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No princípio, este Blog seria sobre História, Educação, Arte, Ciência e Tecnlogia. Agora é qualquer coisa que a cabeça pensa, o coração sente e os dedos teclam na redondeza e que possa contribuir para a formação do professor no Brasil.

Entrevista Com Professores – Cybele Meyer

Filed Under Entrevista com Professores | Posted on Fevereiro 9, 2008

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A professora Cybele Meyer (na foto ao lado), nos fala de sua experiência: de advogada a professora, sendo fisgada pelo prazer de educar.

Cybele Meyer é editora do Blog Educar Já.

1) Fale um pouco sobre você (de onde veio, onde trabalha, formação, etc).
Foi em Santos que passei toda minha infância e juventude, onde me casei e tive meus três filhos.

Estudei até concluir o Normal no Imaculado Coração de Maria. Sou da época em que a mulher tinha que ser prendada para se tornar uma boa esposa, pelo menos era essa a intenção dos meus pais.

Foi uma época muito boa, onde realmente aprendi, além das matérias curriculares, a bordar, pintar, cozinhar, fazer artesanato, arrumar uma mesa e muitas outras atividades extras. Quando tive que optar entre o Normal, Científico ou Biológicas, meus pais nem me perguntaram qual seria minha escolha e optaram, na matrícula, pela Normal. Não fiquei entristecida por isso, pois vinha de uma família muito conservadora e não costumava questionar as decisões por eles tomadas.

Porém, quando estava para me formar, decidi que iria cursar Direito. Meus pais quase enlouqueceram, pois afinal o ano era 1973 e estávamos em plena ditadura militar.

Quando as freiras tomaram conhecimento, chamaram meus pais e alegaram que eu havia me tornado uma comunista, porque eu havia sido educada para ser esposa e, naquela época, poucas mulheres cursavam Direito, só as comunistas!

Prestei vestibular escondida e passei. Cursei em meio a muita pressão.

Eu formei e exerci a advocacia por dez anos. Além do Direito, por gostar muito de arte, fiz Artes Plásticas e passei a pintar telas e a ministrar aulas de pintura como hobby. Ao exercer essa atividade percebi que tinha facilidade em transmitir o que sabia.

Mais tarde cursei Pós-Graduação em Pesicopedagogia Clínica e Institucional e Docência do Ensino Superior.

Em 2006 foi o último ano que estive dentro da sala de aula. Após vinte e dois anos deixei de atuar junto aos alunos para me dedicar a trabalhar com os Professores. Hoje, percorro os quatro cantos do Brasil ministrando Palestras e Oficinas de atualização para Professores.

Também dedico meu tempo ao blog que criei de apoio ao Professor. Procuro dispor neste blog material de aplicabilidade em sala de aula. Estou muito feliz com o retorno que estou tendo. É sinal de que os Professores estão em busca constante.

2) Como você se tornou professor(a)?

Quando meus filhos estavam, os três, em idade escolar e eu vivenciando o dia a dia junto com eles, me apaixonei perdidamente pelo ensinar e resolvi que iria abandonar o Direito para me dedicar à Educação. Foi o que fiz. Consegui minha primeira classe na escola onde meus filhos estudavam e iniciei minha trajetória com crianças de quatro anos. Eu me sentia revigorada, motivada e feliz.

Aos poucos fui caindo numa realidade dura, pois convivi com muitos profissionais que entravam na sala de aula já pensando no momento da saída. Sempre gostei de “inventar moda” como me falavam a cada idéia apresentada. A maioria das vezes, realizei as atividades procurando esconder que as havia feito, para evitar atritos com os colegas.

Com o passar do tempo e já mais madura na profissão resolvi que não mais agiria dessa forma e voltei a “inventar moda” e a incentivá-los para que desenvolvêssemos juntos.

3) Como tem sido a sua experiência como docente?

Posso dizer que minha experiência sempre contribuiu para o meu crescimento como profissional, pois a nossa profissão é ingrata, principalmente nos dias de hoje, quando o respeito e a admiração pelo professor estão em extinção. Nós vivemos uma realidade dura e injusta que nos mostra que quando o aluno não aprende é por culpa exclusiva do professor e quando ele aprende e se destaca o mérito vai para a escola e para o aluno.

O Professor, nos dias de hoje, é apenas um profissional “de uso”, ou seja, usado pela escola, pelos alunos e pelos pais. Porém, acredito com fervor de que esta realidade será mudada, com nosso empenho e amor ao exercício da magia do ensinar. Temos que resgatar o valor da nossa profissão. Como faremos isso? Dedicando-nos e mostrando o quanto o Professor é importante na construção do cidadão e do nosso País. O Professor foi, é e sempre será um guerreiro, que não desiste nunca, mesmo tendo pela frente os percalços vivenciados diariamente.

