Política Técnica Versus Competência Democrática
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Setembro 25, 2008
Política Técnica Versus Competência Democrática
Ao ler os jornais de hoje, deparei com duas notícias que me fizeram pensar no título deste post. A primeira foi Bush admite que EUA estão imersos em uma “grave crise financeira”. O presidente dos Estados Unidos solicita ao congresso americano nada menos do que US$ 700 bilhões (de dólares) para remediar a crise financeira americana.
A outra, diz que Professor defende punição severa a aluno, diz pesquisa, matéria também publicada na folha de São Paulo online (restrita a assinantes). Trata-se de uma pesquisa realizada pela parceria entre a Organização dos Estados Ibero-americanos e a Fundação SM intitulada “A qualidade da Educação sob o olhar dos Professores”, com 8773 professores da educação básica do país.
A pesquisa detectou que 83% dos docentes defendem medidas mais duras em relação ao comportamento dos alunos. Em outras palavras, medidas mais duras para a indisciplina escolar.
Cabe ressaltar uma ligação entre a indisciplina e a gestão escolar: “As escolas brasileiras são espaços desorganizados, pouco propiciadores de um ambiente facilitador para estudo e reflexão. Isso se deve a problemas de comportamento dos alunos e a problemas de gestão e organização [das escolas]”.
Pois bem, por que estas matérias me fizeram criar o título deste post? Vejo ai um problema sério de valorização, ou melhor, de desvalorização à democracia. As matérias são na verdade uma conseqüência do pouco valor sócio cultural que tem sido dado às concepções de autoridade e liberdade não só no Brasil, mas em todo o planeta (afinal estamos na era planetária).
Por um lado, vemos a maior nação do planeta sendo engolida pelo seu próprio veneno, que é a economia neoliberal, controlada pelo capital financeiro virtual. A economia acima da política, da educação, da sociedade, da cultura. Valores técnicos, de lucros extraordinários vêm dirigindo a economia mundial nos últimos 20 ou 30 anos.
Não seria isto também a medida da gestão que estamos vendo nas escolas públicas? Através de palestras, campanhas políticas, divulgam-se a democracia nas escolas, enquanto no dia a dia escolar o que menos se vê são práticas democráticas, de debate sobre a liberdade.
Estamos num mundo onde a democracia, a autoridade e a liberdade parecem mais um produto, uma mercadoria do que um valor humano, regulando os relacionamentos sociais.
A agonia social começa a mostrar suas caras na mídia, o que já vinha acontecendo no cotidiano das pessoas comuns. É claro que o barulho, na mídia, tem também suas intenções politiqueiras. Mas talvez possamos aproveitar o momento, nós, professores e professoras, e também gritar, mostrando que as gestões escolares, em todos os níveis de educação, não são eternas, mas elas são fundamentais para se construir, cotidianamente, a democracia que tanto queremos. Ou pelo menos nós, meros mortais, imaginamos que os gestores querem.
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