A Pesquisa No CAC/UFG Ameaçada
Filed Under Notícias | Posted on Setembro 12, 2007
Copyright © Wolney Honório Filho
Professor Curso de Pedagogia CAC-UFG
Desde o ano de 2000, venho realizando pesquisa no campo da História da Educação utilizando um acervo documental doado pela Ex-Diretora do Centro de Formação de Professores de Catalão – Suely da Paixão.
Com este acervo já obtivemos 2 bolsas prolicen, 4 bolsas pibic, 2 artigos publicados em periódicos, trabalhos apresentados em eventos da Sociedade Brasileira de História da Educação.
Este acervo vem sendo preservado na sala 20, destinada ao curso de pedagogia.
Eis uma foto do local:

A aluna Camila trabalhando na sala
Ontem, dia 11 de setembro (acho que a data é apenas uma coincidência) eu recebi uma ligação da Camila, ex-orientando e quem está cursando especialização em História no CAC e utilizando ainda deste material, que a sala tinha sido invadida.
Mas o que significa isto?
Segundo informações, que obtive com a Prof. Kátia, coordenadora do curso de pedagogia, o Prof. Madson, atual prefeito do CAC, autorizou a colocação de tubos de ensaios, entre outros objetos do curso de química, bem como a utilização da sala por professores deste curso.
Pergunto: o curso de pedagogia não deveria ter sido consultado? O prof. Madson tem essa autoridade? Se ele tem essa autoridade, quer dizer que podemos, de agora em diante, abrir salas (diga-se de outros cursos) e usá-las ao bel prazer?
Não sou proprietário deste acervo. Sou responsável por ele. Existe uma pequena diferença, pois até o momento em que ele for repassado para um órgão específico do CAC, como por exemplo um centro de documentação, a responsabilidade é minha.
O que está acontecendo neste campus? Está valendo tudo no que diz respeito à utilização do espaço físico? Inclusive desrespeitar 7 anos de pesquisa acadêmica?
O mais grave. Hoje, 12 de setembro de 2007, por volta das 12:30hs, estivemos na sala, Kátia, Camila e eu e verificamos, por alto, a falta de:
- 8 álbuns grandes de fotografias
- 1 caixa pequena com fotografias
- fitas gravadas com entrevistas com ex-professores do centro de formação.
- 1 livro de caixeiro viajando pré década de 1950.
- 1 pasta azul com documentos dentro
- Envelopes com documentos
- 1 caixa com trabalhos de historia da educação de espeçialização, que continham entrevistas gravadas por audio e video;
Na mesa:
- ata de fundação do Clube do Leitura do C.F…C. (material manuscrito)
- documentos ja catalogados
- anotações de pesquisa de aluna de especialização
Insisto: o que está acontecendo neste campus da Universidade Federal de Goiás? Novos cursos são argumentos necessários para apagar a histórias dos cursos antigos?
Desculpem-me, mas acho que as coisas estão passando dos limites!!!!!
Algumas fotos que foram tiradas hoje:

O computador do NEPEDUCA foi colocado no chão e outro computador, com tabela periódica colada na parede, foi colocado na mesa.

Os arquivos, como fotos e entrevistas, trancados dentro do armário, foram retirados e ali foram colocados objetos de laboratórios de química.
Silêncio mata
Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
Maiakovski
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36 Responses to “A Pesquisa No CAC/UFG Ameaçada”
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Olá..
sou a ex-orientanda do Wolney, e venho expressar minha indignação.
Como se ocupa uma sala sem desocupa-la antes???
Entram… amontoam nossos arquivos, transportam alguns pra não sabemos onde, e ainda, fazem com tal razão que nem mesmo comunicam o curso de pedagogia e/ ou o responsável pela sala, prof Wolney.
O que sei, e o que vi, é que nossas fontes não são nada perto dos tubos de ensaio deles, que nosso velho computador fica no chao, e o deles na mesa…
Como educadora, formada no campus, fico chateada porque participei do movimento pela vinda dos novos cursos.
Como pesquisadora, fiquei indignada quando na primeira oportunidade de fala dos novos cursos em um evento acadêmico, escutamos algo parecido com “agora começa a pesquisa em catalao”.
