Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Abril 11, 2010
Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância
Em Setembro de 2009, quando da minha primeira visita à PUCRS, no programa da FACED, cursando o pós-doutorado, participei de algumas aulas na graduação da Professora Dra. Maria Helena Menna Barreto Abrahão, orientadora do meu projeto. Na ocasião conheci a aluna do Curso de Pedagogia, Carolina Rios Pinto Costa, uma das responsáveis pela empresa APRATA. Esta empresa lançou em novembro de 2009 o Kit Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância.
Enfim, foi doado para ao Curso de Pedagogia – UFG-Catalão e ao Curso de Especialização
Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância
Dirigida aos mais de 46 mil jovens e crianças com deficiência visual, a Coleção trazà obra infantil do poeta e vêm ilustrada e musicada por grandes nomes do RS
Uma coleção impressionante homenageia o poeta gaúcho Mario Quintana reunindo parte da sua obra infantil em volumes em Braille e fonte ampliada. O Batalhão das Letras, Pé de Pilão e Lili inventa o Mundo são os três primeiros volumes da coleção, que ainda terá em breve mais dois livros: Sapo Amarelo (volume 4) e Sapato Furado (volume 5). Ilustrados por grandes desenhistas, os livros vêm acompanhados de CDs com trilha original criada por renomados músicos e artistas gaúchos. O projeto Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância, realizado pela aprata, é dirigido as 46.602 mil crianças e jovens cegas do Rio Grande do Sul. A coleção ganhou o patrocínio do Grupo CEEE – SIM/LIC e teve lançamento no dia 25 de novembro/2009, às 16h, no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.
Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância reúne três diferentes equipes, todas convidadas para um único objetivo: mergulhar na obra infantil e no universo do poeta Quintana trazendo à tona o viés de cada um, suas provocações, seus desafios, suas imagens e ideias além de todo o processo de criação e de ação das equipes, visando à formação educacional e cultural de crianças e jovens cegas inseridas em diversas instituições escolares distribuídas em 43 municípios do RS.
Tudo começou em 2007, ano de lançamento da publicação, Aprendiz de Feiticeiro – 100 anos de Mario Quintana: A busca dos Sentidos - A Rua dos Cataventos, um projeto elaborado para acompanhar as comemorações do centésimo aniversário de nascimento do poeta, voltado para os deficientes visuais adultos com cegueira total ou parcial. Na ocasião a empresa aprata criou e desenvolveu um kit com os livros e Cd de áudio contendo sonetos do poeta, interpretados pelas atrizes Arlete Cunha e Valéria Lima. Neste trabalho, dezessete sonetos - dos 35 criados por Quintana -, foram musicados com trilha inédita de Geraldo Flach. O projeto gráfico foi criado pela Type Design e a ilustração da capa foi feita por Zoravia Bettiol.
O sucesso do primeiro projeto e os seus resultados junto ao público alvo - em média, 45 mil adultos cegos receberam os kits e 95 instituições receberam 500 exemplares gratuitamente – fizeram com que aprata mergulhasse nesse novo projeto voltado para crianças e jovens. O árduo trabalho só foi possível graças à parceria e ao diálogo com a família do poeta, através da figura da sobrinha e responsável por toda a sua obra, Elena Quintana. Para “costurar” os três volumes foi convidado o artista gráfico Fabio Zimbres também criador da logomarca que fez um primoroso trabalho dando ainda mais brilho aos desenhos de Gelson Radaelli, Rodrigo Rosa e Rick Bols. As trilhas também são um show à parte: Dunia Elias e músicos (com a participação de Simone Rasslan), a Cia Escalafobética (dirigida por Elena Quintana) e Mônica Tomasi e músicos (com a interpretação da atriz Liane Venturella e as participações especiais de Elisa Lucinda e Adriana Maciel), assinam as criações.
A empresa aprata incrementou o kit com um DVD que registra o processo de criação de todos os participantes. Esse documento é mais uma ferramenta de ação e de inclusão para o público-alvo do projeto, que são as crianças e jovens estudantes entre 6 e 14 anos e seus docentes, que irão trabalhar esse material de forma didática e construtiva, dando continuidade ao excelente conteúdo que é a obra do Quintana.
Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância
Ficha técnica dos volumes
Volume 1 - O Batalhão das Letras (1948)
Foi o primeiro livro escrito por Mario Quintana para as crianças. O poeta fala de um Batalhão de Letras que são as 26 letras do alfabeto, desde o A até o Z, de forma simples e divertida.
Ilustrações - Gelson Radaelli
Design gráfico - Bento de Abreu
Trilha sonora - Dunia Elias
Músicos - Artur Elias, Mimo Aires, Ayrton Zettermann
Intérprete - Simone Rasslan
Participações: Letra I: Artur, Mimo, Ayrton e Lauro Faccin. Letra J: Paulo Calloni. Letra P : João Paulo Falavigna.
