Escreve É Como Parir
Filed Under Poesia | Posted on Outubro 21, 2007
O sangue
Escorrendo na mesa de cirurgia
Assemelha-se à tinta
Que também escorre
Borra
E pinta os dedos do escritor
É a parição
O nascimento
A criatura saindo do criador
O rebento que sangra e chora
O nascer
O renascer
A preservação da espécie
Fico pensando que na escrita
Seja com máquina Remington
Ou no teclado do computador
Como este que hora me serve
Os sinais deste acontecimento
São muito mais invisíveis
Surjam as teclas
As digitais espalham-se
O suor empoeirado
Mistura-se com o ar doce amargo do plástico
Tudo torna possível
O apagamento das marcas da escrita
E do pensamento
E no final
Uma sensação de fim inacabado
O rebento chora
O cansaço toma conta do corpo
E o que nos resta é cuidar da criação
Catalão, 24 de maio de 2007
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