E como pessoa me dá vontade fechar a mão, firme, e esmurrar a prepotencia!
OLha, realmente tenho que concordar!
Sou acadêmica do curso de Geografia do CAC e tenho observado essa situação, no minimo constrangedora. Se o Campus ainda não tem estrutura fisica adequada para os cursos novos, o ideal é que isso seja discutido na reunião do COnselho e juntos, todos definam estratégias para superação desse embate. Em verdade, antes dos cursos novos, nem mesmo os cursos antigos dispunham de estrutura adequada para a realização de suas atividades. Mas me recordo de diversas vezes em que, os professores, academicos e sociedade civil clamavam por cursos novos, que dariam maior vizibilidade ao CAC. E realmente isso aconteceu. No entanto, nossas pesquisas já obtinham grande relevância de ambito nacional e o CAC já era referência no conhecimento cientifico.
Agora nos deparamos com “picuinhas” internas, invasão do espaço alheio e acima disso, desrespeito com profissionais e acadêmicos de uma mesma universidade, e pior, que convivem diariamente em um mesmo espaço. Se esse não é o momento, nunca será! no qual devamos lutar juntos pela expansão fisica do CAC e não é tomando a sala de um colega tão capacitado quanto vc que se resolverá essa queixa. Havemos de rever essa questão!
Priscila Celeste Martins
Curso de Geografia-CAC/UFG
A falta de respeito com a historia da universidade é inversamente proporcional ao compromisso e responsabilidade que deve se ter com a educação.
Um absurdo o que fizeram!
Isso é uma falta de respeito muito grande… o problema de espaço físico no Campus já está se tornando crônico… com alunos tendo que se deslocar para outras escolas para poderem assistir suas aulas… agora invadir e tomar posse do que não lhe pertence já é falta de ética…
Não é que eu tenha partido por um curso em detrimento de outro, não é que eu ache que a História é melhor do que a Química, mas o direito de um começa onde termina o do outro..
Espero que esta irresponsabilidade seja corrigida o mais rápido possível…
A transgressão reflete entre outros abusos e absurdos a incompetência administrativa do senhor Madson, além da tradicional falsa idéia de que há cursos “menores” e outros de maior importância.
A história do curso de Pedagogia no CAC merece mais respeito.
No mais, nao deixo de observar que da mesma forma que os materiais de química entraram - “nas escuras” - deveriam ser retirados sem aviso prévio. Cabe aos legítimos à ação.
Concordo plenamente com o Prof. Wolney, o espaço físico do Campus é precario, e não se pode colocar a pesquisa das ciencias humanas em segundo plano por causa das exatas, todos os campos de pesquisa são importantes, ninguém é melhor que ninguem.
Não acredito que isso aconteceu!!!!Isso é um absurdo e uma falta de respeito com o curso de Pedagogia. Ninguém pode sair invandindo o espaço das outras pessoas assim não…estou com vocês!!!
Sou aluno do curso de História no CAC-UFG.
Lendo essa noticia, onde uma sala é aberta, materiais colocados e retirados sem a autorização dos responsáveis indica uma falta de respeito e comunicação por parte de quem deu a ordem.
Imagino se amanhã eu entrar no laboratório de História e encontrar materiais de outros cursos ou o que é pior a falta de material ou documentes pertinentes ao curso.
O projeto de expanção do Campus não prevê a demanda de novos espaços físicos,e vão entulhando salas já ocupadas como se fossem armários de bagunça?
Ao meu ver isso está errado, como muitas outras coisas estão erradas no campus.
Richas entre cursos novos e veteranos no campus não devem existir.
A Universidade Púplica não é espacço para esse tipo de coisa.
Espero ver nesta página e nos corredores do Campus uma explicação, se é que existe, por parte de quem compete.
