O Valor Do Aprendizado Sob Suspeita
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Julho 8, 2009
O Valor Do Aprendizado Sob Suspeita
Eu já disse em outro lugar, onde não me lembro mais, e também já li que aprender dói. Em outras palavras, o aprendizado, seja de qual matéria for, carrega em si e para o aprendente certa dor, seja pelo esforço, pelo querer ou qualquer reação física ou emocional. E digo isto, ou reedito o que eu já disse em outro lugar, principalmente porque para mim, na qualidade de aprendente, as coisas também acontecem assim, a despeito de meus alunos acreditarem que para o professor, aprender é algo natural. Isto é uma ilusão!
E talvez por ter esta faceta de dor, o aprendizado de qualquer matéria merece de nós, aprendizes, atenção especial. Porém, ao deparar com a realidade da sala de aula salta uma impressão suspeita de que o aprendizado escolar está fora de moda, sem paixão, sem hegemonia, marketing e talvez, mais do que isto, cambaleando no terreno movediço da realidade sócio cultural. Eu insisto, para que o(a) leitor(a) não me compreenda mal: esta é uma impressão.
É raro ver alunos(as) envolvidos até os dentes em aprender os conteúdos disciplinares. Indago se nós professores estamos indicando realmente leituras suficientes para o interesse e despertar formativo do alunado (esta seria uma questão para um longo debate). Mas indago também sobre esta atitude consumista, cada vez mais presente na Universidade, de estudar para tirar nota.
Por um lado, vejo que a carência do alunado nas práticas necessárias ao bom aprendizado, tais como ler e escrever, deixa aos ingressantes universitários um ardo trabalho de atualização de seus conhecimentos. O ingresso na linguagem acadêmica, seja através de leitura de textos diferentes àqueles acostumados a ler no ensino médio, seja pela produção de novos textos, também num teor de exigência bem superior ao do ensino médio, é um verdadeiro rito de passagem. E tudo isto sem contar a necessidade de absorção e digestão de novos conhecimentos.
Mas eu não entendo uma questão: a entrada na universidade parece-me que não foi compulsória, teve sim a opção livre do aluno. Ora, a partir do momento que alguém opta por fazer vestibular e seguir uma carreira, há dois caminhos: concluir o curso ou abandoná-lo. No caso de querer concluir significa encarar os fatos, arregaçar as mangas e mergulhar nos estudos. Mas não é esta a impressão que tenho.
Em outras palavras: onde está a paixão, o valor em aprender?











