O Congresso Brasa E New Orleans: Ciência E Arte
Filed Under Eventos | Posted on Abril 3, 2008
O Congresso Brasa E New Orleans: Ciência E Arte
Falar sobre a participação do Professor Dr. Sergio Pereira da Silva e eu no IX Congresso Internacional da Brasa significa juntar Brasa e New Orleans, cidade do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos, onde foi o congresso.
Em 2005 o furacão Katrina virou a cidade de cabeça para baixo, como noticiado na maioria dos meios de comunicação. A população, ainda hoje, sofre as conseqüências desta catástrofe.
Porém, a cidade vem sendo reconstruída e o que vimos foi um forte incentivo ao turismo, principalmente de americanos. É verdade que neste período de 27 a 29 de março que estivemos em New Orleans o movimento ainda não era tão grande quanto o previsto para meados de abril próximo, quando do festival de Jazz.
O Congresso Brasa
Houve a presença na abertura do Congresso Brasa IX, dia 27, além de autoridades locais e ligadas à Brasa, do embaixador brasileiro nos Estados Unidos.
Em seguida, uma Keynote Presentation by José Miguel Wisnik, com o título: “Machado Maxixe: Literatura e Música Popular Brasileira”. Brilhante apresentação do professor Wisnik sobre a hibridização na cultura musical brasileira.
Os dois outros dias, 28 e 29, sessões de apresentações de trabalhos em diversas áreas do conhecimento. Nota-se que a Brasa vem produzindo trabalhos convergentes no estudo de questões sobre América Latina, especialmente sobre o Brasil. Cabe ressaltar também a menor quantidade de trabalhos ligados à Educação.
Além do professor Sergio e eu, esteve também apresentando conosco (Panel/Mesa 5-3: Educação, subjetividade e cultura, sala LBC Mouses) a professora Dra Dirce Djanira Pacheco, que coordenou a mesa.
Apesar de ter tido uma multiplicidade de temas e mesas redondas, e assim ter sido difícil acompanhar tudo o que aconteceu, acredito que o congresso em si foi uma oportunidade para ampliar horizontes para todo e qualquer pesquisador participante.
Interessante notar também tanto a presença de estudantes brasileiros na Tulane University quanto de estudantes americanos falando português e/ou espanhol. Estes estudantes, que desenvolvem pesquisas sobre o Brasil e América Latina, são estimulados a aprenderem a língua portuguesa e/ou espanhola.
Música e Arquitetura
E o que é também marcante é o lugar, New Orleans. Se fosse apenas uma visita turística já seria suficiente para elevar a alma e o conceito sobre múltiplas culturas.
Eu pelo menos nunca tinha saído do Brasil e confesso que fiquei entusiasmado com as diferenças culturais. Em saber como vivem outros povos, sua alimentação, roupas, carros, moradias, língua, etc.
E dois aspectos me chamaram a atenção: a musicalidade e arquitetura local.
No caso da arquitetura são os casarões de época, coloniais e os pubs na Bourbon Street, rua por excelência do Jazz, ou como foi chamada por vários brasileiros: a rua do pecado. Muita música, gente circulando e uma tradicional brincadeira de jogar uma corrente, ofertando às pessoas que passam e sugerindo que levantem a blusa. Pode se dizer uma carnavalização, ou virada de ponta cabeça da forma menos acolhedora, diferentemente do brasileiro, de tratar as pessoas, que tem o americano em geral.
Especial atenção ao Café Du Monde: um lugar charmoso, romântico, de influência francesa, onde as pessoas se sentam para tomar o tradicional café de New Orleans com biscoitos.
E nas ruas principais, próximo ao rio Mississipi muita gente circulando.
O Jazz é o fermento musical que transpira pelas ruas do French Quarter, bairro central, onde estão localizadas ruas como a Bourbon Street e Royal, por excelência e respectivamente as ruas do Jazz e da pintura.
Depois de mais de mil fotos, eu fiquei pensando: qual destas fotos poderia retratar o que vimos? Não tenho respostas, ou talvez dissesse que esta determinada foto não foi tirada. Mas fica uma foto/imagem especial, a do sentimento vivido nestes poucos dias que juntamos ciência e arte pelas ruas de New Orleans.
Este sentimento cobre-se de uma musicalidade pulsante
Uma arquitetura alegre
Romântica
Sensível
Tudo pulsa no sangue
E faz o corpo se levantar da cadeira
Para alguns movimentos jazzicos
Tudo isto
Às vezes parece bruto
Como uma pérola
Outras, sensível, como um beijo
Se eu fosse recomendar alguma coisa, diria:
Para ir a New Orleans
Leve dinheiro sim
para o drink, o táxi, o hotel e outras necessidades
mas leve também um coração aberto
para novas paixões.
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2 Responses to “O Congresso Brasa E New Orleans: Ciência E Arte”
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Wolney, acompanhando seus comentários e impressões, ocorre-me apenas uma palavra-síntese: surpreendente! Surpreendente “BRASA em NOLA”! Sem dúvida foi uma bela idéia levar a BRASA para a Tulane University este ano, também para podermos sentir como a cidade e a universidade se mantêm vivas, bem vivas, depois do trágico golpe do Katrina. Como se diz muito por lá, New Orleans não pode ser riscada do mapa. Outra bela idéia foi a nossa, de rumar para lá. Foi ótimo conhecer de perto o que os “brasilianistas” andam a pertuntar sobre o Brasil, além de todas as surpresas desse encontro.
E daquilo que você escreveu aí em cima, só tenho uma observação: o “biscoito” que acompanha o café no badalado “Cafe du Monde” é uma variação do nosso tão caseiro bolinho de chuva. Trouxemos a receita do tal “beignet”, e vamos tentar aportuguesá-lo: café com “benhê”. Pode dar o que falar!
Depois volto para comentar a BRASA. Mas não queria perder o momento de registrar um pouco sobre N’Awlins: pulsante, densa e leve, num só movimento, num só toque. Não há olhar ou lente que possa tomá-la em um gesto. Talvez seja por isso que New Orleans não possa caber numa foto.
Abraços
Josianne
Josiane, é isto mesmo: “beignet” = “bolinho de chuva”. Hum, esta idéia de aportuguesá-lo deu água na boca.
Adoreia também sua síntese: “pulsante, densa e leve, num só movimento, num só toque”. Uau, isto dá samba, digo, blue.
Abraço e obrigado pelos comentários!
Wolney