A Independência Retratada Por Eduardo Bueno No Fantástico.
Filed Under Aprendizagem Compartilhada | Posted on Setembro 13, 2007
Quadro Independência ou Morte mais conhecido com “O Grito do Ipiranga” de Pedro Américo (óleo sobre tela - 1888)
Copyright © Julio Bentivoglio
Professor de História do Brasil (UFG - Campus Catalão)
É lamentável o desserviço prestado pelo novo quadro do Fantástico “estrelado” por Eduardo Bueno em relação à História do Brasil. Com a participação de Pedro Bial, o primeiro episódio, ao apelar para o anedótico e para o pitoresco, em nada contribui para o estudo e o ensino da História. Em se tratando de um episódio decisivo da história brasileira, optou por uma versão, que a rigor, além de superficial, pela maneira apresentada, desperdiça uma oportunidade preciosa de realizar um verdadeiro debate, com uma discussão séria e responsável sobre aquele evento. De fato a história é feita de versões, mas todo historiador sério tem no seu horizonte a verdade, Bial, jornalista deveria saber disto, pois no jornalismo, como na história há um compromisso, um imperativo categórico que envolve pesquisa, reflexão e exposição de um relato marcados pela responsabilidade. Nem vem ao caso analisar como, de maneira caricata, em Um quinto dos infernos, o mesmo contexto histórico havia sido retratado, afinal, a minissérie era obra de ficção. Mas, no quadro em questão, a maneira superficial e esteriotipada serviram de mote para embasar uma suposta nova versão, que no fundo nem é tão nova assim e cujo resultado é lamentável para a história e para o bom jornalismo. Seria essa a melhor maneira de apresentar aos brasileiros, sobretudo aos mais jovens estudantes, o episódio da independência? Bueno, como historiador deveria sofrer várias admoestações: anacronismo, superficialidade, opção pelo anedótico e pitoresco, equívocos de contextualização, uso inadequado de conceitos, para citar apenas alguns. O longo tempo dedicado ao quadro poderia ser melhor utilizado para discutir as memórias construídas sobre o episódio citado e para apontar que existem diferentes versões (já que Bueno optou pela memória republicana sobre a independência, a rigor, ao texto de Tarquínio de Souza) sobre o fato. Poderia expor o porquê de D. Pedro I ter uma imagem tão negativa no Brasil, enquanto em Portugal ele é visto de maneira, muitas vezes, oposta. A rigor, a impopularidade de seu governo e posterior abdicação em 7 de abril de 1831 certamente contribuíram para que fosse tão detratado. Mas, usar como fundamentos explicativos adultério, impetuosidade, imaturidade, futilidade, enfim, é problema grave, visto serem características que podem e poderiam ser identificadas em tantos outros personagens históricos. Mas não seria o caso de pensar essa memória negativa fixada em torno do primeiro imperador, tanto por seus opositores naquele momento, quanto por inúmeros historiadores republicanos que procuravam desqualificar a monarquia e o Império? Não seria mais produtiva uma abordagem séria, que relacionasse a relação íntima existente entre Brasil e Portugal e das dificuldades da separação? Que tratasse do Império Luso-brasileiro, das estratégias de D. João VI ao deixar Pedro I no Brasil, da problemática em torno das Cortes de Lisboa e o papel dos deputados brasileiros, da influência da maçonaria e da imprensa na ruptura com a antiga metrópole, dos questionamentos da historiografia recente em torno da recolonização, das guerras vividas no Brasil com a independência, pois alguns súditos, tropas e “brasileiros” não aceitaram a ruptura, mantendo-se leais a Lisboa; enfim, são tantas e ricas as questões, múltiplas as abordagens, variados os historiadores sérios que estudam o período em foco, no entanto, o Fantástico preferiu fixar uma imagem, uma memória e uma história sobre a independência a partir da interpretação de Eduardo Bueno, que é tão superficial, tão caricata, para não dizer tão ruim, a ponto de prejudicar, ainda mais, a relação dos brasileiros, em especial os jovens estudantes, com o passado de seu país, produzindo o pior dos males, em se tratando da importância do conhecimento, que repito, é tão preciosa no jornalismo como na história: a desinformação. Não há problema em Bueno e Fantástico defenderem aquela versão, o problema é darem a impressão de que é a única, ou, o que é pior, de que ela seja a melhor.
