Sobre Vícios, Ética E Educação
Filed Under Púlpito | Posted on Abril 11, 2008
Sobre Vícios, Ética E Educação
O título acima pode parecer estranho, mas ando pensando em duas coisas que me fizeram criá-lo. Primeiro, o caso da menina Isabela, uma criança cuja morte a mídia brasileira está transformando em um show. Sim, o Show da Morte, como bem foi dito lá no Blog EscutaZé, no post “O Diabo Mora Ao Lado”.
Virou vício na nossa cultura especular sobre a tragédia dos outros? A convivência com a morte é algo colocado como cada vez mais distante na nossa sociedade, tendo em vista outras sociedades históricas. E não acredito que o fato deste sensacionalismo em torno do caso acima nos fará diferentes. Isto pode sim ser mais um elemento desta nossa sociedade do espetáculo, onde a morte vira espetáculo.
Então por que os meios de comunicação não temperam sua produção de notícias? Mais do que a morte de uma criança ocorrida por meios trágicos, estamos assistindo a uma verdadeira catarse ao contrário, produzindo novos medos e recalcamentos sobre a imagem da infância e, por extensão, sobre a educação infantil.
A informação, tratada com rigor, é sempre necessária às sociedades complexas. Mas não precisam exagerar como se não houvesse mais nada a ser noticiado.
A segunda questão que vem visitando meus pensamentos é sobre a relação ética e educação. Não no sentido escolar do termo. Mas a visão que ainda uma boa parte dos congressistas deste país passam quando continuam a demonstrar que a sua criatividade para a corrupção alcança patamares ainda maiores. Parece que a ordem é quem consegue ser mais criativo para embolsar grandes quantias dos cofres públicos. Sim, estou me referindo aos cartões corporativos.
Como imaginar um país se o exemplo de ética, que deveria ser educativamente ensinado pelos líderes republicanos, eleitos pelo povo, é corroído frequentemente sem punição satisfatória, ou pelo menos reconhecida?
Mas temos a poesia, a música, a arte para mostrar que nem tudo está acabado. Foi o que eu encontrei no Blog da Miriam Sales: um post intitulado “Sinto vergonha de mim”. Rolando Boldrin, numa atitude artística e ética, reconhecendo o erro, em nome da autoria de um poema de Cleide Canton.
Pedir desculpas já seria um exemplo bom que, seguindo Boldrin, tanto a mídia quanto os políticos podiam fazer publicamente pelos seus famigerados erros profissionais. Apreciem o vídeo:
Rolando Boldrin declama Cleide Canton
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