Volume 2 - Pé de Pilão (1975)
O poeta conta que a história foi escrita de uma só vez, numa noite em que não conseguia dormir. De forma, surpreendente Mario Quintana apresenta as personagens conforme toda a ação vai acontecendo, através de uma trama e de rimas que ultrapassam a imaginação!
Ilustrações - Rodrigo Rosa
Design gráfico - Camila Kieling e Marta Castilhos
Trilha sonora - Cia. Escalafobética
Narração - Arlete Cunha
Interpretações - Valéria Lima, Lindsay Gianuca e Jacqueline Rosa
Direção e prólogo - Elena Quintana
Volume 3 - Lili inventa o Mundo (1983)
Nesta obra o poeta mergulha no universo de sonhos de Lili. Expressa também todo o seu lirismo e sensibilidade, pois Lili e Quintana imaginam um mundo de cores e de sensações com muita inteligência, verdade e espontaneidade.
Ilustrações - Ricky Bols
Design gráfico - Adel Fabian Giacomini
Trilha sonora - Monica Tomasi
Músicos - Mário Carvalho, Ricardo Arenhaldt, Luis Mauro Filho e Monica Tomasi
Intérpretes - Liane Venturella, Monica Tomasi e Adriana Maciel
Participação especial - Elisa Lucinda nos poemas “Sonatina Lunar”, “O Conto de todas as Cores”, “Família Desencontrada”, “Velha História” e “Poema de Fim de Ano”.
Na faixa “Canção do Primeiro do Ano” Participaram Clauber Scholler e Jacqueline Rosa
Braille Quintana – Coleção Mario Quintana para a Infância
Lançamento dia 25 de novembro, às 16h
Auditório Barbosa Lessa/ Centro Cultural CEEE Erico Verissimo
Rua dos Andradas, 1223
Entrada franca
aprata
Leocádia Costa e Carolina Rios Pinto Costa
(51) 3013.6781
braillequintana@gmail.com
Informações para a imprensa:
Bebê Baumgarten e Kellen Hoehr/ BD Divulgação
(51) 3028.4201 / 8111.8703
Nextel - 7814.2244 - ID 84*39184
bebebaumgarten@terra.com.br
Cegueira
Filed Under Estudantes | Posted on Julho 3, 2008
Cegueira
Aline Cordeiro*
São consideradas cegas não somente as pessoas que vivem na escuridão total, mas também aquelas que têm problemas visuais graves, mesmo que elas tenham alguns resquícios de visão que possam ser aproveitados no seu desenvolvimento e aprendizagem, são consideradas legalmente cegas.
Segundo (Esperanza Ochaíta e Mª Ángeles Espinosa, 2004) na Espanha são considerados cegos aqueles que possuem menos de um décimo de visão. Neste sentido, a perda total ou parcial no sistema visual faz com que as crianças com deficiência visual tenham que utilizar outros órgãos de sentidos sensoriais, como por exemplo, o tato e a audição que são os mais utilizados para manter contato com outras pessoas.
Através do tato as crianças cegas têm oportunidade de conhecer o mundo a sua volta, não é por acaso que é considerado um dos mais importantes, pois ele permite o contato direto com o objeto. Mas este processo de aprendizagem é muito lento em relação às crianças videntes, pois o aprendizado se dá de forma seqüencial, ou seja, o objeto é explorado pela criança parte por parte até que ela consiga internalizar a imagem total do mesmo.
A audição também é importante porque é utilizada para a comunicação verbal e ajuda as crianças não videntes a localizar pessoas e objetos no espaço. O olfato é utilizado para reconhecer pessoas e ambientes onde se encontram proporcionando a orientação e mobilidade das mesmas. Os cegos não possuem maior sensibilidade tátil ou olfativa com relação às pessoas ditas “normais”. A diferença é que na ausência da visão eles aprendem a utilizá-los melhor que as pessoas videntes.
Existem três tipos de diferenças entre as crianças consideradas deficientes visuais: o momento da aparição dos problemas visuais, a forma de aparição e o grau de perda de visão. Isto pode acontecer ao nascimento, logo depois de nascer ou de modo gradual. O grau de visão funcional é importante para possibilitar a utilização de caminhos alternativos para o seu desenvolvimento educacional.
O desenvolvimento dessas crianças também vai depender do contexto social em que ela está inserida, como por exemplo, o ambiente escolar, familiar e cultural, explicando assim as diferenças na relação: ensino - aprendizagem.