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38 Responses to “A Independência Retratada Por Eduardo Bueno No Fantástico.”
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Eu assiti ao quadro,e em momento nenhum me pareceu que o autor ou o programa queriam dar “a impressão de que é a única, ou, o que é pior, de que ela seja a melhor” das versões.
Agora se você acredita que tudo o que a Globo passa é a melhor das versões e ficou supreso com esta, já é outra história…
Acho que meu texto é bastante claro: as “versões” que a rede Globo oferece em relação à História do Brasil são sempre questionáveis, duvidosas, pra não dizer ruins. O quadro do Fantástico, sob a responsabilidade de Bueno não foge à regra. Depois do terceiro programa, sobre Tiradentes, vi-me na obrigação de não perder mais meu tempo com ele.
Na realidade eu gostaria era de uma resposta. O que ou quem credencia o sr Bueno (jornalista) como historiador? Onde estão e quais são suas fontes de investigação científica da história do Brasil?
Naõ concordo em dizer que o quadro encabeçado por Eduardo Bueno seja um desserviço. Sabemos sim que ele não é historiador e sim jornalista. A Globo é quem se encarrega de dar esse crédito para tornar a coisa mais verdadeira. De qualquer forma considero o quadro muito bom e adoro esse ar caricaturado que é dado aos personagens, fica muito mais fácil da grande população entender. Gosto muito de história, já li algumas coisas sobre a história do Brasil, que não eram de Eduardo Bueno, e acho que o quadro está bem montado sim. Em vez de ficar malhando o pau, eu aproveito pra assistir e me divertir, pq afinal, parece que todos os personagens reais da nossa história sairam de uma peça de comédia de tão bizarros…
Vi os últimos comentários ao meu post e, com certo contragosto – devo confessar – vi-me na obrigação de tecer algumas considerações mais. De fato, após o programa sobre Tiradentes eu não acompanhei os outros por motivos vários. Mas, naquele programa em questão constava nos créditos finais que o responsável pelo argumento era Eduardo Bueno, quando, a rigor, Bueno tenha se valido da análise feita anteriormente por José Murilo de Carvalho em seu livro A Formação das Almas de 1989. Isso para mim é algo inaceitável e talvez consista num dos graves problemas desta “produção” de Bueno, não citar muitas vezes suas fontes. Não dar crédito àqueles que, verdadeiramente, foram responsáveis pelas informações por ele utilizadas. Quanto ao fato de ser historiador ou jornalista, isso pouco importa, afinal a profissão de historiador não é regulamentada, qualquer pesquisador pode e deve escrever sobre história, o que em si é muito salutar, visto que existem contribuições excepcionais produzidas por não-especialistas em nossa área. O outro ponto de discordância que tenho em relação ao quadro é exatamente em relação a esse ar caricato, a essa história vista como comédia. Há uma tendência, Bueno não é o único a fazer isto, em especial no jornalismo da Globo, de tratar da história e da política brasileira como algo pessoal, como coisa de indivíduos. As questões são sempre particularizadas nas pessoas. Então, a partir de casos isolados, como o de Renan Calheiros, João Alves, José Dirceu, Paulo César Farias, D. Pedro I ou qualquer outro, a história, como a política, é tratada como obra de indivíduos, e suas ações medidas com um julgamento moral que descaracteriza processos mais amplos e questões mais complexas. A política, como a história, fica assim reduzida a fatos, e seus personagens, a caricaturas, sem a menor complexidade. Por que diferentes representações sobre o passado brasileiro optam por registrá-lo dessa maneira pueril e caricata? Por que se insiste numa história, e num passado que devem sempre ser narrados sob a perspectiva cômica? Hayden White e Carlo Ginzburg tem ótimas discussões a esse respeito. Será que é mais fácil aprender rindo ou talvez resida aí uma tradição nada ingênua, cujo objetivo é desqualificar o passado para justificar as incongruências do presente? Não haveria aí mais um sintoma de um imediatismo fútil que despreza o conhecimento sistemático e rigoroso, que denega a importância do saber histórico como uma reflexão que aponta os sentidos e que problematiza o presente? Se a finalidade do quadro é apenas a da distração, então que se mude o título do programa para “É muita piada…” ou ainda “É pouca história…” Poderiam fazer quadros semelhantes com a filosofia e os filósofos, com a psicologia, com a pedagogia, com a física, com a química, com a economia. Ridicularizar Kant e suas manias, Rosseau por ter abandonado seus filhos à indigência, Freud por usar e receitar cocaína, o inventor da guilhotina por ter sido guilhotinado, etc., da mesma forma que têm feito com a História (e com a política), ridicularizando seus personagens de maneira grosseira e superficial. Por que é preciso bestializar a história do Brasil para os brasileiros? Por que alimentar preconceitos e imagens distorcidas? Por que valorar o incidental, o anedótico e não assumir a dificuldade de analisar temas delicados ou importantes? Será que Bueno fará algum programa sobre os militares no mesmo tom? Ou seja, alguns temas podem e devem ser motivo de gozação outros tratados com seriedade. Talvez exista aí uma grande diferença na maneira como eu vejo a questão: para mim a história não é distração, é algo muito sério. E, ao contrário de Bueno, eu cito as minhas fontes. E, ao contrário daqueles que se comprazem com as bizarrices do passado, eu prefiro evitar que eu mesmo me torne bizarro ou ainda considere o ensino da história como tal.
