Ensino Superior E Novas Tecnologias
Filed Under Púlpito | Posted on Janeiro 3, 2008
Este post é destinado especialmente aos colegas professores e professoras do Campus de Catalão – UFG. Isto não significa que outros profissionais da educação, alunos e professores de outras instituições, não possam participar.
Trata-se de uma pesquisa/trabalho que estou fazendo, em função de um curso à distância (E-PROINFO), nestas férias de janeiro. Sim, incrível, continuo ralando aqui na telinha do micro. Mas quando as coisas são feitas com prazer, o tempo passa com tranqüilidade.
Pois bem, aqui estão algumas questões que gostaria que os colegas comentassem:
- Em que aspectos as tecnologias influem no cotidiano do seu trabalho de docência no Ensino Superior?
- Como você analisa o papel da sua IES frente às mudanças?
- Você se sente preparado para ensinar e aprender na Sociedade da Informação e Comunicação?
- Para você, quais os principais desafios da Sociedade da Informação e Comunicação?
- De que maneira você pode utilizar nas suas atividades com alunos os recursos tecnológicos disponíveis em sua IES?
Agradeço antecipadamente a todos que responderem até o dia 23 de janeiro de 2008 (prazo que estabeleci para dar conta de atender minhas atividades no E-PROINFO).
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3 Responses to “Ensino Superior E Novas Tecnologias”
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Uso com frequencia o powerpoint, acho um bom recurso de apresentação do material da aula além de ser mais prático e simples para o professor na preparação da aula. O uso da internet como instrumento de pesquisa já é mais complicado pois, tanto o professor como o aluno, precisam de uma espécie de “filtro de qualidade” capaz de separar o joio do trigo em relação ao conhecimento disponível na web e nem sempre temos informações necessárias para tal. Um outro problema é que o aluno já chega acostumado com as informações telegráficas, superficiais e velozes que a internet lhe oferece e tem dificuldades de aprender ou manter o hábito de uma boa leitura que tem um preambulo, um desenvolvimento e uma conclusão das idéias e conhecimentos a serem aprendidos. Este, ao meu ver, é um dos maiores problemas que enfrento como professor. Um outro grande problema é o do plagio, se é que assim posso chamar as cópias descaradas de trabalhos que alguns alunos de má fé usam para burlar suas responsabilidades na realização de tarefas acadêmicas que implicam no desenvolvimento da escrita e da autoria. Wolney, fico por aqui, afinal ainda estou com uma gostosa preguiça por conta das férias e meu folego acabou. Um abraço.
Olá, Wolney,
- Em relação à primeira questão eu diria que as novas tecnologias fazem parte do meu cotidiano de trabalho. Explico: o computador e a internet são dois instrumentos indispensáveis do meu trabalho. Por meio deles fico sabendo de lançamento de livros, compro livros, acesso periódicos de minha área, consulto fontes digitalizadas em várias universidades e acervos (existe muita documentação sobre o Brasil Império disponível na Internet), descubro e me inscrevo em eventos, escrevo e reviso meu textos, preparo material didático na forma de texto, imagem e coloco no Powerpoint, sem contar que via e-mail mantenho contato com colegas espalhados por todo o Brasil. E não raro, usei salas de bate-papo, em especial o MSN para conversar (vendo, ouvindo e falando) com alguns colegas. Vejo que cada vez mais a produção e reprodução de conhecimentos é feita por meio digital. Lembro ainda que boa parte de inscrições, cadastros, acompanhamento de processos na universidade ou fora dela tem sido feita via computador.
- Penso que a UFG e notadamente o Campus Catalão tem procurado, na medida do possível, ampliar e fomentar o uso das novas tecnologias. Em algumas áreas esse processo já é bastante ágil, em especial aquelas referentes aos afazeres burocráticos (preencher papéis, enviar relatórios, solicitar informações, acessar links como o do SICAD, SAPP, o DP). Denominaria esta esfera como a das atividades-meio, sem as quais o trabalho acadêmico não se desenvolveria bem. Mas em relação às atividades-fins – ensino, pesquisa e extensão – a UFG e mesmo o campus de Catalão deixa bastante a deseja. Talvez a extensão, e penso aqui particularmente nos simpósios, a produção e reprodução de saberes é rápida: inscrições via internet, visualização da programação, edição de cd-roms com textos, uso de equipamentos multimídia em mini-cursos, palestras e mesmo comunicações. Mas no ensino e na pesquisa há muito o que fazer. Acho até que seria o caso de pensarmos em laboratórios e cursos formativos para docentes e alunos se familiarizarem com certos programas, com o usos de certos equipamentos. Há dois anos desenvolvo e oriento pesquisa de Prolicen a este respeito e tenho observado a enorme carência que existe.