Acho que antes de ocupar um espaço, é necessário discutir alternativas primeiro. Por uma lado, a população de Catalão e os estudantes de ensino médio querem mais oportunidades para fazer cursos superiores. São milhares de pessoas esperando uma oportunidade. Os comerciantes querem pessoas com alto nível intelectual vindo para a cidade. Meus professores sempre defenderam a universidade pública e de acesso a todos. Finalmente, após muitos anos o governo federal está investindo em novos cursos, na expansão do ensino superior. Por outro lado, esse processo não pode ocorrer de forma atropelada. Sempre há uma saída melhor. Com certeza, há outros espaços que estão ociosos dentro do campus, cuja utilização poderia ser otimizada. Poderia haver até uma troca, por exemplo, o local onde o curso de química se encontra não tem pia, não podendo ser aproveitado para fazer experimentos. E pior, o curso fica exatamente no prédio da biblioteca, ou seja, PERFEITO para guardar arquivos. Então, por que não trocar? Todos saem felizes.
Sou a favor de trocar as salas que têm encanamento pelas salas da biblioteca.
Concordo com a sugestão de trocar as salas que têm encanamento dos prédios mais antigos pelas salas da biblioteca onde estão os cursos recentemente criados. Demorou.
ta.. podemos até concordar com trocas, e cabe informar ainda, que o plano é incluir aquela documentação no centro de documentação do campus que é localizado no predio da biblioteca. Há um trabalho nesse sentido.
Mas acho que a pergunta que não quer calar é: porque fizeram sem avisar ao curso?
Voces gostariam que entrassem em seus locais de pesquisa, porque acharam que é um ambiente mais adequado, e mechessem nas suas coisas (anotações) e nos arquivos organizados???
Não existiu um diálogo, isto é fato! E nao deve ser esquecido.
Tudo leva a crer que as falhas, os absurdos vêm da concentração de poder. Fazendo uma análise histórica, percebe-se que que algumas poucas pessoas no campus sempre conseguiram mais espaço, mais verba, mais professores, mais poder. Se há algo errado acontencendo, isso talvez não seja nada mais do que uma continuidade do que sempre ocorreu.
Bom, não acompanhei de perto o acontecido, apenas palavras de indignação do Prof. Wolnei, da Camila e outros colegas do CAC neste site, que imagino ter suas razões. Também, não sei qual é a justificativa do Prof. Madson para o acontecido, talvez ele também teve lá sua razões, se é que há razões para isso.
Eu como ex-aluno do curso de História, acompanhei toda luta de alunos e professores para expansão e vida de novos cursos para o CAC. Freqüentei muitas reuniões e acompanhei varias greves de professores, e sempre quando isso acontecia, eu dava meu total apoio e simpatia ao movimento. A expansão veio, ela está ai, de certo modo a luta de professores e alunos não foram em vão. Todavia, um ponto que vem me deixado intrigado é o modo como ela vem sendo feita, sem nenhum planejamento, e ainda desrespeitando alunos e professores que há anos trabalham com pesquisa na universidade!
De certa maneira, essa invasão é reflexo da falta de planejamento e comunicação entre os departamentos do Campus (se bem que isso não é justificativa), bem como do caos que ele se encontra: alunos assistindo aulas em escolas publicas, obras de ampliação paralisadas por falta de licitações, salas sendo invadidas, rinchas dos cursos “antigos” com os “novos” e assim por diante. Será quando isso vai acabar? E a direção do compus não diz nada, aceita tudo numa boa?!
Estou perplexa com as atitudes tomadas. Não tem explicação tamanha falta de respeito ao profissional…
Estudei no campus de goiania, mas fiz varias visitas ao campus de catalão e conheço varios colegas e companheiros do movimento estudantil e docente, bem como a sua realidade…
A idignação também faz parte do meu ser.
Resumu issu numa tamanha falta de senso, (que cara sem noção esse Madson heim???) vai tomar um processo administrativo no minimo, só pra começo de converssa. E depois da merda feita, ai sim, entra como pauta do Concelho, pra todo mundo debater os espaços da expanssão sem espaço…. parece até piada, mas não é….
Nada, N-A-D-A, justifica essa atitude da administração do CAC. Não vamos demonizar o prefeito do Campus. Ele certamente faz o que o mandam fazer. Esta invasão e desrespeito não é obra individual. É o caos!!!Vivemos agora a espera do próximo absurdo. Eles podiam ao menos nos permitir salvar as fontes de pesquisa (que para eles nada representam), visto que ética é uma exigência acima do que são capazes.