Não acho um desserviço,pelo contrário,acho muito interessante, o Fantástico é um programa de entretenimento de final de domingo,ninguém está interessado em debates intelectuais ou profundos sobre temas que poucos conhecem,ao que se propõe,isto é,informar divertindo, acho excelente pois assim os leigos se divertem e ainda aprendem. Nada de errado nisso,não vejo porque transformar sempre informação histórica em debate muito sério,abraço.
Claro que eu concordo que não é preciso ser PhD em Harvard para ser um “historiador”, qualquer indivíduo bem intencionado , bem orientado e com condições de realizar pesquisas pode e deve contribuir para o engrandecimento de seu povo. Cito o caso do jornalista americano , Noah Gordon, que tem profundo conhecimento da história da medicina -veja sua trilogia que começa com o excelente livro : ” O Físico “.
O que eu quis dizer é que aquilo que li do Sr. Bueno não me passou autenticidade de pesquisa. Parece-me sempre que ele leu em algum canto, reproduz com um molhozinho caricato e fatura em cima.
Concordo plenamente com você, Afonso Guedes. Quanto à opinião anterior, respeito, mas não me conforta. De fato, Fantástico é um programa de entretenimento, como a própria autora diz “interessante” (adjetivo deveras vago e impreciso - mas que é perfeito e se adequa bem ao programa em questão). No passado ele tinha maior apelo jornalístico, enquanto agora procura passar uma imagem mais leve e informal. Entretanto, ao contrário do que autora imagina, o programa até diverte, mas não ensina nada. Pelo menos em relação à História do Brasil. O que se aprendeu sobre a independência? Sobre a invasão holandesa? Sobre Tiradentes? Acho que há uma incompreensão nos meus posts, porque não posso imaginar que seja má-fé. E ela reside em três aspectos: 1) quanto ao papel da televisão ao lidar com a história (individualizando factualmente pela via cômica e moral) e de uma maneira geral com o conhecimento 2) quanto à forma de Eduardo Bueno promover-se a custa da pesquisa de outros (visto que sua produção é bibliográfica e ele pouco cita os autores/fontes de onde extrai suas informações)
3) de que o conhecimento só possa ser levado a sério na universidade e que a televisão não tenha uma responsabilidade social em torno do que veicula - ou seja: se ela capta e prende a atenção (não importa sob quais artifícios) divertindo e distraindo já está de bom tamanho. É uma pena, porque eu penso que existem espaços na grade televisiva para informar, para debater, para distrair e para ensinar. Num programa supostamente jornalístico, embaralhar as coisas é algo delicado. Por último, afirmar que NINGUÉM está interessado em debates sérios e profundos na tv é enxergar a sociedade de maneira muito restrita.
É isso aí, Júlio!
Concordo plenamente.
Concordo com quase todos os comentários que aqui examinei, tenho o prazer em dedicar alguns comentários também. Tenho a certeza que a história é uma verdade provável e que nada o que lemos ou vemos na tv sejam coisas verdadeiras, relativamente os fatos são tão longíncuo que não sejam paupáveis. sei que sendo verdade ou não, a história esta sendo contada , não que tudo que Eduardo Bueno colocou na tv seja de fato a realidade, pois quem tiver a verdade absoluta que conte na tv ou se atrva a contar.
