Carta Aos Deputados Sobre Royalties Do Petróleo Para Educação
Filed Under Púlpito | Posted on Outubro 24, 2011
Carta Aos Deputados Sobre Royalties Do Petróleo Para Educação
Abaixo, cópia da carta que a SBPC – Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência - encaminhou aos 513 Deputados Federais, solicitando destinação de Royalties do Petróleo para a Educação. Como membro da SBHE – Sociedade Brasileira de História da Educação - que também subscreveu o referido documento, divulgo abaixo, a carta na íntegra:
SP, 24 de outubro de 2011
SBPC/ABC-147/Dir.
Excelentíssimo Senhor
Deputado
Assunto: Royalties do petróleo para educação, ciência, tecnologia e inovação.
Senhor Deputado,
No último dia 19 de outubro o Senado Federal aprovou Projeto de Lei 448 referente à partilha dos Royalties do Petróleo. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), ao lado de sociedades científicas das diferentes áreas do conhecimento, entendem que este é um assunto da maior importância para o desenvolvimento de nosso país e por isso defendem a destinação de parte expressiva daqueles royalties para as áreas de Educação e da Ciência e Tecnologia.
Caberá a esta casa, que representa o povo brasileiro, reverter a ausência de compromisso com o futuro da nossa nação, expressa no Projeto de Lei aprovado no Senado Federal.
São muitas as razões para se investir em Educação, Ciência e Tecnologia, no entanto, salientamos:
- O Brasil precisa suprir com urgência as graves carências de seu sistema de ensino, especialmente na educação básica e no ensino técnico;
- Investimentos em ciência, tecnologia e inovação são imprescindíveis para que a economia brasileira se torne moderna e sustentável, e sua produção, tanto industrial como agrícola, tenha competitividade
nos mercados globais;
- As reservas de petróleo, mesmo que abundantes, são finitas.
O Projeto tem mais um agravante. Se levado adiante, teremos o fim da destinação de parte dos royalties do petróleo para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Na certeza de que Vossa Excelência cumprirá seu dever de representante do povo brasileiro, relembramos que o petróleo é um recurso da nação brasileira e seu uso até o presente se fez possível pela ciência. Assim, os recursos oriundos dessa commodity deverão compor um programa de Estado e não de Governo, que se olhar para o futuro reconhecerá a fragilidade da educação e da ciência brasileira.
Agradecemos imensamente a compreensão de Vossa Excelência e permanecemos à disposição para mais esclarecimentos.
Atenciosamente,
HELENA BONCIANI NADER JACOB PALIS
Presidente da SBPC Presidente da ABC
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Filed Under Púlpito | Posted on Maio 8, 2010
CARTA PARA MÃES DE PRIMEIRA VIAGEM
(Um beijo especial à Lola, mãe do David)
Por Claudia Flores
Na vida, no mundo, no planeta, uma coisa é certa: há o antes e o depois.
Mães trintonas, quarentonas, não se cansam de dizê-lo àquelas que ainda não entraram no mundo da maternidade: “Depois do filho, tudo muda, hein!” Na maior parte das vezes, a pretensa mãe fica ali, escudada nessa distância, que separa as mulheres que asseguraram sua descendência de forma tranqüila, das outras, cuja frase parece mais uma sentença exagerada e assustadora.
Tudo isso para dizer o óbvio: o nascimento de um bebê acarreta toda uma nova definição daquilo que julgamos ser uma rotina normal. O parto é apenas o início de um processo de mudança estrutural na vida de uma mulher, afinal, é o momento em que nasce não somente um filho, mas também uma mãe, passageira de uma aventura para a qual nunca se está suficientemente preparada.
A maternidade gera alterações físicas, psicológicas e emocionais súbitas numa mulher. Os bebês tem o poder de mudar a natureza das nossas relações e podem -ou não- mudar as nossas atitudes e prioridades de maneira muito profunda. É como se atravessássemos uma ponte de sentido único: podemos olhar para o lugar onde estávamos, mas não podemos voltar.
O que é, então, tornar-se mãe?
Há quem diga que as primeiras semanas do bebê se assemelham um pouco à ressaca de carnaval. Tudo está envolto num manto de estranheza. Há uma pessoa nova em casa, vinda de dentro da mulher e não do exterior, que chama a qualquer hora do dia ou da noite e à qual nunca se pode dizer “chame mais tarde, porque agora mamãe está com sono.” Depois, é o próprio corpo que não se reconhece, com volumes e formas inesperadas e dores onde não se julgou possível existir acompanhado de um cansaço constante. Além disso, há um time feminino dizendo que tudo é normal, mesmo que à mãe recém-nascida a situação pareça estranha e assustadora, e só a sossegue algo que se assemelha a um sorriso no rosto do seu filho. Ah, isso sim é pura magia!