Caros colegas, como membro do conselho, tenho a lhes dizer que tal atitude não foi discutida e muito menos aprovada pelo conselho diretor do CaC. Tivemos reunião hoje (12/09/2007) e nada disso foi se quer comentado. Realmente, muitas ações de nosso prefeito não tem sequer chegado ao conhecimento do diretor do Campus. Acho que esta situação precisa ser esclarecida, não por parte do prof. Madson, mas pelo diretor do Campus. Se o mesmo não possui conhecimento dessas ações então ele deve solicitar esclarecimentos ao prefeito e, principalmente, devolver o espaço da pesquisa a quem é de direito. Acho que no passado nós vivemos situação semelhante e não podemos deixar que o mesmo se repita. Coloco como sugestão, ao professor Wolney, que solicite ao coordenador do seu curso que este assunto seja esclarecido em uma reunião extraordinária de ponto único. Me coloco à disposição para auxiliar no que for possível.
Roberto, a questão foi tratada como último ponto de pauta da reunião do conselho.
Sabem o que impressiona em tudo isto? O descaso e falta de respeito. Isto aqui não se trata desta discussão boba sobre novos e velhos cursos. Mas sim de abuso de autoridade.
A professora Suely da Paixão, então proprietária deste acervo documental, doou para a universidade por entender aqui ali seria bem guardado. E tudo isto acontece.
Isto demonstra o quanto a memória esta aquém das responsabilidades sociais. E lutar pela memória é ainda, penso eu, uma atitude nobre.
Wolney,
Lamento profundamente que este tipo de ação esteja acontecendo dentro do campus.
Apenas uma pergunta: será que os gestores da pesquisa e do espaço físico no CAC acham que a história e a trajetória da instituição está sendo iniciada pelas mãos iluminadas destes profissionais? Vale lembrar que todas as licenciaturas, professores, alunos e ex-alunos, vêm construindo esta trajetória a mais de vinte anos…
Catalão, 13 de setembro, 2007
Pessoal, bom dia!
Acabamos de fazer uma reunião com a Direção do CAC para tratar deste assunto da documentação. Estavam presentes:
• Professor Manuel – Diretor CAC
• Professor Madson – Prefeito CAC
• Professor Hércules – Química
• Professora Ana Rita – Química
• Professora Kátia – Pedagogia
• Professor Wolney – Pedagogia
O Diretor começou a reunião esclarecendo o ocorrido e pedindo desculpas pelo erro de ter autorizado aos professores da química entrar e utilizar a sala 20, que estava sendo utilizada pelo projeto de pesquisa do Prof. Wolney.
O professor Hércules esclareceu que eles não são invasores e que se estavam utilizando a sala é porque houve permissão da Prefeitura do CAC, prof. Madson.
Salientou sobre o problema do espaço físico no CAC, que os professores recém concursados estão com problemas de espaço físico para desenvolverem seus projetos de pesquisa, e que isto deveria ser discutido de forma mais séria pelos conselheiros do CAC.
Eu disse que não estávamos ali para brigar por espaço físico. Nosso problema era com a atitude da prefeitura do CAC quanto a não nos consultar sobre o repasse da sala para os professores da química.
Disse também que o fato interferiu na pesquisa de 7 anos sobre o Centro de Formação de Professores de Catalão e que isto era inaceitável, além de desrespeitoso.
Aquele espaço, desde a última reunião sobre espaço físico no CAC, estava destinado ao curso de pedagogia e isto também foi desrespeitado.
Apontei como encaminhamento a transferência do acervo para outra sala e que não tínhamos problema algum com que os pesquisadores da química utilizassem a sala 20 para seus projetos de pesquisa.
Ficou agendado para a próxima terça-feira, dia 18 de setembro, 8hs da manhã, a mudança do material para outra sala. Neste dia, iremos também checar se algo foi perdido, inclusive onde estão as fotos e outros materiais apontados no post acima.
Assim que estiver organizado o centro de documentação do CAC, inclusive com estatuto aprovado, iremos repassar a documentação para este futuro importante organismo do CAC.
Até lá, continuaremos catalogando e utilizando este acervo documental sobre a história de formação de professores no sudeste goiano.
Agora é trabalhar para que estes erros não se repitam e que todas as instâncias de pesquisa no CAC possam ser respeitadas, como merecem.