“…talvez resida aí uma tradição nada ingênua, cujo objetivo é desqualificar o passado para justificar as incongruências do presente?” “Por que é preciso bestializar a história do Brasil para os brasileiros? Por que alimentar preconceitos e imagens distorcidas?”
Senhor Júlio e demais senhoras e senhores comentaristas deste post. Não sou historiador e muito menos especialista da área…somente um pensador que passou por aqui e gostou do modo que foi descorrido o assunto, posso ter uma visão leiga sobre o assunto mas é sobre os comentários acima citados que gostaria de discorrer.
A minha primeira pergunta é…A História como ciência…trata de registrar a verdade dos fatos ou é lícito mascarar para a construção de uma sociedade sadia? Porque é justamente essa relação entre as perguntas do dono do post que eu acima iniciei o comentário e a pergunta que fiz…que eu acredito que consiste no centro de discussão do quadro do fantástico:
1º- Acredito que eles fazem a relação entre o que é ensinado nas escolas, e as versões dos fatos…ainda que poucos e isolados relatos e muito menos gloriosos, para demontrar exatamente isso…um grito que ecoa…”NÃO É ENSINADA A VERDADE…A HISTÓRIA DO BRASIL OFICIAL É UMA FARSA…”, assim sendo eles podem moldar na cabeça daqueles que assistem que somos todos frutos de uma farsa!!! O passado do país ensinado é falso…e o raciocínio guiado seguinte é…somos todos falsos…
2º - A globo o fantástico se utiliza de seus altos picos de ipobe, e o poder da televisão para controlar as massas e fazem isso justamente respondendo as questões que iniciaram esse comentário…estão bestializando a história do Brasil para os brasileiros, estão alimentando preconceitos e imagens distorcidas. E mais…revelando um intento nada ingênuo, cujo objetivo é desqualificar o passado para justificar as incongruências do presente?…SOMOS ASSIM…NOSSOS POLÍTICOS SÃO ASSIM…PORQUE É REFLEXO DO NOSSO PASSADO…é isso que querem moldar.
Realmente concordo…do ponto de vista patriótico, não é nada legal mostrarem a história do modo que mostram…desde muito tempo sabemos por exemplo que a história americana e de sua independência é mais gloriosa que a nossa. INDEPENDÊNCIA DO BRASIL FRUTO DE ACORDOS E DINHEIRO AO PASSO QUE A INDEPENDÊNCIA DOS EUA É FRUTO DE GRERRA CONTRA SEUS ALGOZES COLONIZADORES…oh que lindo!!(perdoe-me pelo sarcasmo) será que se não fossemos a fundo também…não descobriríamos que o passado deles não é assim tão glorioso também? Daqui eu posso concluir o comentário mas não a discussão que reinicio com a pergunta: É importante a construção de um registro histórico para que uma sociedade possa ser desenvolvida ou começar a se desenvolver?
Prezado Alisson, suas considerações são pertinentes, embora eu não vincule minhas considerações ao problema da verdade, ao patriotismo ou a possível manipulação da Rede Globo. Isso porque a história, como as demais ciências humanas apresentam suas especificidades, portanto relaciono minha perspectiva a de alguns teóricos como Dilthey, Koselleck e Rüsen, mas não vou ocupar o blog, que é mantido pelo professor Wolney, com essas discussões mais teóricas. Lendo seu texto posso afirmar, como fez Vico no séc XVIII: nada do que é humano me é estranho e, acrescentando com Herder no XIX: todas as coisas têm sua história. Então esse é o desafio do historiador: buscar a história e não, necessariamente a verdade, embora nunca percamos esta última de vista. Quanto ao patriotismo, não acho que a história do Brasil deva ser contada por questões meramente patrióticas, com um fundo moralizante, embora seja fundamental para o exercício da cidadania e da justiça. Explico: a história tem uma importância social. Nosso passado deve ser importante para nós: sujeitos sociais. O desprezo por ele, ou ainda o fato da história ser ridicularizada é sempre sintomático de uma sociedade que prefere não problematizar, que naturaliza problemas. Desprezar a experiência do passado é sempre um risco quando se deseja, ardorosamente viver o presente ou ainda, tão somente, sonhar com o futuro. Por isso adverti quanto as problemas de se retratar, num canal como a Globo, a história do Brasil de maneira caricata, especialmente por conta dos mais jovens. Cada vez mais vejo manifestações de preconceito, indiferença, intolerância e violência em nossa sociedade. Daí o mote é sempre ridicularizar o poder, seus signatários, procurando subverter a ordem das coisas, formando opiniões tacanhas e construindo nas pessoais a impressão de estarem bem informadas, ou ainda de fazê-las se sentir importantes, conscientes. Se a história é uma piada e os políticos bizarros podemos ficar tranquilo se formos legais, no futuro, quem sabe, as coisas mudem… Por fim, penso que a Rede Globo pode, como outros meios de comunicação, tentar influenciar a opinião, manipular informações, reforçar apenas um e outro ponto de vista, mas que cabe a nós, mediante a crítica e o conhecimento mais rigoroso estarmos atentos para a denúncia e o debate com vistas a problematizar a nossa sociedade e a formação dos indivíduos.
