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No princípio, este Blog seria sobre História, Educação, Arte, Ciência e Tecnlogia. Agora é qualquer coisa que a cabeça pensa, o coração sente e os dedos teclam na redondeza e que possa contribuir para a formação do professor no Brasil.

Entrevista Com Professores – Reginaldo Tacilo Rodrigues

Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 6, 2008

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O professor Reginaldo Tacilo Rodrigues (na foto ao lado), nos fala de sua experiência docente.

Sabemos de que o universo profissional da docência, principalmente no ensino fundamental, é predominantemente feminino. Reginaldo nos mostra algumas interfaces do gênero masculino na profissão docente.

1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).

Eu sou professor desde 1990, venho do Vale do Ribeira, onde fiz o Magistério, numa época em que já estava acabando as turmas, não havia aluno suficiente para se abrir salas. Eu sempre gostei de “ser professor”. Quando andava pelas estradas rurais de minha cidade, e encontrava as escolas rurais abandonadas, mato, portas quebradas, sujas, obscuras pelo tempo e falta de pintura, eu imaginava um dia ser professor para poder fazer deste espaço um verdadeiro ambiente de ensino.

Quando em 1990 fui convidado pra trabalhar numa escola rural, fiquei surpreso, era justamente a escola dos meus sonhos, eu iria fazer o que sempre sonhei. Não era ensinar. Na verdade eu era um professor diferente. No Estado de São Paulo nesta época existia a função de professor de Enriquecimento Curricular, seria um professor que estaria na escola ensinando os alunos a cuidar do patrimônio, fazer hortas, criar animais, coisas deste gênero.

Eu assumi na época duas escolas, parecia um sonho, eu as deixei tão bonitas que não conseguia acreditar. “Eu fiz o que sempre quis fazer”.

Todos que passavam pela escola podiam ver que ali havia mudado e quem mudou????? Eu sei que na cidade todos sabiam, era o Reginaldo, ele pintou, limpou, criou biblioteca, mudou a cara da escola, que antes nem se via pela altura do mato.

2) Como você se tornou professor(a)?

Se tornar professor foi uma meta de minha vida, numa época onde não se tinha muitas opções o que mais me atraía era o magistério. E assim fiz, estudei , apesar do preconceito, pois sempre havia aqueles que achava que ser professor era coisa de mulher.

Na sala só tinha dois alunos homens, um casado e eu solteiro. Eu me formei por que meu objetivo era ajudar, ensinar e aprender, e isso eu só conseguiria se fosse professor.

Fiz magistério, dei continuidade, fiz Estudos Sociais, com habilitação plena em Geografia. Fui professor rural de classe multisseriada, e professor coordenador pedagógico na cidade, em uma escola reestruturada pelo governo somente de 5º ao 3º colegial. Eu um professor sonhador, que sempre gostou de escolas rurais, agora estava dentro de uma escola da cidade, como professor coordenador, foi uma aventura e tanto, aprendi muito e ensinei muito com certeza.

3) Como tem sido a sua experiência como docente?

Minha experiência está cada vez mais aguçada, não sei se faço o que tinha que fazer. Na verdade, aquele sonhador ainda existe em mim, mas vejo tantas injustiças que me fazem desistir algumas vezes. Uma coisa que eu desisti, e era meu grande sonho, foi fazer “pedagogia”. Ficou de lado, acabei vindo pra São Paulo em 1997, fui lecionar geografia em Itaquaquecetuba.

Fui coordenador pedagógico em uma escola aqui de Guaianazes, onde era noturno, e pude perceber que meus sonhos esbarravam em pessoas que não queriam nada com nada. Eles faziam da escola um lugar apenas de “ganhar dinheiro”, não via compromisso e não havia qualidade.

Comecei então a perceber que aquele sonho de Escola perfeita não podia mais continuar. Em seguida fui pra Itaquera na grande São Paulo, também como Professor coordenador, na escola “ CIDADE DE HIROSHIMA”. Lá eu percebi que ainda podia acreditar na educação. Fiquei perto de pessoas que ainda faziam educação, e acreditavam que ela poderia continuar existindo. Fiz o que estava ao meu alcance, ajudei muito, me senti muito útil, em mostrar para aquelas pessoas que eu mesmo sendo um jovem sonhador podia contar com a ajuda deles.

Para concretizar meu sonho eu em 2000 assumi na Prefeitura de São Bernardo do Campo, uma matrícula efetiva de professor de educação básica. Era meu primeiro cargo efetivo. Depois de 10 anos voltei a lecionar para crianças. Continuei no Estado, não mais como professor coordenador, mas como professor de Geografia, onde nos supletivos me deliciava com músicas, peças teatrais, releitura de obras, tudo que colocasse na prática o conhecimento que a geografia poderia proporcionar ao aluno.

