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Carta De Amor E A Escrita Coletiva

Filed Under Cinema | Posted on Novembro 16, 2008

Carta De Amor E A Escrita Coletiva

Ontem estive revendo o filme Coração de Cavaleiro, exibido pela Rede Globo, na sessão de sábado. Fiquei, inicialmente, curioso em ver na telinha o ator Heath Ledger e a história engraçada do homem que não tinha nenhuma herança nobre e que se fez cavaleiro, depois de demonstrar um comportamento honroso perante o príncipe inglês, filho do Rei Eduardo.

Bom, o motivo deste post, entretanto, é outro. Há uma cena no filme, reproduzida abaixo, que quando vi pela primeira vez, não me despertou para o que ocorreu agora: a escrita de uma carta de amor ancorada nas histórias de amor dos amigos de Wiliam, o personagem representado por Ledger. Ora, é uma demonstração cinematográfica da escrita numa perspectiva diferente daquela em que o escritor, sentado em sua escrivaninha, em frente a uma vela acesa, com sua caneta pingando tinta (lembrei-me agora do filme do Shakespeare apaixonado) e construindo suas idéias em linhas horizontais. Esta é uma perspectiva muito comum na nossa imaginação ocidental do escritor.

Porém, no filme “Coração de cavaleiro” a imagem é outra. Um grupo reunido, inspirados na necessidade de escrever uma carta de amor, começa a narrar suas próprias histórias e o escrevinhador, um dos membros do grupo, por sinal o que sabia escrever, acompanhando as histórias e as transformando em carta.

Ora, não é esta a nossa prática de construir textos, ou seja, ir catando outros pedaços de histórias e unindo-as numa trama própria? Mesmo quando solitário, o escritor está ali, rodeado de interlocutores representados pelos livros e artigos. Mas o forte da cena é a junção da oralidade com a escrita. Enquanto uns vão contando suas histórias, o escrevinhador vai anotando e as transformando em carta. Vejam:



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