Julio,
Estou feliz, surpreso e entusiasmado com este post que você criou. Eu não tinha idéia que uma temática sobre História do Brasil pudesse atrair tanto debate interessante.
Quero deixar claro que este Blog é mesmo um espaço para tais debates, seja mais ou menos teórico. Fique a vontade para teorizar, dialogar, contestar, enfim, manifestar-se por aqui.
Com estes poucos meses de vida do Soprando.Net já podemos ir notando que aqui se delineia uma sala de aula de formação de professores. É o que penso quando imagino um(a) aluno(a) dos cursos de História, deste nosso país por exemplo, acessando estas discussões. Este espaço, repito, tem por objetivo formar professores, sejam eles(elas) graduados(as) ou não.
E neste sentido, o Soprando.Net está aberto ao debate. E mais: caso queira trazer outras temáticas, basta me enviar um email (whonoriof@gmail.com).
Abraço e parabéns pelas discussões. Problematizar a forma como se revisita o nosso passado histórico é de suma importância para o nosso presente/futuro momento.
Wolney
Professor Julio,
Gostaria de parabenizá-lo pelo debate e reforçar que desde o primeiro episódio eu fiquei imaginando qual o referencial bibliográfico da pesquisa. Também acho que os créditos devam ser contabilizados a quem de direito.
Júlio,
compartilho da sua opinão acerca do potencial educativo da televião, entretanto somos conscientes da problemática em torno dos principais meios de comunicação atualmente. E por este motivo defendo a iniciativa do fantástico (e da Rede Globo) em proporcionar alguns minutos de “entretenimento educativo”, mesmo que um tanto quanto precário conforme apontado neste espaço. Não estou querendo justifcar as falhas do programa, pelo contrário, mas apoio as idéias que possam vir a incentivar uma transformação dos meios televisivos os quais conhecemos. Este que é considerado, em minha opinião, o ponto forte deste programa.
Abraços e parabéns pelo “post” de ótimo coteúdo.
Prezado Juan Carlos, você tem razão, de fato é importante que as tevês criem espaços e programas com um caráter informativo e educativo. Abraço
Em relação ao quadro de história do fantastico, acho que a maior preocupação da emissora é trazer ibope, pois a medida que se fala de história numa maioria das vezes todos acham chato, de repente falando de modo pintoresco, as pessoas podem até se interessar pelo assunto. Sou professora de História, em sala de aula uso os episódios gravados em video para debater as diversas versões sobre a História do Brasil e assim traçar uma linha pedagógica sem sair da forma acadêmica de estudar História.
Discordo plenamente Sr. Júlio.
Acho que o senhor perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Não vale nem a pena discutir as minúcias da visão estreita que o Sr. está tendo.
E mais um detalhe… O Eduardo Bueno é jornalista, não “historiador” !
T+
Salve!!!
Gostaria apenas de fazer o seguinte questionamento: Quem disse que não houve guerra para que houvesse a Independência do Brasil???
Temos que tomar cuidados ao afirmarmos certas coisas, principalmente quando se quer elevar o Tio Sam.
Eu sou brasileiro e como tal me comporto, honesta e honradamente. A nossa História é tão maravilhosa quanto a de qualquer outro povo..
Ah…
Houve guerra sim para a Independência…
Aquele programa é absolutamente lamentável!
