História Da Educação – Escolarização III
Filed Under Historia da Educação 2007 | Posted on Novembro 30, 2007
Uma das atividades desenvolvidas na disciplina História da Educação é montar a história da escolarização das alunas e alunos do curso de pedagogia, Universidade Federal de Goiás – Campus de Catalão.
Abaixo disponibilizo alguns testemunhos.
PATRICIA CRISTINA GONÇALVES SILVA.
Bom a minha escolarização teve coisas boas mais momentos difíceis também. No começo que é no jardim é tudo muito bom, só tem novidades colegas novos, só diversão. Mas quando vem a 4°serie em diante ai começa a apertar, estudei sempre em escolas públicas. Tive muita dificuldade na 5°serie porque foi onde tudo mudou. As disciplinas e as dificuldades aumentaram bastante. Quando fiz a 7° série não consegui passar de ano porque tive muita dificuldade em exatas, tive que repetir. Mas a partir da 7° me esforcei e consegui. Minha dificuldade sempre foi em exatas, prefiro a área de humanas. Na escola pública tem que ter bastante dedicação, porque se não nós esforçarmos não conseguimos, aliás, devemos nos dedicar sempre não só em escolas públicas, mas também em escolas particulares, porque cada uma tem sua dificuldade.
E a escolarização vai ser muito importante para quando entrarmos na faculdade. Precisamos nos dedicar no ensino médio para que ao entrar na faculdade não encontremos tantas dificuldades.
VANESSA FRANCISCO DE ALMEIDA
Em 1992, quando tinha seis anos, comecei na pré-escolarização em uma escola municipal do Distrito de Santo Antonio do Rio Verde. A professora se chamava Alda, ela era deficiente e usava uma muleta, mas a deficiência não atrapalhava.
No inicio tive varias dificuldades e traumas que continuaram ate o fim do ensino médio. A minha professora de alfabetização Alda, ela era muito má, parecia uma bruxa loira, todos os alunos tremiam de medo dela. Um dia ela me pediu para ler o alfabeto. Eu li até a metade e depois não consegui ler o restante. Ela ficou furiosa e começou a gritar comigo e pegou uma régua de pau e começou a bater na minha cabeça, eu chorei tanto, que tiveram que chamar minha mãe, pois eu não conseguia levantar da cadeira de tanto medo, fiquei uma semana sem ir à escola, pois ficou um caroço na minha cabeça e sentia muita dor de cabeça.
Por ter uma pré-escolarização traumática, não só eu, mais como os outros alunos, isto acabou me prejudicando. Principalmente havia sempre algo que não conseguia compreender. Quando fiz a 4º serie, no final do ano, com as entregas de boletins, minha mãe ia ao colégio, mais falavam que tinha sumido, e que eu teria que repetir a 4º serie de novo, perdi um ano, pois eu tinha sido aprovada.
Passei para a 5º serie fiz o ensino fundamental teve algumas dificuldades, mais não foi algo que me atrapalhou. Em 2002, passei para o ensino médio. Antes, na 8º série, a turma fez formatura. Quando fiz o 1º ano do ensino médio eu tive um professor de matemática lindo, ele pegava tanto no meu pé, que eu tinha raiva dele, pois ele me chamava de antiga e falava que meu cabelo era pintado, corria atrás de mim para puxar minha orelha, eu escondia dentro do banheiro feminino.
Já no terceiro ano do ensino médio, a turma já estava estressada e a gente fugia da aula, todos pulavam o muro e eu ficava pra trás era a mais molenga.
O que fica são as lembranças das amizades e das inimizades. Hoje em 2007 estou no 2º período de Pedagogia da UFG e me orgulho de ter estudado no colégio Estadual Gilberto Arruda Falcão, por que foi neste colégio que obtive conhecimentos sendo um colégio publico.
LORENA MARTINS SOUSA
Eu comecei a estudar com cinco anos, fiz jardim dois, em um colégio particular, depois fui pra uma escola pública, pois aconteceram vários problemas na minha família. Meu pai morreu e tudo si desestabilizou. Fiquei nesse colégio até o término do ensino fundamental, fiz muitas amizades, muita bagunças, muitas paqueras…
Os professores como sempre alguns eram bons outros ruins, talvez eles nem fossem tão ruins, a verdade é que eram inteligentes, sabiam sua disciplina, mas não sabiam passar pros alunos. E as conseqüências não eram nem um pouco boas, pois os alunos tinham dificuldades em disciplinas subseqüentes.
Meus anos nessa escola Coronel Joaquim Taveira em Niquelãndia foram inesquecíveis, conquistei amigas inseparáveis, Tatiane e Ludmila, companheiras pra toda hora. Eu era a mais aplicada, dava cola pra elas, era uma aventura, muito bom. Uma professora que me marcou muito foi a Maria Lucia, que aplicava a disciplina de Geografia e Historia, ela era muito boa, explicava como ninguém, eu só tirava notas boas com ela.
