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Cegueira

Filed Under Estudantes | Posted on Julho 3, 2008

Cegueira


Aline Cordeiro*

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São consideradas cegas não somente as pessoas que vivem na escuridão total, mas também aquelas que têm problemas visuais graves, mesmo que elas tenham alguns resquícios de visão que possam ser aproveitados no seu desenvolvimento e aprendizagem, são consideradas legalmente cegas.

 

Segundo (Esperanza Ochaíta e Mª Ángeles Espinosa, 2004) na Espanha são considerados cegos aqueles que possuem menos de um décimo de visão. Neste sentido, a perda total ou parcial no sistema visual faz com que as crianças com deficiência visual tenham que utilizar outros órgãos de sentidos sensoriais, como por exemplo, o tato e a audição que são os mais utilizados para manter contato com outras pessoas.

 

Através do tato as crianças cegas têm oportunidade de conhecer o mundo a sua volta, não é por acaso que é considerado um dos mais importantes, pois ele permite o contato direto com o objeto. Mas este processo de aprendizagem é muito lento em relação às crianças videntes, pois o aprendizado se dá de forma seqüencial, ou seja, o objeto é explorado pela criança parte por parte até que ela consiga internalizar a imagem total do mesmo.

 

A audição também é importante porque é utilizada para a comunicação verbal e ajuda as crianças não videntes a localizar pessoas e objetos no espaço. O olfato é utilizado para reconhecer pessoas e ambientes onde se encontram proporcionando a orientação e mobilidade das mesmas. Os cegos não possuem maior sensibilidade tátil ou olfativa com relação às pessoas ditas “normais”. A diferença é que na ausência da visão eles aprendem a utilizá-los melhor que as pessoas videntes.

 

Existem três tipos de diferenças entre as crianças consideradas deficientes visuais: o momento da aparição dos problemas visuais, a forma de aparição e o grau de perda de visão. Isto pode acontecer ao nascimento, logo depois de nascer ou de modo gradual. O grau de visão funcional é importante para possibilitar a utilização de caminhos alternativos para o seu desenvolvimento educacional.

 

O desenvolvimento dessas crianças também vai depender do contexto social em que ela está inserida, como por exemplo, o ambiente escolar, familiar e cultural, explicando assim as diferenças na relação: ensino - aprendizagem.

 

De acordo com (Espinosa e Ochaíta, 2004) a avaliação do grau de deficiência visual é muito importante e deve ser feita em dois níveis diferentes. É preciso ser realizado um bom exame oftalmológico e também uma avaliação do grau de resquícios visuais, onde um irá complementar o outro.

 

O exame oftalmológico deve incluir dados para orientar a avaliação e determinar o tratamento adequado.

 

A avaliação funcional tem o objetivo de considerar os resquícios visuais para uma possível utilização em diferentes situações e tarefas como, por exemplo, testar a reação do sujeito diante da presença de uma luz, para saber se ele é capaz de acompanhar um determinado objeto com o olhar.

 

Com relação à primeira infância as autoras destacam que os bebês cegos, desde os primeiros anos de vida sabem reconhecer a voz da mãe e demonstram isto girando o corpo em direção ao som, os bebês cegos também apresentam o mesmo gesto inato que as crianças ditas “normais” de relaxamento do rosto que é interpretado pelo adulto como sorriso.

 

A forma de vinculo e apego se dá a partir do segundo mês, os bebês não videntes começam a tocar os rostos das pessoas mais próximas deles, usando uma forma não visual de identificação do outro.

 

O desenvolvimento dos esquemas sensório – motores acontecem a partir do 5º ou 6º mês, onde os bebês deixam de ter um interesse prioritário pelas pessoas a sua volta e começam a se interessar por objetos físicos. Que depende das pessoas que estão com ele porque a única forma dele saber que o objeto existe é quando o objeto estiver em contato com a sua mão.

 

No período pré – escolar as autoras destacam que as crianças cegas encontram inúmeras dificuldades para utilizar vias não – visuais de apoio à comunicação verbal, isto faz com que elas necessitem que os adultos saibam interpretar as vias alternativas de comunicação da qual elas tem acesso.

 

Através do jogo simbólico as crianças cegas recorrem às imitações dos adultos para desenvolver jogos de ficção como, por exemplo, troca de papéis. É importante destacar que o brinquedo preferido das crianças cegas é o telefone por ser um instrumento que pode ser tocado e ouvido.

 

A etapa escolar é um período de desenvolvimento intelectual e as crianças não – videntes neste caso não apresentam problemas sérios, apesar de ter características particulares diferenciadas das crianças ditas “normais”. Sobre a integração social dessas crianças é necessário que as escolas complementem as aulas como, por exemplo, a utilização de professores de apoio, que possuem o papel de explicar individualmente o conteúdo dependendo da necessidade de cada aluno. 

 

A adolescência é um período de difícil adaptação para meninos e meninas com deficiência visual grave, por ser uma etapa de transformações físicas e de personalidade, as relações sociais se tornam comprometidas e em alguns casos podem ocorrer problemas de integração com os grupos de amigos videntes.

 

O acesso à língua escrita é feita através do Braille (sistema de leitura tátil para pessoas cegas) que foi inventado pelo Francês Louis Braille que, em 1829, publicou o seu método, sendo composto por seis pontos em duas colunas em relevo, onde a partir deles é possível fazer 63 combinações que podem representar letras simples e acentuadas, letras de musicas…

 

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 O alfabeto Braille

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Na escrita pode ser utilizado um aparelho manual chamado de reglete que na placa superior funciona com uma régua e possui retângulos vazados correspondentes a cela Braille. O punção é uma ferramenta que contém uma pequena haste de metal com a ponta arredondada e com punho anatômico para encaixar na mão.

No reglete a escrita Braille é feita da direita para esquerda, na seqüência de letras e símbolos. A leitura é feita normalmente da esquerda para a direita, apalpando os relevos feitos pelo punção com a ponta do dedo indicador.

 

Veja o reglete e a punção:

 

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Existe também a máquina de escrever manual a Perkins que apesar de ser tradicional ajuda bastante a escrever em Braille.

 

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Com a modernidade já e utilizado máquinas e impressoras que facilitam um pouco a vida das pessoas cegas ou com deficiência visual que enfrentam muito preconceito por parte das pessoas que desconhecem sua necessidade especial ou não se importam em ajudá–las.

A sociedade precisa se dar conta que independente da dificuldade ou deficiência somos todos iguais no que diz respeito ao aspecto humano e que cada um é diferente entre si e pode sim contribuir para transformação da sociedade, somos todos iguais e capazes de alcançarmos nossos objetivos, para isto basta apenas perseverança e força de vontade.

 

Dados Bibliográficos:

 

OCHAÍTA, Esperanza; ESPINOSA, Maria A. Desenvolvimento e intervenção educativa nas crianças cegas. In: COLL César;

 

MARCHESI Álvaro; PALACIOS Jesús & Colaboradores (Orgs.) Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. V.3, Edição. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004.

 

As figuras foram retiradas do site: http://www.padrechico.org.br/Leitura_e_Escrit_Braille.htm

 

 

 

*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

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