- Penso que estou razoavelmente preparado para lidar com as novas tecnologias de informação. Mas acredito que seria importante o docente conhecer todos, repito, todos os estágios de produção e reprodução de saberes por meios digitais. Explico. Acho que deveríamos saber confecionar cd-roms para apresentar nossas pesquisas, conhecer as ferramentas mínimas para elaborar uma página ou blog na internet, dentre outras coisas. Isso eu ainda não sei fazer.
- Os desafios da nova sociedade da informação dizem sobretudo respeito ao papel que os professores, nas instituições de ensino, terão como mediadores ou condutores, ou como sujeitos juntamente com os alunos na produção e reprodução de conhecimentos. Outro ponto decisivo diz respeito a oferta e garantia de empregos a futuros docentes nestas instituições. A ampliação dos cursos não-presenciais coloca em questão o magistério. Imagine se uma instituição privada resolva contratar professores e pesquisadores renomados de uma área, por exemplo, a História, em que historiadores consagrados encontram-se ainda produtivos e relativamente jovens, mas aposentados. Imagine que essa instituição contrate estes professores, monte um curso não-presencial com núcleos base espalhados pelo Brasil, de modo que estes especialistas possam, uma vez por mês, reunir-se com os alunos matriculados, oferecendo cursos a preços módicos. Eis o cenário que se nos apresenta num futuro próximo. Será um grande problema e um grande desafio.
- Acho que o campus conta com recursos que permitem a realização atividades que se sirvam com vantagens das novas tecnologias. Mas acho que a questão maior é a nossa integração com outras IES, penso, sobretudo, na possibilidade de produção e participação em conferências digitais, que permitam a comunicação e a visualização dos participantes. Seria uma troca muito rica, visto muitas vezes ser impossível a docentes e alunos se deslocarem para participar de congressos no Brasil e no Exterior. E acho também que precisamos elaborar projetos, urgentemente, de digitalização de acervos e informações existes. Bancos digitais de fotografias para a preservação de uma memória espacial e urbana, bancos digitais de teses, dissertações e monografias sobre Goiás, produção e disponibilização de revistas virtuais, digitalização de acervos existentes em Catalão (por exemplo: a documentação da Câmara Municipal, suas atas, relatórios, a documentação das irmandades religiosas, os livros de batismo e casamento, digitalização do livro de ocorrências policiais, dentre outros, por exemplo). E para isso as parcerias seriam imprescindíveis.
Desculpe-me pelo caráter sucinto das respostas. Mas férias são sagradas…
Em que aspectos as tecnologias influem no cotidiano do seu trabalho de docência no Ensino Superior?
Considero pouca a influência, por alguns pontos específicos: 1 – particularmente, sou muito limitada no trato com as inovações tecnológicas (Falta formação); 2 – a instituição onde trabalho não oferece condições mínimas; 3 – os alunos não têm acesso, logo a cobrança não aparece.
- Como você analisa o papel da sua IES frente às mudanças?
Precário, ao menos no campus onde atuo. Tenho olhado, de modo rápido, outras instituições e o movimento que vejo me causa espanto. A UFRGS, por exemplo, tem a RENOTE - Revista Novas Tecnologias na Educação, que traz uma série de questões e experiências que nem de longe aqui pensamos.
- Você se sente preparado para ensinar e aprender na Sociedade da Informação e Comunicação?
Não, em absoluto. Mas, creio que isso seja fundamental, por isso mesmo é preciso um processo sério de inclusão.
- Para você, quais os principais desafios da Sociedade da Informação e Comunicação?
Democratizar o acesso, com qualidade. Afinal, pouco adianta colocar computadores nas escolas, bibliotecas e outros espaços sem acesso à Internet. Além disso, é preciso informação e formação.
- De que maneira você pode utilizar nas suas atividades com alunos os recursos tecnológicos disponíveis em sua IES?
Simplesmente não posso. A maioria não tem acesso à rede e a instituição não disponibiliza um laboratório para esse fim (que funcione efetivamente).