Depois fui pra escola Paulo Francisco, fazer o ensino médio. As minhas amigas foram junto comigo… Tatiane e Ludmila. E em Niquelândia mesmo foram muito bons, tenho muitas saudades… Amizades… Inimizades… Colegas… Amigas… Professores… Escola… Paqueras… Namoros… Provas… Ai…
Eu estudava muito e era uma das melhores da sala, sempre havia uma disputa de notas entre eu e umas metidinhas da sala que era muito bom. Quando eu tirava mais que elas, elas que sentavam na frente, não conversavam, eram cheias de manias, e eu que sentava atrás, conversava um pouquinho, mas estudava, e concorria com elas, era um máximo.
Então o que eu tenho a dizer da minha escolarização é que foi muito importante para mim em todos os sentidos: o conhecimento, as amizades, o novo, sempre vencendo obstáculos, nos ensinando a ser humanizados, sociáveis, a viver nesse mundo globalizado, mesmo com tanta dificuldade e deficiência, eu aprendi… E hoje estou aqui tentando aprender a cada dia mais.
FABIANA DE FÁTIMA MESQUITA
Meu nome é Fabiana de Fátima Mesquita e hoje estou com 24 anos. Eu entrei na escola no ano de 1989, quando tinha seis anos, a primeira e a única escola que estudei foi no Colégio Estadual “Anice Cecílio” Pedreiro.
Recordo até hoje o nome das minhas primeiras professoras do pré, elas foram Nauza, Marlene Evangelista e Maria Carrijo. Nos primeiros dias de aula, eu chorava muito, pois ficava com medo de que meus pais não fossem me buscar, mas depois fui acostumando.
O ano passou e fui aprovada para a 1ª série, quando entrei pensei que fosse igual ao pré, achei que era para brincar, cantar e ler pequenas cartilhas, nós fazíamos tudo isso, mas tinha o dia e a hora certa, nossas aulas eram de aprender a ler e juntar as palavras que havíamos aprendido no pré; fazíamos até prova.
Porém, eu tinha um grande problema era muito tímida e não relacionava com ninguém, sempre gostei de sentar no fundo e não conversar com ninguém, pois tinha medo da professora se zangar.
Passei para a 2ª série e as coisas começaram a ficar mais apertadas, as matérias eram mais complicadas e a professora que eu tinha era muito brava. Lembro-me que nessa época as professoras batiam nos alunos dando com régua neles, jogando giz e apagadores.
Passei para as séries seguintes sem nenhum problema, mas quando cheguei na 6ª série teve um sério problema, porque não domino matemática muito bem e a minha professora explicava de um jeito que não compreendia o que ela estava tentando passar, por mais que eu me esforcei para entender foi impossível, fiquei para recuperação e acabei tomando bomba.
Consegui recuperar passei para 7ª série com notas boas em matemática, creio que foi bom para mim, porque depois não tive muito problema com essa matéria, pois passei a dominá-la melhor e os professores de matemática que eu tinha sempre me ajudaram.
Quando eu passei para a 8ª série fiquei na expectativa de terminar logo, pois ficava faltando três anos para prestar vestibular, e já tinha em mente que eu ia ser professora.
Entrei para o 2º grau no ano 2.000 e foi à melhor fase da escola para mim. Porque comecei a relacionar melhor com as pessoas e deixei a timidez de lado, porque para a gente ser professor tem que aprender a falar em público. Fiz o 1º colegial sem nenhum problema e achei fácil.
Porém, eu havia estudado apenas no período matutino e vespertino, e quando entrei para o 2º colegial resolvi fazer no período noturno, e além do mais eu já estava trabalhando. Muitas pessoas falavam que quem estudava a noite não aprendia nada, porque era só farra, mas eu aprendi muito, pois a minha professora de literatura colocava a gente para ler livros literários e apresentar seminário ou do jeito que achássemos mais fácil.
Então eu entrei em um grupo que gostava de apresentar teatro, no começo fiquei com vergonha, mas depois fui acostumando. A nossa professora gostou tanto que tivemos que apresentar para a escola inteira e em todos os períodos.
Passei para o 3º colegial no ano de 2.002 com a mesma turma do 2º, e o interessante é que nós éramos muito unidos, até mesmo os professores eram unidos com a gente. Nesse ano apresentamos mais teatro, e fomos até convidados para participar de uma competição. Nós participamos e ficamos em 3º lugar, para mim foi uma grande experiência, porque passar por uma competição, onde havia muitas pessoas, eu que era muito tímida.
A nossa professora era a Maria Abadia, e para mim durante toda história da minha vida escolar foi à melhor professora que eu já tive, a maneira que ela ensina faz com que a gente fique com vontade de estudar.
Conclui o 2º grau em 2.002 no mesmo Colégio, não quis prestar vestibular, só no ano seguinte que prestei para História e não passei. Em 2.004 entrei no cursinho com a intenção de prestar vestibular, mas acabei não prestando novamente.
Então, em 2.005 prestei vestibular para História e passei. Fiz apenas o primeiro período e não gostei do curso e abandonei. Resolvi prestar para Pedagogia, achando que não ia passar, porque eu não havia preparado, e acabei passando.
Hoje estou fazendo Pedagogia na UFG de Catalão e até então estou gostando do curso, e espero concluir.