O quadro sobre “história” é uma verdadeira porcaria, alem do fato de não dar credito aos autores que elaboraram as hipóteses, deturpadas por esse jornalistazinho que de história pouco conhece. Até as escolas de samba, retratam a história com maior finalidade apesar de não se prestarem a isso. Pra falar de história deviam contratar um historiador e não um palhaço.
Meu caro Hércules,
Estreiteza maior é essa tua, inócua para a discussão, tacanha e grosseira quanto ao jeito de se colocar num diálogo tão franco, acolhedor e cortez. Da próxima vez que for postar alguma coisa, pense um pouco antes e, por gentileza, seja um pouco mais educado, pois sou avesso a grosserias, e imagino que todos os demais que têm postado neste site de tão alto gabarito pensam do mesmo modo.
puta bando de invejoso o peninha é muito bom vcs que estudam d + e fcam bitolado na inveja
Não sei se entendi a postagem anterior, afinal, existe uma certa precariedade no uso da escrita, no uso da língua portuguesa. Vale, portanto, minha fala no item 21 no tocante ao tom grosseiro e indelicado também presente na fala do Sr. Keco (?!). Quanto ao conteúdo, aguardo nova postagem, pois, embora acredite que seu autor tenta atribuir à inveja meu post (o que revela uma certa dificuldade de leitura e compreensão), sua redação é muito confusa e ruim.
Pode ser que o “sr. Peninha” tenha estudado alguma coisa, mas o sr. Keco… deve ter saído do curso do Sobral (”o que sobrou do Mobral”).
Diante desses últimos comentários, penso que o assunto já rendeu o que deveria e, para evitar maiores constrangimentos e exercícios de grosseria, encerro minha participação neste assunto com esta mensagem.
a única coisa q tenho adizer é q devemos deixar laro q Bueno é um pseudo-historiador.
Pseudo-historiador ou não… a verdade é que temos que dar o braço a torcer. Em um pais onde a maioria não sabe localizar uma capital em nosso mapa esse tipo de programa veio a, no mínimo, despertar a curiosidade do povo para sua própria história. Feliz do Mel Gibson, que teve a coragem de mostrar o que realmente aconteceria com os desafiadores do império romano, bem longe do conto de fadas que lemos!
Em um país colonizado por saqueadores e invadido pela escória da européia, o povo agora tem a chance de debater sobre nosso passado mesmo que aparente ser uma comédia!
Abraço a todos.
Concordo com o artigo. Como pesquisador estou decepcionado com a superficialidade e mau gosto dos quadros apresentados pelo fantástico.
Olá,
Gostaria de saber se alguém poderia me passar o e-mail do senhor Eduardo Bueno.
Por gentileza,
Grato.
How Bausen
27/12/07
O e-mail é howbaus2@yahoo.com.br
eu sou pelos que fazem! larga mão de ser ranzinza e vai fazer alguma coisa útil ao invés de dar surto de dor de cotovelo com o sucesso dos outros!
Julio, de que serve esse blog se você não aceita/respeita a opniao dos leitores?
Você colocou sua opnião, deixou bem claro que nao gostou do quadro e isso nao quer dizer que os outros milhoes de brasileiros tem que concordar contigo.
O Peninha é um ótimo jornalista, e conhecedor da história. Se nao fosse, nao teriam dado a oprtunidade de estrelar um quadro no fantastico.
Voce está me parecedo um recalcado.
Mas ao contrario de voce, que nao respeita a optinao dos outros…respeito a sua… se nao gostou…AZAR O SEU… eu gostei!!!!
