V Congresso Internacional De Educação
Filed Under Eventos | Posted on Setembro 2, 2007
O professor Dr. Sergio Pereira da Silva (Universidade Federal de Goiás – Campus de Catalão) participou de 20 a 22 de agosto último do V Congresso Internacinal de Educação, na Unisinos.
Abaixo ele faz alguns comentários:
Pessoal, não fossem os fatos de apresentar trabalho e assistir a três interessantes palestras, o frio e a distância do RS teriam me vencido. Mas valeu. Resumidamente, o Congresso Internacional de Educação Unisinos (20-22 de agosto) mostrou que a gente está nos trilhos. Três resumos de conferências merecem ser socializados:
Prof. Miguel Arroyo - UFMG- “Desafios para a docência na complexidade da prática pedagógica institucional”
Uma fala pessimista, não no sentido nietzschiano, mas no sentido ruim mesmo. Porém, bem sustentada e com o peso de um Miguel Arroyo. Criticou as políticas públicas para a educação que não sejam frutos e pressão dos movimentos sociais. Disse inclusive que sequer perde tempo lendo tantas leis oriundas do MEC. Exemplificou as conquistas que o MST no campo da confecção de seu próprio currículo (não disciplinar) aceito pelo MEC, como ilustração do que pode se fazer com organizações de resistência aqui e acolá, em todo país. Afirmou que “Hoje, os grandes desafios da escola são os educandos e sua realidade social. Estes são hoje muito diferentes de 20 anos atrás. Naquele tempo, tínhamos que pensar em escola para todos, qualidade na relação ensino-aprendizagem. Hoje preocupam-nos as questões de CONDUTA, o problema ético. ” Isto põe em evidência que pesquisar sobre VIOLÊNCIA, DESEMPREGO, CONSUMISMO que têm forjado novas subjetividades discentes é o que está faltando… “Sempre me preocupei com processos de aprendizagem e relações de poder, agora me preocupo com a conduta, a ética que esse aluno está trazendo para escola e está aprendendo na escola” “A fornação de professores não contempla, atualmente, o desafio de educar VALORES” . “Quem são os educandos? Em que medida são desestabilizadores? Quais são seus valores? Há pouquíssima pesquisa sobre isso..” “O pensamento pedagógico hoje é pobre, sem consistência teórica, não acompanha os movimentos sociais” “O sistema pedagógico instituído incorpora essas tensões?” Enfim, ele termina questionando se a escola ainda faz sentido? Se já não chegou a hora de se pensar em uma outra estrutura de educação formal? Ele não deu pistas de como seria, apenas questionou.
O prof. Rui canário da Universidade de Lisboa, fez uma análise da história da escola e de suas promessas no século XX. Disse que a partir de 1945 aconteceu o “otimismo pedagógico” com a “escola de massa” que prometia democratizar o acesso ao bem estar social. As pessoas acreditavam na escola, os pais e a comunidade em geral viam sentido em enviar seus filhos à escola. Entretanto, as promessas não se concretizaram e advieram o pessimismo e a escola das incertezas “Cada vez há mais diplomas e cada vez mais caros. Porém estes são cada vez menos valorizados e há menos emprego por intermédio deles..” A sociedade percebeu que a escola não é a panacéia que se acreditou ser; verificou-se que a escola não poderia forjar tal desenvolvimento social nem ascensão social prometida. O raciocínio do palestrante foi na direção da célebre tese da DESESCOLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE do autríaco (Ivan Illich), que ele tinha razão há quase quarenta anos atrás quando previu o declínio do ESTADO-NAÇÃO e o predomínio do PODER ECONÔMICO sobre o PODER POLÍTICO e o sistema escolar como contraproducente. Em suma, a sociedade não crê mais na escola e não investe nela por crê-la incompetente; disse ainda que a escola é só a ponta do iceberg da educação. Que a parte imersa é o que será a preocupação dos pedagogos do futuro.
Mas a melhor fala foi indiscutivelmente a do Prof. Silvio Gallo (Unicamp). Deleuzeano como nunca, falou da história do currículo desde a República de Platão….Trivium, Quadrivium, enkyklios paideis,,, até Descartes e sua célebre Pedagogia da Ordem ( metáfora da árvore cujas raizes eram os mitos, o tronco a filosofia e os galhos as ciências) Ou seja, a filosofia faria o papel de mediadora entre os saberes e entre estes e os mitos. Criticou a fragmentação do saber advindo do pensametno cartesiano e o conceito de totalidade em Hegel e Marx. Portanto, a interdisciplinaridade seria outro fetiche porque proporcionaria o diálogo entre um todo abstrato e partes igualmente abstratas.
Superando a Pedagogia da Ordem de Descartes, e seus afins, ele sugere o currículo da transversalidade através da metáfora do RIZOMA e seu perspectivismo (relativismo) que remonta à Nietzsche e Foucault. Finda a disciplinarização e cada aluno constrói seu próprio currículo… um currículo aberto, não hierárquico, rizomático em uma Pedagogia do Caos. Disse todo gênio da humanidade familiarizou-se com o limite do caos e da loucura, que alguns até não voltaram, mas que é preciso “mergulhar no caos e sair dele com a potência de criação”
Enfim, ele descamba para o anarquismo (no sentido filosófico do termo), mas não mostra a logística e a operacionalidade de um tal currículo. Questionado sobre, ele disse que não é um burocrata do currículo. Caberia a este responder a tal pergunta.
Loucuras…loucuras… divirtam-se…. Sérgio
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