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Janeiro 25, 2008

A Telinha Da TV E A Educação

Posted in: Púlpito

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Neste final de férias, ainda com filho e sobrinho, venho tentando propor atividades a eles. Isto porque frequentemente me dizem: “Não tem nada para fazer”.

Eu fico indignado com estas afirmações, pois há uma gama de coisas para fazer, criar, imaginar e eles insistem em afirmar daquela forma.

Pois bem, ontem, ao falar sobre Pokemon e Naruto, 2 filmes, de desenhos animados que vêm passando na telinha da TV, eu pensei: por que será que estas crianças (não só meu filho e sobrinho) têm estas atitudes de insatisfação com aquilo que elas têm em casa?

É verdade que a dita babá eletrônica alcança cada vez mais uma maior presença na vida das crianças no Brasil. Qual professor não pensou nisto, ou seja, na concorrência destes produtos simbólicos em relação às aulas a serem oferecidas nas escolas, sejam públicas ou privadas?

Minha impressão é que não há apenas insatisfação, mas uma liquidez acelerada do cotidiano, revertendo na diminuição da criatividade, imaginação, proporcionando uma leveza insuportável para nossas crianças.

Hum, talvez eu peguei pesado no parágrafo acima. Mas vamos lá!

Eu fui educado com uma rigidez e certos limites que hoje não estão mais em prática na educação familiar. Meu irmão e eu não ganhávamos tantos presentes como meus filhos e os dele ganham hoje. Apesar de minha mãe nos segurar um bom tempo para não brincarmos na rua, lembro-me que com 6 anos jogava bola na porta da minha casa, andava de bicicleta, e participava de várias brincadeiras como pique pega.

É claro que achava meus pais ultrapassados quando eles não deixavam a gente brincar à noite com meus primos, por exemplo, quando íamos passar férias em Canápolis-MG, onde morava meus avós paternos e tias.

Mas eu posso dizer que sou um “urbanóide”, cresci vendo TV - de sessão da tarde ao programa do Chacrinha, passando pelas telenovelas.

A TV nos acalmava e nos fazia ficar mais em casa, nos imobilizava? Acredito que sim, numa proporção menor, penso, do que hoje em dia.

Mas para que este post não vire artigo, vamos aos finalmente:

penso que há uma relação entre a insatisfação, ao pequeno valor dado às coisas do cotidiano e os produtos simbólicos que estão por ai, principalmente na telinha da TV.

Sei que esta idéia da liquidez não é autêntica (há um autor-sociólogo Zygmunt Bauman que trata disso em seus livros), mas refere-se, sem querer afirmar que dá conta, à transição que venho presenciando entre minha infância e adolescência e a dos meus filhos e sobrinhos. Se tornar a vida mais leve e fluida é algo tão comum hoje em dia com a presença maciça da telinha da TV, urge pensar em alternativas, não é mesmo?


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