Prezado João,
Peço que leia com atenção o meu post anterior (n.25). Lá verificará que o motivo pelo qual encerrei minha participação se deu por conta de postagens que se desviavam do assunto em debate para resvalar, levianamente, em exercícios de grosseria, como esta sua ao chamar-me de recalcado. De qualquer maneira, devo lembrar que a discussão que procurei travar e na qual encerrei minha participação dizia respeito a questões historiográficas, não se tratando, portanto, de questões de juízo estético - gostar ou não gostar do quadro. E o fiz de maneira apropriada, com rigor e alto estilo, condizentes com minha formação e com o cargo de professor adjunto que ocupo numa universidade pública federal, dentro de um curso e História. Infelizmente o despreparo e a falta de educação, por parte de alguns, obrigaram-me a deixar este importante fórum de discussão. Evidentemente que Eduardo Bueno tem suas credenciais para estrelar o quadro e fico feliz com isto. Penso inclusive que ele deu sensível contribuição para a divulgação da História do Brasil com suas obras. Agora, toda e qualquer versão histórica não está imune à crítica ou a restrições. Isso vale para todo e qualquer autor. O que me desaponta e ver leitores desavisados e mal-educados, que caem de para-quedas numa discussão sem compreendê-la e tratam com descortesia seus interlocutores. Que oferecem meras opiniões e não argumentos amadurecidos em questões de crítica historiográfica e se reputam sábios. Que procuram tornar um debate sério e importante em um bate-boca, abandonando a reflexão pelos ataques pessoais. Que se valem do anonimato da internet para realizar exercícios de desrespeito e intolerância. Muitos não devem ter notado, mas eu assino com nome e sobrenome minhas postagens e assim procedendo responsabilizo-me por minha crítica e por meus atos. E como ao escrever meu primeiro texto eu me propunha a discutir o teor historiográfico de um quadro em um programa de televisão e não as opiniões do público sobre o referido quadro, sendo surpreendido por demonstrações de má-fé e irrazoabilidade no uso da razão, dei por encerrada minha participação.
Lamentável é a discussão em torno do jornalista.
Olá.. que conhecidencia termos o mesmo sobrenome neh !!
“É extremamente importante situar este aspecto visual da história, fazer com que vejamos o passado e a televisão está aparelhada para este tipo de história. Para fazer com que nós vejamos com os olhos de hoje, a realidade do passado”,
adoreii a frase que mensionou.. otima!
amo saber um pouco mais da nossa historia! pois a unica coisa que vejo na televisão e quando passa historias interesantes para saber um pouco mais dos ante passados!! se puder me responder o email ficarei grata !! obrigado pela atenção!.
Abraços
Pois então. Minha filha de 10 anos estudando história, aprendeu que um historiador não pode estar fechado que a história é reescrita a cada dia pelo fato de novas informações estarem sujeitas a serem agregadas num panorama até então estabelecido. Pois então citei o Peninha, que faz esse tipo de “brincadeira” e salientei que as versões dele levam a um atitude mais “filosófica” num sentido de repensar as coisas. Justamente um tópico do livro de minha filha é a questão da verdade absoluta. Ela não existe, a verdade de agora pode ser a mentira de amanhã. Os tribunais julgam hoje e amanhã pode ser que se descubra um erro no processo e inverte o parecer. Pois adorei ver todo esse embate de vcs. É justamente isso qeu precisamos. Bons tempos em que se discutia masi o todo. Ah, desde quando Fantástico é parâmetro cultural? Pode ser de quanto falta cultura nesse país. hahahaha…. abraço atodos vcs e vamos continuar debatendo, questinnado e reescrevendo aquilo que nunca terá uma verdade apenas.
Mais uma que sempre afirmo: conta a história quem ganha uma guerra, então que podemos esperar de verdade?
Discordo apenas da forma como o Eduardo Bueno foi desqualificado em muitos posts. Dizer que o trabalho do Eduardo Bueno não tem valor porque e bibliográfico é uma asneira sem tamanho. Não há trabalho, científico que seja, que não tenha uma multiplicidade de fontes de consulta. Nenhuma idéia surge assim do nada. As idéias vão amadurecendo com o tempo até chegarem aos livros depois de muita reflexão. Dizer que o Eduardo também não pode ser um bom autor de livros sobre história porque é jornalisata é outra grande bobagem. Esqueceram de Eduardo Galeano e “As veias abertas da América Latina”. Galeano também é da classe jornalistica. E, por fim, uso este último livro citado de Galeano para dizer a vocês que a história que vocês estão se referindo que o fantástico e o Eduardo “achincalharam” no fantástico é apenas a “História Oficial”, que vocês aprenderam na escola com ares de verdade histórica. É a história contada pelos vencedores. Nela vemos os nossos conquistadores com heróis, sem nenhum senso crítico. Lí a trilogia do Eduardo Bueno “coleção terra brasilis” e achei fantástica. Para quem não sabe ele acabopu ganhando nosso prêmio máximo na literatura , o “Premio Jabuti”, por esta coleção.
CORREÇÃO
Na verdade não é uma trilogia. É uma “Quadrilogia” escrita pelo Eduardo, conhecida como “coleção terra brasilis”. Perdoem o equívoco…