Dom Luiz Cappio E O Rio São Francisco
Filed Under Púlpito | Posted on Dezembro 25, 2007
Acredito que há coisas ainda por discutir sobre a transposição do Rio São Francisco e a manifestação de Dom Luiz Cappio.
Vejam o vídeo e se quiserem, comentem.
Para quem ainda quer mais informações, vejam o site:
http://www.umavidapelavida.com.br/
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One Response to “Dom Luiz Cappio E O Rio São Francisco”
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REFLEXÃO:
AFÃS FILOSOFICOS OU
DESEJOS SINCEROS DE UM CRISTÃO!
Não sei se estarei sendo inconveniente, ou até mesmo indo de encontro ao “que determina minha fé”, mas ao ficar calado sinto-me cada vez mais omisso e desejoso de poder entender os desígnios de Deus, na contemplação do seu mistério.
O que me força a soltar “essa voz”, é o fato de ver o caminhar descontinuado da Igreja na sua missão, hoje e eterna, no mundo, principalmente sobre o olhar a partir da “minha realidade particular”: a Arquidiocese de Vitória da Conquista, no estado da Bahia.
Situando-me no particular da Arquidiocese, posso verificar, in loco, que tudo o que ocorre e se avizinha na Igreja Católica Apostólica Romana, aqui se traduz. Mas esse traduzir está aquém da realidade primeira do ser Igreja: SINAL DA PRESENÇA DE DEUS NO SEIO DO MUNDO.
A Igreja, e não somente “a minha particular”, hoje não consegue ser mais fermento para a massa, parece que ela estagnou-se no tempo e no espaço. Não podemos deixar de negar a grande massa que está sempre presente, e gritante no templo, seja pela participação nos momentos litúrgicos ou de adoração. Mas, também, não podemos deixar de negar que essa massa, presente e gritante, se torna ausente no caminhar da Igreja, se distorcendo completamente do que lhe é aferido pela hierarquia reinante. Basta para tanto comprovarmos com a grande pesquisa, mais detalhada e contundente, que foi realizada em todo território nacional, e que cujo resultado foi nos apresentado na semana passada: a dura verdade de que mais de três milhões de mulheres já acometeram (ou acometem) abortos no país e QUE mais de 60% dessas mulheres são católicas ou cristãs. Destacando-se, também, a pesquisa feita sobre Células Tronco, trazendo no bojo do resultado que 95% dos brasileiros são a favor.
Por que, enquanto Igreja, temos que ficar inertes perante tais resultados e não, num processo sincero de democracia e de sapiência cristã, abrirmos um leque de debates, para conseguirmos visualizar o que Deus quer de nós a partir desse clamor do povo? Por que a nossa hierarquia continua atrelada ao determinismo romano (é bom frisar que, também, em Roma foi revelada uma pesquisa recente, trazendo o seguinte resultado: de fato a BÍBLIA é o livro mais traduzido no mundo, mas o menos lido “e conhecido” em Roma, sede do pontífice da Igreja Católica) e, assim, não consegue fazer a interpretação de que essa ortodoxia hoje não infere os ensinamentos cristãos no cerne da massa? Isso ocorre será que é por obediência fiel ou por mera acomodação, prevalecendo o desejo de não mais querer ser impertinente com o que reina no mundo? Ou por trás disso tudo, estará uma sinalização de que “estamos errados”, por causa, principalmente, pela nossa não sinceridade da vivência cristã? Será que continuaremos a trazer pessoas para a “realidade do templo”, desejando sempre chegar, nos finais dos meses, ao 100% para o pleno funcionamento interno, glamoroso/omisso/determinista/conservador, e não desejosos de fazermos desse mundo um mundo mais justo e fraterno para todos, conforme a vontade do Pai? Será que a hierarquia continuará a afirmar que “nossa Igreja” é a Igreja do Pai e nós, os súditos, continuaremos a não vivenciarmos essa certeza? Será que ainda cremos, de fato, que essa fé que professamos é a que nos foi dada pelo Sacrifício do Filho? Será que a encarnação do Cristo não mais nos levará a ser Sal para as massas? Ou continuaremos, ad eternum, a nos disfarçar de Igreja, contentando nos somente com os meros chavões da fé, sem vivenciarmos o nosso SIM? Quem puder responda! Eu ainda me inquieto e aquieto com tudo isso. Mas, afirmo-lhes, que a minha fé continua inabalável, transpondo a realidade hoje reinante “no templo”.