Que tranquilo!! Então, o Curso de pedagogia não tem problema em ceder espaço para os pesquisadores. Ótimo!! Parabéns pelo desfecho!
Pelo visto a reunião foi boa….é isso ai pessoal a conversa resolve quase tudo….vejo que faltou foi comunicação…Parabéns pela reunião
Ana,
Não tem nada de tranquilo nisto. Pelo contrário, ceder o espaço físico para o pessoal da química foi uma postura de reconhecimento, da nossa parte, que eles também precisam um local para suas pesquisas. Coisa que parece ser difícil tanto para administração do CAC, quanto para a Reitoria.
Lembro que a sala 20, assim que chegar a verba para o CAC, irá ser transformada em brinquedoteca - laboratório pedagogia. E todo o bloco I será transformado em gabinetes para professores da pedagogia, segundo acordo feito com a Direção do CAC.
O acervo será transferido para a sala dos professores do NEPEDUCA, onde as alunas pesquisadoras irão trabalhar até quando transferirmos a documentação definitivamente para o Centro de Documentação.
Portanto, acredito que foi um acordo a altura da nossa responsabilidade tanto para com a pesquisa no curso de pedagogia, quanto para a pesquisa no CAC. Bem diferente do ocorrido até aqui.
Ei, isso não foi o fim da história!
Pra mim será somente quando cada papel de minha pesquisa que estava em cima da mesa aparecer.
Está marcado pra terça…
Quanto a sala ser cedida pra quimica… nem vou me pronunciar! Apenas digo que da mesma forma (desrespeitosa) que a direção cedeu a sala, nossos documentos foram tratados assim também pelos professores da quimica.
O que se espera é no minimo reconhecimento da importancia da educação, da história da educação, por parte daqueles que se assumem enquanto “universidade”. E ao não se questionar sobre aquele acervo documental, foram no minimo cumplices!
é demais pra mim!
Ãh, não ousem dizer que sou encrenqueira ou que quero alimentar a briga, pra esses repito o poema citado acima:
Silêncio mata
Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
Maiakovski
Ai Camila, já estava me sentido jurássica, ultrapassada mesma. Só havia sobrado a ironia sutil, que nem todos perceberam vide manifestações seguintes. Para os otimistas basta crer que amanhã, depois do uso, enquanto se faz necessário, porque mais importante, porque alguns vivem a sindrome de poliana e excessos de compreensão e cavalheirismo, tudo retorna às mãos do departamento. Dignidade é tudo que tenho e não me peçam amanhã para lembrar aos cidadãos de plantão os acordos de ontem, que já começaram a ser esfacelados. Chega!!!! É mesmo uma despedida desse espaço.
Wolney, quanto à discussão do assunto em reunião, o mesmo deve ter acontecido no “outros” e bem após o horário previsto de término da reunião. Muitos colegas não ficam após as 18:00 (meu caso). Acho que este é um problema das reuniões do conselho. Discussões importantes ficam para o final e, muitas vezes, após o horário previsto.
Gostaria de dizer que louvo a atitude de seu grupo de pesquisa em procurar uma solução conciliadora para o problema. É inegável que auxiliar nossos colegas pesquisadores dos novos cursos só pode somar à pesquisa no CAC.
Quanto ao episódio à “invasão”, eu digo que não podemos culpar o curso de Química pelo ocorrido. O mesmo recebeu autorização da prefeitura do campus para alocar seu material de pesquisa na sala 20. Acho quer houve erro em se verificar qual a destinação inicial da sala antes de se autorizar qualquer coisa.
À medida que o tempo passa, estamos trilhando um caminho muito perigoso que racha nossos esforços de construção de uma Universidade forte. Estamos cada vez mais divididos e a menor palavra pode ser o estopim de conseqüências desastrosas. Eu gostaria de ver, tanto em mim mesmo quanto nos meus colegas, mais atitudes conciliadoras como a do prof. Wolney. Não digo para nos calarmos e muito menos baixarmos a cabeça. Digo para que procuremos o diálogo, que possamos estender a mão ao nosso próximo a fim de somar e multiplicar.