Volta e meia a mãe novinha e recém-nascida se questiona como é que uma criatura tão pequenina pode causar tamanho caos à sua volta e exigir todos os minutos da sua atenção. Anda pela casa, feliz, porém estafada…A ela lhe parece que o dia gira em torno de mil e uma coisas: das fraldas, das visitas, do ninho desarrumado, e cada vez que o som do choro lhe toma os ouvidos sente-se na obrigação de saber imediatamente o porquê. Não que a situação lhe seja completamente alheia, afinal uma ou duas das suas melhores amigas de infância tiveram filhos, mas o fato é que nunca - ou quase nunca - mencionamos as verdadeiras dificuldades, porque que há um certo tabu em falar dos nossos medos, posto que temos que ser mães perfeitas, estilo refresco de pacote ao qual só basta juntar água e… tá pronto!
O mundo gira… e se modifica. Refiro-me aqui a essa mudança sísmica que caracteriza a maternidade. Ter um filho muda a forma de nos sentirmos mulheres e de nos relacionarmos com a nossa imagem no espelho. É como se saíssemos de uma determinada pele para nos ajustar a outra, totalmente nova. É o momento em que a mulher deixa de ser a menina da sua mãe para se tornar a mãe do seu filho. Isso pode causar uma mudança profunda, uma viagem interna até a sua infância e a toda uma herança inconsciente de gerar um filho e se lançar como mulher na descoberta de si mesma sob a responsabilidade da perpetuação da espécie. Um filho nascido de nossas entranhas nos dá uma sensação tão forte de propósito, de pertencermos a alguém importante, de sermos necessárias, de prestação de cuidados, de calor, de afeto… Mas, através desta aquisição extraordinária, perdemos por uns tempos também todo o sentido dos seres diversos e integrais que somos.
A maternidade é divina e cheia de contradições. Em tempos de modernidade, existem duas etapas para a maternidade: a primeira é quando nos descobrimos grávidas. Todos (amigos e parentes) nos apóiam e paparicam. Somos o centro das atenções. Porém, o bebê nasce e a coisa muda de figura: mesmo que de forma velada, o “grupo de apoio”, exige praticamente que estejamos na melhor forma ao sair da maternidade, sorridentes e impecáveis e em uma calça jeans.Claro, a cena é um exagero, mas não uma inverdade.
O nascimento de um bebê definitivamente muda a vida de uma mulher, porém provoca ondas de choque na existência do pai. Além da novidade do filho, o homem tem de aprender a lidar com uma estranha e (super) sensível companheira, cuja instabilidade hormonal aliadas a poucas horas de sono e muito estresse podem acabar em ataques de choro sem razão aparente.
Então, é justo que se diga que é nos primeiros tempos após o parto, que o Papai precisa aceitar se deixar ficar para, digamos, um segundo plano e observar a forma como a sua mulher se apaixona perdidamente pelo novo habitante da casa. É aí que a voz da experiência sussurra: “Apaixone-se você também, pois isso só fará do casal melhores pais, além de os aproximarem mais.”
Resta dizer, após essa digressão envolta em lucidez e afeto, que ofereço às “Mães de Primeira Viagem”, o registro do meu carinho e o desejo de que consigam, da forma mais generosa possível, aceitar e gozar da maternidade mesmo frente à natureza caótica e arbitrária da vida moderna. Ser mãe e mulher é aceitar e oferecer a si mesma a mudança orgânica e salutar que os filhos trazem à nossa vida, porque ser MÃE É UMA BELA E COMPLEXA VIAGEM.
Carta De Amor E A Escrita Coletiva
Filed Under Cinema | Posted on Novembro 16, 2008
Carta De Amor E A Escrita Coletiva
Ontem estive revendo o filme Coração de Cavaleiro, exibido pela Rede Globo, na sessão de sábado. Fiquei, inicialmente, curioso em ver na telinha o ator Heath Ledger e a história engraçada do homem que não tinha nenhuma herança nobre e que se fez cavaleiro, depois de demonstrar um comportamento honroso perante o príncipe inglês, filho do Rei Eduardo.
Bom, o motivo deste post, entretanto, é outro. Há uma cena no filme, reproduzida abaixo, que quando vi pela primeira vez, não me despertou para o que ocorreu agora: a escrita de uma carta de amor ancorada nas histórias de amor dos amigos de Wiliam, o personagem representado por Ledger. Ora, é uma demonstração cinematográfica da escrita numa perspectiva diferente daquela em que o escritor, sentado em sua escrivaninha, em frente a uma vela acesa, com sua caneta pingando tinta (lembrei-me agora do filme do Shakespeare apaixonado) e construindo suas idéias em linhas horizontais. Esta é uma perspectiva muito comum na nossa imaginação ocidental do escritor.
Porém, no filme “Coração de cavaleiro” a imagem é outra. Um grupo reunido, inspirados na necessidade de escrever uma carta de amor, começa a narrar suas próprias histórias e o escrevinhador, um dos membros do grupo, por sinal o que sabia escrever, acompanhando as histórias e as transformando em carta.
Ora, não é esta a nossa prática de construir textos, ou seja, ir catando outros pedaços de histórias e unindo-as numa trama própria? Mesmo quando solitário, o escritor está ali, rodeado de interlocutores representados pelos livros e artigos. Mas o forte da cena é a junção da oralidade com a escrita. Enquanto uns vão contando suas histórias, o escrevinhador vai anotando e as transformando em carta. Vejam:
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