Estamira Dá Aulas Para Futuros Administradores
Filed Under Empreendedorismo | Posted on Abril 29, 2008
Estamira Dá Aulas Para Futuros Administradores
No último dia 26 de abril, sábado à tarde, dei aula para o segundo período do curso de administração, da Universidade Federal de Goiás – Campus de Catalão. Na tentativa de apresentar uma discussão sobre o pensamento complexo, a partir de um texto de Edgar Morin (Da necessidade de um pensamento complexo – que iremos discutir esta semana), foi projetado o filme Estamira.
O filme é um documentário dirigido por Marcos Prado e produzido por Marcos Prado e José Padilha. O que me levou a passar este filme como recurso didático para uma turma do curso de administração?
Em tese, foi a oportunidade dos alunos e alunas verem o outro como alguém estranho, diferente. Estamira à primeira vista nos incomoda, nos constrange, pois juntando as imagens do filme, o lixão (Aterro Sanitário de Jardim Gramacho) e a periferia do Rio de Janeiro, com seus arrebatamentos e palavrórios desconcertantes, Estamira nos fala de coisas que talvez não queiramos ouvir: a falência da saúde pública, da educação pública, o descaso com os idosos e o fato de mantermos os olhos fechados para a periferia do mundo.
Mas Estamira, por outro lado, está muito próxima de nós, do no cotidiano, do nosso “lixo” de cada dia. Quer coisa mais atual do que a frase que ela pronuncia: “não existem mais inocentes, mas sim espertos ao contrário”?
Assim, a idéia em projetar o filme foi a de provocar o diálogo a respeito do diferente, do outro, que estão à nossa volta, como os garis, lixeiros, pedreiros, empregadas domésticas e que parece que não nos diz respeito. Mais ainda: direcionar o pensamento para indagar sobre nossas possibilidades de parar para ouvir o outro, suas necessidades, testemunhos, grito, desejos.
Afinal, o administrador está sendo formado para analisar e intervir na realidade ou apenas para apresentar soluções copiadas?
Dados do filme
Gênero: Documentário Tempo: 127 min. Lançamento: 2004 Lançamento DVD: Mai de 2007 Classificação: 10 anos Distribuidora: Europa Filmes
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12 Responses to “Estamira Dá Aulas Para Futuros Administradores”
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Realmente
Estamira a princípio choca-nos com sua loucura
Mas existem verdades no que ela fala.
Quando ela diz que as crianças vão a escola fazer cópia, a escola não está muito preocupada em formar pessoas, mas simplesmente dizer que deve ser feito de tal forma e pronto.
Estamira, entre a sua loucura e lucidez, nos abre os olhos para algumas realidades que muitas vezes quermos escondemos ou até mesmo negar.
É verdade, em alguns momentos o filme nos choca, mas em outras nos surpreende.
Como dito em sala, cada um de nós tem a necessidade de encontrar a si mesmo, Estamira se encontrou, depois de tanta dor e sofrimento, quando foi trabalhar em um lixão, isso nos faz pensar em que realmente nos encontramos, qual papel quero desempenhar, quem sou eu, ou até o que sou, o que quero ser?
O documentário mostra uma perspectiva de vida que muitos de nós não estamos acostumados a ver, ainda mais no sentido de que Estamira se sente feliz e “se encontra” no resto dos outros. A primeira impressão que temos é de que ela é louca e não sabe muito bem o que está falando. Mas quando paramos para mergulhar no mundo dela, percebemos que traumas antigos e os vários percalços que ela já passou, tornaram a mesma numa pessoa totalmente desprendida do que é essencial à maioria das pessoas: o luxo,um relacionamento estável…
Percebemos também que as lições que a vida ensinaram a ela ficaram profundamente marcadas em seu psicológico, fazendo com que ela algumas vezes se perca entre a loucura de seu mundo paralelo e a sanidade de viver uma vida sofrida, porém normal (embora não deveria) a maioria da sociedade brasileira. É uma lição de vida, sem sombra de dúvidas e para tentar compreendê-la, é necessário que façamos uma viajem minuciosa até o mais obscuro canto de nosso “eu”.
Levando-se em consideração o que a mídia nos propõe, e o que estamos, pelo menos a maioria de nós, acostumados a presenciar ou assistir, podemos dizer que o documentário nos leva a uma nova realidade, a ter uma nova maneira de enxergar as coisas.
Estamira, que é, na minha opinião, excepcionalmente sábia, tem uma maneira diferente de se interpretar, e de interpretar o mundo em que vive. Quando ela diz: “Dinheiro? Eu não vivo por dinheiro! Eu faço dinheiro, não tá vendo?”, dá pra perceber que ela tem uma visão diferente da maioria das pessoas, que estão sempre em busca de dinheiro.
A uma primeira vista, podemos tachá-la de insana, por suas atitudes ou palavreado. Mas, agindo com empatia, tentando entender de verdade o que ela tem a dizer, pode-se perceber que suas palavras estão carregadas de inteligência, e que ela tem muito a oferecer.