No continuar a dizer-lhes o porque desse meu desejo de não ficar calado, se perpetua pela falta da resposta, basicamente a partir da Nunciatura (gostaria de ter uma melhor clareza sobre o que significa o papel do Núncio aqui no Brasil, fora da mera realidade hierárquica do “representar o Papa”, pois o que mais me afere sobre a nunciatura fica sempre substanciada na autoridade e não sobre o prisma do engajamento ou enraizamento do ser Igreja(?)), não dada até agora (pois já está em véspera de completar um ano da vacância), sobre a nomeação do novo Arcebispo para a Arquidiocese de Vitória da Conquista (dom Geraldo Lyrio Rocha, atual presidente da CNBB, foi o nosso último pastor e hoje, também, esta a frente da Arquidiocese de Mariana/MG, desde julho/2007, se não me falha a memória), deixando todos nós, fieis, numa eterna expectativa.O pior disso tudo, ao meu ver, não é somente a falta de resposta, por parte da Nunciatura (pois é dela que partirá o primeiro anuncio, quando ocorrer a nomeação, sendo destacado ou anunciado - toda quarta-feira acaba se tornando o dia D – pelo site da CNBB), mas a falta de democracia que impera na Igreja sobre este (e muitos outros, na sua maioria, considerados TABU pela hierarquia)assunto, tanto no seu limiar: onde nós leigos não temos nenhuma inserção – embora somos os mais necessitados para a concretização desse pastoreio -, na tomada da decisão sobre a escolha do (arce)Bispo, ficando, embora, também, numa pequena escala, somente sobre os presbíteros, prevalecendo a decisão final sobre as autoridades maiore, as quais muito das vezes estão aquém do conhecer estes rebanhos.
Acatamos sempre aquele que é “o escolhido”, mas, na grande maioria dos fiéis (e com certeza, não somente na realidade da Igreja Arquidiocesana de Vitória da Conquista), reina o desejo de um dia podermos opinar, ou sermos ouvidos, sobre essa escolha, assim como escolhemos, democraticamente ou casuisticamente, o Chefe da Nação.
Entre muitos, principalmente entre a hierarquia, impera sempre a resposta pronta: o Espírito Santo é quem nos dará o novo (arce)Bispo. Eu creio sim, nessa afirmativa! Mas acho (desculpem-me a franqueza e não considerem isso como um sacrilégio) que pela demora, o desejo do Espírito Santo ainda está refém do poder temporal, reinante no seio da Igreja. Enquanto isso não se concretiza, continuaremos sendo levados pela maré, deixando prevalecer no seio da Igreja o compasso das ondas que passam e se acabam, restando somente na beira da praia os “barcos naufragados”, a espera de algum destino que venha deixar de ser incerto.
Que o Deus da Vida ainda brilhe e se insira em nossas vidas, dando-nos o pleno desejo de ainda sermos capazes de voltarmos a sermos Sua Presença, em nós e para os outros. Transformados e transformadores. Não alienados e acomodadores.
Paz e Bem, para todos e todas.
Fraternalmente,
HELIO DA SILVA GUSMÃO FILHO
Helinho da Bahia
Arquidiocese de Vitória da Conquista
P.S. – Obrigado, ad eternum, pela sempre atenção que vocês me dão. Espero que, mesmo contrariamente, possa mandar-me alguma reflexão, como sempre ocorre. Assim mesmo, agradeço (ou peço perdão), à aqueles(as) que se sentirem ofendidos(as) e que mesmo não me mandando nenhum sinal, aceitem minhas orações.
Amém, Axé!