Geladeira
Filed Under Poesia | Posted on Outubro 28, 2007
Quando ia completar 47 anos
A geladeira pifou
No seu interior ainda sobrevivia alimentos
Que por serem alimentos
Davam vida a quem iriam comê-los
Mas sem a vida da geladeira
Que viveu tantos anos sendo pouco notada
Todos os alimentos corriam riscos de vida.
A geladeira, com toda a sua frigidez
Foi redescoberta,
Naquele momento de pouca dor
E preocupação alimentícia,
Como algo que invisível
Do nada se sobressalta
E explode-se com toda a sua visibilidade
Euforia
Sedução
E grande protetora da vida alimentícia
Da cegueira daqueles que só viam alimentos
Emerge a visão momentânea
De que a geladeira tem cor
Forma
Tamanho
E onde acumular energia
Para preservar a vida dos outros.
Mas a geladeira morreu
E no início
Logo após o óbito
O casal, sem saber o que fazer,
Pensou nos alimentos
Pensou no prejuízo financeiro
Na necessidade de novo investimento
Da morte urge pensar em novas vidas
Alimentando novos nascimentos
E de geladeira
Aquela forma física transformou-se num armário
Abrigando e servindo outras vidas
E no lugar da antiga geladeira
Outra se impôs
Enfeitando o ambiente
Conservando os alimentos
Estrelando como nova atração da casa
Até o momento em que cresce
E se transforma
Como a antiga geladeira
Num utensílio doméstico
Catalão, 28 de outubro de 2007
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