4) Para você, quais são as mudanças significativas que vem acontecendo na educação brasileira nos últimos anos?

Na minha visão, acredito que seja a tomada de consciência de que somente ter o aluno matriculado na escola não faz dele um estudante. Há muito tempo não havia movimentações em prol da melhoria da Educação, como nestes últimos anos. Em todas as mudanças ocorridas anteriormente, nenhuma mexeu tanto na estrutura da Educação quanto a do Fundamental de 9 anos.

Em 1971 quando foi aprovado o Ensino Fundamental de 8 anos, foi uma mudança, para melhor, com o objetivo de manter a criança durante mais tempo na escola lhe proporcionando um grau de instrução maior do que o usual naquela época, quando a maioria encerrava o estudo no 4º ano primário. Esta mudança não abalou as estruturas educacionais, pois a mudança foi praticamente na nomenclatura e na junção do primário com o ginásio.

Os alunos de 1ª a 4ª séries continuaram a ter uma única professora como já ocorria anteriormente, e os alunos de 5ª a 8ª continuaram com vários professores, um para cada matéria com aulas de cinqüenta minutos.

Agora a mudança do fundamental de nove anos, esta sim, mexeu tanto com a estrutura pedagógica quanto com a estrutura física das escolas. Uma escola para receber alunos de seis anos tem que ter um espaço condizente com as necessidades que um aluno dessa idade requer e que variam e muito das necessidades de uma criança de sete anos; tem que ter um professor capacitado para trabalhar com crianças dessa idade, que exige metodologia diferente daquela aplicada às crianças de sete anos, e assim por diante.

5) Como vê a educação no futuro próximo?

Vejo uma Educação mais consciente, colaborativa, com aplicabilidade. Uma Educação que passará a utilizar a WEB 2.0 como ferramenta de aprendizagem, possibilitando uma interação e integração entre os indivíduos permitindo a formação de opinião, o desenvolvimento da linguagem escrita, a iniciativa e tantos outros resultados, que com certeza, iremos constatar.

Acredito que agora é uma boa hora para se despertar o interesse pelo conhecimento nos nossos alunos. Eles adoram usar o computador. Se utilizarmos esta ferramenta maravilhosa com fins educacionais, os alunos irão desfrutar da aprendizagem pelo prazer e não pela busca incessante de boas notas. As boas notas serão conseqüências. Se o professor conseguir desvencilhar o uso das ferramentas na internet das notas, ou seja, não atribuir notas pelo seu desempenho online, acredito que daremos um grande passo rumo a uma aprendizagem de bons resultados dentro e fora do espaço escolar.



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4 Responses to “Entrevista Com Professores – Cybele Meyer”

  1. Carlise D. B. Schons on Setembro 11th, 2008 14:01

    Gostei muito de sua blog. Informativo; mas fiquei um pouco confusa. Estou fazendo um estudo de caso e a menina de 9 anos da 3ª série não consegue montar quebra-cabeça, não escreve corretamente, pula linhas, é desorganizada com seu material e com seu caderno, é desatenta, mas por outro lado tem suas capacidades normais, mas seus erros são mais na ortografia das palavras, desordem, ela é disléxica ou só tem disgrafia? Pode me ajudar?
    Obrigada Carlise

  2. Marli Trindade on Outubro 7th, 2008 18:32

    Gostei muito da sua entrevista. Parabéns ! assim espero que os educadores acordem para a mudança tão esperada para a Educação de fato seja respeitada….

  3. Edivania Lopes Ramos on Dezembro 8th, 2008 15:41

    Parabéns,adorei a forma como você fala e acredita na educação.penso dessa maneira e acredito que uma educação de qualidade começa com um trabalho dedicado.

  4. Marley on Junho 29th, 2009 15:36

    Gostei muito de te conhecer. Ótima entrevista.
    Sua trajetória é um pouco parecida com a minha.
    Quando minhas filhas estavam em idade escolar começei a me interessar pela educação e comecei a trabalhar na escola delas. Então resolvi fazer pedagogia.
    Apesar de ser apixonada pela educação, tem hora que bate aquele desanimo, quando vejo tanto desvalorização dos profissionais da educação.
    Penso em fazer uma outra faculdade, para abrir o leque de oportunidades. Aí eu acabo voltando atraz, pois a gente tem fazer aquilo que a gente gosta né. Apesar dos pesares.
    Ah! Obrigada por visitar o meu blog, eu estou engatinhando. Aprendo tudo só na curiosidade, nunca fiz curso de informática.
    O seu blog é show! Parabéns!
    Bjim

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