MARIA CONSUELO
Geralmente é divertido devanear no passado escolar, sobretudo dos primeiros anos de aprendizado. Mesmos que seja experiência mesclada de traumas.
1969, nos meus sete anos de idade – primeiro dia de aula: eu ali. Estremecida de medo, sentada na última carteira, no cantinho sala de aula pela primeira vez. Por sorte, eu pude sentar junto com meu irmão mais velho o qual é deficiente visual. Sala cheia de crianças… Apenas três destas eram negras.
Minha primeira professora: cabelos longos e unhas grandes pintadas de vermelho. A sua voz imponente ressoando no silêncio intimidado da sala, dizia: “não pode levantar da carteira, não pode conversar com o colega, não pode ir ao banheiro”. E a régua na sua mão reforçava o seu comando. Era um bombardeio de “não pode”. Engraçado! Lembro-me desses detalhes, mas não lembro se quer de um sorriso dela, porque este, de fato, inexistia.
Toda a minha experiência escolar foi em escola pública. E Iniciei perfilando o pedagogo daquela época, para mostrar o quão grande era à distância entre professor e aluno. Começando pela forma receptiva ao aluno que chegava à escola.
A criança era visto pelo professor como um ser sem voz. Lembro-me que eu ficava apavorada com tantas letras e números para aprender e a professora não dava a atenção às minhas dificuldades timidamente declaradas.
Do primeiro ano à 8ª série, lembro de muita pouca coisa, pois foi um período o qual sofri muita discriminação por ser negra. Penso que os professores daquela época não foram preparados para lidar com tal situação.
A gente estudava não para entender, mas para decorar. Era uma educação voltada para o repasse de conteúdo de português, história, geografia, matemática, etc. Não se preocupava em fazer o aluno alcançar a dimensão real sócio-político e econômica, nem em absorver de fato aquilo que se estava estudando.
Para as avaliações, o aluno estudava a matéria indicada pelo professor, que na maioria das vezes, preparava inúmeras questões e respostas para o aluno estudar, ou melhor, decorar e no dia da prova escolhia-se dez destas questões. Era aterrorizante, pois eu tinha excessiva dificuldade para tal. Aliás, essa dificuldade foi conseqüência do trauma causada pelo preconceito. As piadinhas e o isolamento provocaram deficiências na minha auto-estima.
Nos dois últimos do segundo grau, tentei superar ao menos em partes algumas barreiras, tentando colocar-me lado a lado com meus colegas. Nessa época, os professores se tornaram mais atentos quanto aos preconceitos e incorporados numa educação mais abrangente, mais introdutiva…
O ensino vai se modelando de acordo com as exigências e perspectivas do desenvolvimento histórico. Em comparação aos meus anos escolares, já houve avanços significativos, sobretudo na concretização de uma educação objetivada não só no aprender, mas também para um despertar crítico do aluno.
Das três crianças negras citadas acima: Uma destas é meu irmão deficiente visual que contrariadamente parou os estudos na quarta série, a segunda criança, desistiu na segunda série e continua analfabeta até hoje. E a terceira criança sou eu! – consegui concluir o segundo grau em 1981 e vinte e cinco anos depois, consegui driblar o medo que me assombrava - resquícios de uma experiência parcialmente traumatizante e hoje estou cursando Pedagogia numa Faculdade federal, acreditando piamente em superar mais esse desafio.
O que para alguns parece ser tão simples e fácil, para outros é um quebrar grilhões, na expectativa de logo experimentar o sabor singular da vitória.
FERNANDA DIAS DA SILVA
Eu comecei a estudar com cinco anos, na Escola Paroquial São Bernardino de Siena, fazia o pré só porque tinha algumas dificuldades, não me lembro bem, mas não conseguia acompanhar as outras crianças, então repeti o pré e tive uma base boa. Repetir a mesma série foi ótimo para mim, pois assim realmente aprendi. Então fui para a 1º série, continuando na mesma Escola, a partir da 2º Série fui para Paracatu MG, estranhei muito o ensino de lá em relação ao de Catalão, na escola paroquial cobrava muito do aluno era aprender ou reprovar e em Paracatu não sei explicar bem mais o ensino era fraco, diferente.
Ate a 5º serie detestava Matemática tinha bastante dificuldade em entender a matéria. A partir da 6º serie já tive um bom resultado na matéria e mais facilidade de compreender. Na 7º Serie voltei para Catalão e fui estudar no Colégio Estadual João Netto de campos e foi nessa escola que terminei o 2º Grau.
A 7º serie e 8º serie eu fiz no período Vespertino foi os melhores anos de escola que tive, era uma turma animadíssima com Professores excelentes como a Idelma e o Adilsom.
Do 1° ano ao 3º ano fazia no período Noturno porque trabalhava. Terminei o Ensino Médio com 18 anos.
Depois que terminei o 2º Grau fiz cursinho pré – vestibular no Israel Macedo e no Aprov, adorei o cursinho do Aprov. Os professores transmitem bem o que eles sabem para os alunos e cobram bem dos alunos o que eles ensinam.
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