Podemos perceber no documentário Estamira, muitas coisas interessantes entre elas a grande diferença de pensamentos, assim como formas de viver do homem. Apesar de histórias e ideais diferentes, todos nós buscamos nos libertar do que “o mundo” considera correto, podendo assim expressar melhor o que realmente somos e pensamos.
Müller, olhando o seu comentário lembrei de um livro que estou lendo, o nome dele é “O Futuro da Humanidade” de Augusto Cury, na história o autor fala de um mendigo que era um professor universitário e que, semelhantemente, a Estamira, sofreu muitos problemas que forão marcantes, e ele só se encontrou quando foi morar nas ruas e praças, até onde li ele já não ligava mais para o dinheiro, quando recebia esmolas ou comidas, dividia com os outros andarilhos, e ainda gozava dos executivos que viviam correndo de um lado para o outro em busca do dinheiro. Assim como Estamira ele também não buscava o dinheiro ele o fazia.
Aérika, eu já ouvi falar desse livro, parece realmente ser muito bom. Assim que tiver oportunidade, quero lê-lo.
Percebendo o que se passa com Estamira, e com esse mendigo do livro de que você fala, entende-se que a sociedade em que vivemos nos priva de encontrarmos a nós mesmos.
A busca por dinheiro e por bens já cresce cravada em nossa mentalidade, pelo menos na da maioria de nós. Não tô dizendo que eu sou diferente. Na verdade, eu também busco por melhores condições de vida e conforto.
Esses dois exemplos, que conseguiram se libertar, acharam seus lugares. Talvez por isso sejam isolados ou sofram pre-conceito: por serem diferentes da maioria das pessoas.
Estamira, antes de mais nada uma pessoa que como tantas outras passou por momentos dificeis e de sofrimento, porém, se diferencia das demais por ter se reencontrado no lixao. Assim como tantas pessoas que passam por situaçoes traumatizantes Estamira procura um refugio, um mundo proprio.
Variando entre momentos de lucidez e loucura nos relata e condena o sistema de saude e educaçao, que como todos nos conhecemos, deixa a desejar.
É um otimo filme que nos ajudará a conhecer lado mais humano e social da atual conjuntura da sociedade em que vivemos.
Histamira nos faz refletir o quanto somos seres complexos, mas ainda assim não paramos de rotular a tudo e a todos. Queremos que as coisas,as pessoas principalmente, se encaixem em rótulos pré-formados sem antes analisarmos o que verdadeiramente representam! E observando o comentário dos colegas, me pergunto se Hiatamira também não representa o “abandono” ,não o social, o qual temos responsabilidade, mas o abandono de si mesmo, como ser humano merecedor de uma vida digna. Será que Histamira se encontrou realmente, ou apenas criou para si um mundo para fugir de seus problemas, medos e frustações?
O documentário a respeito de Estamira, nós faz perceber coisas que estão a nossa frente, mas não conseguimos ou na maior parte das vezes não queremos ver. É muito bom ver filmes ou cenas que nós chocam, porque estas de uma maneira ou de outra, nos obriga a refletir melhor sobre a real situação em que a sociedade se encontra, uma realidade difícil de ser vista e mais ainda de ser vivida. Eu vejo Estamira como uma pessoa sensata dentro do que a vida ofereceu a ela, acredito que ela não escolheu estar naquele lugar, mas as circunstâncias em que a vida dela decorreu pode ter a levado a viver no lixão. É custoso de contetar, mais é possível que Estamira tenha encontrado o seu lugar na sociedade.
O filme Estamira logo de primeira nos choca, mas depois percebemos que este nos mostra a realidade, a qual muitas vezes fazemos uma fuga a esta para tentarmos diminuir os problemas e esconder o nosso ”eu” verdadeiro.
Vem a nos mostrar as diferenças sociais, que somos seres complexos em relação a tudo e a todos, e que devemos aceitar as pessoas com suas formas de ser e viver, e não mais viver num mundo onde tudo é padronizado e que as pessoas não mostram o que realmente pensam e são.
Nos faz refletir sobre quem realmente somos, nos encaminhando a encontrar o nosso verdadeiro ”eu” e a sairmos de toda hipocrisia, que ”é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui”.
As pessoas estão mais preocupadas com o ter do que o ser, como mostra no filme que estas correm atrás do dinheiro ao contrário de Estamira que faz o seu próprio, como ela mesma diz, “Dinheiro? Eu não vivo por dinheiro! Eu faço dinheiro, não tá vendo?”.
Portanto, concluímos que a sociedade está vivendo no caos e que várias pessoas se escondem atrás de suas máscaras, porque não agirmos e sermos quem realmente somos? A resposta só depende de você, de não se importar com o que os outros irão pensar, largar de toda ridícula hipocrisia e mostrar sua verdadeira razão, tanto racional como sentimental. Simplesmente, seja você mesmo, se abra e mostre o seu verdadeiro ”eu”!