/papelão e material reaproveitável de Belo Horizonte).
Dia 07 de Novembro
Manhã: a definir (atividade proposta pelo Curso de Física).
Tarde: Curso de Extensão Filologia e Ciências Afins (Letras-CDPEC) e: atividade a definir proposta pelo Curso de Física.
Noite: a definir (atividade proposta pelo Curso de Física).