Por favor, caros colegas, não entendam minha fala como sendo algum discurso unilateral. Expresso, neste momento e neste espaço, minha esperança de que possamos voltar pelo menos alguns passos nesse caminho cruel e irascível que estamos trilhando atualmente. Sei que temos demandas e pontos de vista que DEVEM ser defendidos até o último argumento. Porém. Procurar um meio termo não nos fará mal.
Espero que ninguém tenha se sentindo ofendido por minhas palavras. Caso o tenha, APRESENTO MINHAS SINCERAS DESCULPAS.
Bom dia pessoal.
Participei agora pela manhã, junto com o Wolney, da reunião com a diretoria. Gostaria de registrar aqui o meu apoio à decisão do Profº Wolney em retirar a documentação da sala 20 para que os Cursos de Física e Química possam continuar utilizando o espaço.
Temos condições de transferir a documentação para outra sala, até mesmo porque está em processo de negociação a transferência desse material para o arquivo do Campus.
A minha indignação e a necessidade de providências diz respeito diretamente como as coisas aconteceram: a invasão de um espaço da Pedagogia, sem a nossa consulta; a conclusão de que o espaço não estava sendo utilizado (conclusão esta tirada pela “aparência” dos objetos que lá estavam: tudo “velho” e empoeirado - onde é que não tem poeira nessa época do ano?) e por fim, o descaso com o material do acervo.
Se o processo de ocupação da sala tivesse sido feito de forma respeitosa, ou seja, se tivessem nos consultado, tudo teria sido resolvido de forma menos agressiva e desgastante.
Estamos vivendo um momento de mudanças. E como já foi dito em público por representantes da diretoria deste Campus “aprendemos muito com os erros”, espero sinceramente que atos desrespeitosos e inconsequentes como esse não se repitam.
O assunto foi discutido em conselho sim, inclusive com o apoio e indignação de vários conselheiros. O problema é que foi pauta de última hora e a discussão iniciou por volta das 18 horas, quando alguns conselheiros já haviam se retirado (lembrando que o teto da reunião é 17 h).
Hoje pela manhã, ouvi de um colega de trabalho que “a nossa situação no Campus é como se estivéssemos dançando, pisam no meu pé e eu não digo nada, pisam de novo e nada, de repente começam a me chutar. Aí dói! Aí reajo!” Eu acrescento: Ou me calo!
Ficou definido na reunião de hoje que a documentação será transferida e conferida na terça-feira próxima, se for constatado que sumiu alguma coisa será aberto um processo administrativo.
Olá pesoal!
Para quem não me conhece sou a orientanda (PIBIC) do professor Wolney,e venho demonstrar minha tamanha indignação diante do acontecido, pois sou uma das pessoas que utilizava aquele espaço para trabalhar.
Estou profundamente chocada com a situação, e espero que essa questão de espaço fisico do CAC seja resolvida.
Quanto a pesquisa em História da Educação, acho que deve ter mais reconhecimento dentro da universidade, pois os documentos acima tratados não foi reunidos em um dia, e não é um material descartável, para simplesmente ser amontoados em caixas como se não tivesse serventia alguma, esse material é um material de pesquisa de sete anos, que já foi contemplado com várias bolsas de pesquisa e com certeza virá outras.
No mais em relação em abrir mão da sala, penso que foi uma atitude honrosa do professor Wolney, e eles devem se sentir no minímo constrangidos pela invasão.
Infelizmente é chocante ver uma coisa dessa acontecer. A falta de respeito com os companheiros de trabalho, principalmente dentro de uma universidade pública, é lamentavel.
30.simone jose da silva miranda
Boa tarde!
Infelizmente é bastante desagradável deparar com tal situação. Sera que são só os cursos novos tais como: química, física e outros serão prioridades.
Oi Wolney, acabei de descobrir você aqui, adorei ver seu trabalho e matar a saudade de você também. sUA EX. Aluna Eliane.
Abraços
QUE FALTA DE RESPEITO!!!!!!!!
Ola! Sou orientanda do Wolney, estudei 4 anos com a Camila, e pude acompanhar a enorme dedicação que eles tinham no estudo e conservação daquele acervo… e fiquei indiguinada com toda esta situação.
Wolney, apoio todas as suas atitudes no desenrolar deste acontecimento. Todos os responsáveis por este desrespeito deveriam se sentir muuuuuuito envergonhados.