De acordo com (Espinosa e Ochaíta, 2004) a avaliação do grau de deficiência visual é muito importante e deve ser feita em dois níveis diferentes. É preciso ser realizado um bom exame oftalmológico e também uma avaliação do grau de resquícios visuais, onde um irá complementar o outro.
O exame oftalmológico deve incluir dados para orientar a avaliação e determinar o tratamento adequado.
A avaliação funcional tem o objetivo de considerar os resquícios visuais para uma possível utilização em diferentes situações e tarefas como, por exemplo, testar a reação do sujeito diante da presença de uma luz, para saber se ele é capaz de acompanhar um determinado objeto com o olhar.
Com relação à primeira infância as autoras destacam que os bebês cegos, desde os primeiros anos de vida sabem reconhecer a voz da mãe e demonstram isto girando o corpo em direção ao som, os bebês cegos também apresentam o mesmo gesto inato que as crianças ditas “normais” de relaxamento do rosto que é interpretado pelo adulto como sorriso.
A forma de vinculo e apego se dá a partir do segundo mês, os bebês não videntes começam a tocar os rostos das pessoas mais próximas deles, usando uma forma não visual de identificação do outro.
O desenvolvimento dos esquemas sensório – motores acontecem a partir do 5º ou 6º mês, onde os bebês deixam de ter um interesse prioritário pelas pessoas a sua volta e começam a se interessar por objetos físicos. Que depende das pessoas que estão com ele porque a única forma dele saber que o objeto existe é quando o objeto estiver em contato com a sua mão.
No período pré – escolar as autoras destacam que as crianças cegas encontram inúmeras dificuldades para utilizar vias não – visuais de apoio à comunicação verbal, isto faz com que elas necessitem que os adultos saibam interpretar as vias alternativas de comunicação da qual elas tem acesso.
Através do jogo simbólico as crianças cegas recorrem às imitações dos adultos para desenvolver jogos de ficção como, por exemplo, troca de papéis. É importante destacar que o brinquedo preferido das crianças cegas é o telefone por ser um instrumento que pode ser tocado e ouvido.
A etapa escolar é um período de desenvolvimento intelectual e as crianças não – videntes neste caso não apresentam problemas sérios, apesar de ter características particulares diferenciadas das crianças ditas “normais”. Sobre a integração social dessas crianças é necessário que as escolas complementem as aulas como, por exemplo, a utilização de professores de apoio, que possuem o papel de explicar individualmente o conteúdo dependendo da necessidade de cada aluno.
A adolescência é um período de difícil adaptação para meninos e meninas com deficiência visual grave, por ser uma etapa de transformações físicas e de personalidade, as relações sociais se tornam comprometidas e em alguns casos podem ocorrer problemas de integração com os grupos de amigos videntes.
O acesso à língua escrita é feita através do Braille (sistema de leitura tátil para pessoas cegas) que foi inventado pelo Francês Louis Braille que, em 1829, publicou o seu método, sendo composto por seis pontos em duas colunas em relevo, onde a partir deles é possível fazer 63 combinações que podem representar letras simples e acentuadas, letras de musicas…
Na escrita pode ser utilizado um aparelho manual chamado de reglete que na placa superior funciona com uma régua e possui retângulos vazados correspondentes a cela Braille. O punção é uma ferramenta que contém uma pequena haste de metal com a ponta arredondada e com punho anatômico para encaixar na mão.
No reglete a escrita Braille é feita da direita para esquerda, na seqüência de letras e símbolos. A leitura é feita normalmente da esquerda para a direita, apalpando os relevos feitos pelo punção com a ponta do dedo indicador.
Veja o reglete e a punção:
Existe também a máquina de escrever manual a Perkins que apesar de ser tradicional ajuda bastante a escrever em Braille.
Com a modernidade já e utilizado máquinas e impressoras que facilitam um pouco a vida das pessoas cegas ou com deficiência visual que enfrentam muito preconceito por parte das pessoas que desconhecem sua necessidade especial ou não se importam em ajudá–las.
A sociedade precisa se dar conta que independente da dificuldade ou deficiência somos todos iguais no que diz respeito ao aspecto humano e que cada um é diferente entre si e pode sim contribuir para transformação da sociedade, somos todos iguais e capazes de alcançarmos nossos objetivos, para isto basta apenas perseverança e força de vontade.
Dados Bibliográficos:
OCHAÍTA, Esperanza; ESPINOSA, Maria A. Desenvolvimento e intervenção educativa nas crianças cegas. In: COLL César;
MARCHESI Álvaro; PALACIOS Jesús & Colaboradores (Orgs.) Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. V.3, Edição. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004.
As figuras foram retiradas do site: http://www.padrechico.org.br/Leitura_e_Escrit_Braille.htm
*Aluna do Curso de Pedagogia, Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.












