A Educação Inclusiva E Uma Escola Para Todos
Filed Under Estudantes | Posted on Julho 30, 2008
A Educação Inclusiva E Uma Escola Para Todos
Geisianne Barra de Aquino*
Para compreender melhor a educação inclusiva, precisamos ter clareza que o imperativo por profundas transformações no âmbito escolar é decorrente das mudanças postas pela globalização, que a cada ano, intensifica a exclusão, impondo à escola o papel de aproximar as diversas culturas, o desafio de articular a igualdade e a diferença, isto é, interligando e considerando-as, sem ofender o direito posto para superar as diversidades entre as mesmos.
Neste contexto, surge a proposta de escola inclusiva, onde todas as pessoas com necessidades educacionais especiais (NEE) devem ir às escolas (da rede regular de ensino), ser bem atendidas e bem vidas. Segundo Mantoan, “A inclusão é uma inovação, cujo sentido tem sido muito distorcido e um movimento muito polemizados pelos mais diferentes segmentos educacionais e sociais”.
A partir desta questão, Mantoan nos mostra que nem sempre inovar é o inusitado e que a constituição garante a educação como direito de todos os indivíduos com deficiências, de toda ordem. Porém, sabemos que para a escola “acolher” de fato esses indivíduos, é necessário melhorar as condições da escola e requer várias mudanças, no âmbito da própria sociedade, para que os diferentes sujeitos possam vivenciar processos sociais sem preconceito e sem barreira. E para que isso ocorra, as escolas inclusivas, as escolas que recebem as pessoas com NEE, devem assumir que as dificuldades de alguns alunos não são apenas deles, mas resultam em grande parte do modo como o ensino é ministrado, a aprendizagem é concebida e mesmo avaliada.
A perspectiva é de construção de uma nova escola, uma escola inclusiva que se constitua em uma escola para todos, não apenas no papel ou em discursos como vemos e ouvimos, mas que rompa com a realidade de exclusão a favor de uma escola aberta aos diferentes modos de ser e aprender dos diferentes sujeitos. O desafio é a construção de uma escola organizada para atender as demandas postas por estas diferenças. Enfim, “(…) não se pode pensar de maneira homogênea os processos educacionais de um aluno cego ou surdo, ou seja, os projetos de inclusão deverão considerar essas diferenças ao elaborarem e implantarem suas novas diretrizes. Ao contrário de como vêm sendo implantados, esses projetos deverão ser construídos a partir de formas diversificadas de ensino que levem em conta o tipo de experiência à qual o aluno tem que ser exposto para aprender. Também é preciso que sejam valorizados estimulados projetos localizados e experimentais e não que se imponha teorias e modelos uniformes, a serem seguidos” (TARTUCI, p. 11-12).
Conforme Beyer (2005, p.13) “uma escola para todos nunca existiu. A escola inclusiva ou a escola com uma proposta inclusão escolar tem se proposto (ao menos paradigmaticamente) atender todas as crianças, sem qualquer exceção. Neste sentido, não determina distinções de espécie alguma, no que tange às características diversificadas de aprendizagem de seus alunos”.
Nós sabemos que essa proposta de inclusão parece um sonho possível, contudo será realidade apenas com a implementação de uma escola de qualidade, igualitária, justa e acolhedora para todos. Para tanto, é preciso punho e sustentação para enfrentar as fragilidades ainda existentes, inclusive garantindo a presença de professores capacitados e especializados, com formação inicial e continuada em educação especial, para atender as NEE desses sujeitos.
Nesse sentido, ao discutir a inclusão na Educação Infantil, Tartuci (2008, p. 57) afirma que “ (,,,) o processo de formação de professores não pode ser dissociado do processo de desenvolvimento organizacional da escola, pois requer uma mudança de atitudes não só dos professores, mas também de toda comunidade escolar, por isso os projetos de formação docente deve estar associado ao de organização e adequação da instituição de Educação Infantil”.
Assim, é necessário enfrentar as barreiras e construir práticas pedagógicas e de gestão escolar que garanta educação de qualidade a todos. Parafraseando Manton, é preciso construir uma escola onde todas as crianças sejam bem vindas.
Todavia, vale ressaltar que a inclusão social não se reduz a escola, pois conforme afirma Tartuci (p. 15) “a escola é apenas um âmbito da questão, e em uma ação isolada dos demais não transformará a sociedade que aí está em uma sociedade inclusiva, pois a desigualdade social é fruto das relações historicamente estabelecidas entre os homens. A escola poderá contribuir para se efetuar mudanças, contudo ela própria tem tido o papel de manter as desigualdades sociais”.
A inclusão pressupõe ações articuladas de diferentes áreas, bem como de romper com a cultura de exclusão e instituir políticas públicas que permitam ao sujeito o exercício pleno de cidadania. Portanto, para se garantir o direito de “Educação para Todos (…) exige-se alterações complexas tanto nas políticas públicas e sociais, quanto na própria concepção presente no imaginário social e na cultura escolar a respeito destes alunos [necessidades educativas especiais]. Caso estas alterações não ocorram, a fim de propiciar condições efetivas, a inclusão será mera utopia” (TARTUCI, p. 13).
Os desafios e os problemas, conforme Tartuci “não poderão ser resolvidas somente pelo professor no interior da sala de aula ou, mesmo, somente no contexto escolar. Ao contrário, ela tem que ser (re)pensada no âmbito das questões mais amplas da exclusão social com vistas à construção de uma cultura escolar mais comprometida com as diversas vozes (sujeitos) e como um espaço potenciador e mobilizador para construção de um mundo menos excludente e solidário”.
REFERÊNCIAS
BEYER, Hugo Otto. Inclusão e avaliação na escola: de alunos com necessidades educacionais especiais. Porto Alegre: Mediação, 2005.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Todas as crianças são bem-vidas à escola. Disponível em: http://www.pro-inclusao.org.br/textos.html. Acesso: dia 20/06/08.
TARTUCI, Dulcéria. A Inclusão das Crianças com Necessidades Educacionais Especiais na Educação Infantil. In: Anais do 9º Encontro de Pesquisa em Educação da Anped – Centro Oeste. Educação: tendências e desafios de um campo
TARTUCI, Dulcéria. Inclusão Escolar do Surdo: Seus Efeitos sobre a Participação Social e a Construção da Identidade. Disponível em: http://www.rizoma.ufsc.br/showprod.php?id=61 . Acesso: dia 20/06/08.
* GEISIANNE BARRA DE AQUINO (Acadêmica de Pedagogia CAC-UFG, Disciplina: Inclusão, Desenvolvimento e Necessidades Especiais. Profa. Dra. Dulcéria Tartuci)
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