Olá,
Acompanhando atentamente as falas do Wolney e da coordenadora Kátia após a reunião, tenho dois pontos a serem colocados: primeiro, que é uma situação muito difícil gerenciar uma crise desta envergadura estando na posição de representante do curso, isto é, na condição de coordenadora, porque os ímpetos pessoais não podem prevalecer sobre o coletivo. Então entendendo, mais do que ninguém a posição da Kátia; segundo, acho que problema foi remediado com a reunião, mas não está resolvido e justifico. Penso que pedido de desculpas em uma reunião é muito pouco para o tamanho da ‘lambança’ que fizeram aqueles que autorizaram a invasão da sala servindo-se de um cargo no campus. Isto é fato para um processo administrativo, ou, no mínimo, para instaurar uma comissão de sindicância que possa apurar as responsabilidades, inclusive diante do possível sumiço de material do arquivo.
Bem, dito isto, encerro a participação neste debate enfatizando que, em que pese o defecho da reunião, ainda continuo pensando que os responsáveis pelo ato estão devendo uma justificativa e um pedido de desculpas formal (oficial) ao Curso de Pedagogia. Não espero menos diante de tamanho desrespeito profissional e acadêmico. Um abraço a todos.
Bom dia,
Considerando todas as colocações que tenho lido nesse blog, penso que Cida Almeida tem razão. É preciso que seja feita pela administração/prefeitura do CAC realmente uma retratação formal ao curso de Pedagogia. O fato ocorrido foi muitíssimo grave!
Gostaria de saber o resultado da apuração dos fatos ocorridos hoje: como está a situação dos documentos e materiais de pesquisa da Pedagogia?
Um abraço,
Fernanda
Colegas,
Primeiramente, quero agradecer a todos pelas manifestações aqui no Soprando.Net. Enquanto pessoa e professor responsável pelo acervo SUELY DA PAIXÃO, fiz o que penso que deveria ter feito: denunciar publicamente, através deste blog, o que aconteceu na sala 20.
Quanto à documentação
Acabamos de fazer as mudanças do acervo do NEPEDUCA, da sala 20 para a sala atual do grupo de estudo.
A documentação está ok? Tudo indica que sim. Estou apenas aguardando a Camila chegar de viagem para acabarmos de conferir o material. Mas, antecipo, que o acervo parece estar todo completo, assim como estava antes.
Alguns esclarecimentos
Estou convencido de que não sou a pessoa que vai julgar o incoveniente causado pelo ato administrativo da prefeitura do CAC. Penso sim, que a administração deveria fazer uma retratação pública, conforme destacou a professora Cida Almeida e outros.
A decisão de ceder a sala 20 e optimizar o uso da atual sala do NEPEDUCA, levando o acervo para lá, é totalmente minha. Neste sentido, acredito que feri um princípio democrático do próprio núcleo de pesquisa, na medida em que não consultei meus colegas de sala se deveria ou não fazer isto.
Por isto, peço desculpas aos meus colegas do NEPEDUCA.
Por outro lado, ressalto que no calor da discussão, esta decisão foi em função de contribuir provisoriamente com os colegas da química e ter visto que o material poderia, também provisoriamente, ser acolhido pela sala do NEPEDUCA.
Portanto, apesar de eu não ser conselheiro, do atual Conselho Diretor, sugiro apenas que o tema entre como ponto de pauta para uma próxima reunião, não apenas para avaliar o ocorrido, mas para se pensar qual o projeto de universidade pelo qual o CAC vai lutar.
O fato ocorrido na sala 20 é pequeno frente aos grandes problemas de espaço físico, gestão pública e financiamento da educação, pelo qual estamos atravenssando.
Saudações,
Wolney
Angustiada e indignada com certa ordem que vejo nos discursos e nas práticas acadêmicas, em minha feliz clausura com Foucault, quero expressar, flexada, atravessada, contaminada pelas problematizações foucaultianas, quero lembrar, para que não nos esqueçamos jamais, que as “luzes” que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas, e que, para o homem disciplinado, como para o verdadeiro crente, nenhum detalhe é indiferente, mas menos pelo sentido que nele se esconde que pela entrada que aí encontra o poder que quer apanhá-lo.