Em 2003, assumi outra matrícula, e deixei o Estado, foram 15 anos deixados para trás. Então assumi duas salas de 1º ano do ciclo I. Foi muito gratificante! Acredito que marquei na vida daquelas crianças e até hoje eles ainda lembram-se de mim, das brincadeiras, alegrias e fantasias que juntos criávamos na sala de aula.

Em 2007, voltei pro Estado , pois já sentia falta lecionar geografia, sentia saudades dos adultos, e quando retornei no primeiro dia de aula, entrei na sala de 5ª série e meus olhos se encheram de lágrimas, pois tudo estava do mesmo jeito, aqueles alunos, pulando, gritando, aprendendo ainda sobre o que é” geografia”. Pude perceber que podia passar os anos que fossem as coisas sempre seriam as mesmas, nada mudaria. Fui para uma escola Estadual onde a educação é mesma coisa que um passatempo onde o retorno era só o salário. Não tentei mudar, mas fiz minha parte, mostrei nas realizações dos projetos que ainda se podia acreditar na escola.

4) Para você, quais são as mudanças significativas quem vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?

As mudanças no meu ver são necessárias, mas as pessoas não mudam. As cabeças que estão a frente de uma sala de aula ou direção de escola, ainda continuam iguais, não querem qualidade, falam de qualidade, mas não a fazem.

Diretoras ainda fazendo plano de gestão sozinha, sem ouvir outros professores que se trancam dentro da sala e sozinhos fazem sua aula.

Muitas mudanças, posso apontar, como a Gestão democrática, Progressão Continuada, Parâmetros Curriculares, tudo em busca de qualidade, mas a qualidade só é possível quando todos estiverem consciente de que a escola não é um lugar de brincadeira, onde “o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende”.

5) Como vê a educação no futuro próximo?

Para o futuro, vejo a mesma educação de sempre, pois as pessoas não querem mudanças. O governo efetiva funcionários visando estabilidade, mas a mudança tem que ser real, as pessoas envolvidas na educação tem que acreditar naquilo que estão fazendo, e isso eu não vejo hoje em dia.

Os alunos estão cada vez mais sem interesse, professores colocam a culpa no salário, no governo, na escola. Mas na verdade o que tem acontecido são muitas mudanças no papel e poucas na prática. Acredito que se continuarmos a sonhar educação, um dia chegaremos lá. Mas se continuarmos brincando educação, com certeza, ela permanecerá como está por muitos e muitos anos. Mudanças são bem vindas, desde que mude também a cabeça daqueles que estão a frente de uma sala de aula direção de escola, secretarias etc.



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7 Responses to “Entrevista Com Professores – Reginaldo Tacilo Rodrigues”

  1. Michela Augusta on Fevereiro 7th, 2008 6:44

    Wolney, gostei muito da série Entrevista com professores.
    Numa época onde a procura pelo sucesso econômico vem em primeiro lugar,é bom ver que ainda existem profissionais apaixonados por sua profissão como o Reginaldo, principalmente quando esse profissional é útil à Educação.

  2. Wolney on Fevereiro 7th, 2008 8:22

    Oi Michela, voce tem razão, é um prazer conhecer a história de vida dos professores.

    Eu espero que outros professores disponham suas experiências aqui também.

    Abraço!

  3. Angela Maria Inocencio Rodrigues on Fevereiro 10th, 2008 8:32

    Olá! Adorei a entrevista com o Prof. Reginaldo e sua cativante história de vida. Que bom se aqueles que desejam ainda ser professores, amem aprender, assim como ensinar!!!
    Bjs.

  4. Wolney on Fevereiro 10th, 2008 9:37

    Sim, Angela Maria, gostar de aprender e ensinar é fundamental para quem exerce esta profissão.

    Obrigado pela visita e volte sempre!

  5. dauria on Março 5th, 2008 7:39

    amei sua entrevista , com certeza a educação continua igual . O que mudou foi os atores. Que pena!

  6. Suzana on Maio 20th, 2008 21:14

    Suas palavras enriquecem uma cultura que deteriora cada dia mais a profissão de educador, parabéns pela sua entrevista e com certeza torcemos para que isso mude um dia. Parabéns!!!

  7. Mara Machado on Maio 28th, 2008 19:51

    Boa noite!!!
    Eu tenho o previlégio de conhecer o professor Reginaldo, esta entrevista é sua cara !!! Eu adoro o Reginaldo companheiro de onibus de manhã cedo!!!
    Bjos

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